A noiva que desafiou o destino

A noiva que desafiou o destino

Zara Frost

Moderno | 1  Cap. / dia
5.0
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Capítulo

Um acidente de carro roubou a memória do homem que Nicole amava, fazendo-o se apaixonar por sua prima. Ainda em meio à dor da perda dos pais, ela se envolveu em um casamento arranjado com um homem conhecido por sua crueldade e deficiência física. Todos lamentavam sua iminente desgraça, certos de que ela desmoronaria. Porém, Nicole os surpreendeu com seu talento na arquitetura, inovação na tecnológia e mente brilhante na medicina. E seu marido, supostamente deficiente, revelou-se ser o homem mais influente e rico da cidade. Parentes imploraram por misericórdia e o ex tentou reconquistá-la, mas seu marido apenas zombou: "Continuem sonhando."

A noiva que desafiou o destino Capítulo 1 Casamento relâmpago com um filho ilegítimo deficiente

"Minhas pernas não funcionam, então nada de sexo entre nós."

A noite de núpcias se desenrolava num silêncio gélido - sentado rigidamente em sua cadeira de rodas, Connor Reed falava com uma voz monótona e distante, que ecoava no quarto principal cavernoso e iluminado por uma luz fria.

Na beirada da cama, Nicole Perry entrelaçava os dedos, mordendo o lábio inferior pálido enquanto seu nervosismo se manifestava.

"Tudo bem", disse ela calmamente após um momento, forçando firmeza no seu tom. "Eu não faço questão disso."

Uma risada baixa e sem humor escapou de Connor em resposta, afiada o suficiente para machucar.

"Você não entendeu ainda?" Ele virou a cabeça, deixando-a encarar seu perfil rígido - nariz empinado, traços marcantes, tudo exalando severidade - enquanto as palavras vinham sem piedade: "Não preciso de uma noiva de segunda mão. Suma da minha frente."

O calor subiu ao rosto de Nicole, o constrangimento a inundando enquanto seus olhos se embaçavam, as lágrimas se formando, mas se recusando a cair.

Muito antes de se casar com Connor, ela já sabia que esse casamento arranjado era uma aposta arriscada, mas era a única saída que lhe restava.

O homem que ela amava havia perdido a memória num brutal acidente de carro e, nesse vazio, acabou caindo nos braços da sua prima. Foram três anos exaustivos buscando fragmentos do passado dele, deixando de lado o orgulho e até o próprio corpo - permitindo-se ficar acima do peso, sem graça e irreconhecível - apenas para ser pintada como a vilã que sabotou o amor alheio e ser desprezada por isso.

O pai de Nicole foi assassinado pelo próprio irmão, e a mãe faleceu logo em seguida, vítima de uma doença. E no meio desse caos, engoliu a dor e suportou tudo pela mãe, que estava frágil.

Só que, dias atrás, mãe também morreu nas mãos deles, e algo dentro de Nicole se quebrou de vez. O filho bastardo da família Reed diante dela - frio e impiedoso - não passava de uma arma que ela havia conquistado através do casamento.

Baixando o olhar, Nicole forçou a voz a se estabilizar, contendo as emoções antes de dizer num tom grave: "Se você me expulsar, a família Reed vai mandar outra para a sua cama. Então me diga - qual é a diferença?"

Um sorriso torto surgiu nos lábios de Connor. "Então você está tão ansiosa assim para ser uma serva obediente?"

"A família Reed já pagou minha família", respondeu ela, mantendo a firmeza. "O acordo está selado, não tem como voltar atrás."

Sob a luz fraca do abajur, os olhos de Connor se estreitaram de leve. De repente, uma curiosidade bateu, levando-o a virar a cadeira de rodas para se aproximar.

Até esse momento, Nicole nunca tinha visto o rosto dele, então, depois de ouvir inúmeros boatos de que ele era grotesco e demoníaco, ela fechou os olhos por instinto assim que ele se virou. De qualquer forma, não faria diferença, já que ele era cego e não perceberia.

Connor observava a mulher à sua frente com uma concentração perturbadora. O corpo dela era robusto e o rosto, suavemente arredondado, mas os traços eram surpreendentemente delicados, a pele lisa como porcelana polida. Na visão dele, ela era, no máximo, aceitável.

Entre todas as mulheres que empurraram para ele ao longo dos anos, Nicole era a única que tinha batido o pé e se recusava a ir embora. E essa teimosia despertou uma curiosidade leve e indesejada nele.

"Já que você está tão decidida", começou ele secamente, apontando para a cama. "Vá se deitar."

A mudança repentina no seu tom pegou Nicole desprevenida, deixando-a paralisada. "Você não disse que era... impotente?", ela perguntou, ainda com os olhos fechados.

A resposta dele veio carregada de um distanciamento frio: "Deitar na cama significa automaticamente que vamos transar?"

A pergunta direta fez o calor subir ao rosto de Nicole, que não se atreveu a pressioná-lo mais, com medo de que uma palavra errada pudesse lhe custar tudo. Espiando por entre os cílios, ela se moveu rigidamente e se deitou no colchão, visivelmente desconfortável.

Connor lançou um olhar para ela. Sendo sincero, até um cadáver pareceria mais relaxado do que ela.

Com os olhos bem fechados, Nicole se concentrava no leve zumbido da cadeira de rodas se aproximando, com os nervos à flor da pele.

Por fim, a voz grave e ressonante dele chegou aos seus ouvidos: "Tire a roupa."

Nicole respirou fundo. "Você não disse que não íamos..." A palavra "transar" queimavam sua garganta, fazendo um tremor percorrer seus dedos e, após uma pausa tensa, ela forçou: "Fazer isso?"

Com uma calma natural, Connor respondeu: "Preciso verificar se você ainda é virgem."

O pânico aguçou a determinação de Nicole, que forçou os olhos a se abrirem, preparando-se para o ataque.

No entanto, a visão diante dela lhe tirou o fôlego - ele estava longe de ser o monstro grotesco que todos comentavam. Os traços de Connor eram marcantes e incrivelmente bonitos, e sua presença era avassaladora de perto.

O choque a paralisou por um instante antes que ela conseguisse se recompor. "Desculpe", disse ela com a voz rouca, lutando para manter a compostura. "Acho que entrei no quarto errado. Você é... Você é Connor Reed mesmo?"

"Por que a pergunta?", rebateu ele, frio.

"Porque você não se parece em nada com as histórias que ouvi", respondeu ela, com a voz trêmula. "Você se parece mais com os outros herdeiros da família Reed."

Com uma ameaça preguiçosa, Connor levou a mão ao rosto. "Isso é porque estou usando uma máscara feita com a pele de uma criança, arrancada enquanto ela ainda estava viva."

O terror percorreu o corpo de Nicole, fazendo-a perder o controle. A arma escondida sob a saia escorregou e atingiu o colchão com um baque surdo.

Os olhos de Connor se desviaram quase imperceptivelmente, fixando-se no objeto caído e percebendo, com uma clareza fria, que era uma arma.

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