A Fadista Renasce: A Vingança de Helena Sousa

A Fadista Renasce: A Vingança de Helena Sousa

Rose

5.0
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Capítulo

O cheiro a limão e a flores frescas enchia a casa de Alfama. Preparei o pedido de casamento perfeito para o homem da minha vida, Jacob, com quem partilhava dez anos de amor. Mas, ao procurar um isqueiro, as minhas mãos tremeram ao encontrar uma caixa secreta: dentro, a certidão de casamento de Jacob Gordon. O nome da noiva, para meu horror, não era o meu. Era Nancy Contreras, e a data, de há três anos. Comecei a tremer quando vi a fotografia: Nancy era assustadoramente parecida comigo, até tinha o mesmo sinal distintivo. Mal tive tempo de assimilar a traição quando recebi uma chamada: a minha candidatura para o tratamento experimental da doença degenerativa foi aceite. A mesma doença que eu escondia de Jacob. O meu mundo desabou. Eu, que planeava um "sim", descobria que era apenas um brinquedo, uma "fadista de estimação" para um homem que me via como "diversão", que queria a "família" que eu não lhe podia dar. A humilhação de descobrir que o nosso "amor" era o lixo de outra mulher, as suas roupas e joias "dadas" a mim, tudo me esmagou. Caí, vomitei sangue, o meu corpo a ceder à doença enquanto ele me abandonava por ela. "Estou grávida", dizia a mensagem de Nancy, vinda do telefone de Jacob, com uma gravação dos seus gemidos. Naquela noite, a minha decisão foi fria e clara como gelo: Jacob Gordon matara a Liza Murray. Agora era a vez de Helena Sousa nascer.

Introdução

O cheiro a limão e a flores frescas enchia a casa de Alfama. Preparei o pedido de casamento perfeito para o homem da minha vida, Jacob, com quem partilhava dez anos de amor.

Mas, ao procurar um isqueiro, as minhas mãos tremeram ao encontrar uma caixa secreta: dentro, a certidão de casamento de Jacob Gordon. O nome da noiva, para meu horror, não era o meu. Era Nancy Contreras, e a data, de há três anos.

Comecei a tremer quando vi a fotografia: Nancy era assustadoramente parecida comigo, até tinha o mesmo sinal distintivo. Mal tive tempo de assimilar a traição quando recebi uma chamada: a minha candidatura para o tratamento experimental da doença degenerativa foi aceite. A mesma doença que eu escondia de Jacob.

O meu mundo desabou. Eu, que planeava um "sim", descobria que era apenas um brinquedo, uma "fadista de estimação" para um homem que me via como "diversão", que queria a "família" que eu não lhe podia dar.

A humilhação de descobrir que o nosso "amor" era o lixo de outra mulher, as suas roupas e joias "dadas" a mim, tudo me esmagou. Caí, vomitei sangue, o meu corpo a ceder à doença enquanto ele me abandonava por ela. "Estou grávida", dizia a mensagem de Nancy, vinda do telefone de Jacob, com uma gravação dos seus gemidos.

Naquela noite, a minha decisão foi fria e clara como gelo: Jacob Gordon matara a Liza Murray. Agora era a vez de Helena Sousa nascer.

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Meu casamento de sete anos era uma piada, uma farsa dolorosa. Eu suportava a humilhação diária da traição dele, dia após dia. Até hoje. Grávida de cinco meses, minhas mãos tremiam no volante, as lágrimas embaçando a visão. "Laura, querida", disse minha avó ao meu lado, "não vale a pena se destruir por um homem que não te merece." Eu tinha acabado de ver a foto: Heitor com outra. Foi então que as luzes ofuscantes de um caminhão surgiram do nada. O barulho do metal e do vidro foi a última coisa que ouvi. Acordei no hospital, com cheiro de antisséptico. Heitor não estava lá e uma enfermeira fria me entregou a verdade: Minha avó e meu bebê haviam morrido. Tudo se foi. Liguei para Heitor, a voz rouca. "O que foi, Laura? Estou numa reunião importante. Não pode esperar?" Sua indiferença me sufocava. "Vovó se foi. E o bebê... nós o perdemos." Sua resposta me perfurou: "Talvez seja melhor assim. Você sabe que eu nunca quis essa criança." Meu coração, já em pedaços, quebrou-se novamente. "Acabou, Heitor," eu disse, com uma calma assustadora. "Quero o divórcio." Desliguei. Horas depois, recebi uma mensagem: uma foto de Heitor e sua amante, Jéssica, numa joalheria, no exato momento da minha cirurgia, ele lhe presenteava um "Coração do Oceano". Sua crueldade me atingiu, mas em vez de dor, surgiu uma clareza gelada. Tudo fazia sentido agora. Naquele momento, o telefone tocou. Era Seu Afonso, o avô dele. "Laura, minha querida, soube do acidente... Seu Heitor disse que..." Eu o interrompi: "Seu Afonso, estou bem. Mas preciso que o senhor veja uma coisa." Enviei a foto. O silêncio que se seguiu era pesado, prenunciando a fúria do velho. "Aquele moleque..." ele murmurou. "Eu resolverei isso." A batalha estava apenas começando, mas, pela primeira vez em sete anos, eu não sentia medo.

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Eu estava a nove meses de gravidez, sonhando com a chegada do meu bebé, numa vida que parecia segura ao lado do meu marido, Miguel, um bombeiro, um "herói" dedicado. Mas o cheiro a fumo acordou-me: o prédio estava em chamas e eu estava presa. Liguei desesperada ao Miguel, o meu último recurso, e ele, friamente, disse-me que estava noutra "ocorrência" urgente. Segundos depois, o ecrã da televisão revelou a chocante verdade. Lá estava ele, o meu marido "herói", a "salvar" a sua meia-irmã, Sofia, de um "pequeno incêndio na torradeira" do outro lado da cidade. A fumaça preta engoliu-me, e acordei no hospital com a notícia mais devastadora: o nosso bebé, o nosso filho, Lucas, não sobreviveu. O "herói" veio ao meu encontro, mas não com lágrimas de dor, e sim com um pálido rosto de raiva. Ele culpou-me: "Vês o que fizeste? Se tivesses mantido a calma..." O mundo desabou de vez quando o meu sogro chegou, ignorou a minha dor e defendeu o filho, apelidando-o de "herói público" e a mim de "criadora de problemas". Naquele momento, enquanto a minha dor se transformava em raiva fria, percebi a cruel verdade: eu nunca fui a sua escolha. Nunca. Sempre a Sofia, sempre a "frágil" Sofia. Perder o meu filho não me destruiu; deu-me uma clareza brutal. As lágrimas secaram, e uma única palavra ecoou na minha mente: "Divórcio". Eu não apenas iria sair; eu iria expor a verdade, custe o que custar, e garantir que a sua imagem de "herói" se desintegrasse.

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