Jeck Meu Amigo Meu Amor

Jeck Meu Amigo Meu Amor

Gil Silva

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Capítulo

Desde os oito anos de idade, o coração de Samantha já pertencia a Jack. Entre brincadeiras de infância, risadas e segredos compartilhados, o que começou como uma amizade pura transformou-se em um amor profundo, silencioso e avassalador. O único problema? Jack era o melhor amigo dela, e o mundo ao redor parecia determinado a mantê-los separados. Nascida com síndrome de Down, Samantha sempre precisou lutar contra o preconceito, as barreiras invisíveis do mundo e a superproteção de sua própria família para provar que era dona de seus sentimentos e de sua própria vida. Mas quando a dor do silêncio e as imposições de um pai controlador e manipulador ameaçam destruir tudo, um casamento arranjado de fachada parece empurrar Jack para longe dos braços de Samantha para sempre. Entre cartas não enviadas, um beijo roubado que mudou o rumo de tudo, e segredos terríveis revelados a portas fechadas, o destino exigirá coragem. Jack precisará enfrentar os próprios fantasmas e romper com um passado abusivo para lutar pelo único amor que realmente importa. Jack Meu Amigo Meu Amor é uma emocionante jornada de superação, maturidade e entrega. Uma prova tocante de que o amor verdadeiro não vê barreiras, não se importa com rótulos e tem a força necessária para vencer qualquer obstáculo. Até onde você iria para viver o amor da sua vida?

Jeck Meu Amigo Meu Amor Capítulo 1 Samantha Martinez

Doze anos antes...

Eu tinha oito anos quando entendi que as palavras têm peso físico. Algumas caem no chão como vidro quebrado e cortam os pés de quem passa descalço; outras flutuam como poeira de sol e aquecem a pele.

Minha mãe biológica preferia as de vidro.

- Ela não é o que eu encomendei, Kevin - ela disse na sala de jantar da nossa antiga casa, os dedos apertando a taça de vinho com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. - Olhe para ela. É defeituosa. Um erro de fabricação que vai arrastar o meu nome na lama para o resto da vida.

Eu estava escondida atrás da cortina de veludo pesado, sentindo o cheiro de cera de assoalho misturado com o suor frio do meu próprio medo. Eu sabia que era diferente. Os médicos diziam aos meus pais que eu tinha três cópias do cromossomo 21 em vez de duas - uma pequena mutação genética que mudava o formato dos meus olhos, o ritmo da minha fala e a forma como meus músculos aprendiam a obedecer aos comandos do cérebro. Uma trissomia. Para os livros de biologia, era ciência. Para a mulher que me gerou, era uma ofensa pessoal.

Meu pai, Kevin, tentava remendar os cacos. Ele se ajoelhava no chão de parquet, afastava a cortina e me puxava para o abraço dele, murmurando contra o meu cabelo que eu era a luz dos olhos dele. Mas o amor de Kevin não conseguia preencher o buraco que a rejeição materna cavava dia após dia.

Minha mãe não me tocava a não ser por obrigação. E, quando tocava, era com uma rispidez mecânica, como quem afasta um móvel fora do lugar. Houve a vez da bochecha vermelha, a marca dos dedos dela ardendo na minha pele durante horas, e a cumplicidade silenciosa de Eunice, a empregada que passava pomada de arnica no meu rosto enquanto eu mordia o lábio inferior para não chorar na frente do meu pai.

Não conte ao papai, eu pensava. Ele fica com os olhos tristes quando a mamãe briga.

A infância com ela cheirava a formol e exigência. Em São Paulo, para onde nos mudamos quando eu fiz seis anos, a casa nova era imensa e fria. Meu quarto tinha paredes lilás e um tapete felpudo onde eu costumava deitar para ouvir música no rádio, mas eu sentia que estava ocupando um espaço que não me pertencia.

- Você nunca será uma princesa, Samantha - ela decretava diante do espelho do corredor, ajustando o próprio colar de pérolas. - Princesas são perfeitas. Você é apenas um fardo que eu sou obrigada a carregar.

Acreditei nisso por muito tempo. Recusei vestidos cor-de-rosa. Evitei contos de fadas. Achava que o meu destino era ser a nota discordante na sinfonia da minha família.

Até que eu acordei na casa da tia Hadi.

Foi um sábado cinzento, de garoa fina, e eu fiquei na boate porque meu pai ainda não havia arrumado uma babá. Então, ele me deixava no escritório da boate, sempre com uma moça para me vigiar. Na época, eu tinha apenas oito anos.

Aí, acordei em uma casa estranha no dia seguinte.

Estava em um apartamento menor, mais iluminado, onde o cheiro de café fresco misturava-se com o aroma de baunilha e livro novo. Olhei em volta, atônita, até encontrar uma mulher de pele escura como o céu noturno sem lua, os olhos amendoados brilhando com uma gentileza que eu nunca tinha visto em um adulto.

- Bom dia, flor - ela disse, sorrindo de um jeito que desarmou todas as minhas defesas.

Ela me chamou de flor. Minha mãe nunca me chamara de nada além de "problema" ou "menina".

Hadiya não falava com aquela voz artificial e infantilizada que os adultos costumavam usar comigo na escola. Ela conversava de igual para igual, perguntava o que eu gostava de comer, ouvia com atenção quando eu tropeçava nas palavras por causa da minha fonoarticulação e, nos dias seguintes, mudou-se de vez para a nossa vida. Não demorou para que eu percebesse os olhares cúmplices, os sorrisos roubados e as mãos dadas escondidas entre o meu pai e ela.

Hadiya não curou a minha genética. Ela curou o meu reflexo no espelho.

Com ela, aprendi que o meu corpo - embora flácido na hipotonia que exigia horas de fisioterapia e balé para manter a postura erguida - pertencia a mim. Fui à escola, enfrentei os olhares tortos dos colegas que repetiam a palavra mongol nos corredores, e aprendi a erguer o queixo.

Tive a proteção feroz de Jack, meu melhor amigo, cujos olhos verdes faiscavam de raiva toda vez que alguém tentava me diminuir.

- Ela é mais inteligente que você, seu babaca! - Jack berrou uma vez na praça de alimentação do shopping, peitando um garoto do ensino médio que havia rido da forma como eu pronunciava as consoantes.

Jack nunca me tratou como uma causa social. Ele brigava comigo por causa de controle de videogame, dividia fatias de pizza de calabresa comigo na calçada e conhecia o som exato da minha risada quando eu estava nervosa. Eu me apaixonei por ele em silêncio, de um jeito profundo e aterrorizante, guardando esse segredo no fundo das costelas por anos, com medo de que a amizade quebrasse se eu ousasse revelar o que sentia.

E agora, aos vinte anos, olhando para trás através dos espelhos da faculdade de Letras onde estudo e dos textos que rascunho nos meus cadernos, eu entendo quem sou.

Carrego três cópias do cromossomo 21. Tenho traços marcantes, uma dicção que exige atenção e uma sensibilidade que capta a maldade a quilômetros de distância. Mas também tenho uma mente afiada, um diploma universitário em curso, uma mãe que me ensinou o valor da dignidade e um pai que aprendeu, aos trancos e barrancos, a soltar a minha mão para que eu pudesse caminhar sozinha.

Minha mãe biológica tentou sumir da minha vida depois de uma aparição patética e chorosa anos atrás, mas ela já não habitava os meus dias. O passado virou cicatriz.

O presente, por outro lado, cheira a café, a papel impresso e ao perfume amadeirado que Jack usa todas as vezes em que vem me buscar na faculdade.

E eu não tenho mais medo de desejar o futuro.

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Jeck Meu Amigo Meu Amor Jeck Meu Amigo Meu Amor Gil Silva Romance
“Desde os oito anos de idade, o coração de Samantha já pertencia a Jack. Entre brincadeiras de infância, risadas e segredos compartilhados, o que começou como uma amizade pura transformou-se em um amor profundo, silencioso e avassalador. O único problema? Jack era o melhor amigo dela, e o mundo ao redor parecia determinado a mantê-los separados. Nascida com síndrome de Down, Samantha sempre precisou lutar contra o preconceito, as barreiras invisíveis do mundo e a superproteção de sua própria família para provar que era dona de seus sentimentos e de sua própria vida. Mas quando a dor do silêncio e as imposições de um pai controlador e manipulador ameaçam destruir tudo, um casamento arranjado de fachada parece empurrar Jack para longe dos braços de Samantha para sempre. Entre cartas não enviadas, um beijo roubado que mudou o rumo de tudo, e segredos terríveis revelados a portas fechadas, o destino exigirá coragem. Jack precisará enfrentar os próprios fantasmas e romper com um passado abusivo para lutar pelo único amor que realmente importa. Jack Meu Amigo Meu Amor é uma emocionante jornada de superação, maturidade e entrega. Uma prova tocante de que o amor verdadeiro não vê barreiras, não se importa com rótulos e tem a força necessária para vencer qualquer obstáculo. Até onde você iria para viver o amor da sua vida?”
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Capítulo 1 Samantha Martinez

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Capítulo 16 Jack Collins

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