Um arrependimento tardio

Um arrependimento tardio

Alissa Nexus

Moderno | 3  Cap. / dia
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Capítulo

Raina esperava que o parto fosse o momento mais feliz de sua vida, mas o que veio foi um pesadelo que a destruiu por dentro. Mal os gêmeos nasceram, Alexander a golpeou com a frieza de um estranho: pediu o divórcio e a obrigou a abrir mão da guarda do pequeno Liam. Em lágrimas, Raina sumiu no mundo com a filha, Ava, a única bagagem que carregava sendo uma dor sem fim. No entanto, a paz não durou muito tempo. Anos depois, Liam adoeceu gravemente, e o pai, desesperado, foi forçado a bater na porta da mulher que havia descartado como lixo. Então, diante de Raina, o homem que um dia a havia subestimado implorou - não apenas por si mesmo, mas também pelo filho que ela mal pudera tocar. Porém, Raina já não era a mulher de alma partida que um dia o amou, nem a sombra apagada que ele abandonou sem piedade. Ela havia erguido um novo mundo para si, um império construído com unhas, dentes e um sobrenome adormecido que ela jurou desenterrar. Será que ela arriscaria reabrir feridas antigas para salvar o filho que nunca pôde criar? Ou Alexander perdeu para sempre a mulher que deveria ter protegido?

Um arrependimento tardio Capítulo 1

RAINA

Após horas em trabalho de parto, meu corpo doía de uma forma indescritível, em lugares que eu nem sabia que existiam. Minha pele estava pegajosa de suor, e meus músculos tremiam.

A sensação de ser mãe era tão surreal que mal conseguia acreditar. Na verdade, mesmo tendo tido nove longos meses para me preparar psicologicamente, nada poderia ter me preparado para essa sensação.

"Agora sou mãe", pensei, mas meu coração ainda doía enquanto eu estava deitada na cama do hospital, olhando para o que talvez fosse minha maior realização como mulher:

meus gêmeos recém-nascidos.

Ao observar meu lindo menino e menina enrolados ao meu lado, fui tomada por uma alegria e orgulho, mas essa sensação foi quase completamente eclipsada por um sentimento de inquietação que me corroía, algo com o qual eu já estava bastante familiarizada ao longo dos anos.

Mesmo com o ar-condicionado ligado, o quarto estéril parecia... abafado.

A presença mais gélida pairava sobre mim com seus ombros largos e seu rosto bonito e cruel, sem qualquer emoção.

Meu marido.

Ele ficou ali, me olhando como se eu fosse algo descartável.

Talvez eu fosse mesmo. Afinal, eu acabara de dar à luz nossos bebês, nosso futuro, e ele não foi capaz nem de esboçar um sorriso.

Nenhuma palavra de conforto.

Nem mesmo um "estou orgulhoso de você".

Como eu queria ouvir pelo menos isso...

Prendi a respiração, esperando que algo pudesse quebrar o silêncio, mas o que veio a seguir foi a última coisa que poderia esperar.

Quando ele se moveu, não foi para pegar nossos filhos no colo ou acariciar meu cabelo. Em vez disso, atirou uma pilha de papéis no meu colo.

"Assine", ordenou, num tom frio e distante.

Levei um momento para assimilar essa palavra.

Pisquei, meus olhos ainda embaçados pela exaustão de ter colocado dois pequenos seres no mundo. Assinar o quê? Confusa, olhei para os papéis, depois para ele. "Desculpe, o que..."

"Os papéis do divórcio", ele interrompeu bruscamente, como se isso fosse óbvio.

Meu coração se apertou e meu estômago se revirou dolorosamente.

O quê?

"Aqui", ele disse num tom ríspido enquanto me atirou uma caneta. Seus movimentos eram tão impacientes que dava a impressão de que tudo isso era um incômodo para ele, alguém que acabara de ter a esposa em trabalho de parto.

"O que..." Minha respiração falhou enquanto eu olhava para os papéis, incrédula.

O que estava acontecendo? Eu acabara de dar à luz aos filhos dele! Ele não podia estar falando sério!

Um divórcio?

"Eu... não estou entendendo. Acabei de dar à luz..." Minha voz se quebrou.

"E sorte sua que esses filhos são meus!", ele exclamou num tom carregado de veneno. "Pedi aos médicos para fazerem um teste de DNA assim que eles nasceram. Se os resultados tivessem mostrado o contrário... acredite, eu teria tornado a vida sua e do seu amante um inferno."

Minha boca se abriu em choque, com uma sensação tão intensa que me deixou tonta. Ele fez o quê? Meu o quê? A acusação me atingiu como um golpe. Minha mente lutava para processar suas palavras, meu coração batendo forte nos meus ouvidos.

"Alex, o que...", comecei, com a voz embargada. "Que amante?"

Ele achava que eu o havia traído? Depois de ter passado cada segundo da minha vida lhe mostrando o quanto ele era importante para mim? "Do que está falando?"

"Você não está enganando ninguém, Raina", ele cuspiu, se aproximando. "Agora, assine."

Lágrimas marejaram meus olhos.

"Isso é algum tipo de piada? Só pode ser! Não sei o que..."

"Ah, poupe-nos do seu teatrinho, Raina! Todos nós sabemos o que está acontecendo. Então nos faça um favor e pare de... porra... fingir!", rosnou Vanessa, irmã dele, de um canto do quarto, dando um passo à frente.

Eu nem tinha notado que ela estava lá.

Minha mente estava a mil. Isso não estava acontecendo! Não, não podia estar acontecendo! Será que estava em coma e vivendo meu pior pesadelo?

"Não estou...", comecei, mas ela atirou uma pilha de fotos em mim, algumas caindo na cama e outras no chão.

Com as mãos trêmulas, me sentei e peguei uma das fotos, me encolhendo de dor. Era difícil enxergar algo em meio às lágrimas. Minha respiração estava ofegante, rápida e superficial. "A-Alexander, me ouça..."

"Já chega!", ele gritou furiosamente, antes mesmo que eu tivesse a chance de ver as fotos. "Pare de perder meu tempo e assine os malditos papéis, sua vadia!"

Vadia? Eu, a esposa dele?

De onde veio isso? O que estava acontecendo?

Suas palavras me perfuraram como uma agulha se cravando dolorosamente no meu peito.

Meu Deus, ele estava falando sério sobre... acabar com isso? Acabar com a gente?

Tomada pelo pânico, comecei a hiperventilar, meu corpo tremendo incontrolavelmente enquanto o quarto começava a girar.

Em meio às minhas lágrimas, procurei no rosto de Alexander por algum vislumbre de emoção, por menor que fosse.

Compaixão, preocupação, amor.

Não havia nada.

Tudo o que encontrei foi a frieza estampada nos seus traços rígidos.

Será que amei o homem errado? Esse pensamento me destruiu.

Por anos, ignorei os sinais.

A família de Alexander me odiava desde o início, achando que eu não era boa o suficiente para ele e que não merecia o prestígio deles.

Suportei os insultos e as humilhações constantes deles. Várias vezes, a mãe dele me ofereceu dinheiro para eu desaparecer antes do casamento, mas recusei, pois meu amor por ele era simplesmente isso: amor, puro e verdadeiro.

Eu não queria dinheiro.

Sempre que eles falavam mal de mim e eu contava a Alexander, ele apenas dava de ombros e dizia: "Eles são assim mesmo, Raina. Eles vão mudar."

Mas eles nunca mudaram, e ele nunca me defendeu.

Nem quando sua irmã me chamou de interesseira durante nosso noivado. Nem quando seu pai sugeriu que ele anulasse o casamento após nosso primeiro ano.

Apesar do desprezo da sua família, dos subornos e das agressões verbais, permaneci ao seu lado, o amando cada vez mais e arranjando desculpas para o silêncio dele.

Mas agora, enquanto o olhava, entendi o que nunca quis admitir.

Talvez ele nunca tivesse sido meu.

Talvez eu apenas tivesse me imposto a ele o tempo todo, acreditando em um amor que só existia de um lado.

Nesse momento, ficou terrivelmente claro que ele nunca me amou, pelo menos não da forma como eu o amava.

Que tola eu fui...

"Agora, pare de enrolar e assine os papéis. Tenho compromissos."

"Alex", sussurrei, me virando para ele. "Por favor, podemos conversar a sós? Tenho... certeza de que tudo isso é um mal-entendido." O desespero sufocava minhas palavras. "Só me ouça."

"Não", ele respondeu, olhando para o relógio com desdém. "Não há necessidade. Já sei tudo o que preciso saber. Conversaremos quando nossos advogados estiverem envolvidos, então guarde suas mentiras para depois."

"Alex... você me conhece. Sabe que eu não faria nada disso. Sempre te amei, só você. Nunca fui infiel."

No entanto, ele não se importava. Sem sequer olhar para mim, ele disse: "Assine os papéis. Acabou."

"Alex...", eu disse, a voz embargada e os lábios trêmulos, implorando com os olhos para que ele me ouvisse.

Porém, ele apenas me encarava fixamente, frio e impassível.

"Por favor, não me faça repetir", ele disse entre dentes, parecendo estar se contendo para não cuspir em mim.

Lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu pegava a caneta com as mãos tão trêmulas que mal conseguia rabiscar meu nome, mas eu o fiz. Que opção tinha? Ao terminar, olhei para meus gêmeos recém-nascidos, encontrando consolo no fato de que ainda os teria, pelo menos.

Mas então, numa cruel reviravolta do destino, a mãe de Alexander, que eu não havia visto porque estava ao meu lado, atrás das máquinas, se aproximou e apontou para meus bebês: "Pegue ele e vamos embora."

Minha cabeça se ergueu em alerta. "O quê?"

"Leia os papéis", Alexander disse friamente. "Você abriu mão dos seus direitos parentais sobre meu filho."

Meu sangue gelou.

"Alex, não..." Não consegui respirar. "E-ele é só um bebê. Você não pode tirá-lo de mim! Você não pode–!"

"Ele é meu herdeiro!" Ele cerrou o maxilar e se inclinou para frente, continuando com um tom letal: "A menina... Você pode ficar com ela. É um favor. Eu poderia ficar com os dois, mas não queria ter que me preocupar com ela se tornando uma vadia como a mãe."

Ofeguei. "Alex! Como pode dizer isso da nossa filha, de mim?!"

"Sua filha. Só sua, a partir de agora", ele disse categoricamente. "O médico disse que ela não está saudável e pode não sobreviver por muito tempo. Não preciso de um fardo, especialmente um que pode se tornar igual a você."

Com isso, me deu as costas, assim como a tudo o que tínhamos juntos, e saiu com nosso filho nos braços.

Gritei atrás dele, chorando incontrolavelmente, fraca demais para sequer conseguir sair da cama. "Alex! Alex, por favor! Alex, não o leve!... Por favor!"

No entanto, ele não olhou para trás.

Desabei, abraçando minha filha contra o peito enquanto os soluços sacudiam meu corpo, o peso da traição me esmagando.

Rejeitada e abandonada, eu estava sozinha.

Completamente sozinha.

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“Raina esperava que o parto fosse o momento mais feliz de sua vida, mas o que veio foi um pesadelo que a destruiu por dentro. Mal os gêmeos nasceram, Alexander a golpeou com a frieza de um estranho: pediu o divórcio e a obrigou a abrir mão da guarda do pequeno Liam. Em lágrimas, Raina sumiu no mundo com a filha, Ava, a única bagagem que carregava sendo uma dor sem fim. No entanto, a paz não durou muito tempo. Anos depois, Liam adoeceu gravemente, e o pai, desesperado, foi forçado a bater na porta da mulher que havia descartado como lixo. Então, diante de Raina, o homem que um dia a havia subestimado implorou - não apenas por si mesmo, mas também pelo filho que ela mal pudera tocar. Porém, Raina já não era a mulher de alma partida que um dia o amou, nem a sombra apagada que ele abandonou sem piedade. Ela havia erguido um novo mundo para si, um império construído com unhas, dentes e um sobrenome adormecido que ela jurou desenterrar. Será que ela arriscaria reabrir feridas antigas para salvar o filho que nunca pôde criar? Ou Alexander perdeu para sempre a mulher que deveria ter protegido?”
1

Capítulo 1

10/06/2028

2

Capítulo 2

29/06/2026

3

Capítulo 3

29/06/2026

4

Capítulo 4

29/06/2026

5

Capítulo 5

29/06/2026

6

Capítulo 6 Submissão

29/06/2026

7

Capítulo 7

29/06/2026

8

Capítulo 8 A única chance de Liam

29/06/2026

9

Capítulo 9 A escolha de Raina foi... (Primeira parte)

29/06/2026

10

Capítulo 10 A escolha de Raina foi... (Segunda parte)

29/06/2026

11

Capítulo 11

29/06/2026

12

Capítulo 12 11

29/06/2026

13

Capítulo 13

29/06/2026

14

Capítulo 14

29/06/2026

15

Capítulo 15

29/06/2026

16

Capítulo 16

29/06/2026

17

Capítulo 17

29/06/2026

18

Capítulo 18

29/06/2026

19

Capítulo 19

29/06/2026

20

Capítulo 20

29/06/2026

21

Capítulo 21

29/06/2026

22

Capítulo 22 Uma ameaça inesperada

29/06/2026

23

Capítulo 23

29/06/2026

24

Capítulo 24

29/06/2026

25

Capítulo 25

29/06/2026

26

Capítulo 26

29/06/2026

27

Capítulo 27

29/06/2026

28

Capítulo 28

29/06/2026

29

Capítulo 29

29/06/2026

30

Capítulo 30

29/06/2026

31

Capítulo 31

29/06/2026

32

Capítulo 32

29/06/2026

33

Capítulo 33

29/06/2026

34

Capítulo 34 O vestido que ele me deu (Primeira parte)

29/06/2026

35

Capítulo 35 O vestido que ele me deu (Segunda parte)

29/06/2026

36

Capítulo 36

29/06/2026

37

Capítulo 37 Não vou desistir

29/06/2026

38

Capítulo 38

29/06/2026

39

Capítulo 39 Trigésimo sétimo

29/06/2026

40

Capítulo 40 (Primeira parte)

29/06/2026