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Faminto e sedento

Faminto e sedento

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Capítulo 1 Faminto e sedento

Palavras: 1219    |    Lançado em: 20/03/2022

ítu

ss

te anos

s como se desejasse nos cobrir com sua escuridão. Vovó dizia que corvos

ga[9]. Se o meu olho direito coça, tenho certeza de que uma boa notícia[10] chegará. Também fico zangada se no meu aniver

Não discuto, continuo seguindo os conselhos da vovó e mantendo tudo que possa me trazer má sorte bem longe de mim. Eu poderia lhe dizer que também não há provas cie

ai acabar com meus sonhos de ser uma bailarina f

quanto ao casamento e nem mesmo se vamos nos casar um dia. Ele é certo e se dará tão logo com

erá se não

ngraçada e gentil. Nem dá para acreditar que é filha

freira, não eu. Apesar de que, s

, composta de católicos ortodoxos[13], somos católicos apostó

era um bebê e fui criada pela minha madrasta desde que me entendo por gen

ta raiva dela porque me deu de presente minha irmã. Taisiya

Somente fingirá que quer ser uma

Para onde eu iria? Papai me traria de vol

vira o

cinco minutos, né? Se os homens da Organização soubes

es que consiga me segurar e em seguida, me arrepen

o por obrigação, mas sei qu

mesmo depois de tantos anos depois de ter falecido. Sou a cara dela. O mesmo tom loiro de cabelo, que pap

começa a ficar cheio de n

ue ideia doida

om essa história

r a razão para nã

es separados. É meu charme - falo e, como eu esperava, ela gargalha. - Conte-me o que há

om papai. Quer que ele promet

O

do alto escalão, Ana. Não tem como papai recusar

esse, mas não esperava que, com recém-completados quinze anos, eles já estivessem fazendo arranjos para uma un

esa da Máfia e seu casamento com meu pai foi a

amentos podem dar certo. Apesar disso, não estou pronta par

ontinuar dançando e me apresentar em teatros aqui

o vai de

que di

o com a mamãe. Ele quer h

jo. Isso significa fazer sexo

os anos

o nosso pai. Eu chutaria

meu

he falando para tentar a

e vamos

r nessa. Ele sabe que

viver no convento para ficar perto de mim, mas que assim que fizer

iya. Eu não sobreviveria um dia nas ruas. Fomos cria

mos dar um jeito. Não posso deixar que vá mor

e seu rosto sério agora não combina com a menina do

ão está m

Ayrtom, não é

sabe

ito do que falaram, mas não gostei do que compreendi, Ana. Minha

papai permitirá

ão vem sempre em primeiro lugar.

a que eu. Mais preparad

so é po

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Faminto e sedento
Faminto e sedento
“- Está morto? - Ouço uma voz perguntar, mas ela parece vir de muito longe. - Quase, mas ainda respira. O que quer que eu faça com ele? Posso acabar com a agonia do garoto com uma única bala. - Não. Valorizo a lealdade. Ele foi contra o próprio pai para proteger a Organização. Esse aí entendeu que a Irmandade[4] está acima da família. - Dizem que ele é meio maluco. - Quem de nós não é? De qualquer modo, o rapaz é corajoso. Não é qualquer um que enfrentaria um avtoritet[5] para cumprir com seu dever de lealdade ao Pakhan[6]. - Não costuma ser tão generoso, Papa[7]. Alguns diriam que um fruto nunca cai longe da árvore. E se for como o pai? - Nesse caso, por que não permitiu que o maldito seguisse com o plano para me matar? Não, o menino é água de outra pipa. E o que estou fazendo não tem a ver com generosidade, mas com pensar no futuro. Conto nos dedos de uma mão quantas pessoas morreriam realmente por mim e por minha família. É mais novo do que os meus netos. Um dia, Yerik e Grigori[8] vão estar no comando e precisarão de homens de verdade ao lado deles. Eu acho que eles continuam conversando, mas não tenho certeza. Acordo e perco a consciência várias vezes. Entretanto, entendo que o Pakhan acha que eu fiz o que fiz por ele, mas não foi. Minha decisão não teve nada a ver com alguém, mas com algo. Regras. É por elas que eu vivo. Eu nunca as quebro. Elas são o meu verdadeiro deus, muito acima do que as pessoas chamam de sentimentos ou emoções. Não tenho amor e nem raiva dentro de mim. Não consigo entender esses conceitos, já as regras, são simples: siga-as ou quebre-as. Há sempre somente duas escolhas. Preto ou branco. O cinza é uma impossibilidade e também uma desculpa para quem não consegue se manter fiel à sua palavra. Não me ofendo com xingamentos ou me dobro à tortura. Não temo a morte e nem sinto medo de nada, a não ser ter minha vida fora de padrões que estabeleci. Eu preciso dos padrões e os procuro em qualquer lugar. Quando descobriu essa minha habilidade de pensar em cem por cento do tempo de forma lógica, meu pai usou-a por muito tempo em seu trabalho na Organização. O que ele não entendeu, é que essa não era apenas uma característica minha, mas quem sou. Em tudo, todas as áreas da minha vida, busco padrões. É assim que consigo compreender o mundo ao meu redor. Foi assim que descobri a traição dele. Ele não estava somente roubando, planejava entregar o Pakhan nas mãos dos inimigo e isso desordenaria meu plano de continuar servindo à Organização. Atrapalharia as entregas de carregamentos de armas, cujas rotas calculei com precisão matemática. Traria um novo chefe para a Irmandade, que talvez quisesse modificar a planilha de lucro. Iniciar guerras desnecessárias. Eu odeio mudanças. Qualquer alteração me desestabiliza. Até mesmo uma solução alternativa para mim, tem que ser analisada de antemão. Tusso e me sinto sufocar. O ar está impregnado com uma mistura esquisita. Um dos odores é sangue, eu sei. Estou acostumado a esse cheiro desde pequeno. Aos treze anos, matei pela primeira vez. Uma ideia destorcida do meu pai para que eu fosse iniciado dentro da Organização. O outro odor, acredito que seja álcool, então acho que devo estar em um hospital. Eu não me importo, só quero ficar curado. Preciso que me costurem para que eu possa seguir com o meu trabalho. Se demorar muito, vai atrapalhar meu cronograma e eu não tolero imprevistos.”
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