“Pensem em um desespero que domina a alma da gente e dá vontade de morrer... Estou sentindo algo assim agora. Voltei para o Brasil há alguns meses e acabei me apaixonando perdidamente por um homem que me trata como um ser insignificante, como um mero inseto aos seus pés. Não entendo por que mulheres tendem a gostar de cafajestes; não entendo por que todo meu ser anseia por aquele patife. Esse sentimento está aqui, encalacrado no meu peito. Foi paixão à primeira vista. É complicado explicar. Nossas famílias são amigas desde sempre, mas ele se afastou cedo por ter ido estudar em outro país. Quando voltou, foi a minha vez de partir para um intercâmbio de dois anos, então nossos caminhos se desencontraram. Ouvia sempre meu pai falar dele; todos sempre o elogiavam. Reencontrei-o pessoalmente em um jantar em minha casa; ele era o cara mais lindo, viril e cheiroso que eu já tinha visto. O olhar instigante sugeria o que uma mulher poderia encontrar em um quarto com ele, cujo meio sorriso presunçoso tinha o poder de fazer meu coração acelerar. Chegava a ser desgastante venerá-lo. Eu já tinha namorado duas vezes, em uma delas me envolvendo em um relacionamento sério, de um ano. Mas nenhum dos meus ex me fez molhar a calcinha apenas com sua voz. Afinal, eram moleques de dezesseis e dezessete anos. Enzo Brant Marques é filho de um dos sócios do meu pai, tem 28 anos e, segundo ele, isso impede de assumirmos um caso. Acabei de completar 18. Enzo afirma muitas outras coisas também. Desde que me viu, ele me odiou; disse que prefere loiras a ruivas como eu. Até pensei em pintar o cabelo por causa disso. Também disse que sou mimada e manipuladora, e que ele era a única pessoa que não cairia nas minhas artimanhas. Eu não entendia, afinal, nunca armei artimanhas... Eu apenas o desejava mais que tudo e isso me deixava apavorada.”