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Lizandra nunca esperava ver sua liberdade ser arrancada de uma hora para outra. Forçada a se casar com Sebastian Lancaster, um estranho que nunca viu na vida, ela recebe uma imposição ainda mais cruel: dar a ele um herdeiro. Vitimado por um trágico acidente de carro há quatro meses, Sebastian carrega sequelas físicas, a paralisia e uma alma tomada pela amargura. Ele se tornou um homem ainda mais frio, implacável e intolerante com o mundo. Forçada a entrar na vida desse homem enigmático, Lizandra se vê em meio a um jogo perigoso. Como será a convivência com alguém tão desprovido de afeto? Ela conseguirá resistir até o fim do seu plano, ou acabará sucumbindo às sombrias conspirações familiares?
O silêncio no quarto 704 do Grand Hotel era interrompido apenas pelo som rítmico da chuva batendo contra as imensas vidraças. Lizandra Sullivan encarava seu próprio reflexo no espelho de corpo inteiro, mas não reconhecia a mulher que a olhava de volta.
Vestida em camadas de seda e renda branca, ela parecia a imagem perfeita de uma noiva de elite. O coque delicado não deixava um fio sequer fora do lugar, mas por dentro, Lizandra sentia que estava se desfazendo em mil pedaços. Não havia brilho no seu olhar, nem o rubor de expectativa que deveria acompanhar aquele dia. Havia apenas o peso gélido da sobrevivência.
Nas mãos, ela apertava dois papéis que selaram seu destino: um termo de consentimento para inseminação artificial e um acordo de estrita confidencialidade.
Há poucos minutos, o advogado da família Lancaster deixara o quarto com a frieza de quem entrega uma nota fiscal.
Em três dias, ela seria submetida ao procedimento. O doador? Sebastian Lancaster, seu noivo, quando mais jovem ele havia congelado seu esperma caso surgisse uma emergência, e para Xavier a emergência havia chegado. Sebastian, um homem que ela nunca beijou, com quem nunca dividiu um segredo, e que agora, segundo os sussurros nos corredores do poder, estava preso a uma cama, contando seus últimos suspiros após o terrível acidente de quatro meses atrás.
Para o patriarca Xavier Lancaster, Lizandra não era uma nora, era um receptáculo. Uma incubadora para garantir que a linhagem da família mais poderosa da cidade não morresse com o primogênito.
- Uma dívida de sangue... - sussurrou Lizandra, sua voz falhando no quarto vazio.
A memória do pai, Robert, era uma ferida aberta.
Ele se fora há seis meses, deixando para trás um rastro de dívidas de jogo que consumiram a fortuna dos Sullivan como um incêndio. Xavier Lancaster, o antigo "amigo" que detinha as promissórias, não teve piedade. Ele ofereceu uma saída: Lizandra daria um herdeiro a seu filho, e as dívidas seriam esquecidas.
Um brilho de pânico, quase imperceptível para qualquer estranho, faiscou em seus olhos castanhos. A ideia de carregar o filho de um estranho, um homem que ela nem sabia se acordaria para ver o rosto da criança, fazia seu estômago revirar.
Ela começou a andar de um lado para o outro, a cauda do vestido arrastando pelo carpete felpudo. O pânico, antes contido, agora subia por sua garganta como ácido. Ela não podia fazer isso. Não podia se entregar a esse contrato macabro sem ao menos tentar respirar o ar puro uma última vez.
Tomada por um impulso súbito, Lizandra caminhou até a porta.
Ao abrir, o corredor deserto e luxuoso parecia um túnel sem fim. O coração batia tão forte que ela sentia os ouvidos latejarem.
"E se eu encontrar alguém? E se Xavier estiver vigiando?"
A paranoia a fez parar diante do elevador. O som metálico da chegada de uma cabine a assustou.
Se algum conhecido a visse ali, vestida de noiva e com os olhos marejados, o escândalo seria o prego final em seu caixão.
Em um gesto de desespero, Lizandra inclinou-se e arrancou os sapatos de salto agulha.
Segurando-os pelas tiras, ela ignorou o elevador e correu em direção à porta pesada das escadas de emergência.
A frieza do concreto sob seus pés descalços foi o primeiro choque de realidade. Enquanto descia os degraus em uma fuga frenética, o som da seda do vestido de noiva raspando no chão era o único aviso de que a futura Sra. Lancaster estava tentando escapar de um destino que já havia sido escrito antes mesmo do "sim".
Lizandra descia a próxima rampa, os sapatos de salto agulha ainda apertados em sua mão direita, o coração um tambor frenético em seu peito. Faltavam apenas dois lances para a liberdade relativa da rua secundária quando o som a paralisou.
Vozes. Baixas, conspiratórias e perturbadoramente próximas.
Um riso abafado, quase um sussurro cúmplice, ecoou no poço da escada logo abaixo dela. Lizandra travou.
O impulso de fugir foi instantaneamente substituído pela necessidade de se tornar invisível. Seus olhos se arregalaram e ela se pressionou contra a parede, fundindo-se com as sombras. Ela estava presa na rampa superior, separada do casal por apenas alguns degraus e uma curva escura.
Se eles subissem, a veriam, a noiva em fuga, um escândalo ambulante.
Ela ficou ali, imóvel, uma estátua de desespero, o coração parecendo que iria saltar pela garganta. O tempo parecia se dilatar enquanto ela ouvia as vozes se aproximando, a risada e os sussurros crescendo em clareza.
E então, as palavras cortaram o ar frio, gelando o sangue em suas veias.
A voz da mulher era ansiosa, quase urgente:
- É sério que o plano está bem arquitetado? Não tem furos como da última vez não é?
- Não, pode ficar tranquila meu amor, dessa vez aquele alejado estúpido não vai durar muito. Já tenho tudo bem planejado. Meu pai está me apoiando. - O riso do homem agora era frio e calculista, um som que fez os pelos da nuca de Lizandra se arrepiarem.
O homem continuou, a voz como veneno destilado:
- Ele sobreviveu ao acidente, mas de agora pra frente é só uma questão de tempo. Assim que a tal da Lizandra Sullivan fizer a inseminação artificial e ficar confirmado que deu certo, meu pai dará um jeito de dar um fim no Sebastian. Disso não tenho dúvidas.
O mundo girou ao redor de Lizandra.
O pânico de ser descoberta foi substituído por um terror novo e paralisante. Ela não estava apenas fugindo de um casamento forçado, ela tinha acabado de ouvir a conspiração para o assassinato de seu futuro marido, e ela, a "tal da Lizandra", era a peça-chave do plano.
Ela era o instrumento que daria legitimidade à morte de Sebastian.
Paralisada, ela percebeu que sua fuga pelas escadas era o menor dos seus problemas. A escuridão da escada não escondia apenas fugitivos, escondia assassinos frios e calculistas, e agora ela sabia que estava em um caos absoluto.
Resistindo ao Amor Ardente em Meio ao Caos
Re Assis
Romance
Capítulo 1 Conspirações na rampa da escada
30/10/2026
Capítulo 2 Um ninho de víboras
30/10/2026
Capítulo 3 Sra. Lancaster
30/10/2026
Capítulo 4 O intruso
30/10/2026
Capítulo 5 Buscando refúgio
30/10/2026
Capítulo 6 Todos os homens aqui me dão medo
30/10/2026
Capítulo 7 Café da manhã indigesto
30/10/2026
Capítulo 8 Ameaças
30/10/2026
Capítulo 9 Não havia mais volta
30/10/2026
Capítulo 10 Não quero essa mulher sob o meu teto
30/10/2026
Capítulo 11 Um olhar gélido e mortal
01/11/2026
Capítulo 12 Melodrama trágico
01/11/2026
Capítulo 13 Entre as linhas da ficção
01/11/2026
Capítulo 14 Teatro social
02/11/2026
Capítulo 15 Destilando veneno
02/11/2026
Capítulo 16 Tire as suas mãos da minha esposa
Hoje às 12:13
Capítulo 17 Um marido atencioso e gentil
Hoje às 12:14