Quando o Amor Morre Afogado

Quando o Amor Morre Afogado

Mabel Souza

5.0
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Capítulo

Aos nove meses de gravidez, estava presa no carro sob um dilúvio, a água subia rapidamente. O motor calou-se, o pânico instalou-se, e liguei a Léo, o meu marido, a implorar por ajuda. Ele atendeu, impaciente, e ao fundo ouvi a voz da sua meia-irmã, Sofia, a queixar-se do gato dela. "A Sofia está em pânico," ele disse, com a voz dura. "Não te podes desenrascar sozinha? Liga para os bombeiros." E desligou. Fui engolida pela água gelada enquanto o meu carro se desintegrava à minha volta. Acordei num hospital, a minha barriga vazia, o meu bebé tinha morrido. Mas o Léo não estava lá. Ninguém da sua família estava. Quando ele finalmente apareceu com o pai, Ricardo, não havia dor, apenas irritação. Ricardo disse: "Isto é uma tragédia terrível." E Léo acrescentou: "Estas coisas acontecem." Eles culparam-me por ter saído à rua, queriam que eu superasse por "bem da reputação familiar". "Estas coisas acontecem"? Como podia ser tão frio? Eu tinha implorado pela minha vida, pela vida do nosso filho, e ele escolheu a sua meia-irmã e o gato dela? Onde estava o homem que eu amava? Que tipo de família era esta que me deixava morrer? A verdade, fria e cruel, encontrei-a no Facebook. Uma amiga de Sofia publicou uma foto: Sofia e amigas num café chique. A legenda: "Sorte que o Léo nos veio salvar com o seu jipe. O nosso herói!" A hora da publicação. Quinze minutos depois de eu lhe ter implorado ajuda. Léo não estava a acalmar Sofia ou o gato; ele estava a servir de motorista a um grupo de mulheres aborrecidas num café. Naquele momento, enquanto ele me olhava sem culpa, apenas com raiva, as minhas palavras saíram claras. "Quero o divórcio."

Introdução

Aos nove meses de gravidez, estava presa no carro sob um dilúvio, a água subia rapidamente.

O motor calou-se, o pânico instalou-se, e liguei a Léo, o meu marido, a implorar por ajuda.

Ele atendeu, impaciente, e ao fundo ouvi a voz da sua meia-irmã, Sofia, a queixar-se do gato dela.

"A Sofia está em pânico," ele disse, com a voz dura. "Não te podes desenrascar sozinha? Liga para os bombeiros."

E desligou.

Fui engolida pela água gelada enquanto o meu carro se desintegrava à minha volta.

Acordei num hospital, a minha barriga vazia, o meu bebé tinha morrido.

Mas o Léo não estava lá. Ninguém da sua família estava.

Quando ele finalmente apareceu com o pai, Ricardo, não havia dor, apenas irritação.

Ricardo disse: "Isto é uma tragédia terrível."

E Léo acrescentou: "Estas coisas acontecem."

Eles culparam-me por ter saído à rua, queriam que eu superasse por "bem da reputação familiar".

"Estas coisas acontecem"? Como podia ser tão frio?

Eu tinha implorado pela minha vida, pela vida do nosso filho, e ele escolheu a sua meia-irmã e o gato dela?

Onde estava o homem que eu amava? Que tipo de família era esta que me deixava morrer?

A verdade, fria e cruel, encontrei-a no Facebook.

Uma amiga de Sofia publicou uma foto: Sofia e amigas num café chique.

A legenda: "Sorte que o Léo nos veio salvar com o seu jipe. O nosso herói!"

A hora da publicação. Quinze minutos depois de eu lhe ter implorado ajuda.

Léo não estava a acalmar Sofia ou o gato; ele estava a servir de motorista a um grupo de mulheres aborrecidas num café.

Naquele momento, enquanto ele me olhava sem culpa, apenas com raiva, as minhas palavras saíram claras.

"Quero o divórcio."

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