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Meu companheiro lobisomem me traiu.
Eu estava do lado de fora da sala de conferências do Alfa e, pela porta entreaberta, o vi entrelaçado com outra lobisomem. Seus dedos afundavam-se nos cabelos loiros dela enquanto seus lábios apertavam-se contra seu pescoço, exatamente como ele costumava fazer comigo. Embora, como humana, eu não pudesse sentir a dor de um vínculo de companheiro sendo partido, a cena ainda assim me deixou enjoada.
Oito anos da minha vida despedaçaram-se naquele instante. Minhas pernas pareciam ter virado gelo, meus saltos grudados no chão de mármore. Uma voz interna zombava da minha ingenuidade – uma humana tentando reter para sempre o coração de um lobisomem. Minha garganta apertou-se e meu estômago revolveu-se; forcei-me a não desabar ali mesmo.
Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente levantei a mão e bati na porta.
"Entre," a voz grave e rouca ecoou de dentro.
Apertei os arquivos que carregava com força, meus nós dos dedos ficaram brancos enquanto eu lutava para manter a compostura. Os outros membros da matilha perceberiam minha angústia se eu não me controlasse. Como humana casada com o Alfa do Clã Lua Sangrenta, aprendera a mascarar minhas emoções com maestria.
Ao empurrar a porta, forcei meus lábios a se curvarem em um sorriso ensaiado. Caminhei diretamente até Xavier, cuidando para não inspirar profundamente. Eu não queria sentir o cheiro dela sobre ele – aquela outra fêmea cujo perfume havia rondado nossa casa por semanas.
"Ocupado?" perguntei, com um tom deliberadamente leve. "Tenho alguns documentos que precisam da sua assinatura."
Minha pergunta era puramente retórica. Já havia colocado os arquivos diante dele, abertos nas páginas que precisavam ser assinadas. Minha atuação impecável, mantida mesmo enquanto meu coração se transformava em pedra.
Xavier acabara de voltar da Suíça nesta manhã. Ele foi direto para o escritório para colocar o trabalho em dia, e sua mesa já estava coberta de papéis. O cansaço marcava seu rosto bonito, embora eu soubesse que a verdadeira razão de sua exaustão não tinha nada a ver com reuniões de negócios. Sem ao menos olhar o que eu trouxera, ele assinou todos os documentos.
"Obrigado por resolver isso," ele disse, os olhos ainda fixos na tela do computador.
Recolhi os papéis assinados, guardando-os com cuidado contra o peito. "Você vai estar em casa para o jantar hoje?" perguntei, bem sabendo da resposta.
"Tenho planos. Não me espere," respondeu, indiferente, a atenção já de volta à tela.
"Está bem, nos vemos mais tarde, então," eu disse, virando-me para sair.
No momento em que minhas costas se voltaram para ele, meu sorriso transformou-se em algo frio e amargo. A fachada da Luna dedicada desmoronou a cada passo que eu dava em direção à porta.
Ao passar pela área de descanso anexa ao escritório dele, ouvi um ruído leve vindo de dentro, como se alguém estivesse tentando se mover em silêncio. Meus olhos lançaram uma olhadela e capturaram a cena: embalagens de lanches espalhadas pela mesa de centro, e um salto alto rosa pálido jogado de lado no chão. Naquele instante, meu coração transformou-se em cinzas.
A caminhada de volta ao meu próprio escritório drenou toda a energia que me restava. Afundei-me na minha cadeira, soltando um longo suspiro de derrota.
De uma pilha de papéis, puxei um documento específico. Os papéis do divórcio. Passei para a página final, sobrepondo a assinatura de Xavier com uma mistura de vingança e tristeza.
Memórias invadiram minha mente... de como ele prometera que eu era sua única e verdadeira companheira, de como me perseguira intensamente no ensino médio, insistindo que, mesmo eu sendo humana, a Deusa da Lua nos destinara um ao outro.
Lembrei-me de como Dora, sua mãe e a Luna Anciã, zombava de mim, alertando para que eu não me acomodasse. "Os lobos podem afirmar que acasalam para a vida toda," ela dizia, "mas um Alfa nunca se satisfará com apenas uma mulher, especialmente uma humana."
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