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Prólogo ( Aleksey Markovic)
Bratva é minha casa. Meu santuário, o único lugar onde uma máquina de matar como eu pertence. É bom estar de volta, depois de tanto tempo afastado, não sei se as sessões de terapia serviram para alguma coisa, os meus demônios ainda estão vivos.
Às vezes, meus demônios voltam correndo, e eu me sinto fora de controle, cheio de raiva, perto de me perder completamente. Às vezes, eu só penso em deixar eles assumirem o controle e botar fogo no mundo, mas a voz doce e quebrada da minha ratinha me acalma. Mantê-la prisioneira em meus braços, é minha única opção, se ela for embora, minha escuridão ressurgirá e não haverá ser humano que escape dela dessa vez.
Yasmin Ayala (1)
Estava tendo um sono tão tranquilo que, não queria acordar por nada, o mundo podia até terminar a qualquer momento, mas eu só queria ter mais algumas horinhas em paz. Mas como diz o ditado, Deus ajuda, quem cedo madruga, sou forçada a deixar a minha amada cama e partir para mais uma aula. Eu sou estudante bolsista na São Petersburgo university, não posso dispersar essa oportunidade por nada na vida.
- Yasmin Ayala sua vaca, não está ouvindo o despertador tocar, se põe o despertador é para você acordar e não a casa inteira! - Mika grita irritada me dando pontapés, o humor dela nas manhãs é um verdadeiro atentado a minha vida.
Ela é minha colega de apartamento, nós duas somos colegas na universidade e compartilhamos o apê, para reduzir custos. Ela é filha de uma brasileira e um Russo, logo foi um bônus para mim em questão de língua em comum.
- Ai meu Deus Mika, eu já acordei pará com isso! - jogo o travesseiro nela.
- A tá, vá logo tomar banho que você não é herdeira minha filha - a desgraçada me empurra até o banheiro anexo em nosso pequeno apê.
Ela tem razão, diferente de todo o mundo daquela universidade, nós duas não somos herdeiras e precisamos trabalhar muito para ter o pão na mesa, já basta ser bolsista, bolsista burra, é a última coisa que me falta no mundo. Sem contar que não existem bolsistas burros. Além de estudar Engenharia de petróleo e gás, eu trabalho por meio período numa lanchonete bem próximo da minha casa, o que me garante alguns trocados no bolso.
- Yas! Estou indo, não se preocupe com o café eu já fiz - Mika sai de casa mais cedo que eu, como sempre.
Ela estuda economia e eu engenharia, apesar de serem dois cursos totalmente opostos, nós duas trabalhamos com números, logo é fácil de nós duas entendermos uma a outra. Saio correndo do banheiro, se Mika já saiu, isso siginifica que eu estou pouco de chegar no final da aula do senhor Serguei. Não sei por quê aquele velho desgraçado não pede a reforma dele.
- Aiii! Eu vou me foder meu Deus - grunho fazendo um esforço para fazer uma skin care básica e rápida.
A Rússia é um país muito frio, para muitos, é a temperatura ideal para ter uma pele óptima, mas para o meu azar, a minha pele é sensível ao frio e eu sempre descasco, é de extrema importância sempre fazer skin care. Assim que faço isso, preparo o meu conjunto de moletom branco e meus fones de ouvido básicos.
Saio correndo até o ponto de ônibus, pego o mesmo e em menos de trinta minutos eu já estou na faculdade. Às vantagens de morar na Rússia é que, além de estar estudando o que eu sempre quis, os transportes nunca estão cheios, eu não preciso sair de casa duas horas antes do meu compromisso, não importa a hora que saio de casa, eu sempre encontro um ônibus me esperando.
Assim que chego a faculdade, a sala já está superlotada e as pessoas já estão em pares, menos o diabo de olhos azuis. Como sempre, Aleksey Markovic, está sentado num cantinho sozinho e para o meu azar, é o único banco disponível para mim. Invocando todos os espíritos da minha família, eu vou até ele com passos vacilantes, eu espero que Deus me proteja e que no final eu não morra congelada ou petrificada pelo olhar dele.
- Oi Aleksey, posso me sentar aqui? - minha voz sai tão trémula que é bem provável que ele vá rir de mim depois.
Ele nem sequer se dá o trabalho de olhar em meus olhos, ele simplesmente se afasta de mim e deixa a cadeira livre.
- Você já está aqui Ayala, sente-se noutro lugar se tiver - o senhor coração de gelo murmura suavemente.
Sua voz sai tão gélida e fria que acho que o próprio polo norte congela ainda mais. Eu não sei o que fiz para esse menino, mas desde o primeiro dia, ele não vai com a minha cara.
- Não tem outro lugar - me sento ao lado da geladeira insuportável de dois metros de altura.
Ele nem sequer se dá ao trabalho de me responder, me sento na cadeira ao lado do rei do gelo. A aula do professor Serguei começa intediante como sempre, metade da turma está sonecando, mas eu não estou conseguindo dormir, porque parece que todo o frio da Rússia, está na minha cadeira. A respiração de Aleksey me desconcentrar e muito. Observo com cuidado o que ele está fazendo e para minha completa surpresa, ele não está fazendo nenhum cálculo ou coisa do tipo, ele está desenhando coisas grotescas e assustadoras.
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