O Preço do Sucesso Dele: A Minha Alma

O Preço do Sucesso Dele: A Minha Alma

Gavin

5.0
Comentário(s)
153
Leituras
11
Capítulo

Enquanto o funeral da minha avó terminava, Lisboa tingia-se de um melancólico laranja no céu. Olhei para o ecrã do telemóvel e lá estava ele, o meu marido Tiago, a sorrir para as câmaras com o prémio na mão. "Tiago Soares Vence Prémio Revelação com Projeto Inovador", dizia a manchete. Liguei-lhe, mas a sua voz eufórica pela festa ignorava a minha dor. "Eva? Querida, viste? Eu consegui!" Antes que eu pudesse sequer respirar, ouvi a voz alegre da Sofia, a sua sócia e "melhor amiga", a chamá-lo. Ele desligou apressadamente, com um vazio "Amo-te", para celebrar a nossa conquista com ela. O projeto era o nosso sonho, que desenhámos juntos, mas o meu nome ficou de fora para que ele tivesse mais chances. E agora, enquanto ele celebrava, eu acabava de enterrar a minha avó, a quem dediquei os últimos meses, sacrificando tudo. O meu pai quebrou o silêncio: "Ele nem perguntou como foi o funeral." Tiago não se importava com a minha dor ou perda, apenas com o seu sucesso. Naquela noite, a sua voz ao telefone, cheia de raiva, acusou-me de ser "egoísta" e de causar "drama" por querer o divórcio. Ele disse: "Não podes esperar que eu pare o mundo! Esta noite era importante para a nossa carreira!" A Sofia, que supostamente "trabalhou tanto", não passava de uma executora, enquanto eu dei a alma ao projeto. Mas eu era a egoísta? "Ela ficou até tarde, sacrificou fins de semana!" bradou ele. E eu? Abandonei a minha carreira, abdiquei do meu nome, e passei seis meses a cuidar da minha avó, que se definhava. As lágrimas que contive o dia todo ameaçaram cair. Ele tinha-me apagado da nossa história, do nosso sonho partilhado. A mãe dele ligou ao meu pai, dizendo que eu estava a tentar sabotar a carreira do Tiago por ciúmes da Sofia. Ciúmes? Era assim que viam a traição, a quebra de confiança? A narrativa deles tentava pintar-me como a vilã, a esposa amarga e ressentida. Mas havia uma verdade a ser contada, a minha verdade. Eu precisava lutar pelo reconhecimento que me era devido, não por vingança, mas por princípio. Fui ao advogado. "O projeto foi submetido apenas em nome dele," confirmou a Dra. Campos. "Sim. Foi uma decisão mútua. Para aumentar as chances," confessei, com a vergonha da minha ingenuidade. "Não quero o dinheiro dele," disse eu, com uma clareza que me surpreendeu. "Quero o reconhecimento. Quero que todos saibam que aquele projeto também é meu." Quando ele veio, implorando, oferecendo dinheiro, eu finalmente disse: "Não se trata do dinheiro, Tiago. Trata-se do respeito. Trata-se da verdade." "Eu vou reescrevê-la. Com ou sem a tua cooperação." Naquele momento, enquanto ele se foi e o mundo tentava me derrubar, uma pequena semente de esperança germinou. Um concurso. Um pequeno projeto no Alentejo. Era uma chance de recomeçar, de construir algo que fosse verdadeiramente meu. E a única coisa que importava agora era provar a mim mesma, e a mais ninguém, que eu ainda era uma arquiteta. Esta não era uma batalha trivial, era a fundação da minha nova vida.

Introdução

Enquanto o funeral da minha avó terminava, Lisboa tingia-se de um melancólico laranja no céu.

Olhei para o ecrã do telemóvel e lá estava ele, o meu marido Tiago, a sorrir para as câmaras com o prémio na mão.

"Tiago Soares Vence Prémio Revelação com Projeto Inovador", dizia a manchete.

Liguei-lhe, mas a sua voz eufórica pela festa ignorava a minha dor.

"Eva? Querida, viste? Eu consegui!"

Antes que eu pudesse sequer respirar, ouvi a voz alegre da Sofia, a sua sócia e "melhor amiga", a chamá-lo.

Ele desligou apressadamente, com um vazio "Amo-te", para celebrar a nossa conquista com ela.

O projeto era o nosso sonho, que desenhámos juntos, mas o meu nome ficou de fora para que ele tivesse mais chances.

E agora, enquanto ele celebrava, eu acabava de enterrar a minha avó, a quem dediquei os últimos meses, sacrificando tudo.

O meu pai quebrou o silêncio: "Ele nem perguntou como foi o funeral."

Tiago não se importava com a minha dor ou perda, apenas com o seu sucesso.

Naquela noite, a sua voz ao telefone, cheia de raiva, acusou-me de ser "egoísta" e de causar "drama" por querer o divórcio.

Ele disse: "Não podes esperar que eu pare o mundo! Esta noite era importante para a nossa carreira!"

A Sofia, que supostamente "trabalhou tanto", não passava de uma executora, enquanto eu dei a alma ao projeto.

Mas eu era a egoísta?

"Ela ficou até tarde, sacrificou fins de semana!" bradou ele.

E eu? Abandonei a minha carreira, abdiquei do meu nome, e passei seis meses a cuidar da minha avó, que se definhava.

As lágrimas que contive o dia todo ameaçaram cair.

Ele tinha-me apagado da nossa história, do nosso sonho partilhado.

A mãe dele ligou ao meu pai, dizendo que eu estava a tentar sabotar a carreira do Tiago por ciúmes da Sofia.

Ciúmes? Era assim que viam a traição, a quebra de confiança?

A narrativa deles tentava pintar-me como a vilã, a esposa amarga e ressentida.

Mas havia uma verdade a ser contada, a minha verdade.

Eu precisava lutar pelo reconhecimento que me era devido, não por vingança, mas por princípio.

Fui ao advogado.

"O projeto foi submetido apenas em nome dele," confirmou a Dra. Campos.

"Sim. Foi uma decisão mútua. Para aumentar as chances," confessei, com a vergonha da minha ingenuidade.

"Não quero o dinheiro dele," disse eu, com uma clareza que me surpreendeu. "Quero o reconhecimento. Quero que todos saibam que aquele projeto também é meu."

Quando ele veio, implorando, oferecendo dinheiro, eu finalmente disse: "Não se trata do dinheiro, Tiago. Trata-se do respeito. Trata-se da verdade."

"Eu vou reescrevê-la. Com ou sem a tua cooperação."

Naquele momento, enquanto ele se foi e o mundo tentava me derrubar, uma pequena semente de esperança germinou.

Um concurso. Um pequeno projeto no Alentejo.

Era uma chance de recomeçar, de construir algo que fosse verdadeiramente meu.

E a única coisa que importava agora era provar a mim mesma, e a mais ninguém, que eu ainda era uma arquiteta.

Esta não era uma batalha trivial, era a fundação da minha nova vida.

Continuar lendo

Outros livros de Gavin

Ver Mais
O Acerto de Contas: Amor ou Dinheiro?

O Acerto de Contas: Amor ou Dinheiro?

Romance

5.0

A festa da escola da minha filha, Sofia, deveria ser um dia de alegria, mas um vazio me consumia. Meu marido, Pedro, jurou ter uma reunião importante e não apareceu. Mas lá estava ele, no meio da festa, com sua assistente, Joana, e o filho dela, agindo como uma família feliz. Meu coração desabou ao vê-lo sorrir para o menino, um sorriso que eu não via há anos. A traição não era mais uma sombra, era uma cena viva diante dos meus olhos. Joana, com um sorriso vitorioso, ainda me mandou um bilhete cínico: "Aproveite a festa. Pedro e eu estamos nos divertindo muito." Joguei o bolo e o bilhete no lixo, mas a humilhação só aumentou quando Pedro me repreendeu, defendendo Joana publicamente e me acusando de ciúmes. Foi ainda pior na corrida de três pernas, quando Joana me empurrou, me fez cair e fingiu uma lesão. Pedro a amparou, cheio de preocupação, sequer olhando para mim ou para nossa filha de cinco anos, caída e chorando. Ele me acusou de agressão, e a diretora cancelou a corrida. Joana foi levada para a enfermaria nos braços dele, enquanto eu e Sofia ficamos sozinhas, humilhadas. Naquela noite, a gota d' água: Joana postou fotos nas redes sociais de um carro de luxo que Pedro lhe deu e um vídeo dele a ensinando a dirigir. De repente, entendi a verdade: todo o sucesso dele, cada contato, cada centavo, veio da minha família, do meu dinheiro, um segredo que mantive a pedido dele. A raiva fria me consumiu. Peguei os documentos e liguei para o advogado da minha família. Eu ia tirar tudo dele.

Você deve gostar

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei

PageProfit Studio
5.0

"Minha irmã tentou roubar o meu companheiro. E eu deixei que ela ficasse com ele." Nascida sem uma loba, Seraphina era a vergonha da sua Alcateia. Até que, em uma noite de bebedeira, engravidou e casou-se com Kieran, o impiedoso Alfa que nunca a quis. Mas o casamento deles, que durou uma década, não era um conto de fadas. Por dez anos, ela suportou a humilhação de não ter o título de Luna nem marca de companheira, apenas lençóis frios e olhares mais frios ainda. Quando sua irmã perfeita voltou, na mesma noite em que o Kieran pediu o divórcio, sua família ficou feliz em ver seu casamento desfeito. Seraphina não brigou, foi embora em silêncio. Contudo, quando o perigo surgiu, verdades chocantes vieram à tona: ☽ Aquela noite não foi um acidente; ☽ Seu "defeito" era, na verdade, um dom raro; ☽ E agora todos os Alfas, incluindo seu ex-marido, iam lutar para reivindicá-la. Pena que ela estava cansada de ser controlada. *** O rosnado do Kieran reverberou pelos meus ossos enquanto ele me prendia contra a parede. O calor dele atravessava as camadas de tecido da minha roupa. "Você acha que é fácil assim ir embora, Seraphina?" Seus dentes roçaram a pele não marcada do meu pescoço. "Você. É. Minha." Uma palma quente subiu pela minha coxa. "Ninguém mais vai tocar em você." "Você teve dez anos pra me reivindicar, Alfa." Mostrei os dentes em um sorriso. "Engraçado como você só se lembra que sou sua... quando estou indo embora."

Capítulo
Ler agora
Baixar livro