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Fingir Até Acontecer

Capítulo 3 Tomás, o outro infiltrado

Palavras: 1623    |    Lançado em: 08/08/2026

avras. Você vê alguém do outro lado de uma sala lotada e, sem troc

teceu no saguão, vinte minutos

obreviver". O ambiente era exatamente como eu tinha visto antes - luzes rosa, grave alto demais, uma DJ animada gritando frases de incent

que pra beber, e fiquei encostada perto de uma coluna, no que eu esperava que par

lado do saguão, copo na mão, também sem beber, também com aquela postura de quem

irônico, tipo um brinde a uma piada que só nós dois entendíamos. Eu

e um grupo que tentava puxá-lo pra dançar com uma facili

e disse, chegando perto. Precisou

ente", eu

to formal demais pro ambiente, o que de a

la

a anunciada nas telas - a espuma, felizmente, ainda não tinha começado -,

*

bem mais silencioso, com cadeiras de balanço voltadas pro mar e praticamente ninguém por perto

", ele disse, se sentando numa das ca

ém. Erre

na pergunta, não julgamento - o que eu agradeci internamente, porque já tinh

Mas alguma coisa na cara dele - cansada, honesta, sem a performance q

emprego que eu nem gostava tanto assim, e vou fazer trinta e cinco anos daqui a duas semanas. Aí vi um anúnc

mas real, do tipo que sobe pelo

ém me disse desde que embarquei", ele

voc

pra mim, o que eu já ia aprender, com o tempo, que era um do

como piada. Disse que eu precisava 'sair da caixa'. Achei que

veio mes

medo de alguma coisa", ele disse, e depois, quase

heci - não porque eu entendesse do que se tratava especificamente, mas porque reconheci a estrutura. Era o mesmo mecanismo que eu tinha u

*

idem, sem anunciar, que vão continuar se falando depois daquele dia. Ele era arquiteto - "tecnicamente", disse, com uma ênfase q

egado sem plano além de "aparecer", também tinha aquela sensação, na fila d

rguntei, num certo ponto, olhando de volta p

disse. "Não

mbém n

com atenção total, sem aquele desvio pro

ma coisa que talv

od

, escolhendo as palavras. "Acho que você veio aqui pra descobrir se ainda consegue. E ach

a demais, do jeito que a gente ri quando algué

ise pra quem te co

rmação profissional. Passo o dia analisando espaços que as

fosse arquiteto,

que eu ainda não sabia nomear, mas que ia voltar, capítulos depois, com um nome específico: u

isas verdadeiras vestidas de observação casual, e que isso e

*

elmente com a espuma já liberada, a julgar pelos gri

da. "Acho que você não veio aqui pra sair da caixa como sua irmã queria. Acho que veio porque, no fundo, também precisa provar algu

olhando de novo pro mar, e quando falou, a voz tinha

ce há uma hora e você já acertou uma coisa

agem inteira pra admitir a minha versão,

ue os anteriores, e ergueu o copo de novo -

ltrados",

iltrados

to demais pra ser real, e por um momento - só um momento - eu esqueci que estava cercada de ge

ebrou o silêncio,

ele disse, com o tom de quem lê uma sentença de morte. "Minha

a piada quand

i, obrigatório se você não quiser passar

ois soubemos, sem precisar dizer, que nenhu

ntos?", p

e já é dupla de infiltrados, mais

ós, e caminhamos de volta em direção ao som da festa - dois adultos se preparando pra en

om tempo. A partir do Speed Friending, tudo ficaria - como boa parte das coisas bo

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Fingir Até Acontecer
Fingir Até Acontecer
“Clara tem 35 anos e um plano perfeitamente racional: fugir deles. Depois de uma demissão disfarçada de "reestruturação", um término sem motivo suficiente para brigar e um aniversário que ela decidiu simplesmente não comemorar, Clara faz a única coisa que parecia fazer sentido às três da manhã: compra passagem para um cruzeiro lotado de gente na faixa dos vinte anos. A lógica era simples. Se ela conseguisse se misturar, talvez a idade parasse de contar. O problema é que ninguém avisou Clara que fingir ter vinte e poucos é um trabalho de tempo integral - e ela é péssima nisso. Erra a gíria. Erra o passo do dance que jurou ter entendido. Erra, principalmente, ao achar que ninguém está percebendo. Entre memes que ela não pega e uma vontade cada vez maior de voltar pro camarote sozinha, Clara esbarra em Tomás: 38 anos, arquiteto, o tipo de homem que todo mundo chama de "tranquilo" porque "estagnado com boa postura" seria rude demais para dizer em voz alta. Ele também não devia estar naquele cruzeiro. E é o primeiro, em muito tempo, que olha pra Clara sem esperar que ela seja engraçada o tempo todo. Tem também Isabela, 22 anos, que decidiu que Clara é um ícone de vida - sem saber que está tão perdida quanto ela, só que chama isso de "se encontrando" em vez de "estar velha". E tem o grupo: Rafa, Xande, Mari e companhia, que Clara passa metade da viagem tentando impressionar e a outra metade percebendo que eles têm tanto medo quanto ela, só que usam palavras diferentes pra isso. O que começa como comédia de choque geracional - gírias erradas, tentativas desesperadas de pertencer, um dance do TikTok que termina no chão do deck - vai, aos poucos, virando outra coisa. Porque Clara descobre, sem querer e sem discurso, que o problema nunca foi ter 35 anos. Foi ter passado os últimos anos rindo antes que alguém a obrigasse a sentir. Fake It Till You Make It é uma comédia sobre performance, sobre a idade que a gente finge não ter medo de ter, e sobre o momento exato em que a gente para de tentar ser interessante para os outros e, sem perceber, se torna. Um romance para quem já riu demais de si mesmo pra não reconhecer o próprio reflexo - e para quem sempre desconfiou que a pessoa mais engraçada da festa é, quase sempre, a mais sozinha.”