CAROLINA - Entre o Voto e o Desejo

CAROLINA - Entre o Voto e o Desejo

Emily Joyce

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18
Capítulo

"Carolina - Entre o Voto e o Desejo" acompanha a jornada de Carolina, uma jovem noviça que decide afastar-se temporariamente da segurança e da rotina dos muros do convento para cuidar de sua tia Beatriz, que se recupera de uma grave doença. A mudança a conduz de volta ao mundo exterior e a aproxima do cotidiano de sua família, colocando-a em contato direto com Henrique, o marido de Beatriz. Inicialmente estruturada como uma convivência familiar marcada pelo dever e pelo cuidado com a tia, a rotina de Carolina aos poucos se transforma. À medida que partilham conversas na cozinha, projetos antigos e os silêncios de uma casa em convalescença, Carolina e Henrique desenvolvem uma profunda afinidade intelectual e emocional. O que começa como curiosidade mútua evolui silenciosamente para um sentimento inevitável, desafiando os princípios morais, a vocação religiosa da jovem e a lealdade para com Beatriz. O romance explora com sensibilidade o conflito interno de Carolina entre a rigidez de suas promessas espirituais e a força de um desejo inesperado, além da culpa que acompanha a descoberta de que o afeto pode nascer nos lugares mais proibidos. Em paralelo, a obra retrata a complexidade do casamento de Beatriz e Henrique - marcado por anos de dedicação, mas também por distâncias emocionais que a doença traz à tona. Entre dilemas morais, confissões inevitáveis e a difícil tarefa de assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas, Carolina descobre que a verdadeira maturidade não reside apenas em cumprir obrigações, mas na coragem de enfrentar quem se é quando as certezas do passado começam a ruir.

CAROLINA - Entre o Voto e o Desejo Capítulo 1 A partida

A mala estava aberta sobre a cama quando Carolina percebeu que não sabia o que levar.

Não era a primeira vez que deixava o convento. Durante os primeiros anos, viajara algumas vezes para visitar a família, participar de encontros religiosos e acompanhar as irmãs em trabalhos de assistência. Ainda assim, naquela manhã, arrumar os pertences parecia uma tarefa diferente. Havia qualquer coisa de definitivo na maneira como ela dobrava cada peça de roupa, embora soubesse que pretendia ficar fora apenas algumas semanas.

Sobre a cama, o hábito cinza-escuro repousava ao lado de dois vestidos discretos, uma camisola, um casaco de lã e um pequeno livro de orações. Carolina acrescentou uma escova de cabelos e tornou a fechar a mala, mas logo a abriu novamente para verificar se havia esquecido alguma coisa.

- Se continuar assim, vai acabar levando o armário inteiro - comentou irmã Teresa, parada à porta.

Carolina sorriu, um pouco constrangida.

- Tenho a impressão de que estou esquecendo alguma coisa importante.

- Está levando o necessário?

- Acho que sim.

- Então talvez não seja a mala que esteja preocupando você.

Irmã Teresa entrou no quarto sem esperar resposta. Tinha pouco mais de cinquenta anos, cabelos já inteiramente grisalhos e um jeito de olhar que fazia Carolina sentir-se compreendida mesmo quando preferia não ser. Fora sua orientadora desde o noviciado e, ao longo dos anos, tornara-se a pessoa a quem recorria quando as próprias certezas começavam a vacilar.

- Como está sua tia? - perguntou Teresa.

- Melhor do que na semana passada, segundo minha mãe. Mas ainda sente muita fraqueza. O médico recomendou repouso, e Henrique está trabalhando demais para conseguir cuidar de tudo sozinho.

Ao pronunciar o nome do marido da tia, Carolina não sentiu nada além da preocupação habitual. Henrique fazia parte de suas lembranças familiares havia anos, embora os encontros entre eles tivessem se tornado raros desde que ela ingressara na vida religiosa. Nas últimas visitas, ele lhe parecera um homem educado, reservado e excessivamente dedicado ao trabalho.

- Você parece preocupada com Beatriz - observou Teresa.

- Estou. Ela sempre cuidou de mim quando eu era pequena. Quando meus pais precisavam viajar, era na casa dela que eu ficava. Não posso fingir que não tenho responsabilidades com minha família.

- Ninguém está pedindo isso.

Carolina abaixou os olhos para a mala.

Desde que comunicara sua decisão de ingressar no convento, aprendera a reconhecer a diferença entre uma obrigação e um gesto de amor. A vida religiosa não lhe parecia uma fuga do mundo. Pelo contrário, ela acreditava ter encontrado ali uma forma de servir, uma disciplina capaz de dar sentido à sua existência e uma paz que raramente experimentara antes.

Pelo menos era isso que costumava dizer a si mesma.

Quando era adolescente, Carolina gostava de ficar sozinha na pequena capela da cidade. Enquanto as outras meninas falavam sobre namorados, festas e planos para o futuro, ela se sentava no último banco e imaginava que a vida pudesse ser mais simples se encontrasse uma finalidade que não dependesse da aprovação de ninguém.

A ideia de tornar-se religiosa surgira aos poucos, mas sua família a recebera com um entusiasmo que, na época, ela confundira com confirmação. Sua mãe chorara de felicidade. Seu pai, homem pouco dado a demonstrações de afeto, dissera que ela sempre tivera uma alma especial. Os parentes passaram a apresentá-la como exemplo de dedicação e pureza.

Carolina gostara de ser motivo de orgulho. Não admitira, nem mesmo a si própria, o quanto aquele reconhecimento contribuíra para tornar sua decisão mais difícil de questionar.

- Você está feliz por ir? - perguntou Teresa.

Carolina ergueu o rosto.

- Estou indo cuidar da minha tia.

- Não foi isso que perguntei.

Por alguns segundos, Carolina pensou em responder que sim. Seria a resposta mais simples e não exigiria nenhuma explicação.

- Estou preocupada com ela - disse, por fim. - E acho que vai me fazer bem sair um pouco daqui.

Teresa não sorriu nem demonstrou surpresa.

- Às vezes, precisamos nos afastar de um lugar para perceber o que ele significa para nós.

- A senhora acha que estou em dúvida sobre minha vocação?

- Acho que você está tentando responder a uma pergunta antes mesmo de admitir que ela existe.

Carolina sentiu uma pontada de irritação. Não porque considerasse injustas as palavras da religiosa, mas porque não gostava de ver suas inquietações expostas com tanta facilidade.

- Eu fiz minha escolha, irmã.

- Sim. E não precisa ter medo de examiná-la. Uma escolha verdadeira não se torna menos verdadeira porque você procura compreender as razões que a levaram a fazê-la.

O sino anunciou o início da oração da manhã. As duas permaneceram em silêncio por alguns instantes, escutando o som se dissipar pelos corredores.

Carolina pegou a mala.

Antes de sair, voltou-se para o quarto. A cama estreita, a escrivaninha, o crucifixo pendurado na parede e a janela que dava para o jardim compunham uma paisagem que conhecia de memória. Ali, cada objeto tinha seu lugar, cada dia obedecia a uma rotina e cada dificuldade encontrava algum espaço na oração.

Ela amava aquela tranquilidade. O que ainda não sabia era se a tranquilidade bastava para responder a todas as perguntas que começavam a surgir dentro dela.

- Vou voltar logo - disse, mais para si mesma do que para Teresa.

A religiosa aproximou-se e ajeitou a gola de seu casaco.

- Volte quando estiver pronta, Carolina. Não apenas porque acredita que deve voltar.

A jovem não respondeu.

Desceu as escadas, atravessou o corredor principal e saiu pelo portão acompanhada por uma das irmãs. O motorista enviado por Henrique aguardava junto ao carro, com o porta-malas aberto.

Quando se acomodou no banco traseiro, Carolina segurou o pequeno crucifixo que trazia consigo desde o noviciado. Rezou em silêncio enquanto o veículo deixava a estrada de pedra e alcançava a avenida.

A cidade despertava. As lojas começavam a abrir, os ônibus enchiam as ruas e as pessoas caminhavam apressadas, ocupadas com compromissos que Carolina já não conhecia de perto. Observou uma moça atravessar a calçada rindo ao telefone, dois jovens dividindo um café diante de uma padaria e um casal discutindo junto a uma banca de jornais.

Não sentiu inveja. Pelo menos, não soube reconhecer o sentimento como tal.

Pensou apenas que havia passado muito tempo sem prestar atenção à vida que acontecia fora dos muros do convento.

Quando o carro tomou a estrada que levava à casa de Beatriz, Carolina abriu o livro de orações sobre o colo. Leu duas linhas, perdeu a concentração e tornou a fechar as páginas.

Pela primeira vez em muito tempo, não conseguiu organizar os próprios pensamentos em uma prece.

E isso a inquietou mais do que gostaria de admitir.

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CAROLINA - Entre o Voto e o Desejo CAROLINA - Entre o Voto e o Desejo Emily Joyce Romance
“"Carolina - Entre o Voto e o Desejo" acompanha a jornada de Carolina, uma jovem noviça que decide afastar-se temporariamente da segurança e da rotina dos muros do convento para cuidar de sua tia Beatriz, que se recupera de uma grave doença. A mudança a conduz de volta ao mundo exterior e a aproxima do cotidiano de sua família, colocando-a em contato direto com Henrique, o marido de Beatriz. Inicialmente estruturada como uma convivência familiar marcada pelo dever e pelo cuidado com a tia, a rotina de Carolina aos poucos se transforma. À medida que partilham conversas na cozinha, projetos antigos e os silêncios de uma casa em convalescença, Carolina e Henrique desenvolvem uma profunda afinidade intelectual e emocional. O que começa como curiosidade mútua evolui silenciosamente para um sentimento inevitável, desafiando os princípios morais, a vocação religiosa da jovem e a lealdade para com Beatriz. O romance explora com sensibilidade o conflito interno de Carolina entre a rigidez de suas promessas espirituais e a força de um desejo inesperado, além da culpa que acompanha a descoberta de que o afeto pode nascer nos lugares mais proibidos. Em paralelo, a obra retrata a complexidade do casamento de Beatriz e Henrique - marcado por anos de dedicação, mas também por distâncias emocionais que a doença traz à tona. Entre dilemas morais, confissões inevitáveis e a difícil tarefa de assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas, Carolina descobre que a verdadeira maturidade não reside apenas em cumprir obrigações, mas na coragem de enfrentar quem se é quando as certezas do passado começam a ruir.”
1

Capítulo 1 A partida

28/10/2026

2

Capítulo 2 A casa da tia

28/10/2026

3

Capítulo 3 O quarto de hóspedes

28/10/2026

4

Capítulo 4 O primeiro jantar

28/10/2026

5

Capítulo 5 A rotina

28/10/2026

6

Capítulo 6 Conversas na cozinha

28/10/2026

7

Capítulo 7 O homem que ela não conhecia

28/10/2026

8

Capítulo 8 Um olhar

28/10/2026

9

Capítulo 9 A culpa

28/10/2026

10

Capítulo 10 A pergunta

28/10/2026

11

Capítulo 11 Distância

28/10/2026

12

Capítulo 12 O silêncio de Henrique

28/10/2026

13

Capítulo 13 A falta

31/10/2026

14

Capítulo 14 A chuva

31/10/2026

15

Capítulo 15 À luz das velas

31/10/2026

16

Capítulo 16 O passado de Henrique

31/10/2026

17

Capítulo 17 Beatriz

31/10/2026

18

Capítulo 18 A biblioteca

31/10/2026