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Fingir Até Acontecer

Capítulo 4 A gíria errada

Palavras: 1567    |    Lançado em: 08/08/2026

os uma atividade social e mais um experime

entusiasmo que alguém usaria pra anunciar prêmios num programa de auditório: cada rodada durava quatro minutos, um sino tocava, todo mundo trocava de lugar, o objetivo

com um sorriso que sugeria que ela já tinha dito aquela frase um número obsceno de vezes naquela semana. El

apelido, óbvio" e um rapaz magricela usando uma camiseta de banda que eu não reconheci -

A engrenagem c

*

essam qualquer geração, qualquer contexto - são as perguntas de segurança da conversa humana, o tipo de coisa que dá pra fazer no piloto auto

tipo aquele momento específico numa festa em que você acha que está

o na quin

visto se formando ao longo do dia - o tipo de gente que ri antes mesmo da piada terminar, que tem um vocabulário próprio c

ho - falou alguma coisa sobre uma dança que tinha visto de manhã, e todo mundo

adamente, fazer p

que comet

ado pro garoto quando ele contou a história - um comentário que, na minha cabeça, ia soar des

ênc

pequeno, real, de dois segundos - talvez três - em que os três me olharam com uma expressão que eu não conseguia

orta?", perguntou a garota, com uma gentileza cuidadosa, do

eu disse, já sentind

florido, sem maldade nenhuma na voz, o que de alguma forma tornou tudo

isse. "Leg

ou. Trocam

*

ntada diante de outro grupo, respondendo perguntas no automático enquanto por dentro rep

ia naquele universo, pelo menos, porque pra mim, que só absorvia esses termos de segunda mão, através

pior foi a gentileza com que corrigiram, porque gentileza implica reconhecimento. Eles não me viram como al

sim,

dade específica que eu vinha desenvolvendo o dia inteiro - a de seguir em frente performando normalid

*

da que Isabela apa

nos, aquele tipo de presença que ocupa espaço sem parecer estar tentando. Sentou-se na cadeira à minha frente com um sorriso fácil, se apresentou como "Isabela, formada há s

disse, sem rodeios, mas sem malícia nenhuma na voz -

esmo, na cadeira de

ia, né", eu disse,

o. E olha, prefiro alguém tentando com gíria errada do que al

eta, sem condescendência - que me fez relaxar o

", eu dis

parecer coisa que não é. Só que a gente erra em outras coisas. Você

e eu ri também - a primeira risada real do

nome?", el

la

o som. "Tá, Clara. Eu vou adotar você

r como

ocê vai aprender a gíria certa, eu vou aprender... sei lá, co

idido, sem pedir permissão, que aquilo era o começo de alguma coisa - e foi pra próxima cadeira, deixando pra trás um rastro de

*

ento, os dois exaustos daquela perform

?", ele p

ye' morreu em 2019 e

s alta que eu já tinha

a melhor frase que

r pro seu entretenimento

untou, e a pergunta veio sem a le

e ficar sério demais. Mas alguma coisa no dia - o silêncio de dois segundos, a gentile

jeito que eu não esperava

oferecer solução nenhuma - só assentiu, o que de

lube", ele diss

e perguntei, pela primeira vez desde que embarquei, se talvez o problema nunca tivesse sido a idade - mas eu ainda não estava pronta pra

aro e sua adoção não solicitada - e um cúmplice antigo de um dia inteiro - Tomás

ois. Eu só ainda

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Fingir Até Acontecer
Fingir Até Acontecer
“Clara tem 35 anos e um plano perfeitamente racional: fugir deles. Depois de uma demissão disfarçada de "reestruturação", um término sem motivo suficiente para brigar e um aniversário que ela decidiu simplesmente não comemorar, Clara faz a única coisa que parecia fazer sentido às três da manhã: compra passagem para um cruzeiro lotado de gente na faixa dos vinte anos. A lógica era simples. Se ela conseguisse se misturar, talvez a idade parasse de contar. O problema é que ninguém avisou Clara que fingir ter vinte e poucos é um trabalho de tempo integral - e ela é péssima nisso. Erra a gíria. Erra o passo do dance que jurou ter entendido. Erra, principalmente, ao achar que ninguém está percebendo. Entre memes que ela não pega e uma vontade cada vez maior de voltar pro camarote sozinha, Clara esbarra em Tomás: 38 anos, arquiteto, o tipo de homem que todo mundo chama de "tranquilo" porque "estagnado com boa postura" seria rude demais para dizer em voz alta. Ele também não devia estar naquele cruzeiro. E é o primeiro, em muito tempo, que olha pra Clara sem esperar que ela seja engraçada o tempo todo. Tem também Isabela, 22 anos, que decidiu que Clara é um ícone de vida - sem saber que está tão perdida quanto ela, só que chama isso de "se encontrando" em vez de "estar velha". E tem o grupo: Rafa, Xande, Mari e companhia, que Clara passa metade da viagem tentando impressionar e a outra metade percebendo que eles têm tanto medo quanto ela, só que usam palavras diferentes pra isso. O que começa como comédia de choque geracional - gírias erradas, tentativas desesperadas de pertencer, um dance do TikTok que termina no chão do deck - vai, aos poucos, virando outra coisa. Porque Clara descobre, sem querer e sem discurso, que o problema nunca foi ter 35 anos. Foi ter passado os últimos anos rindo antes que alguém a obrigasse a sentir. Fake It Till You Make It é uma comédia sobre performance, sobre a idade que a gente finge não ter medo de ter, e sobre o momento exato em que a gente para de tentar ser interessante para os outros e, sem perceber, se torna. Um romance para quem já riu demais de si mesmo pra não reconhecer o próprio reflexo - e para quem sempre desconfiou que a pessoa mais engraçada da festa é, quase sempre, a mais sozinha.”