A Traição Fria e Amarga do Bilionário

A Traição Fria e Amarga do Bilionário

Ethyl Minow

5.0
Comentário(s)
2K
Leituras
177
Capítulo

Eu quase morri na queda do jato particular do meu marido, mas a única coisa que me esperava no hospital era a indiferença. Enquanto eu sangrava na chuva após assinar minha própria alta, vi o Bentley de Adão chegar. Ele não veio por mim. Ele desceu do carro e carregou Cássia, sua ex-namorada, nos braços com um cuidado que nunca dedicou a mim. Segui-os até a obstetrícia e ouvi a enfermeira confirmar: doze semanas. Fiz as contas rapidamente. Doze semanas atrás era o nosso aniversário de casamento, o dia em que ele alegou estar preso em uma reunião em Londres. Quando o confrontei na mansão, Adão nem sequer tentou negar. "Cássia é frágil, é uma gravidez de risco. Você é resiliente, Anajê. Foi por isso que casei com você. Você aguenta o tranco." Ele disse que eu não era nada sem ele, uma órfã que ele resgatou. Congelou meus cartões, bloqueou meu acesso e achou que eu voltaria rastejando para a nossa cobertura fria. Ele esqueceu que, antes de ser a Sra. Hortêncio, eu sabia sobreviver com nada. Fui até a sede da empresa. Diante de Adão e Cássia, derramei café intencionalmente sobre os contratos originais da fusão milionária que seriam assinados no dia seguinte. Enquanto ele gritava em pânico, peguei a caixa biométrica secreta da minha mesa - a única alavanca que eu precisava. "Tudo o que você tem é meu!" ele rugiu. "Essas roupas, esse dinheiro!" Olhei nos olhos dele e comecei a me despir ali mesmo, no meio do escritório executivo. Joguei o suéter de caxemira e o jeans de grife no chão, ficando apenas com a minha velha camisola de seda preta. "Pode ficar com seus trapos, Adão," eu disse, pegando a caixa com os segredos dele e caminhando descalça para o elevador. "Mas você nunca mais vai me ter."

A Traição Fria e Amarga do Bilionário Capítulo 1 1

A chuva se misturava às lágrimas em seu rosto, quente e salgada contra a água gelada. Ela soltou uma risada curta e engasgada que soou mais como um soluço. Ela quase morrera hoje. Tinha visto o chão correndo ao seu encontro. E, no entanto, aquele impacto não doera nem metade do que isso.

As luzes fluorescentes acima eram brilhantes demais, zumbindo numa frequência que parecia vibrar diretamente contra o crânio de Anajê. Ela piscou, sentindo as pálpebras como lixa, e tentou levantar o braço direito. Uma dor aguda e queimante disparou do ombro até o pulso, forçando um gemido de sua garganta seca. Ela cerrou os dentes contra uma onda de tontura, um fantasma persistente da concussão sobre a qual o médico a alertara. Olhou para baixo. Seu braço estava envolto em gaze grossa, um branco gritante contra o hematoma que já florescia em violeta e verde na sua pele.

Ela estava viva.

A memória da turbulência, os alarmes gritando no jato particular e o silêncio aterrorizante que se seguiu à queda voltaram numa onda fragmentada e caótica. Ela se lembrava do ar frio entrando por uma brecha na fuselagem. Lembrava-se de esperar pelo fim.

Uma enfermeira entrou apressada no quarto, verificando a bolsa de soro pendurada ao lado da cama. Ela não olhou para o rosto de Anajê, apenas para o equipamento.

- Com licença - Anajê coaxou. Sua voz era uma ruína. - Alguém esteve aqui? Meu marido?

A enfermeira parou, os olhos oscilando em direção à porta e depois voltando para a prancheta em suas mãos. Parecia desconfortável, mudando o peso de um pé para o outro.

- Apenas a entrega de flores, Sra. Hortêncio. De uma Gertrudes Hortêncio. Sem visitas.

Gertrudes. A avó de Adão. A única que olhava para Anajê com algo além de desprezo. Mas e Adão?

Anajê alcançou o telefone na mesa de cabeceira com a mão boa. A tela estava rachada, uma teia de aranha distorcendo o vidro, mas ganhou vida. Ela tocou no registro de chamadas. Seu coração martelava contra as costelas, um pássaro frenético preso numa gaiola.

Havia três chamadas perdidas. Todas da seguradora sobre a aeronave.

Zero de Adão.

Ela abriu o aplicativo de notícias. A manchete gritava em letras pretas e ousadas: "Pouso de Emergência do Jato Particular Hortêncio – Piloto e Passageira Sobrevivem". Abaixo, havia uma foto. Não era do local do acidente. Era uma foto de arquivo de Adão, parecendo elegante e severo num terno grafite, cortando uma fita num novo centro tecnológico. O horário da reportagem era de duas horas atrás.

Adão estava sorrindo na foto. Ele estava cortando uma fita enquanto ela sangrava numa vala.

Um frio que nada tinha a ver com o ar-condicionado do hospital instalou-se fundo em sua medula. Começou no peito e se espalhou, adormecendo as pontas dos dedos. Ela não era apenas desimportante; ela era inexistente.

Ela levantou a mão e arrancou a fita do acesso venoso de sua mão.

- Senhora! Não pode fazer isso! - a enfermeira gritou, deixando cair a prancheta.

Anajê não olhou para ela. Deslizou as pernas para fora da cama. O chão estava congelante contra seus pés descalços.

- Estou assinando minha alta contra o conselho médico - disse Anajê. Sua voz estava mais forte agora, alimentada por uma raiva súbita e gélida. - Tenho uma abrasão de grau 2 e provavelmente uma concussão leve. Eu mesma monitorarei vômitos e dilatação da pupila. Me dê a papelada.

A enfermeira parecia atordoada pela mudança repentina de comportamento, pela terminologia médica fluindo da mulher que assumiram ser apenas uma esposa troféu traumatizada.

Dez minutos depois, Anajê saiu pelas portas de vidro deslizantes da emergência. Usava sua camisola hospitalar enfiada num par de calças cirúrgicas largas que a enfermeira lhe dera por pena, e um corta-vento fino e descartável.

Estava chovendo. Claro que estava chovendo. Uma garoa fria que encharcou o tecido fino instantaneamente, colando o cabelo na testa.

Ela ficou no meio-fio, tremendo. Não queria voltar para a cobertura. A ideia daquele mausoléu de vidro fazia seu estômago revirar.

Um veículo preto elegante virou a esquina, os faróis cortando a escuridão. A respiração de Anajê falhou. Ela conhecia aquele carro. Era um Bentley Mulsanne. O carro de Adão.

Por uma fração de segundo, uma esperança patética brilhou em seu peito. Ele tinha vindo. Ele tinha ouvido.

Ela recuou para trás de uma coluna de concreto, uma vergonha súbita tomando conta dela. Ela parecia um destroço. Não queria que ele a visse assim.

O carro não parou na área geral. Deslizou por ela, suave e silencioso, e parou na entrada VIP a quinze metros de distância.

O motorista, um homem que ela conhecia bem, saiu e abriu um grande guarda-chuva preto. Ele abriu a porta traseira.

Adão saiu.

Anajê pressionou-se contra o concreto frio da coluna. Ele estava impecável. Sem gravata, botão superior desfeito, mangas enroladas até os cotovelos. Ele parecia preocupado. A testa franzida, o maxilar tenso.

Ele se virou para o interior do carro e se inclinou.

Não puxou uma pasta. Não se afastou. Inclinou-se e pegou alguém nos braços.

Era uma mulher. Pequena, loira, frágil.

Cássia Inácio.

Cássia tinha o rosto enterrado na curva do pescoço de Adão, os braços enrolados firmemente em seus ombros. Parecia pequena e preciosa, como porcelana fina que precisava ser manuseada com extremo cuidado.

Anajê assistiu, paralisada. Não conseguia ouvir o que diziam, mas viu os lábios de Adão roçarem a testa de Cássia. Foi um gesto de tamanha ternura, tamanho instinto protetor, que pareceu um soco físico no estômago de Anajê.

Adão virou-se e carregou Cássia em direção aos elevadores VIP. Ele não olhou para a esquerda. Não olhou para a direita. Certamente não olhou para a saída geral onde sua esposa, que acabara de cair do céu, estava parada na chuva.

O telefone vibrou em seu bolso. Ela olhou para baixo, entorpecida. Era uma mensagem automática da companhia aérea: "Pedimos desculpas pelo inconveniente em relação à sua bagagem..."

Ela olhou para cima, mas as portas automáticas já haviam se fechado atrás deles. Eles tinham ido embora.

Anajê olhou para sua mão esquerda. A simples aliança de platina em seu dedo parecia pesada, como uma algema. Ela a segurou com a mão direita, girando-a sobre o nó do dedo. Parecia fria, estranha. Ela não a jogou fora. Em vez disso, uma resolução fria tomou conta dela. Isso merecia mais do que um gesto desesperado na chuva. Merecia um enterro final e deliberado.

Um táxi amarelo passou por uma poça e diminuiu a velocidade perto dela. Anajê levantou a mão.

- Para onde? - perguntou o motorista, observando sua roupa estranha.

- Mansão Hortêncio - sussurrou ela. Então limpou a garganta e disse novamente, mais alto. - Mansão Hortêncio.

Ela entrou no banco de trás e fechou os olhos, mas a imagem de Adão carregando Cássia estava queimada na parte de trás de suas pálpebras.

Continuar lendo

Outros livros de Ethyl Minow

Ver Mais
Deixada para Afogar: A Fria Partida da Herdeira

Deixada para Afogar: A Fria Partida da Herdeira

Máfia

5.0

Eu era a noiva do herdeiro do Comando de São Paulo, um laço selado com sangue e dezoito anos de história. Mas quando a amante dele me empurrou para a piscina congelante na nossa festa de noivado, Enzo não nadou na minha direção. Ele passou direto por mim. Ele pegou a garota que me empurrou, embalando-a como se fosse de cristal frágil, enquanto eu lutava contra o peso do meu vestido na água turva. Quando finalmente consegui sair, tremendo e humilhada na frente de todo o submundo do crime, Enzo não me estendeu a mão. Ele me lançou um olhar de fúria. "Você está fazendo um showzinho, Eliana. Vai pra casa." Mais tarde, quando essa mesma amante me empurrou escada abaixo, quebrando meu joelho e minha carreira de dançarina, Enzo passou por cima do meu corpo quebrado para confortá-la. Eu o ouvi dizendo aos amigos: "Estou apenas quebrando o espírito dela. Ela precisa aprender que é uma propriedade, não uma parceira. Quando estiver desesperada o suficiente, será a esposa obediente e perfeita." Ele achava que eu era um cachorro que sempre voltaria para o dono. Achava que podia me matar de fome de afeto até eu implorar por migalhas. Ele estava errado. Enquanto ele estava ocupado bancando o protetor de sua amante, eu não estava chorando no meu quarto. Eu estava guardando o anel dele em uma caixa de papelão. Cancelei minha transferência para a USP e me matriculei na UFRJ. Quando Enzo percebeu que sua "propriedade" havia sumido, eu já estava no Rio de Janeiro, ao lado de um homem que me olhava como uma rainha, não como uma posse.

Você deve gostar

Capítulo
Ler agora
Baixar livro
A Traição Fria e Amarga do Bilionário A Traição Fria e Amarga do Bilionário Ethyl Minow Moderno
“Eu quase morri na queda do jato particular do meu marido, mas a única coisa que me esperava no hospital era a indiferença. Enquanto eu sangrava na chuva após assinar minha própria alta, vi o Bentley de Adão chegar. Ele não veio por mim. Ele desceu do carro e carregou Cássia, sua ex-namorada, nos braços com um cuidado que nunca dedicou a mim. Segui-os até a obstetrícia e ouvi a enfermeira confirmar: doze semanas. Fiz as contas rapidamente. Doze semanas atrás era o nosso aniversário de casamento, o dia em que ele alegou estar preso em uma reunião em Londres. Quando o confrontei na mansão, Adão nem sequer tentou negar. "Cássia é frágil, é uma gravidez de risco. Você é resiliente, Anajê. Foi por isso que casei com você. Você aguenta o tranco." Ele disse que eu não era nada sem ele, uma órfã que ele resgatou. Congelou meus cartões, bloqueou meu acesso e achou que eu voltaria rastejando para a nossa cobertura fria. Ele esqueceu que, antes de ser a Sra. Hortêncio, eu sabia sobreviver com nada. Fui até a sede da empresa. Diante de Adão e Cássia, derramei café intencionalmente sobre os contratos originais da fusão milionária que seriam assinados no dia seguinte. Enquanto ele gritava em pânico, peguei a caixa biométrica secreta da minha mesa - a única alavanca que eu precisava. "Tudo o que você tem é meu!" ele rugiu. "Essas roupas, esse dinheiro!" Olhei nos olhos dele e comecei a me despir ali mesmo, no meio do escritório executivo. Joguei o suéter de caxemira e o jeans de grife no chão, ficando apenas com a minha velha camisola de seda preta. "Pode ficar com seus trapos, Adão," eu disse, pegando a caixa com os segredos dele e caminhando descalça para o elevador. "Mas você nunca mais vai me ter."”
1

Capítulo 1 1

06/02/2026

2

Capítulo 2 2

06/02/2026

3

Capítulo 3 3

06/02/2026

4

Capítulo 4 4

06/02/2026

5

Capítulo 5 5

06/02/2026

6

Capítulo 6 6

06/02/2026

7

Capítulo 7 7

06/02/2026

8

Capítulo 8 8

06/02/2026

9

Capítulo 9 9

06/02/2026

10

Capítulo 10 10

06/02/2026

11

Capítulo 11 11

06/02/2026

12

Capítulo 12 12

06/02/2026

13

Capítulo 13 13

06/02/2026

14

Capítulo 14 14

06/02/2026

15

Capítulo 15 15

06/02/2026

16

Capítulo 16 16

06/02/2026

17

Capítulo 17 17

06/02/2026

18

Capítulo 18 18

06/02/2026

19

Capítulo 19 19

06/02/2026

20

Capítulo 20 20

06/02/2026

21

Capítulo 21 21

06/02/2026

22

Capítulo 22 22

06/02/2026

23

Capítulo 23 23

06/02/2026

24

Capítulo 24 24

06/02/2026

25

Capítulo 25 25

06/02/2026

26

Capítulo 26 26

06/02/2026

27

Capítulo 27 27

06/02/2026

28

Capítulo 28 28

06/02/2026

29

Capítulo 29 29

06/02/2026

30

Capítulo 30 30

06/02/2026

31

Capítulo 31 31

06/02/2026

32

Capítulo 32 32

06/02/2026

33

Capítulo 33 33

06/02/2026

34

Capítulo 34 34

06/02/2026

35

Capítulo 35 35

06/02/2026

36

Capítulo 36 36

06/02/2026

37

Capítulo 37 37

06/02/2026

38

Capítulo 38 38

06/02/2026

39

Capítulo 39 39

06/02/2026

40

Capítulo 40 40

06/02/2026