“Meu marido, Caio, foi promovido. Depois de três longos anos presos numa cidadezinha do interior, estávamos finalmente voltando para a matriz em São Paulo. Mas quando fui preencher nossa papelada de mudança conjunta, a moça do RH me lançou um olhar de pena. Caio, ela explicou, já tinha preenchido os formulários para uma pessoa só, listando uma esposa diferente: seu amor de colégio, Chayene Melo. Um único telefonema, em estado de choque, para o cartório de registro civil revelou a verdade devastadora. Eu tinha assinado meus próprios papéis de divórcio dois meses atrás, enganada por Caio, que alegou serem documentos de investimento. Ele se casou de novo no dia seguinte. Ele usou meu talento como arquiteta de software de ponta para garantir sua promoção, tudo isso enquanto orquestrava essa farsa monstruosa. Eu sacrifiquei minhas próprias oportunidades de carreira pelo nosso futuro, um futuro que ele já estava construindo com outra pessoa. A dor era sufocante, mas então a raiva explodiu através do meu luto. Peguei meu celular, meus dedos firmes. Liguei para Elcio Prado, o vice-presidente de Engenharia, o homem que me ofereceu o cargo de liderança em um projeto de alto risco. "A oferta ainda está de pé?", perguntei, minha voz clara e dura como aço.”