A Traição Dele, Sua Amarga Liberdade

A Traição Dele, Sua Amarga Liberdade

Jing Yue Liu Guang

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Capítulo

Para salvar minha mãe, que estava morrendo, eu tive que me casar de novo com meu ex-marido infiel, Ricardo. Ele era o único cirurgião no país capaz de realizar a cirurgia que salvaria a vida dela, então engoli meu orgulho e a humilhação, e voltei para a nossa jaula dourada. Mas no dia da operação, ele a abandonou. Deixou minha mãe morrer na mesa de cirurgia por uma "emergência pessoal" - um pneu furado com sua amante, Júlia. Quando minha dor se transformou em fúria cega, ele não apenas ignorou meu sofrimento. Ele usou seu poder para me destruir. Me declarou mentalmente instável. Subornou médicos. Me arrastou para um hospício. Tudo para me calar para sempre. Presa em um quarto acolchoado, despojada da minha dignidade e da minha sanidade, percebi que ele tinha tirado tudo de mim. Minha mãe, minha liberdade, meu nome. O amor que um dia senti por ele azedou, transformando-se em uma determinação fria e cortante. Depois que escapei, não fugi para a escuridão da noite. Eu marchei direto para a gala do Prêmio Nacional de Medicina, onde ele estava sendo celebrado, pronta para queimar sua vida perfeita até o chão, ao vivo, para todo o país ver.

Capítulo 1

Para salvar minha mãe, que estava morrendo, eu tive que me casar de novo com meu ex-marido infiel, Ricardo. Ele era o único cirurgião no país capaz de realizar a cirurgia que salvaria a vida dela, então engoli meu orgulho e a humilhação, e voltei para a nossa jaula dourada.

Mas no dia da operação, ele a abandonou. Deixou minha mãe morrer na mesa de cirurgia por uma "emergência pessoal" - um pneu furado com sua amante, Júlia.

Quando minha dor se transformou em fúria cega, ele não apenas ignorou meu sofrimento. Ele usou seu poder para me destruir. Me declarou mentalmente instável. Subornou médicos. Me arrastou para um hospício. Tudo para me calar para sempre.

Presa em um quarto acolchoado, despojada da minha dignidade e da minha sanidade, percebi que ele tinha tirado tudo de mim. Minha mãe, minha liberdade, meu nome. O amor que um dia senti por ele azedou, transformando-se em uma determinação fria e cortante.

Depois que escapei, não fugi para a escuridão da noite. Eu marchei direto para a gala do Prêmio Nacional de Medicina, onde ele estava sendo celebrado, pronta para queimar sua vida perfeita até o chão, ao vivo, para todo o país ver.

Capítulo 1

Eu sorri, mas o sorriso não chegava aos meus olhos. Não mais. Não desde que eu disse "sim" novamente. Esses eventos sociais costumavam ser o ponto alto, uma chance de exibir a vida perfeita que Ricardo e eu havíamos construído. Agora, eram apenas mais um palco para a minha atuação.

Naquela noite, o salão de festas do hotel brilhava com a elite de São Paulo. Lustres de cristal derramavam luz sobre o mármore polido. Minha mão repousava levemente no braço de Ricardo. Ele falava, encantando a todos como sempre, mas seu olhar continuava se desviando.

Sempre se desviava para ela.

Júlia.

"Não é maravilhoso?", uma voz aguda soou ao meu lado. Dona Beatriz Almeida Prado, uma mulher cuja fofoca era mais afiada que seus brincos de diamante, se inclinou. "Ricardo e Júlia, que história. Vieram da mesma cidadezinha do interior, não é? E ela praticamente cresceu na casa dele."

Um nó se formou na minha garganta. Notícia velha, mas sempre doía.

"Sim, são velhos amigos", eu disse, minha voz suave, ensaiada.

Os olhos de Dona Beatriz brilharam enquanto ela tomava um gole de champanhe. "E você, querida Helena, tão compreensiva. Depois de tudo, aceitá-lo de volta. Alguns diriam que é... ingenuidade." Seu tom fez "ingenuidade" soar como um sinônimo para "desespero".

Senti Ricardo enrijecer ao meu lado. Ele odiava quando as pessoas tocavam no assunto. Não por vergonha do caso, mas porque odiava qualquer um que insinuasse que eu era menos que perfeita. Sua esposa troféu.

Ele se virou para Dona Beatriz, um sorriso tenso no rosto. "Helena é a mulher mais compreensiva que conheço." Suas palavras eram um aviso, uma demissão.

Senti seu aperto no meu braço. Um apelo silencioso. *Não me envergonhe.*

Eu simplesmente sorri mais abertamente, um sorriso frágil e deslumbrante. "Alguns diriam", concordei, minha voz leve. "Mas, afinal, algumas pessoas nunca aprendem, não é?"

Dona Beatriz piscou, pega de surpresa. Ela gaguejou uma desculpa educada e se afastou.

Ricardo soltou o ar lentamente. Ele apertou meu braço. "Helena, você lidou com isso muito bem." Ele parecia quase aliviado.

Encontrei seu olhar, meu sorriso inabalável. "O que há para lidar, Ricardo? É apenas a verdade."

Seus olhos se estreitaram. Ele procurou em meu rosto, buscando a mágoa de sempre, a raiva familiar que costumava explodir. Não encontrou nada além de uma fria indiferença.

"Você mudou", ele murmurou, um toque de acusação em seu tom.

Mudei? A palavra ecoou em minha mente. Sim, eu mudei. A antiga Helena, aquela que chorava até dormir após a primeira traição dele, aquela que tentava recuperar migalhas de afeto, estava morta. Ela morreu quando assinei os primeiros papéis do divórcio, abrindo mão de tudo apenas para escapar da vergonha.

Olhei ao redor da sala opulenta, para as joias brilhantes e os sorrisos vazios. Nunca mais. Da primeira vez, saí apenas com meu orgulho. Desta vez, eu sairia com tudo. Cada centavo. E um pouco mais.

"Você se arrepende?", Ricardo perguntou, sua voz baixa.

"Me arrependo de quê?", perguntei, fingindo inocência. "De ter vindo hoje? O buffet está muito bom."

Ele suspirou. Um som frustrado. "De nós. De ter voltado para mim."

Inclinei a cabeça, considerando-o. "Arrependimento é uma palavra forte, Ricardo. Prefiro 'experiência de aprendizado'."

Seu maxilar se contraiu. "Você está sendo sarcástica."

"Estou?", perguntei, com um encolher de ombros minúsculo, quase imperceptível.

"Você está diferente", ele insistiu. "Você costumava brigar. Você costumava gritar. Agora você está apenas... calma demais."

"Talvez eu tenha aprendido com o melhor", eu disse, minha voz quase um sussurro. "Você me ensinou que algumas coisas não valem a briga."

Seus olhos brilharam de raiva. Ele deu um passo para trás, puxando o braço do meu. "Isso não é justo, Helena. Você sabe que eu me importo com você."

"Claro", eu disse, minha voz monótona. "Assim como você se importa com a Júlia. Sua 'amiga de infância', sua 'irmã', aquela cuja família 'patrocinou sua educação'." Recitei suas falas gastas como um roteiro.

Ele passou a mão por seu cabelo perfeitamente penteado. "É diferente. É uma dívida. Uma obrigação."

"E você certamente pagou suas dívidas", murmurei, meus olhos percorrendo seu terno caro, sua postura confiante, sua carreira celebrada. Tudo construído, em parte, sobre as fundações estabelecidas pela família de Júlia. E sua "dívida" com eles foi paga com o meu sofrimento.

Lembrei-me das inúmeras vezes que ela ligou, até mesmo na nossa lua de mel. As "emergências" que o tiravam de mim, sempre para o lado dela. A maneira como ela deixava seu cachecol, seus grampos de cabelo, até mesmo sua calcinha em nossa casa, pequenos troféus de sua presença.

O pior foi encontrá-los em nossa cama. O cheiro dela impregnado nos lençóis, um perfume enjoativo de traição. Aquele foi o dia em que fiz minhas malas. Aquele foi o dia em que pedi o divórcio.

Eu saí com nada além da roupa do corpo. Eu disse a ele para ficar com tudo. A casa, os carros, o dinheiro. Eu só queria sair. Queria estar livre da dor constante, da humilhação.

Mas a liberdade foi passageira. A doença da minha mãe, a habilidade única de Ricardo. Tudo me levou de volta para cá. Para esta jaula dourada.

De repente, uma comoção na entrada. Júlia, vestida com um vestido vermelho cintilante, entrou, ladeada por duas mulheres risonhas. Uma delas, uma loira com uma expressão perpetuamente surpresa, me avistou.

"Olha só!", ela gritou, alto demais. "É a Helena! A ex-esposa do Ricardo, agora a re-esposa! Que escândalo!" Ela cutucou Júlia, que me ofereceu um sorriso sacarino.

"Helena, queridinha", Júlia ronronou. "Você parece... bem. Um pouco pálida, talvez. Mas bem." Seus olhos, no entanto, continham um brilho triunfante.

A amiga loira não tinha terminado. "A Júlia sempre disse que você era intensa demais para o Ricardo. Exigente demais. Ele precisava de alguém mais suave, sabe? Alguém que entendesse suas raízes." Ela olhou de forma pontual para Júlia, que sorriu afetadamente.

Uma dor familiar, surda e rápida, me atingiu no coração. Era uma memória muscular de dor, um membro fantasma do meu antigo eu. Eu odiava que ainda tivesse o poder de me machucar.

Respirei fundo. "Acho que já vou indo", anunciei, minha voz firme. "Ricardo, peça para trazerem o carro."

Ele pareceu surpreso. "Agora? Mas..."

"Estou me sentindo um pouco indisposta", eu disse, com a mão delicadamente pressionada na têmpora. "Muita emoção."

"Posso chamar um táxi para você", Ricardo ofereceu, um toque de alívio em sua voz. Ele não queria uma cena.

"Não, obrigada", eu disse. "Eu chamo meu próprio transporte." Eu não queria dever nada a ele, nem mesmo uma carona para casa.

Afastei-me dele, do sorriso presunçoso de Júlia, do desdém da loira. Não olhei para trás.

Naquela noite, Ricardo não voltou para casa. Ele nunca voltava depois que Júlia chegava.

Mas desta vez, não fiquei acordada ouvindo a chave dele na fechadura. Não encarei o telefone, esperando por uma ligação que não viria. Eu simplesmente me virei e dormi. A antiga Helena teria ficado de coração partido. A nova Helena estava apenas... farta.

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