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Fingir Até Acontecer

Capítulo 2 O embarque

Palavras: 1411    |    Lançado em: 08/08/2026

uma música ambiente animada demais pras oito da manhã. Eu já tinha visitado aeroportos, rodoviárias, consultórios médicos - todos os lugares

ando o celular sem checar nada de verdade, só pra te

uma vez: em algum ponto entre o carro e aquela fila, a média de idade ao meu redor tin

r direito. Um grupo de quatro garotas - vinte e poucos, no máximo - filmando um vídeo em sincronia, com uma coreografia que elas

ênis novo que ainda cheirava a loja. Não era ruim. Era s

assou por mim usando um top que dizia "TEAM BRIDE" em letras cor-de-rosa, seguida por um bando igualmente vestido,

que comprei a passagem, uma pessoa

: a de que eu não conseguia mais fingir, nem pra mim mes

*

eu o número - o que, de alguma forma, me irritou. Eu queria uma reação. Um piscar de olho. Um "ih, mas a senhora não é meio grande pra esse cruzeiro?" pra eu poder ficar ofend

flito antes delas acontecerem: a realidade

enquanto eu carregava minha mala pequena tentando parecer que aquilo era completamente normal pra mim, que eu fazia esse tipo de cois

ceber a atuação. Isso eu só entendi bem mais tarde: que boa parte da

*

es em tons de rosa e roxo, uma DJ já tocando alguma coisa com muito grave às nove e meia da manhã, e telas gigantes anunciando a "programação d

uilo três vezes tentando

á calculando uma rota de fuga, quando uma recepcionista do navio - sorriso genuíno, esse sim, o qu

tô super por de

orredor certo, andando por um navio que parecia ter sido projetado

*

erente do mar que eu conhecia - mais azul, mais artificial, como se tivesse sido tratado especificamente pra

silêncio, veio a primeira dúvida honesta da viagem, sem disfarce de piad

im fazer a

- mas nenhuma delas resistia ao silêncio daquele camarote por mais de dez segundos sem parec

erteza que ninguém tinha me dado, que eu tinha fabricado sozinha com jornada dupla de comparação e insegurança - de que a vida "de

a, eu comprei uma passagem pra fica

as que não quer admitir - que eu não tinha ido ali pra enfrentar nada. Tinha ido pra confirmar. Achando, com aquela lógica furada e íntima que só a gente mesmo entende, que se eu conseguisse

guém, além de mim

*

sa que aprendi vendo minha avó fazer antes de qualquer decisão importante e que car

s "despojados" da vendedora, que na luz do camarote parecia menos certo do que na

de novo, e uma expressão no rosto que eu reconheci imediatamente: era a mesma que eu fazia antes de apresentações i

alta, sozinha, o que devia ser ma

ez mais alto conforme eu me aproximava - como se o navio inteiro estivesse me avisando

s ou menos da minha idade, único detalhe que meu cérebro registrou antes de qualquer outro, com uma expressão facia

pa", el

na", r

eu por um segundo a ma

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Fingir Até Acontecer
Fingir Até Acontecer
“Clara tem 35 anos e um plano perfeitamente racional: fugir deles. Depois de uma demissão disfarçada de "reestruturação", um término sem motivo suficiente para brigar e um aniversário que ela decidiu simplesmente não comemorar, Clara faz a única coisa que parecia fazer sentido às três da manhã: compra passagem para um cruzeiro lotado de gente na faixa dos vinte anos. A lógica era simples. Se ela conseguisse se misturar, talvez a idade parasse de contar. O problema é que ninguém avisou Clara que fingir ter vinte e poucos é um trabalho de tempo integral - e ela é péssima nisso. Erra a gíria. Erra o passo do dance que jurou ter entendido. Erra, principalmente, ao achar que ninguém está percebendo. Entre memes que ela não pega e uma vontade cada vez maior de voltar pro camarote sozinha, Clara esbarra em Tomás: 38 anos, arquiteto, o tipo de homem que todo mundo chama de "tranquilo" porque "estagnado com boa postura" seria rude demais para dizer em voz alta. Ele também não devia estar naquele cruzeiro. E é o primeiro, em muito tempo, que olha pra Clara sem esperar que ela seja engraçada o tempo todo. Tem também Isabela, 22 anos, que decidiu que Clara é um ícone de vida - sem saber que está tão perdida quanto ela, só que chama isso de "se encontrando" em vez de "estar velha". E tem o grupo: Rafa, Xande, Mari e companhia, que Clara passa metade da viagem tentando impressionar e a outra metade percebendo que eles têm tanto medo quanto ela, só que usam palavras diferentes pra isso. O que começa como comédia de choque geracional - gírias erradas, tentativas desesperadas de pertencer, um dance do TikTok que termina no chão do deck - vai, aos poucos, virando outra coisa. Porque Clara descobre, sem querer e sem discurso, que o problema nunca foi ter 35 anos. Foi ter passado os últimos anos rindo antes que alguém a obrigasse a sentir. Fake It Till You Make It é uma comédia sobre performance, sobre a idade que a gente finge não ter medo de ter, e sobre o momento exato em que a gente para de tentar ser interessante para os outros e, sem perceber, se torna. Um romance para quem já riu demais de si mesmo pra não reconhecer o próprio reflexo - e para quem sempre desconfiou que a pessoa mais engraçada da festa é, quase sempre, a mais sozinha.”