Ele a Escolheu, Eu Escolhi a Liberdade

Ele a Escolheu, Eu Escolhi a Liberdade

He Shuyao

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Capítulo

Meu marido, Heitor, e minha irmã adotiva, Karine, me apunhalaram pelas costas. Descobri que Karine estava grávida do filho dele, uma jogada calculada para garantir um herdeiro para o império de logística marítima que minha família construiu e que ele agora controlava. Ele me pintou como a esposa fria e obcecada pela carreira que não podia lhe dar um filho, transformando nossa decisão mútua de esperar em uma arma contra mim. Quando os confrontei, Heitor prometeu resolver a situação, mas era apenas mais uma mentira. Seu engano era mais profundo do que eu jamais imaginei. Quando uma figura violenta do passado de Heitor ressurgiu, revelando que ele havia usado dinheiro roubado para se casar com minha família, Heitor escolheu proteger sua amante grávida em vez de mim, deixando-me ser atacada e gravemente ferida. Ele me deixou sangrando no chão de uma galeria de arte, escolhendo proteger a mulher que carregava seu filho - um filho que, eu descobriria mais tarde, nem era dele. Eu forjei minha própria morte, fugindo para Portugal para começar uma nova vida, livre de sua teia de mentiras. Mas Heitor, consumido por uma obsessão doentia depois de descobrir a verdade, me caçou. Ele me encontrou, desesperado para reivindicar o que havia destruído. "Você é minha, Bianca", ele rosnou, seus olhos cheios de um fogo possessivo. "Sempre foi e sempre será."

Capítulo 1

Meu marido, Heitor, e minha irmã adotiva, Karine, me apunhalaram pelas costas. Descobri que Karine estava grávida do filho dele, uma jogada calculada para garantir um herdeiro para o império de logística marítima que minha família construiu e que ele agora controlava.

Ele me pintou como a esposa fria e obcecada pela carreira que não podia lhe dar um filho, transformando nossa decisão mútua de esperar em uma arma contra mim. Quando os confrontei, Heitor prometeu resolver a situação, mas era apenas mais uma mentira.

Seu engano era mais profundo do que eu jamais imaginei. Quando uma figura violenta do passado de Heitor ressurgiu, revelando que ele havia usado dinheiro roubado para se casar com minha família, Heitor escolheu proteger sua amante grávida em vez de mim, deixando-me ser atacada e gravemente ferida.

Ele me deixou sangrando no chão de uma galeria de arte, escolhendo proteger a mulher que carregava seu filho - um filho que, eu descobriria mais tarde, nem era dele.

Eu forjei minha própria morte, fugindo para Portugal para começar uma nova vida, livre de sua teia de mentiras.

Mas Heitor, consumido por uma obsessão doentia depois de descobrir a verdade, me caçou. Ele me encontrou, desesperado para reivindicar o que havia destruído.

"Você é minha, Bianca", ele rosnou, seus olhos cheios de um fogo possessivo. "Sempre foi e sempre será."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Bianca

A linha rosa no teste de gravidez me encarava, zombando da fachada perfeita que Heitor e eu havíamos construído meticulosamente. Não era meu. Era de Karine. Minha irmã adotiva, carregando o filho de Heitor. O mundo girou sobre seu eixo, mas eu permaneci firme, a CEO da Almeida Logística Marítima, não uma garotinha frágil.

Karine estava sentada à minha frente em meu escritório, uma boneca de porcelana com olhos grandes e inocentes. Suas mãos pairavam sobre sua barriga levemente arredondada.

"Bianca, por favor", ela sussurrou, sua voz um apelo fraco. "Você tem que entender."

Eu não entendia. E nunca entenderia. A mulher que eu acolhi em minha casa, em minha família, estava carregando o filho do meu marido.

Uma onda de frio me percorreu. Isso não era apenas traição; era um insulto. Uma jogada calculada em um jogo que eu nem sabia que estava jogando.

"Entender o quê, Karine?" Minha voz era afiada como vidro quebrado. "Que você destruiu tudo?"

Ela se encolheu, agarrando a barriga. "Não era para acontecer assim. O Heitor... ele disse que me amava."

Eu quase ri. Heitor não amava ninguém além de si mesmo e de sua ambição.

"Ele disse que ia te deixar", ela insistiu, lágrimas brotando em seus olhos, fazendo-os parecer ainda maiores, mais vulneráveis. "Ele prometeu."

Promessas eram baratas. Especialmente as de Heitor.

"E você acreditou nele?" Meu olhar era inabalável, perfurando sua inocência fabricada. "Você realmente acreditou que ele trocaria o império Almeida por... isso?"

Seu rosto se desfez. "Ele disse que precisava de um herdeiro, Bianca. Ele disse que você não podia dar um a ele."

As palavras me atingiram como um golpe físico. A ferida não dita e infeccionada de nosso casamento sem filhos, agora usada como arma contra mim. Minhas mãos se fecharam sob a mesa.

"Isso é mentira", afirmei, minha voz perigosamente baixa. "Nós escolhemos não ter filhos ainda. Foi uma decisão mútua."

Ela desviou o olhar, traçando padrões em sua barriga. "Ele disse que você estava muito focada na empresa. Que não diminuiria o ritmo por uma família."

A audácia. A pura e descarada ousadia de ambos.

"Fora", ordenei, minha paciência esgotada. "Fora da minha casa."

Ela olhou para cima, os olhos arregalados com novas lágrimas. "Mas para onde eu vou? Não tenho para onde ir."

Isso não era problema meu. Não mais.

"Isso é algo que você deveria ter considerado antes de abrir as pernas para o meu marido", retruquei, as palavras com gosto de cinzas na minha boca.

Seu suspiro foi teatral. "Como você pode ser tão cruel?"

Cruel? Eu estava apenas constatando fatos.

"A crueldade começou quando você traiu minha confiança, Karine", eu disse, levantando-me da cadeira. "Agora, saia."

Ela não se moveu, o lábio inferior tremendo. "Estou carregando o filho dele, Bianca. O filho do seu marido. Você não pode simplesmente... nos expulsar."

"Pois observe", minha voz estava desprovida de emoção.

Naquele momento, a porta do escritório se abriu. Heitor, impecavelmente vestido como sempre, entrou, seus olhos examinando a cena. Ele viu o rosto de Karine manchado de lágrimas, a mão dela protetoramente sobre a barriga, e então seu olhar pousou em mim, frio e calculista.

"O que está acontecendo aqui?", ele perguntou, seu tom enganosamente calmo.

Encarei seu olhar de frente. "Seu segredinho foi descoberto, Heitor."

Karine soltou um soluço engasgado, enterrando o rosto nas mãos. A mandíbula de Heitor se contraiu, seus olhos se estreitando ligeiramente. Ele caminhou até Karine, colocando a mão em seu ombro, um gesto que me enviou uma nova onda de náusea.

"Bianca", ele começou, sua voz um murmúrio baixo e persuasivo, "vamos conversar sobre isso racionalmente."

Racionalmente? Não havia nada de racional nisso.

"Não há nada para conversar", eu disse, minha voz firme apesar do tremor em minhas mãos. "Eu quero o divórcio."

As palavras pairaram no ar, pesadas e finais. A mão de Heitor caiu do ombro de Karine. Seu rosto, geralmente tão composto, se partiu por uma fração de segundo.

"Divórcio?", ele repetiu, como se o conceito fosse estranho para ele. "Não seja ridícula, Bianca. Somos uma equipe."

Uma equipe? Ele tinha acabado de me apunhalar pelas costas.

"Que bela equipe", zombei. "Você transou com a minha irmã."

Karine gemeu, encolhendo-se ainda mais na poltrona. Heitor a ignorou, os olhos fixos em mim. Sua expressão endureceu, e um brilho perigoso apareceu em seus olhos.

"Você não vai me deixar, Bianca", ele disse, sua voz caindo para quase um sussurro, mas carregada de aço. "Nem agora, nem nunca."

Ele deu um passo em minha direção, sua presença de repente avassaladora, sufocante. Mantive-me firme, embora meu coração martelasse contra minhas costelas.

"Pois observe", repeti, um desafio em minha voz.

Ele parou, um músculo se contraindo em sua mandíbula. Então, com um movimento súbito e violento, ele varreu o braço pela minha mesa de mogno. Papéis, canetas, meu tinteiro antigo - tudo foi ao chão com um estrondo ensurdecedor. O som ecoou no silêncio repentino, uma pontuação gritante para sua raiva.

Karine ofegou, mas eu não vacilei. Eu já tinha visto esse lado de Heitor antes, em momentos de extrema frustração ou quando seu controle escapava. Raramente era direcionado a mim, mas estava lá, fervendo sob o verniz polido.

"Você acha que pode simplesmente ir embora?", ele exigiu, sua voz se elevando. "Depois de tudo? Depois que eu construí este império com você?"

"Você o construiu porque minha família lhe deu a oportunidade, Heitor", lembrei-o, minha voz inabalável. "Não se esqueça do seu lugar."

Seus olhos brilharam com pura fúria. Ele se virou para Karine, sua preocupação anterior por ela desaparecida.

"Fora!", ele latiu, apontando um dedo para ela. "Volte para o seu quarto. Agora!"

Karine se levantou da poltrona, o rosto pálido de terror. Ela lançou um olhar desesperado para mim, um apelo silencioso em seus olhos.

"Não", intervi, dando um passo à frente. "Ela não vai a lugar nenhum com você. Não nesta casa."

Heitor se virou para mim, sua raiva agora totalmente liberada. "Você acha que pode me controlar, Bianca? Você acha que pode ditar minha vida?"

"Acho que posso ditar quem fica na minha casa, Heitor", contrapus, minha voz fria como gelo. "E ela certamente não é mais bem-vinda aqui."

Ele me encarou, o peito arfando. Por um momento, pensei que ele poderia me agredir fisicamente. Então, suas feições se suavizaram, um brilho calculista retornando aos seus olhos.

"Tudo bem", ele disse, sua voz surpreendentemente calma. "Mas se ela sair, a criança sai também. E você perde seu herdeiro."

Minha respiração falhou. Ele estava usando a criança como uma arma.

"Essa criança é uma consequência da sua infidelidade, Heitor, não meu herdeiro", cuspi. "E eu não quero nada com ela. Ou com você."

Ele sorriu então, um sorriso arrepiante e sem humor. "Você não está falando sério, Bianca. Você está apenas magoada."

"Estou falando cada palavra", eu disse, minha voz firme. "E eu quero você fora da minha vida."

Ele caminhou em minha direção, seus passos lentos e deliberados. Eu não recuei. Ele estendeu a mão, sua mão gentilmente segurando meu rosto. Seu toque, antes reconfortante, agora parecia uma marca de ferro em brasa.

"Meu amor", ele murmurou, seu polegar acariciando minha pele. "Não faça isso. Não jogue fora tudo o que temos."

Eu recuei, afastando sua mão com um tapa. "Não me toque! Seu toque me dá arrepios."

Seus olhos escureceram, a mágoa passando por eles, rapidamente substituída por um brilho possessivo. Ele agarrou meus pulsos, seu aperto implacável.

"Você é minha, Bianca", ele rosnou, puxando-me para mais perto. "Sempre foi e sempre será."

Lutei contra ele, uma súbita onda de medo misturada com nojo. "Me solta!"

"Nunca", ele sussurrou, seus lábios roçando minha orelha. "Você acha que vou deixar você simplesmente ir embora? Depois de tudo que fiz por você? Por nós?"

Ele me puxou para um abraço feroz, seus braços como faixas de aço ao meu redor. Eu me debati, desesperada para escapar de seu aperto.

"Você está me sufocando!", ofeguei, minha voz abafada contra seu peito.

"Estou nos salvando", ele contrapôs, sua voz rouca. "Salvando nosso legado."

Consegui me libertar, empurrando-o com toda a minha força. Minhas mãos voaram e, antes que eu pudesse pensar, dei-lhe um tapa no rosto. O estalo agudo ecoou na sala.

Heitor congelou, seus olhos se arregalando em choque. Uma marca vermelha floresceu em sua bochecha. Por um momento, ele simplesmente me encarou, sua expressão indecifrável. Então, um sorriso lento e aterrorizante se espalhou por seu rosto.

"Você me bateu", ele disse, sua voz assustadoramente calma. "Minha esposa me bateu."

Um arrepio percorreu minha espinha. A maneira como ele disse "minha esposa" era possessiva, ameaçadora.

"Não sou mais sua esposa, Heitor", eu disse, ofegante. "Eu quero o divórcio. Quero você fora da minha vida, fora da minha empresa, fora de tudo que é meu."

Ele riu, um som baixo e sinistro. "Você não pode se livrar de mim tão facilmente, Bianca. Estamos ligados. Para a eternidade."

Suas palavras me enviaram uma nova onda de terror. Isso não era mais apenas sobre um divórcio. Era sobre sobrevivência.

Ele deu um passo para trás, passando a mão pelos cabelos. "Tudo bem. Você quer um divórcio, terá um divórcio. Mas não pense por um segundo que vai se livrar de mim ou do meu filho."

Meu estômago se revirou. A criança. O lembrete constante e vivo de sua traição.

Lembrei-me dos primeiros dias, do romance apaixonado e avassalador. Ele era o jovem ambicioso e charmoso de um passado conturbado, e eu, a herdeira protegida, vi nele uma alma gêmea, uma determinação que espelhava a minha. Minha família o acolheu, o orientou, e eu me apaixonei profundamente por um homem que parecia entender meu mundo, meus fardos. Mas aquele homem era uma ilusão. Uma mentira meticulosamente elaborada.

"Por quê, Heitor?" A pergunta rasgou através de mim, crua e desesperada. "Por que você fez isso?"

Ele olhou para mim, um lampejo de algo parecido com remorso em seus olhos, rapidamente mascarado. "Você queria esperar por filhos, Bianca. Anos, você disse. Eu precisava de um herdeiro. Para o nosso futuro. Para a empresa."

"Então você usou a Karine?", perguntei, uma risada amarga escapando de meus lábios. "Minha própria irmã? Uma garota que se parece tanto comigo?"

Ele não negou. Seu silêncio era uma admissão.

De repente, meu telefone vibrou. Era uma mensagem do meu investigador particular. Fotos. Fotos de Heitor e Karine, íntimas, inegáveis. E outra, um laudo médico, confirmando a gravidez avançada de Karine. Meu sangue gelou. Ele vinha planejando isso há meses.

Uma determinação fria e dura se instalou em meu peito. Ele achava que podia me superar? Ele achava que podia usar minha família, minha herança, contra mim? Ele me subestimou. Gravemente.

A tradição da família Almeida. A viagem de veleiro solo para o santuário da ilha particular. Um rito de passagem, uma purificação. Sempre fora um símbolo de cura, de um novo começo. Agora, seria minha arma.

Karine, aquela garota tola, acreditava que poderia me substituir. Ela era um peão, nada mais. Um peão que eu usaria para desmontar o mundo cuidadosamente construído de Heitor. Isso não era mais apenas sobre divórcio. Era sobre reivindicar minha vida, minha dignidade e fazer os dois pagarem.

"Você vai se arrepender disso, Heitor", sussurrei, minha voz carregada com uma promessa de retribuição. "Você vai se arrepender de ter cruzado meu caminho."

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