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Magnus Blackwood é um magnata do petróleo no Texas. Viúvo, frio e implacável nos negócios, ele é temido por todos... menos por sua própria filha. Aurora Whitmore é a babá falastrona que ele contratou contra a vontade, mas que logo se torna impossível de ignorar. Convencido de que o amor morreu junto com sua esposa, Magnus ergueu muros intransponíveis ao redor do próprio coração. Aurora, por sua vez, jamais imaginou se apaixonar pelo homem mais arrogante, ferido e inacessível que já conheceu. No coração árido do Texas, entre provocações afiadas, segredos enterrados e noites que queimam mais do que o deserto, um confronto inesperado desperta sentimentos que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar. Mas será que o amor é forte o bastante para curar um coração que aprendeu a sobreviver sem ele?
Eu só queria um emprego estável em qualquer cidade pequena onde pudesse cuidar de crianças sem chamar atenção de homens, mas o desemprego me empurrou para o Texas, para um rancho isolado, para cuidar da filha de um estranho rico cuja esposa morrera e cujo nome soava como uma ameaça.
Me chamo Aurora Whitmore. Tenho vinte e dois anos, olhos castanhos claros que sempre parecem cansados demais para a idade, um metro e setenta e um corpo que não é magro nem modelo. Tenho curvas que escondo de propósito: camisetas largas, calças jeans um número maior, cabelo preso em rabo de cavalo simples. Trabalho com crianças. A última coisa que quero é que algum homem olhe para mim e decida que sou interessante. As recordações que tenho de homens não são boas. Nenhuma delas.
Cresci no Ravenwood Orphanage. As freiras eram a família mais próxima que tive. As outras crianças, irmãos temporários que partiam quando alguém os escolhia. Eu nunca fui escolhida. Aprendi cedo que ilusões não pagam contas nem enchem a barriga. Por isso, quando o contrato da escola infantil onde trabalhava acabou e não renovaram, não chorei. Apenas abri o notebook e aceitei a primeira oferta que apareceu: babá residencial no Texas. Boa remuneração. Casa e comida inclusas. Uma menina de sete anos que perdera a mãe. Parecia simples no papel.
Nada naquela manhã fazia sentido. Eu deveria estar reclamando do café ruim da sala dos professores, rindo alto demais com colegas que fingiam ter a vida sob controle. Em vez disso, desci de um ônibus empoeirado sob um sol que queimava a pele mesmo através da blusa de algodão. A mala surrada era minha única companhia. O ar cheirava a terra seca e diesel. O horizonte não tinha fim.
O táxi me esperava do outro lado da rodoviária. O motorista confirmou meu nome, assentiu quando falei "Blackwood" e acelerou pela estrada de terra sem mais palavras. Quanto mais avançávamos, mais o mundo ficava para trás. Nenhuma casa vizinha. Nenhum carro. Apenas cercas intermináveis, campos amarelados pelo calor e, ao longe, torres de petróleo cortando o céu azul sem nuvens. O silêncio dentro do carro era tão denso que eu ouvia o próprio sangue nas orelhas.
- É aqui, moça.
Ele parou diante de um portão de ferro escuro, alto demais para qualquer pessoa comum. Olhou para mim como quem espera que eu mude de ideia.
- Vou ficar - respondi.
Ele não disse mais nada. Apenas deu de ombros e esperou eu descer. Paguei a corrida. A mala bateu contra a minha perna quando o carro partiu, levantando um redemoinho de poeira que grudou na garganta. O vento quente batia no rosto. O farfalhar distante de árvores soava quase agressivo naquele silêncio.
O portão se abriu sozinho, lento, como se estivesse me avaliando. O Rancho Blackwood surgiu do outro lado: construção de pedra clara, sólida, janelas altas, varanda extensa que parecia vigiar tudo ao redor. Não era uma casa. Era uma declaração. Poder. Distância. Controle. Meu corpo inteiro arrepiou. As pernas bambearam por um segundo. Engoli em seco e segurei a alça da mala com mais força.
- Agora é tarde para voltar - murmurei para mim mesma. - Acredita que vai dar certo.
Caminhei pelo caminho de pedras. Cada passo ecoava dentro do peito. Eu me sentia pequena demais para aquele lugar, como se alguém fosse aparecer a qualquer momento e dizer que houve um engano, que eu não pertencia ali. Talvez não pertencesse mesmo.
Antes que eu chegasse à porta principal, ouvi risadas. Leves. Infantis. Deslocadas naquela rigidez toda. Virei o rosto. Uma garotinha corria pelo jardim segurando uma boneca sem um dos braços. Cabelos loiros presos em tranças tortas. Vestido claro sujo de terra. Ela brincava sozinha. O peito apertou de um jeito familiar e dolorido. Eu também brinquei sozinha. Muitas vezes. Mesmo sorrindo, o vazio ficava maior do que o quintal.
- Oi - falei, já me aproximando sem perceber.
Ela parou. Olhou para mim sem medo. Olhos claros, atentos demais para alguém tão pequena.
- Você é a nova babá?
- Acho que sim. E você deve ser a Emily.
Ela sorriu orgulhosa, mostrando um dente de leite faltando.
- Sou eu mesma. Papai disse que você ia chegar hoje.
A palavra "papai" pesou no meu peito antes mesmo de eu conhecer o homem.
- E onde ele está?
Emily deu de ombros, balançando a boneca quebrada.
- Trabalhando. Como sempre. Ele trabalha muito.
Claro que trabalhava. Homens como o pai dela sempre tinham algo mais importante. Sempre.
Eu ia responder alguma coisa leve, tentar puxar conversa, perguntar o nome da boneca, quando a porta da casa se abriu atrás de mim. O ar mudou. Não foi imaginação. Foi presença. Pesada. Quente. Silenciosa. Virei devagar.
Ele estava ali.
Magnus Blackwood.
Alto. Ombros largos. Camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços marcados pelo sol e pelo trabalho. Cabelo escuro penteado para trás, mas já um pouco desalinhado pelo vento. Barba por fazer de dois dias. Olhos escuros que me examinaram de cima a baixo em menos de três segundos, frios, avaliando, como se eu fosse um contrato e não uma pessoa. Ele não sorriu. Não estendeu a mão. Apenas ficou parado no umbral, a sombra dele cobrindo parte do meu corpo.
Emily correu até ele e abraçou a perna dele sem hesitação. Ele pousou a mão grande na cabeça dela de forma automática, quase distraída, mas o olhar nunca saiu de mim.
- Aurora Whitmore - disse. A voz era grave, controlada, sem pressa. - Você está atrasada.
Não era uma pergunta. Era uma afirmação. Eu abri a boca para explicar o atraso do ônibus, a estrada de terra, o calor, mas as palavras travaram. O sol batia nas minhas costas. O suor escorria entre as omoplatas. A mala parecia mais pesada de repente. E pela primeira vez desde que desci do táxi, senti o impulso antigo e familiar de baixar o olhar, de encolher os ombros, de desaparecer.
Mas não baixei.
Segurei a alça da mala com as duas mãos, senti as unhas cravarem na palma, e mantive o olhar firme no dele enquanto o coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir.
O MAGNATA QUE ESQUECEU DE AMAR
Fire Books
Romance
Capítulo 1 Aurora Whitmore
09/07/2026
Capítulo 2 O senhor das trevas
09/07/2026
Capítulo 3 Magnus Blackwood
09/07/2026
Capítulo 4 A babá errada
09/07/2026
Capítulo 5 A criança silenciosa
09/07/2026
Capítulo 6 Se sentindo menos sozinha
09/07/2026
Capítulo 7 O sorriso que me acusa
09/07/2026
Capítulo 8 O que eu não consigo dar
09/07/2026
Capítulo 9 O homem que não sorri
09/07/2026
Capítulo 10 O perigo de me importar
09/07/2026
Capítulo 11 Nada será fácil
09/07/2026
Capítulo 12 Controle é tudo
11/07/2026
Capítulo 13 Confronto Interno
11/07/2026
Capítulo 14 Eu não sei ficar quieta
11/07/2026
Capítulo 15 Pessoas machucadas
12/07/2026
Capítulo 16 Regras idiotas
12/07/2026
Capítulo 17 Ela invade o meu silêncio
13/07/2026
Capítulo 18 Qual é o verdadeiro perigo
13/07/2026
Capítulo 19 Aliviado
14/07/2026
Capítulo 20 Jantar com um estranho
14/07/2026
Capítulo 21 Isso muda tudo
15/07/2026
Capítulo 22 Ela vê demais
15/07/2026
Capítulo 23 O que Emily já percebeu
17/07/2026
Capítulo 24 Perigoso
17/07/2026
Capítulo 25 Ela enxerga a minha ferida
17/07/2026
Capítulo 26 Eu me importo mais do que deveria
17/07/2026
Capítulo 27 A coragem de voltar a amar
18/07/2026
Capítulo 28 Sem resposta
18/07/2026
Capítulo 29 Ela se aproximou demais
18/07/2026
Capítulo 30 Cheguei no momento errado
18/07/2026
Capítulo 31 O nome que não ouso dizer
19/07/2026
Capítulo 32 Quando o luto encontrou abrigo
19/07/2026
Capítulo 33 O dia em que voltamos a falar o nome dela
20/07/2026
Capítulo 34 Meu erro
20/07/2026
Capítulo 35 Sentir sem fugir
21/07/2026
Capítulo 36 Emily merece mais
21/07/2026
Capítulo 37 A distância está diminuindo
22/07/2026
Capítulo 38 Enquanto eu estiver aqui
22/07/2026
Capítulo 39 Isso não deveria ter acontecido
22/07/2026
Capítulo 40 Manter distância
22/07/2026