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"Você vai morrer por eles?" A voz do Rei Alfa era fria o suficiente para silenciar o salão. E Althea ouviu a resposta muito antes de pronunciá-la... não de si, mas das mentes que gritavam ao seu redor. "Apenas se sacrifique." "Você não é nada." "Você deveria morrer por nós." O dom ou maldição de Althea a permitia ouvir e ler cada pensamento de ódio, cada súplica desesperada. Ela deu um passo à frente, escolhendo proteger os fracos, os inocentes, os únicos que haviam lhe demonstrado bondade... mesmo que o preço fosse sua vida. No entanto, Gavriel Kingsley, o Rei Alfa, não a matou, porque queria outra coisa. "Você é minha agora", disse ele, sua voz mal passando de um sussurro. "Como uma escrava?!" O Rei soltou uma risadinha, seu olhar sombrio como a meia-noite. "Como minha reprodutora."
"O-onde estão me levando?!"
Tentando se agarrar a qualquer coisa, as mãos de Althea raspavam na parede fria de pedra, mas ela estava fraca e pequena demais para conseguir. Os dois homens que a arrastavam mal sentiam sua resistência, a carregando como se não pesasse nada.
Ela não sabia há quanto tempo estava trancada naquela masmorra escura onde Luna Meena tinha a jogado. Enquanto isso, todos lá fora tentavam fugir após a mensagem do seu pai chegar, ordenando que toda a matilha escapasse imediatamente. Sua tentativa de derrubar o Rei Alfa tinha fracassado, e agora a fúria do Reino da Lua estava vindo atrás deles.
"Por favor...", ela sussurrou enquanto eles a puxavam pela escada. Com o brilho repentino da superfície, seus olhos ardiam.
O mundo lá fora era um caos, com tochas ardendo, o fogo se espalhando pelas casas e os gritos e choros ecoando pela noite.
Ao ver que o sangue encharcava o chão e corpos estavam por toda parte, os olhos de Althea se arregalaram em pavor. A matilha do seu pai estava sendo exterminada.
Diante dessa cena, seu coração se apertou e sua respiração parou.
Ela não perguntou mais nada aos homens, pois a resposta já estava diante dela. Ao ver a destruição, ela soube que a matilha havia sido derrotada. Seu pai não se tornou o novo Rei Alfa, e agora era um traidor.
E por carregar o sangue dele, ela... estava sendo arrastada para morrer.
Althea fechou os olhos com força enquanto seus ombros caíam. Enquanto Luna Meena e os outros escapavam, ela foi deixada para trás para enfrentar a fúria do Rei Alfa sozinha.
Eles a abandonaram, a levando para um fim que não merecia.
Mas quando eles a arrastaram para o salão principal, o que ela viu a fez gelar dos pés à cabeça.
Todos que a abandonaram estavam lá... Luna Meena, as outras amantes do seu pai, seus meio-irmãos e até os empregados.
Todos de joelhos, com as cabeças baixas, aguardando.
De repente, um grito ecoou. Plaf!
Vendo o corpo do seu meio-irmão cair ao lado dela, com uma poça de sangue se espalhando como tinta pelo chão de mármore, Althea engoliu o grito que estava prestes a soltar.
Um homem familiar, com o rosto impassível e a lâmina pingando, deu um passo à frente. Sem sequer olhar para o corpo do irmão dela, ele limpou a espada na manga da camisa do morto.
"Mais alguém quer tentar fugir?", ele perguntou num tom calmo, como se estivesse falando sobre o tempo.
Quando ninguém se moveu, nem respirou, o olhar dele pousou sobre ela. Ele não era apenas um guarda, mas, sem dúvida, um dos guerreiros mais confiáveis do Rei Alfa, a julgar pela sua armadura com detalhes prateados e pela força da sua presença.
"Gama Simon", pensou Althea. Ela o reconheceu, pois ele havia visitado a matilha na semana passada para entregar uma mensagem do Rei Alfa.
Olhando para Althea, ele disse: "Ela é humana, não precisa de prata." Ainda assim, um guarda se aproximou para algemá-la.
"Mova-se, sangue traidor!", ele ordenou, a empurrando para frente.
Althea tropeçou, fazendo seus olhos se erguerem por um segundo e encontrarem os do guarda. No instante em que isso aconteceu, o pensamento doentio dele a atingiu como um tapa: "Ela é a mais bonita das filhas do Alfa Cain. "Matá-la seria um desperdício... "Adoraria levá-la para minha cama primeiro. "Fico me perguntando qual é o gosto dela quando eu..."
Ao ler isso, ela desviou o olhar rapidamente, enquanto seu estômago se revirava de náusea.
Ela odiava essa habilidade de ouvir e ler os pensamentos das pessoas através do contato visual, fosse um dom ou uma maldição. Embora isso já tivesse salvado sua vida mais de uma vez, algumas verdades eram repugnantes demais para serem suportadas.
Olhando para a matilha ajoelhada no salão, Gama Simon disse friamente: "Vocês conhecem a lei. O Alfa Cain cometeu traição, e sua linhagem deve pagar."
"Se o restante da matilha se ajoelhar, poderá ser poupado, mas a família do traidor...", ele fez uma pausa, "... seu destino pertence ao Rei Alfa."
Todos sabiam o que isso significava. O Rei Alfa era implacável, e só havia um destino para a linhagem de Cain... A MORTE.
Nese momento...
"O Rei Alfa está chegando."
Com o anúncio, um silêncio sepulcral tomou conta do lugar.
Erguendo a cabeça, Althea o viu... Gavriel Kingsley, o Rei Alfa do Continente da Lua.
Ele entrou no salão como uma tempestade em forma de homem. Alto e com ombros largos, cada traço dele irradiava autoridade. Seus olhos cinzentos, aguçados e predatórios, varriam o local, não perdendo nada de vista.
Althea engoliu em seco. Embora ele não tivesse dito uma única palavra, o peso da sua presença caiu sobre todos no momento em que ele entrou. Seu poder não precisava de anúncio, pois já enchia o ar por si só.
Quando seus olhos encontraram os dele por um momento, a respiração de Althea se prendeu...
Mas não havia nada... Ela não leu ou ouviu nada naqueles olhos intimidadores.
Seu dom, que sempre funcionava, falhou pela primeira vez.
Com o coração disparado, ela se perguntou: "Por que não consigo lê-lo?" Então, percebendo que estava o encarando por tempo demais, ela desviou o olhar rapidamente.
"Todos estão aqui, Rei Alfa", informou Gama Simon, "exceto o Alfa Cain, seu filho Rett e seu Beta Lucio."
Gavriel não disse nada, apenas caminhou lentamente enquanto seus olhos frios observavam cada rosto, cada criança trêmula, cada mulher chorando. Então, ele parou diante de Luna Meena.
A mulher abaixou a cabeça rapidamente, batendo-a no chão.
"Por favor, Rei Alfa, tenha misericórdia!" "Não sabíamos nada sobre a traição do Alfa Cain. Faremos qualquer coisa, por favor, nos poupe!"
O silêncio se seguiu.
Então, a voz dele, profunda e fria, ecoou pelo salão: "Você estaria disposta a morrer para salvá-los?"
Enquanto o rosto de Luna Meena empalidecia, ofegos ecoaram, e então houve silêncio.
"A punição para a traição é a extinção da linhagem do traidor, "mas concederei misericórdia se um de vocês assumir a culpa."
Olhando para Luna Meena, ele continuou: "Uma vida pelas outras", ele disse, fixando o olhar nela, "a sua.""
Luna Meena hesitou, seus lábios se entreabrindo, mas nenhum som saiu. Althea não precisava ler os pensamentos dela para saber o que ela estava pensando, mas acabou lendo mesmo assim...
"Por que eu deveria morrer? "Sou a Luna, "uma mulher nobre e "importante. "Aquela garota fraca é quem deveria ser a escolhida. "Deixem ela morrer!"
Então, as palavras saíram da boca de Luna Meena, afiadas e cheias de veneno:
"Leve-a!", gritou ela, apontando para Althea. "O Alfa Cain ficará arrasado se ela morrer!"
Sua voz estava embargada pelo desespero ao continuar: "Mesmo que ele esteja escondido, matar sua filha favorita o destruirá! Ela não é nada, apenas uma humana fraca nascida de uma escrava! Ninguém se rebelará novamente por causa da morte dela. Mas o Alfa Cain? Ele sofrerá. Ele ama aquela bastarda mais do que a qualquer um de nós!"
Enquanto todos os olhos se voltavam para ela, Althea ficou paralisada.
"Tire a vida dela! Ela era a favorita de Cain! A razão pela qual ele perdeu a cabeça! Mate-a e acabe logo com isso!"
Presa com o Rei Alfa
Eustoma Reyna
Lobisomem
Capítulo 1 Você morrerá para salvá-los
20/08/2028