“Meu marido, o Príncipe Louco do submundo, uma vez incendiou um quarteirão inteiro só porque um rival olhou para mim de um jeito torto. Agora, ele me força a ajoelhar na garoa gelada de São Paulo, vestindo nada além de uma fina camisola de seda. Em sua mão, ele segura um tablet que controla os aparelhos que mantêm meu irmão em coma vivo, ameaçando matá-lo a menos que eu confesse ter maltratado sua nova amante. Para salvar meu irmão, engulo meu orgulho e confesso um crime que não cometi. Mas o estresse é demais. Eu perco nosso filho ali mesmo, manchando a neve branca e pura com um vermelho carmesim. Dante nem pisca. Ele passa por cima do meu corpo sangrando para consolar sua amante chorosa, me deixando para gritar sozinha por nosso bebê perdido. Ele acha que me ensinou uma lição. Ele me força a pedir desculpas à mulher que zombou de mim, mesmo enquanto meus pontos se rompem. Ele não sabe que, enquanto guardava a porta para impedir a entrada dos médicos, meu irmão realmente morreu. Ele não sabe que enterrei a única família que me restava em uma vala comum enquanto ele dormia com a mulher que me incriminou. Em nosso décimo aniversário, ele enche a casa de lírios, esperando uma reconciliação. Em vez disso, deixo os papéis do divórcio assinados na cama, pego um punhado de terra do túmulo e desapareço na noite. Quando ele perceber a verdade, serei um fantasma que ele nunca mais poderá tocar.”