Minha Atrevida

Minha Atrevida

Gil Silva

5.0
Comentário(s)
3.7K
Leituras
47
Capítulo

Nathifa sempre foi intensa, apaixonada pela vida e movida por seus desejos mais profundos. Desde cedo, ela sabia que Armed, o amigo da família vinte anos mais velho, seria o centro de sua história. Apesar de ser vista como apenas uma menina aos olhos dele, Nathifa está determinada a romper todas as barreiras que ele ergueu ao redor de seu coração. Para ela, não existe obstáculo grande o suficiente quando o amor está em jogo. Armed, por sua vez, tenta resistir aos sentimentos avassaladores que Nathifa desperta. O peso da diferença de idade e o temor de enfrentar o pai protetor da jovem tornam-se desafios quase insuperáveis. Mas, entre momentos de tensão, cumplicidade e desejo proibido, surge uma conexão poderosa e impossível de ignorar. Será que Nathifa conseguirá vencer as resistências de Armed e provar que o amor deles vale qualquer risco? E Armed, terá coragem de desafiar seus medos e enfrentar o julgamento do pai de Nathifa para viver essa paixão avassaladora? Um romance intenso e arrebatador que explora os limites do desejo, os dilemas do coração e a força transformadora do verdadeiro amor.

Capítulo 1 Nathifa

O aroma doce do chá de maçã preenchia a varanda da casa dos meus pais, mas nada era mais viciante do que a presença dele. Armed. Meu coração disparava só de pensar nesse nome. Era como um feitiço que sussurrava no fundo da minha alma desde a adolescência. E agora, aos vinte e dois, eu não queria mais apenas sussurrar. Eu queria que ele ouvisse. Queria que ele sentisse.

Meus olhos o seguiam como se minha vida dependesse disso. Armed estava no jardim com meu pai, elegante como sempre, usando uma camisa branca dobrada nos cotovelos e calça escura. O sol do fim de tarde dourava sua pele morena e o deixava ainda mais... perigoso. Ele gesticulava enquanto falava com meu pai, sério, firme, imponente. Um homem de quarenta anos que exalava autoridade e respeito.

Mas quando ele olhou na minha direção - ainda que por um breve instante - senti tudo parar. Nossos olhares se cruzaram. E naquele segundo, tive certeza de que ele também me viu. Não apenas com os olhos, mas com o corpo inteiro. Meu peito arfou. O calor subiu pela minha pele. Então ele desviou. Como sempre fazia.

Engoli em seco e me virei, tentando disfarçar. A xícara entre meus dedos tremia levemente.

- Está na hora de parar com isso, Nathifa - minha mãe comentou, sem me olhar. - Seu pai pode perceber.

Eu sorri de canto, sem responder. Como se eu pudesse simplesmente parar. Como se fosse fácil arrancar do peito uma paixão que cresceu comigo, que se alimentou de cada gesto, cada silêncio, cada sorriso discreto que Armed me dava desde que eu era uma garota.

Ele era amigo da família. Uma figura constante nas nossas vidas. Sempre ali, sempre tão perto... e tão intocável.

Até agora.

Porque eu cresci.

E ele também notou.

Mais tarde, me olhei no espelho do quarto com calma, como se estivesse me preparando para uma batalha silenciosa. O jantar em casa teria poucos convidados, só gente próxima. E claro, ele estaria aqui. Sempre estava. Armed era quase um membro da família. Um conselheiro, um amigo de confiança, o homem que meu pai admirava.

Mas pra mim?

Ele era o homem que fazia minha pele arder com um simples olhar.

Escolhi um vestido vermelho de seda, justo o suficiente para marcar minha cintura e solto o suficiente para não parecer provocação explícita. Cabelos soltos, maquiagem leve, batom discreto. Mas meus olhos... ah, os olhos nunca mentem.

Quando desci as escadas e vi Armed conversando com minha mãe, algo mudou no ar. Ele me viu. E pela primeira vez, ele não disfarçou. Seus olhos correram por meu corpo com uma lentidão que fez meu coração parar por um instante. Vi quando ele engoliu seco. Vi o maxilar travar. Vi o fogo nos olhos dele.

Por dentro, eu tremia.

Por fora, eu sorria como se fosse apenas mais uma noite comum.

- Boa noite, Armed - falei quando me aproximei, deixando que minha voz saísse um pouco mais doce que o normal.

Ele demorou um segundo antes de responder.

- Boa noite, Nathifa. Você... está elegante esta noite.

Ele hesitou. Eu notei. E sorri de lado, me aproximando só o bastante para que apenas ele ouvisse:

- Que bom que notou.

E então passei por ele, deixando meu perfume no ar e a certeza de que eu não seria mais a menina invisível.

Não pra ele.

O salão estava iluminado por luzes amareladas que refletiam no lustre de cristal, lançando brilhos suaves pelas paredes antigas da casa. O cheiro de especiarias, carne assada e pão fresco se misturava ao som da música turca instrumental ao fundo, criando o cenário perfeito para um jantar em família. Mas meu foco não estava nos pratos servidos, nem nas conversas paralelas. Meu foco era ele. Sempre foi ele.

Armed sentou-se ao lado do meu pai, como de costume. Eu fiquei na outra ponta da mesa, em frente à minha mãe e com meus tios conversando sobre negócios. Mas entre uma colherada de sopa e um gole de vinho, meus olhos não paravam de buscá-lo. E mais de uma vez, eu o peguei me olhando também.

Mas ele sempre desviava. Sempre.

E isso só me deixava mais determinada.

Inclinei o corpo suavemente, ajeitando o cabelo para o lado enquanto passava a mão pelo pescoço. Senti o olhar dele sobre mim, mesmo sem vê-lo. O calor subiu, espalhando-se pelo meu colo, e um arrepio percorreu minhas costas. Ainda que estivéssemos cercados de gente, sentia como se houvesse um fio invisível entre nós. Um fio de tensão, de desejo contido, de algo prestes a explodir.

Durante o jantar, falei pouco. Apenas o necessário. Cada palavra minha era calculada para parecer leve, mas carregada de intenção. Uma vez, quando ri de uma piada do meu tio, olhei diretamente para Armed, deixando o sorriso repousar nos lábios por tempo suficiente para que ele notasse.

Ele percebeu.

E sua reação foi virar o rosto e beber o vinho de um só gole.

Isso me fez sorrir por dentro.

Estava funcionando.

Após o jantar, os convidados foram se espalhando pela sala. Meu pai e alguns tios acenderam os narguilés, minha mãe servia café turco com baklava. Eu me levantei com elegância e fui até a varanda. A brisa noturna era fresca, e o céu limpo exibia um mar de estrelas. Sentei-me no parapeito de pedra, cruzando as pernas lentamente, com um movimento quase teatral. Não demorou muito para ouvir os passos dele atrás de mim.

- Está esfriando, você devia entrar - disse ele, com a voz firme, mas baixa.

Não olhei de imediato. Continuei olhando para o céu.

- Gosto do frio. Ele me faz sentir mais viva - respondi, deixando as palavras dançarem na noite como um convite.

Armed se aproximou, mas não tanto. Parou a uma distância segura - ou pelo menos, que ele achava segura.

- Você está diferente, Nathifa.

Agora sim, virei o rosto e o encarei. Seus olhos estavam presos nos meus, e por um momento, nenhum de nós falou nada.

- Diferente como? - perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Ele desviou o olhar, olhando para o jardim.

- Mais... mulher.

Meu coração parou. Ele disse. Ele notou.

Sorri de leve, me levantando com calma. Caminhei até ele, parando a poucos passos de distância.

- E isso é um problema? - sussurrei.

Ele ficou tenso. Eu vi. Os ombros rígidos, a respiração um pouco mais pesada.

- Sim, Nathifa. É um problema.

Aquela resposta deveria me afastar. Mas não. Aquilo só confirmou o que eu já sabia: ele estava lutando contra si mesmo.

- Porque sou filha do seu amigo? - insisti, com a voz ainda suave, mas com firmeza.

- Porque você é jovem, inocente... e merece alguém da sua idade, com planos semelhantes. - Ele não olhava nos meus olhos agora. - E porque seu pai confiaria a vida a mim. Eu não posso...

- Você não pode ou não quer?

Silêncio.

Dei mais um passo.

- Armed, eu não sou uma criança. E você não é apenas o amigo do meu pai. Você sabe disso. A forma como me olha... você sabe.

Ele voltou a me encarar. E naquele momento, eu vi.

A guerra nos olhos dele.

O conflito entre o desejo e a razão.

O impulso e a culpa.

- Não brinque com isso - ele disse, quase num sussurro.

- Eu não estou brincando.

Eu nunca brinquei com ele.

Armed passou a mão pelo cabelo, visivelmente desconfortável, e deu um passo para trás. Era o que ele sempre fazia: se afastava. Mas antes de virar as costas, ele olhou para mim mais uma vez. Dessa vez, sem desviar. E seus olhos estavam escuros como a noite. Cheios de algo que ele não conseguia mais esconder.

Desejo.

Eu fiquei ali, sozinha na varanda, sentindo meu corpo vibrar como se tivesse tocado fogo.

Porque eu sabia que a partir daquela noite, tudo havia mudado.

Ele podia fugir de mim, fugir de nós, mas não conseguiria apagar o que estava acontecendo.

E eu não desistiria.

Não agora.

Não depois de ver nos olhos dele a mesma fome que queimava em mim.

Continuar lendo

Outros livros de Gil Silva

Ver Mais
Sob a Luz da Vingança

Sob a Luz da Vingança

Romance

5.0

Maya cresceu com cicatrizes que o tempo não apagou e um desejo ardente de justiça. Depois de perder a família de forma trágica, ela aprendeu a esconder sua dor por trás de uma aparência impecável. Durante o dia, é uma estudante brilhante da PUC do Rio de Janeiro. Mas, quando o sol se põe, Maya assume outra face, movida por um plano ousado que promete ajustar as contas com o passado. A rotina meticulosamente planejada de Maya começa a desmoronar quando Bernardo cruza seu caminho. Ele é um delegado determinado, conhecido por sua luta incansável contra o crime na cidade. Focado e disciplinado, Bernardo nunca deixou que emoções atrapalhassem seu trabalho – até conhecer Maya. O que começa como um encontro inesperado rapidamente se transforma em uma paixão intensa que ele não consegue evitar. O que Bernardo não sabe é que a mulher por quem está se apaixonando guarda segredos que podem destruí-lo. E Maya, por mais que tente ignorar, começa a questionar até onde está disposta a ir em sua busca por vingança. Enquanto o destino dos dois se entrelaça, o amor floresce em meio a um jogo de mentiras e escolhas perigosas. Bernardo está preparado para enfrentar a verdade quando ela vier à tona? E Maya, conseguirá abandonar o passado para viver algo que nunca acreditou merecer? Entre romance e perigo, "Maya e Bernardo" é uma história de tirar o fôlego, onde amor, vingança e coragem colidem. Prepare-se para se apaixonar e se surpreender em cada página!

Você deve gostar

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

PageProfit Studio
5.0

"Minha irmã tentou roubar o meu companheiro. E eu deixei que ela ficasse com ele." Nascida sem uma loba, Seraphina era a vergonha da sua Alcateia. Até que, em uma noite de bebedeira, engravidou e casou-se com Kieran, o impiedoso Alfa que nunca a quis. Mas o casamento deles, que durou uma década, não era um conto de fadas. Por dez anos, ela suportou a humilhação de não ter o título de Luna nem marca de companheira, apenas lençóis frios e olhares mais frios ainda. Quando sua irmã perfeita voltou, na mesma noite em que o Kieran pediu o divórcio, sua família ficou feliz em ver seu casamento desfeito. Seraphina não brigou, foi embora em silêncio. Contudo, quando o perigo surgiu, verdades chocantes vieram à tona: ☽ Aquela noite não foi um acidente; ☽ Seu "defeito" era, na verdade, um dom raro; ☽ E agora todos os Alfas, incluindo seu ex-marido, iam lutar para reivindicá-la. Pena que ela estava cansada de ser controlada. *** O rosnado do Kieran reverberou pelos meus ossos enquanto ele me prendia contra a parede. O calor dele atravessava as camadas de tecido da minha roupa. "Você acha que é fácil assim ir embora, Seraphina?" Seus dentes roçaram a pele não marcada do meu pescoço. "Você. É. Minha." Uma palma quente subiu pela minha coxa. "Ninguém mais vai tocar em você." "Você teve dez anos pra me reivindicar, Alfa." Mostrei os dentes em um sorriso. "Engraçado como você só se lembra que sou sua... quando estou indo embora."

A Escrava Mais Odiada Do Rei

A Escrava Mais Odiada Do Rei

Kiss Leilani.
4.9

Há muito tempo, dois reinos conviviam em paz. O reino de Salem e o reino de Mombana... Tudo correu bem até o dia em que faleceu o rei de Mombana e um novo monarca assumiu, o príncipe Cone, que estava sempre sedento por mais e mais poder. Depois da sua coroação, ele atacou Salem. O ataque foi tão inesperado que Salem nunca se preparou para isso. Foram apanhados desprevenidos. O rei e a rainha foram assassinados, o príncipe foi levado para a escravidão. As pessoas de Salem que sobreviveram à guerra foram escravizadas, suas terras foram saqueadas, e suas esposas foram transformadas em escravas sexuais. Tudo foi perdido. O mal caiu sobre a terra de Salem na forma do príncipe Cone, e o príncipe de Salem, Lucien, na sua escravidão, estava cheio de tanta raiva que jurou vingança. *** *** Dez anos depois, Lucien, de 30 anos, e seu povo lançaram um golpe e escaparam da escravidão. Eles se esconderam e se recuperaram. Treinaram dia e noite sob a liderança do intrépido e frio Lucien, que foi impulsionado com tudo o que havia nele para recuperar sua terra e tomar a terra de Mombana também. Levou cinco anos até que eles armassem uma emboscada e atacassem Mombana. Mataram o príncipe Cone e reivindicaram tudo. Enquanto gritavam sua vitória, os homens de Lucien encontraram e imobilizaram a orgulhosa princesa de Mombana, Danika, filha do príncipe Cone. Enquanto Lucien olhava para ela com os olhos mais frios que alguém poderia possuir, sentiu a vitória pela primeira vez. Ele caminhou em direção à princesa com o colar de escravo que tinha sido forçado a usar por dez anos e com um movimento rápido, o amarrou ao pescoço dela. Então, ele inclinou o queixo dela para cima, olhando para os olhos mais azuis e o rosto mais bonito já criado, lhe deu um sorriso frio. "Você é minha aquisição. Minha escrava. Minha escrava sexual. Minha propriedade. Eu lhe pagarei por tudo o que você e seu pai fizeram comigo e com meu povo", disse ele secamente. O puro ódio, a frieza e a vitória era a única emoção no seu rosto.

Capítulo
Ler agora
Baixar livro