“Eu era a filha do pescador mudo que se casou com o Rei do Rio, apenas para me tornar sua prisioneira. Dante Vitiello não me amava; ele usava meu silêncio como uma arma e deixava sua amante, Valeria, mandar na minha casa. Quando Valeria se envenenou para me incriminar, Dante não procurou a verdade. Ele drenou meu sangue para salvar a vida dela, depois me jogou numa masmorra congelante para apodrecer entre os ratos. Ele planejava se casar com ela enquanto eu tremia no escuro, me dizendo que eu não passava de lixo da sarjeta. Sem voz para gritar e sem ter como lutar, eu escolhi a única saída que me restava. Engoli um frasco de veneno letal de baiacu, trocando minha vida por um coma que imitava a morte. Eu queria assombrá-lo. Eu queria que meu corpo frio fosse sua punição. Mas quando acordei, um ano depois, o mundo tinha mudado. Eu não estava no inferno. Estava numa clínica, e Dante estava caído no chão com uma bala na cabeça. Ele tinha descoberto a verdade tarde demais. Para me acordar, ele aceitou um jogo mortal de roleta-russa. Assinou nossos papéis de divórcio com a mão firme, depois puxou o gatilho para comprar minha liberdade. O monstro estava morto. E, pela primeira vez, o silêncio era meu.”