O Rato Nas Sombras: Sua Queda

O Rato Nas Sombras: Sua Queda

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Capítulo

Suportei 121 picadas na minha barriga pela criança que meu marido, Bruno, e eu desejávamos com todas as nossas forças. Mas enquanto eu estava deitada na mesa de procedimento, a momentos da transferência do nosso embrião, ele foi embora. Ele me deixou por sua namorada do colégio, Isabela, que estava descontrolada por causa do joelho ralado do filho dela. Ele a exibia em fotos de "família" em público, enquanto sua própria família me humilhava no jantar por ser "rígida" demais. Quando o filho de Isabela me empurrou no chão, Bruno correu para consolar o menino, não a mim. Ele me olhou com puro nojo. "Como você pode achar que seria uma boa mãe se comportando desse jeito?", ele cuspiu as palavras. Eu o encarei nos olhos, minha voz trêmula, mas firme. "A parte mais engraçada, Bruno? Eu cancelei a transferência dos embriões." Então, na frente de toda a sua família, eu disse: "Eu quero o divórcio. E desta vez, não estou brincando."

O Rato Nas Sombras: Sua Queda Capítulo 1

Suportei 121 picadas na minha barriga pela criança que meu marido, Bruno, e eu desejávamos com todas as nossas forças.

Mas enquanto eu estava deitada na mesa de procedimento, a momentos da transferência do nosso embrião, ele foi embora. Ele me deixou por sua namorada do colégio, Isabela, que estava descontrolada por causa do joelho ralado do filho dela.

Ele a exibia em fotos de "família" em público, enquanto sua própria família me humilhava no jantar por ser "rígida" demais.

Quando o filho de Isabela me empurrou no chão, Bruno correu para consolar o menino, não a mim.

Ele me olhou com puro nojo.

"Como você pode achar que seria uma boa mãe se comportando desse jeito?", ele cuspiu as palavras.

Eu o encarei nos olhos, minha voz trêmula, mas firme. "A parte mais engraçada, Bruno? Eu cancelei a transferência dos embriões."

Então, na frente de toda a sua família, eu disse: "Eu quero o divórcio. E desta vez, não estou brincando."

Capítulo 1

Clara POV:

A voz da enfermeira da FIV era um zumbido suave ao fundo. Meu marido, Bruno, deveria estar segurando minha mão, mas ele estava do outro lado da sala, olhando para o celular. Seu rosto estava contraído, a mandíbula cerrada. Era um olhar que eu conhecia bem demais, um espelho de todas as vezes que Isabela Coleman, sua namorada do colégio, conseguia se infiltrar de volta na nossa vida perfeita.

Tínhamos acabado de assinar os formulários de consentimento final. A tinta mal secara no papel que nos prometia uma chance de ter uma família, uma chance para a criança que ambos dizíamos desejar desesperadamente. Um peso enorme tinha saído do meu peito, substituído por uma esperança frágil e crescente. Mas Bruno não compartilhava desse sentimento. Ele mal olhava para mim.

"Eu preciso ir", ele disse, com a voz vazia. Ele nem sequer levantou os olhos do celular quando falou.

Meu estômago revirou. Eu já estava deitada na mesa de procedimento, com as pernas nos estribos, o lençol estéril me cobrindo. Meu corpo estava preparado, minha mente uma névoa de antecipação e do sedativo leve que me deram. Isso fez com que suas palavras parecessem distantes, irreais.

"O filho da Isabela caiu no parque", ele murmurou, finalmente olhando para mim, e então rapidamente de volta para o celular. "Um machucado leve, ela disse. Mas ela está descontrolada."

A enfermeira, uma mulher gentil chamada Sara, lançou a Bruno um olhar que poderia azedar leite. Seus lábios estavam pressionados em uma linha fina. Ela não disse nada, mas seus olhos gritavam volumes.

"Dr. Benevides", disse Sara, sua voz severa, cortando a névoa da minha sedação. "Sua esposa precisa de você aqui. Este é um procedimento crucial, e ela precisará do seu apoio e assistência após a transferência. Nós conversamos sobre a importância do repouso e de minimizar o estresse."

Bruno a ignorou, o polegar já posicionado sobre a tela enquanto outra mensagem chegava. O som agudo do seu celular ecoou na sala silenciosa, me fazendo pular. Ele olhou para mim, um lampejo de algo que poderia ser um pedido de desculpas em seus olhos, mas seu rosto estava pálido, tenso com uma ansiedade que não era por mim.

Minha mente estava confusa, mas um pensamento amargo se impôs com força. Era realmente sobre o filho de Isabela, ou era sobre o drama da própria Isabela? Ele estava genuinamente preocupado, ou era apenas viciado em ser o salvador dela?

"Eu volto assim que puder", ele disse, a voz apressada, já recuando em direção à porta. "Não se preocupe. Apenas... faça o que precisa ser feito. Eu te ligo."

Ele se foi antes que eu pudesse sequer assentir. A porta se fechou com um clique, me deixando com o olhar solidário da enfermeira e a realidade fria de sua ausência.

"Dra. Benevides", disse a embriologista, sua voz calma e profissional, "estamos prontos para prosseguir com a transferência. Temos dois embriões de excelente qualidade, como discutido." Ela ergueu um pequeno e brilhante visor, mostrando-me os minúsculos e esperançosos pontos.

Minha respiração falhou. Dois embriões. O ápice de meses de injeções, exames, lágrimas e sorrisos forçados. A promessa de um futuro.

Mas Bruno não estava aqui. Ele não estava apenas atrasado. Ele tinha ido embora. Por Isabela. De novo.

O sedativo de repente perdeu o efeito, substituído por um choque de clareza cortante como gelo. Meu corpo. Momentos atrás, era um recipiente de esperança. Agora, parecia um campo de batalha. Meu abdômen estava inchado pelos hormônios, meus braços roxos pelas infinitas coletas de sangue. Cada centímetro de mim era um testemunho dos sacrifícios que eu tinha feito, da dor que eu tinha suportado, tudo por um futuro do qual Bruno acabara de se afastar.

"Parem", eu disse, minha voz mal um sussurro.

A embriologista parou, a mão pairando sobre os instrumentos delicados. "Dra. Benevides?"

"Eu disse, parem o procedimento", repeti, mais alto desta vez, as palavras soando estranhas, mas absolutamente certas.

Sara, a enfermeira, correu para o meu lado. Seus olhos estavam arregalados de choque. "Clara, você tem certeza? Temos os embriões prontos. Esta é uma oportunidade única. Você trabalhou tanto para isso."

"Isso não é um jogo", acrescentou a embriologista, sua voz suave, mas firme. "Raramente conseguimos embriões de tão alta qualidade. Não deixe um momento de chateação arruinar tudo o que você almejou."

Eu olhei para elas, para seus rostos gentis e perplexos. "O corpo é meu", eu disse, minha voz firme, apesar do tremor em minhas mãos. "Eu tenho o direito de cancelar."

Minha mente repassava as injeções intermináveis, as coletas dolorosas, a náusea constante. Não era apenas um processo clínico; era uma maratona física e emocional. Cento e vinte e uma picadas na minha barriga, cada uma uma oração silenciosa, um sacrifício quieto. Meu ser inteiro gritava por uma criança, mas não assim. Não com um marido que não conseguia nem ficar para o momento mais importante do nosso sonho compartilhado.

No fundo, eu sabia. Isso não era um ataque súbito de raiva. Era uma constatação, nítida e inegável. Eu não podia trazer uma criança para um casamento que já estava desmoronando, para uma vida onde eu era claramente a segunda opção. Não se tratava mais dos embriões. Tratava-se de mim.

Meu olhar se desviou para a cadeira vazia onde Bruno deveria estar sentado. Agora, meus pensamentos eram um emaranhado, um turbilhão de ressentimento e uma estranha e libertadora resolução. O sonho de uma criança, que me consumiu por tanto tempo, parecia estranhamente distante. Tudo em que eu conseguia focar era no vazio da sala. E no vazio do meu coração.

A embriologista suspirou, um som pesado de decepção. "Muito bem, Dra. Benevides. Como desejar." Ela começou a guardar cuidadosamente os instrumentos, o visor brilhante com os minúsculos e esperançosos pontos agora coberto. O silêncio na sala era ensurdecedor, um contraste gritante com o caos frenético que acabara de se desenrolar. O sonho tinha acabado, pelo menos por hoje. E talvez, apenas talvez, para sempre.

O clique silencioso da porta quando saí da clínica pareceu o fechamento de um capítulo, não apenas para a FIV, mas para algo muito maior.

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