A Cunhada, Meu Inferno

A Cunhada, Meu Inferno

Gavin

5.0
Comentário(s)
1K
Leituras
16
Capítulo

As portas da igreja se abriram e o dia do meu casamento se estilhaçou. Meu noivo, Caio, virou-se para longe de mim no altar, seus olhos fixos em sua cunhada grávida, Camila. Ele a conduziu pelo corredor como se ela fosse a noiva, me deixando para trás, uma estátua de renda branca. Ele implorou para que eu ficasse, prometendo seu amor, alegando um dever para com seu irmão falecido. Tola, eu acreditei nele, apenas para encontrar as malas de Camila já em nossa nova casa.

Capítulo 1

As portas da igreja se abriram e o dia do meu casamento se estilhaçou.

Meu noivo, Caio, virou-se para longe de mim no altar, seus olhos fixos em sua cunhada grávida, Camila.

Ele a conduziu pelo corredor como se ela fosse a noiva, me deixando para trás, uma estátua de renda branca.

Ele implorou para que eu ficasse, prometendo seu amor, alegando um dever para com seu irmão falecido.

Tola, eu acreditei nele, apenas para encontrar as malas de Camila já em nossa nova casa.

Capítulo 1

As portas da igreja se abriram.

A luz do sol entrou, capturando os grãos de poeira que dançavam no ar. Por um instante, foi lindo.

Então Alícia Dantas viu a figura parada na entrada, recortada contra a luz. Era uma mulher, também em um vestido branco. Uma mulher muito grávida.

Era Camila Viana, sua cunhada. Sua cunhada viúva e grávida.

Um murmúrio percorreu os convidados. A mão de Alícia, segurando o buquê, tremeu. Ela olhou para o homem ao seu lado no altar, seu noivo, Caio Sampaio.

O rosto dele ficou pálido como cera. Seu sorriso desapareceu.

Seus olhos estavam cravados em Camila.

Sem uma palavra para Alícia, Caio se virou e desceu o corredor. Ele não correu, mas cada passo estava cheio de um propósito que arrancou o ar dos pulmões de Alícia. Ele caminhou direto para Camila.

Ele a alcançou, pegou seu braço com delicadeza e começou a conduzi-la pelo corredor como se ela fosse a noiva. Os convidados olhavam, seus sussurros cada vez mais altos. Alícia ficou sozinha no altar, uma estátua de renda branca. O buquê pareceu pesado, depois inútil.

Caio levou Camila até o primeiro banco, reservado para a família. Ele a acomodou, sua mão demorando em seu ombro. Ele a olhou com uma expressão de profunda e dolorosa preocupação.

Então, alguém na multidão, um amigo da família Sampaio, começou a aplaudir.

- Isso mesmo, Caio! Cuidando da viúva do seu irmão!

Os aplausos se espalharam, uma onda de validação por sua atitude. Eles viam um herói, um homem honrando seu irmão morto. Alícia via apenas o homem que acabara de estilhaçá-la publicamente. Ele estava sendo celebrado por sua humilhação.

Ela se virou e caminhou em direção à porta lateral da igreja. Não conseguia respirar ali. Precisava sair. Aquele casamento, aquele matrimônio, tinha acabado antes de começar.

Ela ouviu os passos dele atrás dela, rápidos e desesperados desta vez.

- Alícia, espere!

Caio agarrou seu braço, virando-a. Seus olhos estavam selvagens, suplicantes.

- Não vá. Por favor.

- Me solta, Caio. - Sua voz era vazia. Morta.

- Não posso! Não posso te perder. - Ele fez a única coisa que sabia que ela não conseguiria combater. Ele caiu de joelhos, bem ali no chão polido. Ele se agarrou à mão dela, a cabeça baixa. - A culpa é minha. Meu irmão... ele morreu me salvando. Eu devo a ela. Eu devo ao filho dele. Por favor, Alícia. Não me faça escolher.

Ele estava chorando. Seus ombros tremiam. Ele parecia patético e quebrado, e ela odiava que ainda amava o homem que ele deveria ser. Sua determinação vacilou. A imagem do irmão dele, corajoso e partido cedo demais, brilhou em sua mente.

- Eu te amo, Alícia - ele sussurrou, a voz embargada pelas lágrimas. - Eu juro, é só você. Só... só me dê tempo para fazer o certo por ele. Pela memória dele.

Ele era um mestre em usar sua culpa como arma. Explicou que Camila estava frágil, perdida, sem ter para onde ir. Disse que era seu dever, sua penitência por ter sobrevivido quando seu irmão não sobreviveu.

E como uma tola, Alícia acreditou nele. Ela escolheu confiar na promessa em seus olhos em vez da traição que acabara de testemunhar. Ela o deixou levá-la de volta para a frente da igreja, seu coração uma pedra fria e pesada no peito.

Eles terminaram a cerimônia. O beijo foi oco.

O verdadeiro choque veio quando voltaram para sua nova casa. As malas de Camila já estavam no quarto de hóspedes.

- Ela vai ficar com a gente - Caio anunciou, não como uma pergunta, mas como um fato.

- Caio, acabamos de nos casar. Esta é a nossa casa.

- Ela não tem ninguém, Alícia! Ela está carregando o filho do meu irmão. Não posso simplesmente jogá-la na rua. É só até o bebê nascer. - Ele a olhou com aquela mesma expressão suplicante e culpada. - Por favor. Por mim.

Então ela suportou.

Os meses seguintes foram um inferno silencioso e insidioso. Camila interpretava perfeitamente o papel da viúva desamparada e enlutada. Precisava de um copo d'água no meio da noite, e só Caio podia pegar. Tinha um desejo por alguma comida exótica, e Caio dirigia pela cidade à meia-noite para encontrá-la.

Alícia ficava sentada na sala de estar, um fantasma em sua própria casa, enquanto Caio massageava os pés inchados de Camila. Eles conversavam em voz baixa, compartilhando memórias de seu irmão, um mundo do qual Alícia era deliberadamente excluída.

Uma noite, Alícia estava em um jantar formal da empresa de Caio. Estava sentada na mesa principal quando o telefone de Caio tocou. Era Camila.

- Minhas costas doem - Camila choramingou suavemente no viva-voz, sua voz alta o suficiente para a mesa ouvir. - Caio, estou com tanto medo. E se algo estiver errado com o bebê?

Caio desapareceu em um instante, deixando Alícia para enfrentar os olhares simpáticos e piedosos de seus colegas. Ele a deixou para dar desculpas por ele, para fingir que aquilo era normal, que ela não estava sendo lentamente apagada.

Então, uma manhã, tudo mudou. Uma onda de náusea atingiu Alícia, e uma esperança frágil e aterrorizante floresceu em seu peito.

Ela estava grávida.

O teste deu positivo. Por um momento, a alegria eclipsou todo o resto. Esta era a resposta. Isso os consertaria. O próprio filho deles. Uma razão para Caio finalmente ver o que era real, para finalmente escolhê-la.

Ela planejou contar a ele naquela noite, fazer um jantar especial. Chegou em casa mais cedo, o coração leve pela primeira vez em meses.

Ela parou no corredor. Ouviu vozes do quarto principal. O quarto deles.

- Oh, Caio, bem aí - Camila gemeu, um som de puro prazer. - É tão bom.

O sangue de Alícia gelou. Ela empurrou a porta.

Camila estava deitada na cama deles, a blusa levantada, sua barriga de grávida exposta. Caio estava ajoelhado ao lado dela, passando óleo em sua pele. Suas mãos se moviam em círculos lentos e íntimos.

- Que porra você está fazendo? - A voz de Alícia era um sussurro rouco.

Caio saltou para trás, o rosto uma máscara de culpa. - Não é o que parece. Ela estava com estrias. O médico disse que óleo ajudaria.

A desculpa era tão absurda, tão insultuosa, que quebrou algo dentro dela.

- Tire ela da nossa cama, Caio. Tire ela da nossa casa.

- Alícia, não seja assim - ele começou, sua voz assumindo um tom cansado e paternalista.

- Eu quero ela fora. Agora. - A voz de Alícia se elevou, tremendo com uma raiva que ela não sabia que possuía. - Eu não vou mais viver assim.

Ela se virou para sair, para fazer uma mala, para fugir do veneno daquela casa.

Caio se moveu para bloquear seu caminho. - Podemos conversar sobre isso.

- Não há nada para conversar! - ela gritou, tentando passar por ele.

- Alícia, pare! - ele gritou, agarrando seus ombros.

Da cama, Camila soltou um pequeno suspiro teatral. - Caio, minha barriga... está doendo.

A cabeça de Caio se virou bruscamente. Seu foco mudou instantaneamente de Alícia para Camila. Ele via Alícia como a ameaça, a fonte do problema.

- Olha o que você fez! - ele rosnou para ela. Ele a empurrou, com força, para tirá-la de seu caminho.

Alícia tropeçou para trás, seu calcanhar prendendo no tapete. Ela caiu, seu lado batendo na quina de uma cômoda de madeira com um baque surdo antes de desabar no chão.

Camila sentou-se na cama, o rosto pálido e a mão na barriga. - Caio, acho que estou bem. Me desculpe, Alícia. Não queria causar problemas.

Caio nem olhou para Alícia no chão. Ele correu para a cama, o rosto gravado de pânico. - Tem certeza? Dói em algum outro lugar?

Ele pegou Camila nos braços, aninhando-a como se fosse feita de vidro. Ele a carregou em direção à porta, seus passos firmes e rápidos.

Ao passar, Alícia olhou para cima do chão. Seus olhos se encontraram por uma fração de segundo. Os dele estavam frios, acusadores.

E por cima do ombro dele, os olhos de Camila encontraram os dela. O falso olhar de preocupação havia desaparecido. Em seu lugar, havia um brilho de pura e triunfante vitória. Um pequeno sorriso cruel brincava em seus lábios.

Então eles se foram.

Uma dor aguda e lancinante tomou o abdômen de Alícia. Era uma sensação viciosa, como uma faca se torcendo. Ela olhou para baixo. Uma mancha escura se espalhava pelo tecido claro de seu vestido.

Sangue.

- Caio - ela sussurrou, sua voz um apelo fraco e desesperado. O som foi engolido pelo corredor vazio. Ele não podia ouvi-la. Ele já tinha ido embora.

Ela sentiu o calor se espalhar entre suas pernas, uma maré de perda.

- Caio - ela chamou novamente, mais alto desta vez, um soluço preso na garganta. - Caio, por favor!

A única resposta foi o som do carro dele dando partida na garagem e acelerando para longe.

Sua visão começou a embaçar. A última coisa que se lembrava era a sensação do carpete contra sua bochecha e o cheiro fraco e doce do óleo que ele estava passando na pele de Camila. A memória do primeiro encontro deles, dele prometendo o mundo a ela, brilhou por trás de seus olhos antes que tudo ficasse preto.

Ela acordou em um quarto de hospital branco e estéril. O mundo estava nebuloso e silencioso. Um médico com olhos gentis e tristes lhe disse o que ela já sabia em seus ossos.

O bebê se fora.

Uma dormência oca e dolorosa se instalou sobre ela. Era uma dor tão profunda que era silenciosa.

- Posso ver? - ela perguntou, a voz rouca.

A enfermeira hesitou, depois assentiu. Eles lhe trouxeram uma pequena foto clínica. Uma ultrassonografia. Um pequeno e cintilante fantasma de uma vida que deveria ser deles.

Ela olhou para aquilo por um longo, longo tempo. Era tudo o que lhe restava.

E naquele momento, ela soube. Não haveria mais chances. Não haveria mais perdão.

Ela não contaria a Caio. Ele não merecia lamentar por um filho que ele ajudou a matar. Ele não merecia saber que ele sequer existiu.

Mas ela se certificaria de que ele recebesse um presente. Algo para se lembrar dela.

Ela colocou cuidadosamente a foto da ultrassonografia em uma pequena e elegante caixa de presente que comprara para o aniversário dele. Um lembrete permanente do que ele havia jogado fora.

Então, com uma determinação forjada no poço mais profundo da traição, ela pegou o telefone. Rolou por seus contatos até um nome que havia bloqueado meses atrás, um nome do qual Caio sempre tivera ciúmes, um nome que agora parecia sua única tábua de salvação.

Bruno Sampaio.

Ela apertou o botão de chamada.

Continuar lendo

Outros livros de Gavin

Ver Mais
Contrato com o Diabo: Amor em Grilhões

Contrato com o Diabo: Amor em Grilhões

Máfia

5.0

Observei meu marido assinar os papéis que poriam fim ao nosso casamento enquanto ele trocava mensagens com a mulher que realmente amava. Ele nem sequer olhou o cabeçalho. Apenas rabiscou a assinatura afiada e irregular que já havia selado sentenças de morte para metade de São Paulo, jogou a pasta no banco do passageiro e tocou na tela do celular novamente. "Pronto", disse ele, a voz vazia de qualquer emoção. Esse era Dante Moretti. O Subchefe. Um homem que sentia o cheiro de uma mentira a quilômetros de distância, mas não conseguiu ver que sua esposa acabara de lhe entregar um decreto de anulação de casamento, disfarçado sob uma pilha de relatórios de logística banais. Por três anos, eu esfreguei o sangue de suas camisas. Eu salvei a aliança de sua família quando sua ex, Sofia, fugiu com um civil qualquer. Em troca, ele me tratava como um móvel. Ele me deixou na chuva para salvar Sofia de uma unha quebrada. Ele me deixou sozinha no meu aniversário para beber champanhe com ela em um iate. Ele até me entregou um copo de uísque — a bebida favorita dela — esquecendo que eu desprezava o gosto. Eu era apenas um tapa-buraco. Um fantasma na minha própria casa. Então, eu parei de esperar. Queimei nosso retrato de casamento na lareira, deixei minha aliança de platina nas cinzas e embarquei em um voo só de ida para Florianópolis. Pensei que finalmente estava livre. Pensei que tinha escapado da gaiola. Mas eu subestimei Dante. Quando ele finalmente abriu aquela pasta semanas depois e percebeu que havia assinado a própria anulação sem olhar, o Ceifador não aceitou a derrota. Ele virou o mundo de cabeça para baixo para me encontrar, obcecado em reivindicar a mulher que ele mesmo já havia jogado fora.

Da Noiva Indesejada à Rainha da Cidade

Da Noiva Indesejada à Rainha da Cidade

Máfia

5.0

Eu era a filha reserva da família criminosa Almeida, nascida com o único propósito de fornecer órgãos para minha irmã de ouro, Isabela. Quatro anos atrás, sob o codinome "Sete", eu cuidei de Dante Medeiros, o Don de São Paulo, até ele se recuperar em um esconderijo. Fui eu quem o amparou na escuridão. Mas Isabela roubou meu nome, meu mérito e o homem que eu amava. Agora, Dante me olhava com nada além de um nojo gélido, acreditando nas mentiras dela. Quando um letreiro de neon despencou na rua, Dante usou seu corpo para proteger Isabela, me deixando para ser esmagada sob o aço retorcido. Enquanto Isabela chorava por um arranhão em uma suíte VIP, eu jazia quebrada, ouvindo meus pais discutirem se meus rins ainda eram viáveis para a colheita. A gota d'água veio na festa de noivado deles. Quando Dante me viu usando a pulseira de pedra vulcânica que eu usara no esconderijo, ele me acusou de roubá-la de Isabela. Ele ordenou que meu pai me punisse. Levei cinquenta chibatadas nas costas enquanto Dante cobria os olhos de Isabela, protegendo-a da verdade feia. Naquela noite, o amor em meu coração finalmente morreu. Na manhã do casamento deles, entreguei a Dante uma caixa de presente contendo uma fita cassete — a única prova de que eu era a Sete. Então, assinei os papéis renegando minha família, joguei meu celular pela janela do carro e embarquei em um voo só de ida para Lisboa. Quando Dante ouvir aquela fita e perceber que se casou com um monstro, eu estarei a milhares de quilômetros de distância, para nunca mais voltar.

Uma Segunda Chance, Um Beijo de Amor Verdadeiro

Uma Segunda Chance, Um Beijo de Amor Verdadeiro

Romance

4.2

A chuva na Rodovia dos Bandeirantes batia com força no nosso para-brisa, assim como meu estômago se revirava com aquela dor aguda e familiar. Marcos dirigia, os nós dos dedos brancos de tensão, até que o celular dele brilhou com o nome 'Bela'. Meu marido, o eterno cachorrinho leal dela, sumiu num piscar de olhos. "Lena, chama um Uber. A Bela precisa de mim", ele declarou, me abandonando doente e sozinha naquela estrada escura. Era a nona vez que Marcos escolhia a ex-namorada em vez de mim, sua esposa. O 'nono adeus' de uma aposta cruel que Isabela orquestrou anos atrás: "Nove vezes, Lena. Nove. E então você vai embora." Cada incidente abria uma ferida mais profunda: o jantar do nosso aniversário, minha cirurgia de emergência, o velório da minha avó. Eu era apenas o seu estepe conveniente, seu 'prêmio de consolação', um peão no jogo doentio deles. Dias depois, após um acidente de elevador que me deixou em pedaços e hospitalizada, Marcos amparava Isabela, seu pavor era apenas por ela. Finalmente, enxerguei com uma clareza assustadora: ele nunca me amou de verdade. Meu casamento foi uma mentira meticulosamente construída, orquestrada por Isabela desde a faculdade. Meu amor por ele, aquela esperança tola e teimosa, finalmente se esgotou, deixando apenas um vazio doloroso. Mas o jogo tinha acabado. Eu já havia assinado os papéis do divórcio que ele, por descuido, nem notou, pronta para a minha liberdade. Quando Isabela, mais tarde, armou uma armadilha cruel para me humilhar publicamente, me acusando de agressão, um estranho misterioso interveio, mudando tudo. Este era o fim de um pesadelo e o começo da minha verdadeira vida.

Você deve gostar

Capítulo
Ler agora
Baixar livro