O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado

O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado

Tamires Coelho.

5.0
Comentário(s)
12.2K
Leituras
387
Capítulo

No dia do seu casamento, Vittoria De Angelis foi tirada do altar e forçada a se casar com o inimigo. Vincenzo Lucchese, o herdeiro afastado da máfia siciliana, retornou para vingar a morte do pai e do irmão. Tomou a noiva do rival diante de todos, selando com sangue a nova ordem de poder. Agora, Vittoria é sua esposa. Não por escolha. Mas por punição. Prisioneira de um homem que a ama, mas que agora não confia e não perdoa, ela descobre que fugir dele pode ser ainda mais perigoso do que amá-lo. Porque Vincenzo não quer obediência. Ele quer rendição. Quer vingança. E ela é sua garantia. E nessa guerra silenciosa entre eles, o amor pode ser a arma mais mortal de todas. ⚠️ Aviso de Conteúdo Este livro contém violência, tortura, assassinato, chantagem emocional, linguagem forte e cenas de teor sexual. Recomendado para maiores de 18 anos.

O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado Capítulo 1 Uma aliança poderosa

O fim de tarde mergulhava Savoca, uma pequena e charmosa comuna italiana localizada nas colinas da Sicília, na província de Messina, em um espetáculo de tons dourados e âmbar, enquanto o sol se despedia lentamente no horizonte.

A cidade respira a primavera em cada sopro de vento, o ar exala um perfume sutil de flor de laranjeira e alecrim selvagem, aromas que se entrelaçam como velhos segredos no coração das colinas sicilianas.

Na luxuosa mansão da família De Angelis, o movimento é constante. Empregados correm de um lado para o outro, apressados, atentos a cada capricho do Don e de seus familiares.

Em um dos quartos mais suntuosos da casa, cercada por cortinas de linho e móveis entalhados à mão, Vittoria observa seu reflexo no espelho com olhar sereno, mas atento.

O vestido branco cai com perfeição sobre seu corpo, moldando cada curva com sutileza e elegância.

Os longos cabelos, meticulosamente penteados, emolduram um rosto de traços nobres e postura imperturbável.

No reflexo, não há hesitação, somente um olhar firme, calculado. Mais do que beleza ou vaidade, Vittoria exala controle.

Dizem que o casamento deve ser o dia mais feliz na vida de uma mulher.

Então, por que, ao encarar a própria imagem no espelho, tudo que ela sente é um vazio que nem o luxo ao redor consegue preencher?

- Você está deslumbrante, ragazza mia. - A voz grave de Don Alfonso surge atrás dela com a imponência de quem comanda mais do que uma casa, comanda um império.

Ela pisca devagar, como se despertasse de um pensamento profundo, mas não se vira de imediato.

Por um instante, permanece ali, contemplando o reflexo de uma noiva que não se sente dona do próprio destino.

- Você não parece feliz. - Comenta, com a voz baixa, mas firme, enquanto se aproxima da filha e a observa através do espelho.

- Isso me parece precipitado. - Vittoria responde, por fim virando-se lentamente para encarar o pai.

Seu olhar encontra o dele com firmeza, sem desrespeito, mas sem submissão. Havia coragem ali, a de quem aprendeu a se calar por anos, mas não a se curvar.

- Ragazza, por que isso agora? - Pergunta, tocando levemente o rosto da filha, o gesto suave contrastando com o peso da cobrança em sua voz. - Vocês estão juntos há seis meses e você concordou com o noivado.

As palavras não soam como uma acusação, mas como uma lembrança fria, inegável, impossível de contestar.

Um lembrete de que, mesmo sob o peso das expectativas, foi ela quem disse "sim".

Uma prisão feita de silêncio, aparência e obediência, construída por ele e aceita por ela.

- Mas quando disse sim, não imaginei que estaria casada três semanas depois. - Retruca, com calma, sem elevar a voz, mas deixando claro o desconforto.

Ela estende a mão e pega a coroa que sustenta o véu, com movimentos precisos, quase mecânicos, como quem cumpre um ritual do qual não sente parte.

- Mia principessa. - Murmura, a voz baixa e envolvente, carregada daquela doçura calculada que só os homens perigosos sabem usar bem.

Ele pega a coroa com reverência, a mesma que um dia repousou sobre a cabeça da mãe de Vittoria, como se segurasse uma relíquia sagrada, símbolo de um império e não de um casamento.

- Esta união. - Continua, enquanto a segura diante dela. - Não é somente um compromisso. É a consagração do teu legado.

Com cuidado, ele a conduz de volta ao espelho e posiciona-se atrás da filha, pousando a coroa sobre os cabelos meticulosamente penteados.

Suas mãos descansam firmes sobre os ombros dela, como um lembrete silencioso de quem a moldou até ali.

- A partir de hoje, você estará sob a proteção das duas famílias mais poderosas de Savoca. E quando falarem seu nome, não será com ternura, será com respeito.

- O senhor quis dizer medo. - Corrige, com a voz contida, mas cortante como lâmina polida.

Ela mantém os olhos fixos no próprio reflexo, sem desviar, sem vacilar. Não havia ingenuidade ali, apenas a lucidez amarga de quem conhece os bastidores da própria linhagem.

- Lembre-se de uma coisa, ragazza. - Aconselha, virando-a abruptamente de frente para si, o olhar firme como pedra, perfurando o dela sem hesitação. - É melhor ser temido do que temer.

Ele deixa o silêncio se alongar por um instante, como se suas palavras devessem ecoar dentro dela como uma sentença sem argumentos, definitiva, indiscutível.

Então, sem pressa, inclina-se e beija sua testa com delicadeza, um gesto de carinho que mais parece uma marca.

- Então, levante a cabeça e agradeça a posição que ocupa. - Finaliza, com a tranquilidade de quem não sugere, mas ordena.

Vittoria somente assente com a cabeça, em silêncio, como se aceitasse mais uma peça colocada no tabuleiro.

Mas por dentro, algo se contrai, se tivesse a chance, desapareceria sem olhar para trás.

Ela permanece imóvel, o olhar fixo no espelho, observando seu reflexo em silêncio, até que a porta se fecha suavemente atrás de Don Alfonso.

Só então, o peso da solidão a invade por completo e, com ele, a certeza de que o nome que carrega é tanto uma coroa quanto uma prisão.

- Por que estou surtando? - Sussurra, encarando o próprio reflexo com um olhar perdido.

Mas as palavras mal deixam seus lábios antes que um sorriso amargo os substitua, torto, involuntário, quase cruel.

Uma risada incrédula escapa em seguida, seca e vazia, como se ela mesma não conseguisse sustentar a mentira que insiste em repetir.

Assim que o sino toca duas vezes nos jardins da mansão, Vittoria soube: era hora de partir.

Não para um conto de fadas, mas para selar um destino escrito por mãos que não são as suas.

Durante todo o trajeto até a residência dos Moretti, cada quilômetro é um golpe seco contra a pouca convicção que ainda tenta sustentar.

O vestido branco, impecável aos olhos do mundo, pesa como uma armadura feita de expectativas.

A ansiedade se acumula no peito, espessa, sufocante, e a vontade de abrir a porta do automóvel e desaparecer cresce a cada curva.

Ela aperta as mãos no colo, tentando conter o impulso de gritar. Está prestes a se tornar o símbolo de uma aliança poderosa, mas tudo que sente é que está sendo conduzida, lentamente, ao próprio cativeiro.

Vittoria vive cada instante como se não estivesse ali, como se fosse somente uma espectadora silenciosa, assistindo à própria vida de fora do corpo.

O mundo ao seu redor desfoca enquanto é conduzida pelo extenso tapete vermelho até o altar.

As flores, as luzes, os sorrisos, tudo parece parte de um cenário encenado para uma história que não lhe pertence mais.

Nem mesmo o sorriso largo de Enzo Moretti, seu noivo, consegue arrancar qualquer reação de seus lábios.

Ela o encara, vazia, enquanto os aplausos ecoam ao fundo como ruído distante.

Quando Don Alfonso entrega sua mão à de Enzo, o gesto é firme, solene. E naquele toque final, ela entende: ali termina o que restava de suas próprias escolhas.

A partir daquele instante, seu corpo pertence à aliança. Sua vida, ao pacto. E sua vontade ao silêncio.

A cerimônia segue com precisão impecável, elegante, comovente aos olhos dos convidados e fiel a cada tradição ancestral das famílias envolvidas.

Tudo acontece como deve acontecer: o sacerdote entoa suas palavras com reverência, os votos são trocados sob olhares atentos, e o silêncio respeitoso da multidão esconde os segredos enterrados sob aquele altar.

- Se alguém aqui presente tiver algo a dizer que impeça esta união, fale agora ou cale-se para sempre. - O sacerdote pergunta, sua entonação solene ecoando sob os arcos dourados do altar, elegantemente montado no centro do jardim.

- Tenho algo a dizer. - Diz uma voz firme, profunda e carregada de autoridade, fazendo o ar no jardim parecer parar por um instante.

E então, como se obedecessem a um comando invisível, todos se voltam na direção de quem ousou interromper.

Continuar lendo

Outros livros de Tamires Coelho.

Ver Mais

Você deve gostar

SEU AMOR, SUA CONDENAÇÃO (Um Romance Erótico com um Bilionário)

SEU AMOR, SUA CONDENAÇÃO (Um Romance Erótico com um Bilionário)

Viviene

Aviso de conteúdo/sensibilidade: Esta história contém temas maduros e conteúdo explícito destinado a audiências adultas (18+), com elementos como dinâmicas BDSM, conteúdo sexual explícito, relações familiares tóxicas, violência ocasional e linguagem grosseira. Aconselha-se discrição por parte do leitor. Não é um romance leve - é intenso, cru e complicado, explorando o lado mais sombrio do desejo. ***** "Por favor, tire o vestido, Meadow." "Por quê?" "Porque seu ex está olhando", ele disse, recostando-se na cadeira. "E quero que ele perceba o que perdeu." ••••*••••*••••* Meadow Russell deveria se casar com o amor de sua vida em Las Vegas, mas, em vez disso, flagrou sua irmã gêmea com seu noivo. Um drink no bar virou dez, e um erro cometido sob efeito do álcool tornou-se realidade. A oferta de um estranho transformou-se em um contrato que ela assinou com mãos trêmulas e um anel de diamante. Alaric Ashford é o diabo em um terno Tom Ford, símbolo de elegância e poder. Um homem nascido em um império de poder e riqueza, um CEO bilionário, brutal e possessivo. Ele sofria de uma condição neurológica - não conseguia sentir nada, nem objetos, nem dor, nem mesmo o toque humano. Até que Meadow o tocou, e ele sentiu tudo. E agora ele a possuía, no papel e na cama. Ela desejava que ele a arruinasse, tomando o que ninguém mais poderia ter. E ele queria controle, obediência... vingança. Mas o que começou como um acordo lentamente se transformou em algo que Meadow nunca imaginou. Uma obsessão avassaladora, segredos que nunca deveriam vir à tona, uma ferida do passado que ameaçava destruir tudo... Alaric não compartilhava o que era dele. Nem sua empresa. Nem sua esposa. E definitivamente nem sua vingança.

Capítulo
Ler agora
Baixar livro
O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado Tamires Coelho. Máfia
“No dia do seu casamento, Vittoria De Angelis foi tirada do altar e forçada a se casar com o inimigo. Vincenzo Lucchese, o herdeiro afastado da máfia siciliana, retornou para vingar a morte do pai e do irmão. Tomou a noiva do rival diante de todos, selando com sangue a nova ordem de poder. Agora, Vittoria é sua esposa. Não por escolha. Mas por punição. Prisioneira de um homem que a ama, mas que agora não confia e não perdoa, ela descobre que fugir dele pode ser ainda mais perigoso do que amá-lo. Porque Vincenzo não quer obediência. Ele quer rendição. Quer vingança. E ela é sua garantia. E nessa guerra silenciosa entre eles, o amor pode ser a arma mais mortal de todas. ⚠️ Aviso de Conteúdo Este livro contém violência, tortura, assassinato, chantagem emocional, linguagem forte e cenas de teor sexual. Recomendado para maiores de 18 anos.”
1

Capítulo 1 Uma aliança poderosa

27/02/2026

2

Capítulo 2 Um pedaço por dia

27/02/2026

3

Capítulo 3 Um pacto silencioso

27/02/2026

4

Capítulo 4 Um belo espetáculo

27/02/2026

5

Capítulo 5 O sangue derramado

27/02/2026

6

Capítulo 6 O medo e o desejo

27/02/2026

7

Capítulo 7 Uma carícia perigosa

27/02/2026

8

Capítulo 8 Uma provocação letal

27/02/2026

9

Capítulo 9 Uma rendição silenciosa

27/02/2026

10

Capítulo 10 A paz foi selada

27/02/2026

11

Capítulo 11 Plano improvisado

27/02/2026

12

Capítulo 12 Últimas palavras

27/02/2026

13

Capítulo 13 Um campo de guerra

27/02/2026

14

Capítulo 14 O pânico e o caos

27/02/2026

15

Capítulo 15 O único motivo

27/02/2026

16

Capítulo 16 O código de ética

27/02/2026

17

Capítulo 17 Um minuto

27/02/2026

18

Capítulo 18 O protocolo de despertar

27/02/2026

19

Capítulo 19 Um recurso limitado

27/02/2026

20

Capítulo 20 Conter os danos

27/02/2026

21

Capítulo 21 Uma crise

02/03/2026

22

Capítulo 22 Lapso de sanidade

02/03/2026

23

Capítulo 23 Frustração e impotência

02/03/2026

24

Capítulo 24 Um jogo perigoso

02/03/2026

25

Capítulo 25 Uma sentença selada

02/03/2026

26

Capítulo 26 Um território proibido

02/03/2026

27

Capítulo 27 Um convite indecente

02/03/2026

28

Capítulo 28 Uma derrota pessoal

02/03/2026

29

Capítulo 29 Um banho de sangue

02/03/2026

30

Capítulo 30 Um convite ao desastre

02/03/2026

31

Capítulo 31 A única linguagem

02/03/2026

32

Capítulo 32 Sem pudor

02/03/2026

33

Capítulo 33 Intervalo da realidade

02/03/2026

34

Capítulo 34 Um campo minado

02/03/2026

35

Capítulo 35 Uma proposta justa

02/03/2026

36

Capítulo 36 Um belo problema

02/03/2026

37

Capítulo 37 Jogos sujos

02/03/2026

38

Capítulo 38 Esculpindo prazer

02/03/2026

39

Capítulo 39 Lados opostos

02/03/2026

40

Capítulo 40 O único lugar seguro

02/03/2026