Ódio e Paixão: Laços Quebrados

Ódio e Paixão: Laços Quebrados

Freya

5.0
Comentário(s)
353
Leituras
32
Capítulo

O carro parou em frente àquela mansão enorme, a tinta branca brilhando sob o sol. Minha mãe apertou minha mão, com os olhos marejados de uma mistura de esperança e medo pela nossa nova vida. Eu não sentia nada, só um vazio no estômago, enquanto meu novo padrasto, o Senhor Antônio, nos cumprimentava com um sorriso que não alcançava os olhos. Atrás dele, surgiu Pedro, seu filho, com o mesmo cabelo escuro do pai, mas um olhar duro, cheio de desprezo que me atingiu como um soco. Ele não disse nada, só me encarou de cima a baixo, e eu soube, naquele exato momento, que eu não era bem-vinda ali. Mais tarde, ele rasgou meu livro mais precioso, um presente do meu pai biológico, e jogou os pedaços no chão. "Sua mãe matou a minha. Vocês duas são aproveitadoras. Mas você vai se arrepender de ter pisado aqui." Aquelas palavras me marcaram mais que o tapa que o Senhor Antônio me deu depois. "Não provoque meu filho. Apenas seja grata pela oportunidade que sua mãe conseguiu para vocês." Minha mãe, a mulher que buscou luxo e poder, agora era um fardo, presa a uma cadeira de rodas e com a mente confusa. Ela me olhava com olhos cheios de raiva impotente, como se eu fosse a culpada pela sua desgraça. Minha única saída era o estudo, a universidade em São Paulo, e depois, a fuga. Mas a influência da família dele era longa, e as humilhações continuaram, mesmo na cidade grande. Um dia, fui encurralada numa rua escura. De repente, Pedro surgiu, não para me salvar, mas para assistir ao meu terror. Fui atrás dele, e no meu desespero, bati minha cabeça contra o muro. "Você é um monstro doente e patético, que se alimenta da dor dos outros porque não consegue lidar com a sua própria." No hospital, a médica me deu a última notícia que faltava para me destruir. "Sofia... você está grávida." Grávida. De Pedro. A vingança dele se completava. Ele tinha plantado sua semente em mim. Ele me acorrentou a ele para sempre, e eu não queria mais viver. Me joguei da janela. Mas Pedro me puxou de volta. Ele estava tremendo, o rosto desfeito em pânico e fúria. "Você ia se matar! Você ia matar o nosso filho!" Mas eu já estava quebrada demais para sentir qualquer coisa. Depois, na delegacia, a verdade veio à tona, mais dolorosa do que eu poderia imaginar. Minha mãe não havia sumido. Seu corpo havia sido encontrado. Ela se jogou da mesma ponte. E ela não foi a única no carro com a mãe de Pedro naquela noite. Meu pai, o Senhor Antônio. O homem que me salvou me destruiu. O amor, o ódio, e a dor se misturaram numa exaustão profunda. Eu aceitei a morte como uma amiga. Mas a vida insistiu. Eu decidi ter o bebê, e seguir em frente. Deixei Pedro, e com ele, o passado, para trás.

Introdução

O carro parou em frente àquela mansão enorme, a tinta branca brilhando sob o sol.

Minha mãe apertou minha mão, com os olhos marejados de uma mistura de esperança e medo pela nossa nova vida.

Eu não sentia nada, só um vazio no estômago, enquanto meu novo padrasto, o Senhor Antônio, nos cumprimentava com um sorriso que não alcançava os olhos.

Atrás dele, surgiu Pedro, seu filho, com o mesmo cabelo escuro do pai, mas um olhar duro, cheio de desprezo que me atingiu como um soco.

Ele não disse nada, só me encarou de cima a baixo, e eu soube, naquele exato momento, que eu não era bem-vinda ali.

Mais tarde, ele rasgou meu livro mais precioso, um presente do meu pai biológico, e jogou os pedaços no chão.

"Sua mãe matou a minha. Vocês duas são aproveitadoras. Mas você vai se arrepender de ter pisado aqui."

Aquelas palavras me marcaram mais que o tapa que o Senhor Antônio me deu depois.

"Não provoque meu filho. Apenas seja grata pela oportunidade que sua mãe conseguiu para vocês."

Minha mãe, a mulher que buscou luxo e poder, agora era um fardo, presa a uma cadeira de rodas e com a mente confusa.

Ela me olhava com olhos cheios de raiva impotente, como se eu fosse a culpada pela sua desgraça.

Minha única saída era o estudo, a universidade em São Paulo, e depois, a fuga.

Mas a influência da família dele era longa, e as humilhações continuaram, mesmo na cidade grande.

Um dia, fui encurralada numa rua escura.

De repente, Pedro surgiu, não para me salvar, mas para assistir ao meu terror.

Fui atrás dele, e no meu desespero, bati minha cabeça contra o muro.

"Você é um monstro doente e patético, que se alimenta da dor dos outros porque não consegue lidar com a sua própria."

No hospital, a médica me deu a última notícia que faltava para me destruir.

"Sofia... você está grávida."

Grávida. De Pedro. A vingança dele se completava.

Ele tinha plantado sua semente em mim. Ele me acorrentou a ele para sempre, e eu não queria mais viver.

Me joguei da janela.

Mas Pedro me puxou de volta.

Ele estava tremendo, o rosto desfeito em pânico e fúria.

"Você ia se matar! Você ia matar o nosso filho!"

Mas eu já estava quebrada demais para sentir qualquer coisa.

Depois, na delegacia, a verdade veio à tona, mais dolorosa do que eu poderia imaginar.

Minha mãe não havia sumido.

Seu corpo havia sido encontrado. Ela se jogou da mesma ponte.

E ela não foi a única no carro com a mãe de Pedro naquela noite.

Meu pai, o Senhor Antônio.

O homem que me salvou me destruiu. O amor, o ódio, e a dor se misturaram numa exaustão profunda.

Eu aceitei a morte como uma amiga.

Mas a vida insistiu.

Eu decidi ter o bebê, e seguir em frente.

Deixei Pedro, e com ele, o passado, para trás.

Continuar lendo

Outros livros de Freya

Ver Mais
A Vingança da Ex: O Karma Chegou

A Vingança da Ex: O Karma Chegou

Romance

5.0

A cirurgia tinha acabado, e a dor em meu ventre era um eco surdo da dor em meu coração. Eu estava sozinha, no que deveria ser nosso aniversário de três anos de casamento. Foi então que vi. Uma foto postada por um dos melhores amigos de Gabriel. Ele estava sorrindo, com o braço ao redor de Mariana, sua ex-namorada de infância, em um restaurante caro. "Celebrando com os de sempre", dizia a legenda. Meu coração se partiu em mais um pedaço. Eu não fazia parte dos "de sempre". Eu era a esposa que acabara de perder nosso filho, um filho que ele sequer sabia que existia. Liguei para ele desesperadamente, mas ele estava "em uma reunião importante", enquanto eu vivia o inferno sozinha. Ele chegou em casa tarde, cheirando a perfume feminino que não era o meu. "Nossa, que cara é essa, Lívia? Aconteceu alguma coisa?" Aquele cinismo me fez querer gritar. Decidi que era hora de virar o jogo. Aceitei uma proposta de trabalho em Portugal, para meses no exterior. No dia da festa de lançamento da nova empresa "ArchiTech Solutions" , ele me queria ao lado dele. Eu era a esposa, mas para os outros, Mariana era a parceira. Eles se beijaram na frente de todos. Meu telefone tocou. Era a mãe dele, Sônia. "Lívia, onde você se meteu? O Gabriel está te procurando! Você tem que voltar aqui e consertar essa bagunça que você criou!" Eu finalmente tive a clareza. "Não há nada para consertar, Sônia. E diga ao seu filho para parar de me procurar. Ele está ocupado demais beijando a sócia dele." Cheguei em Lisboa, liguei meu celular e ele explodiu com as notícias. O escândalo era enorme, e a família dele tentava me pintar como a vilã. Eu finalmente respondi a ele: "Não há nada para consertar, Gabriel. Não existe mais bebê. Assim como não existe mais casamento. Assine os papéis." Bloqueei o número dele. Bloqueei o número de Sônia, e senti a liberdade em cada célula do meu corpo. Eu estava em um novo continente, em uma nova vida. O passado era apenas um eco distante. Estava livre.

O Cheiro do Engano

O Cheiro do Engano

Fantasia

5.0

O cheiro de charuto e perfume barato nunca deveria estar junto, mas naquele dia, Ricardo o sentiu no ar do seu pequeno apartamento. Parado à porta, sacola de compras na mão, ele viu Juliana, sua noiva, nos braços de Gustavo, o filho arrogante de um magnata. A sacola caiu, as laranjas rolaram, e Juliana se virou, não com culpa, mas irritação: "Ricardo? O que você está fazendo aqui tão cedo?" Gustavo riu, puxando-a para mais perto, enquanto Ricardo sentia o chão sumir sob seus pés. "Não seja dramático, Ricardo," ela disse, antes de soltar a bomba: "Eu e Gustavo estamos juntos." Aquela revelação, que já era um soco no estômago, se transformou em humilhação pública quando a família dela-mãe, pai, irmão-saiu do quarto, revelando uma emboscada. Eles não só esperavam que Ricardo aceitasse a traição, mas que se casasse com Juliana para encobrir o caso, garantindo a "aliança poderosa" com Gustavo. "Vocês querem que eu seja um 'chifrudo' de fachada?" ele cuspiu, sentindo a dignidade ser pisoteada. Sônia, sua pseudo-sogra, prometeu fortuna, mas Ricardo viu apenas a ambição fria nos olhos de Juliana e a lembrança de todos os seus sacrifícios por eles se transformou em raiva. Ele foi usado como um peão, um investimento, e agora, um obstáculo. Mas o Ricardo ingênuo havia morrido naquele jardim. "Não," ele disse, a voz firme, "Eu não vou fazer parte dessa sua sujeira." Eles o subestimaram. Ele não tinha mais nada a perder. No entanto, a humilhação escalou: Gustavo, com um cruel sorriso, atacou o velho jardineiro André, uma das poucas pessoas que Ricardo estimava. Ao tentar defender André, Ricardo foi espancado pelos seguranças de Gustavo, e Juliana, com um chicote nas mãos, adicionou mais golpes na sua pele já marcada. "Você vai se casar com Juliana. Você vai sorrir para as câmeras. E você vai ficar quieto enquanto eu faço o que eu quiser com ela," Gustavo sibilou. Mas enquanto a dor o abatia, uma nova chama se acendeu: a busca pela verdade de quem realmente era, e uma promessa silenciosa de vingança. Ele não seria um peão. Ele seria um jogador.

Você deve gostar

Abandonada no Altar, Casei com o Herdeiro "Aleijado"

Abandonada no Altar, Casei com o Herdeiro "Aleijado"

Lila
5.0

O som do órgão na Catedral de São Patrício ainda ecoava quando o meu mundo desabou em silêncio absoluto. Diante de quinhentos convidados da elite, o homem que eu amava há quatro anos soltou a minha mão e caminhou calmamente até à minha madrinha de casamento. O ""sim"" que eu esperava transformou-se no anúncio cruel de que eu era apenas um passatempo descartável. Blake Miller rejeitou-me publicamente, trocando-me pela minha melhor amiga, Tiffany, sob o pretexto de que uma órfã sem nome nunca estaria à altura do seu império. A humilhação foi total enquanto os convidados sussurravam insultos e a minha própria família adotiva me virava as costas, deixando-me sem teto e sem dignidade. ""Eu não posso casar contigo, Audrey. A Tiffany é quem realmente entende o meu peso e o meu estatuto. Tu foste apenas uma diversão, mas o jogo acabou."" Fui ridicularizada por aqueles que antes me bajulavam, vendo a minha vida ser destruída num espetáculo de traição e ganância. A dor da injustiça transformou-se num ódio gelado ao perceber que eu tinha sido apenas um peão nos planos deles. Eu estava sozinha, sem dinheiro e com a reputação em farrapos, destinada a ser a piada da temporada. Como puderam ser tão cruéis depois de tudo o que sacrifiquei? A fúria superou a minha agonia, e eu decidi que não seria a vítima daquela história. Em vez de fugir em lágrimas, caminhei firmemente até ao fundo da igreja, onde Victor Sterling, o ""pária"" bilionário numa cadeira de rodas, observava tudo com um desprezo glacial. Olhei nos olhos do homem que todos julgavam arruinado e propus-lhe um negócio: o meu nome pelo seu poder. Quando Victor aceitou, o jogo mudou; a noiva humilhada estava prestes a tornar-se o pior pesadelo de quem ousou traí-la.

Capítulo
Ler agora
Baixar livro