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Fingir Até Acontecer

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Capítulo 1 A decisão questionável

Palavras: 1407    |    Lançado em: 08/08/2026

, conversando com amigos que vão te dar a opinião que você já tinha decidido ouvir. E existem decisões que a gen

da segunda

bia. Só não sabia o tamanho da coisa - e isso, no fim, é

a sinônimo de propósito de vida. Tinha terminado, três meses antes, um relacionamento de três anos sem uma única briga digna de nota - o que, convenhamos, é o tipo de fim qu

to terapia, ou yoga, ou aquele curso de cerâmica que tod

ma passagem

"a experiência definitiva para quem tem entre 21 e 29 anos". Eu li isso. Vi o número. Fiz a conta. E

mparando reformas de cozinha e planos de previdência privada. Eu queria provar uma coisa. Não sei exatamente o quê, ou melhor: sei, mas ainda não tinha cor

uém perguntar mais nada. Funciona quase sempre. Funcionou com a minha mãe, que só perguntou se eu ia usar protetor solar. Funcionou c

o. Mas isso eu só f

*

a de marketing. Faço planilha até pra decidir o que vou assistir na sexta-feira. Tenho uma pasta no computador chamada "decisões importantes" com subpas

ete dias com gente que nasceu depois do Orkut morrer, sem consultar a pasta, s

mim. Sei que "as pessoas hoje em dia são de outro mundo" é uma forma educada de dizer "eu não entendo mais o mundo e isso me apavora

, não tem nem uma piada de internet que confirme essa fronteira - eu inventei ela sozinha, com material de primeira qualidade: comparação, insegurança e um scroll de duas horas no Inst

ossabotagem, se você parar pra pensar. Eu p

*

ncia, dobrada, numerada mentalmente por ocasião. Dessa vez, joguei tudo numa mala pequena, decidida a v

ei que a metáfora n

ara, mas vai que". Separei um tênis branco que comprei especificamente pra essa viagem, ainda com aquele cheiro de loja que não sai nem depois de três lavagens.

ma resposta pronta para a pergunta "quantos anos vo

*

da mesa - sim, impressa, eu sei, ninguém mais faz isso, mas alguma parte de mim ainda acr

o aquilo antes, claro. Vi quando comprei, vi quando recebi a confirmação, vi quando imprimi. Mas al

ze, quatorze anos mais nova que eu. Ia ser, e

o, e aqui eu preciso ser honesta com você: talvez esteja reescrevendo esse momento pra parecer mais dramático do que foi. Talvez eu só tenha olhado pro celular por trê

que não

ar significava admitir que a viagem inteira tinha sido um erro pensado errado desde o começo - e eu não estava pronta pra admitir isso ainda.

e bagagem dentro dela, de um jeito que nenhuma companhia aérea j

pro

*

, mandei uma mensagem pra B

das qualidades dela que eu mais invejo e menos pratico: "Eu nunca te

ar num mundo que ia continuar girando perfeitamente bem sem eu estar nele por uma semana - o

e enorme, parecendo menos um meio de tran

amanho da coisa que est

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Fingir Até Acontecer
“Clara tem 35 anos e um plano perfeitamente racional: fugir deles. Depois de uma demissão disfarçada de "reestruturação", um término sem motivo suficiente para brigar e um aniversário que ela decidiu simplesmente não comemorar, Clara faz a única coisa que parecia fazer sentido às três da manhã: compra passagem para um cruzeiro lotado de gente na faixa dos vinte anos. A lógica era simples. Se ela conseguisse se misturar, talvez a idade parasse de contar. O problema é que ninguém avisou Clara que fingir ter vinte e poucos é um trabalho de tempo integral - e ela é péssima nisso. Erra a gíria. Erra o passo do dance que jurou ter entendido. Erra, principalmente, ao achar que ninguém está percebendo. Entre memes que ela não pega e uma vontade cada vez maior de voltar pro camarote sozinha, Clara esbarra em Tomás: 38 anos, arquiteto, o tipo de homem que todo mundo chama de "tranquilo" porque "estagnado com boa postura" seria rude demais para dizer em voz alta. Ele também não devia estar naquele cruzeiro. E é o primeiro, em muito tempo, que olha pra Clara sem esperar que ela seja engraçada o tempo todo. Tem também Isabela, 22 anos, que decidiu que Clara é um ícone de vida - sem saber que está tão perdida quanto ela, só que chama isso de "se encontrando" em vez de "estar velha". E tem o grupo: Rafa, Xande, Mari e companhia, que Clara passa metade da viagem tentando impressionar e a outra metade percebendo que eles têm tanto medo quanto ela, só que usam palavras diferentes pra isso. O que começa como comédia de choque geracional - gírias erradas, tentativas desesperadas de pertencer, um dance do TikTok que termina no chão do deck - vai, aos poucos, virando outra coisa. Porque Clara descobre, sem querer e sem discurso, que o problema nunca foi ter 35 anos. Foi ter passado os últimos anos rindo antes que alguém a obrigasse a sentir. Fake It Till You Make It é uma comédia sobre performance, sobre a idade que a gente finge não ter medo de ter, e sobre o momento exato em que a gente para de tentar ser interessante para os outros e, sem perceber, se torna. Um romance para quem já riu demais de si mesmo pra não reconhecer o próprio reflexo - e para quem sempre desconfiou que a pessoa mais engraçada da festa é, quase sempre, a mais sozinha.”