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Dois anos atrás, um acidente destruiu duas famílias. Emma Anderson estava ao volante no dia em que o destino colidiu com a vida de Damien Knight. Ela perdeu os pais; ele perdeu a esposa. E o pequeno Luca, filho de Damien, perdeu algo precioso: sua voz. Desde a tragédia, Damien construiu um império de gelo e jurou jamais perdoar os responsáveis. Ele só não imaginava que o destino colocaria uma dessas pessoas exatamente sob o seu teto. Desesperada para salvar a vida da irmã e sem alternativas para custear seu tratamento médico, Emma é forçada a aceitar uma proposta implacável: assinar um contrato de servidão disfarçado de emprego. Como babá de Luca, ela deve viver na mansão do homem que tem todos os motivos para odiá-la. O que começou como um contrato assinado sob pressão, torna-se uma teia perigosa. Enquanto o pequeno Luca se agarra a Emma como se reconhecesse nela a cura para seu silêncio, Damien se vê dividido. Ele a deseja com uma intensidade que desafia sua lógica, sem saber que ela é a face do seu maior rancor. Entre cláusulas contratuais, culpas divididas e uma atração proibida, o passado começa a emergir. E quando a verdade vier à tona, Damien terá que escolher: Manter o ódio que o sustenta... Ou aceitar que o amor pode florescer do mesmo solo onde tudo foi destruído.
Capítulo 1 - O Dia Em Que o Céu Caiu
Emma Anderson
O mundo não avisa quando vai ruir. Às vezes, ele só dobra na curva errada.
O grito veio antes do metal. Um grito de mulher, tão alto que parecia rasgar o próprio ar. Eu ainda sentia o volante tremendo nas minhas mãos quando a luz branca engoliu tudo. Depois... nada. Veio um silêncio que pesava mais que qualquer barulho.
Pisquei. O cheiro de gasolina queimava a garganta. O airbag me sufocava contra o banco. Ellie chorava atrás de mim, um choro pequeno, engasgado, que partia minha alma no meio.
- Ellie... princesa... calma... calma... - Minha voz saiu rouca, partida. Virei o pescoço devagar; sangue quente escorria da minha testa e pingava no volante.
- Papai? Nenhuma resposta. - Mamãe? - Chamei.
Mamãe estava caída contra a janela, o rosto virado para o lado errado. Papai... papai parecia dormir, mas o sono dele era pesado demais. Ellie gritava mais alto agora.
- Ellie... eu tô indo. - falei tentando acalmá-la.
Meus pais não acordaram, nem com o choro da minha irmã, nem mesmo com meus movimentos. Abri a porta com dificuldade, desci do banco com as pernas moles, desamarrei a cadeirinha com dedos que não pareciam meus. Puxei minha irmãzinha para o peito. Ela enterrou o rosto no meu pescoço, as mãozinhas agarrando minha blusa como se eu fosse a última coisa sólida do planeta.
- Tá tudo bem, meu amor... a Em tá aqui... a Em tá aqui... - Mentira. Nada estava bem. Mas era tudo que eu tinha para dar a ela.
Saí cambaleando do carro com Ellie nos braços. O asfalto queimava através das solas dos meus tênis. Minha visão escurecia nas bordas.
- Já volto, papai... já volto, mamãe... eu juro...
Uma voz fraca, quase um sopro, veio do outro carro, aquele que estava grudado no nosso como se tivessem se fundido.
- Por favor... meu filho...
Olhei. Uma mulher loira, presa entre o volante e o painel destruído, me encarava. O vestido claro agora era vermelho. Muito vermelho. Ela segurava a barriga com as duas mãos, como se tentasse manter a vida lá dentro. E no banco de trás, um menininho de uns três anos chorava, preso na cadeirinha, os cabelos loiros grudados no rosto.
Meu coração parou e depois disparou tão forte que doeu.
- Eu pego ele! Eu pego!
Coloquei Ellie no chão com cuidado. Uma mulher que eu nunca tinha visto na vida já corria na nossa direção.
- Me dá ela, me dá! - a desconhecida gritou, os olhos arregalados.
Entreguei minha irmã. Ellie se debateu, gritando meu nome.
- Eu já volto, princesinha, a Em já volta - eu disse para acalmar minha irmã.
Corri para o outro carro. O calor que vinha dali era insuportável. Puxei a porta traseira com as duas mãos; o metal queimou minhas palmas, mas a porta cedeu. Peguei o menino. Ele se agarrou a mim imediatamente, pernas e braços em volta do meu corpo como um macaquinho assustado.
- Tá tudo bem... tá tudo bem, pequeno...
Voltei para a porta da frente. A mulher esticou a mão trêmula e segurou meu pulso. Os olhos dela, verdes, estavam cheios de lágrimas e de uma calma que me aterrorizou.
- Qual... qual é o seu nome, anjo?
- Emma - minha voz falhou.
Ela sorriu. Um sorriso tão lindo e tão triste que eu nunca vou esquecer enquanto viver.
- Emma... - repetiu, como se estivesse guardando dentro do peito. - Obrigada... por salvar o meu Luca.
- A senhora vai ficar bem - menti, porque era o que as pessoas faziam nessas horas. - Eu vou tirar a senhora daí, eu prometo, eu...
Ela balançou a cabeça devagar. O sangue escorria mais rápido agora.
- Não, meu amor. Meu tempo acabou. - Ela olhou para Luca, que tremia nos meus braços. - Mas o dele não. Leva ele. Corre. Vive por ele. Ama por mim.
Lágrimas quentes queimaram meu rosto. Eram palavras difíceis de se ouvir vinda de alguém que estava partindo.
- Eu volto! Eu juro que volto pra buscar a senhora e meus pais...
- Emma - ela apertou minha mão com uma força que não parecia possível. - Escuta uma mãe que está morrendo: salva meu filho. É o único pedido que eu tenho no mundo.
Um homem gritou ao longe:
- ÓLEO VAZANDO! VAI EXPLODIR, CORRE!
Olhei para trás. Meu pai... meu pai tinha aberto os olhos. Só um segundo. Ele me viu. Moveu os lábios com sacrifício.
- Corre, filha. Corre, minha menina, e cuida da Ellie.
- Pai! - berrei de volta.
A mulher apertou minha mão uma última vez.
- Eu vou voltar, senhora... - minha voz saiu em um fio.
- Clara - ela me disse seu nome, as lágrimas agora escorrendo em enxurrada por seu rosto. - Vá, Emma. Vá e não olhe para trás. Faça desse dia o começo de uma história linda para vocês três.
- Nós três? - perguntei, confusa, e ela olhou para minha irmã, que me gritava atrás de mim no colo da estranha.
Ouvi o barulho das sirenes ao longe, a ajuda estava chegando. Luca se apertou mais ainda em mim. E foi aí que a primeira explosão veio.
- CORRE, EMMA!!! - meu pai gritou em prantos.
- Vai, querida - Clara me disse. - Salve a vida de vocês!!
Eu não conseguia falar. Só balancei a cabeça, engasgada. Ela soltou minha mão devagar, como quem entrega o bem mais precioso do universo.
Olhei para meu pai...
- Papai... - sussurrei.
- Seja feliz, minha princesa, o papai te ama.
Meu corpo quis ceder, a vontade de ir até ele me corroendo por dentro.
- VAI EXPLODIR!!!
Foi a última coisa que ouvi, e então eu... corri. Corri com Luca agarrado ao meu peito e Ellie gritando meu nome a poucos metros. Corri enquanto o chão tremia. Corri enquanto o ar ficava quente demais, pesado demais.
E então... O mundo explodiu atrás de mim.
Uma onda de calor me jogou para frente. Caí de joelhos no asfalto, protegendo Luca com o corpo. O estrondo foi tão forte que meus ouvidos sangraram. Quando levantei a cabeça, o céu estava laranja. E tudo que eu amava... Tinha virado fogo.
- Mamãe... Papai... - sussurrei e apaguei.
Acordei de repente, puxando o ar com força, como se ainda estivesse presa no meio da fumaça. Meu coração batia tão rápido que doía. Minhas mãos ainda tentavam segurar Luca e Ellie, mesmo que eles não estivessem ali.
Dois anos.
Dois anos e aquele maldito dia continuava preso dentro de mim como estilhaço. Eu podia jurar que ainda sentia o cheiro da gasolina, do fogo, do mundo caindo.
Fechei os olhos por um segundo, tentando lembrar onde eu estava. Meu quarto. A cama torta. A respiração quente ao meu lado.
Ellie.
Virei rápido demais e meu coração quase parou quando toquei a pele dela. Ardente. Queimando com a febre alta. A testa brilhando de suor. O corpinho inquieto, respirando curto.
Não. Não agora.
Senti meu estômago despencar. Hoje era o dia da entrevista. A única chance que eu tinha de, talvez, tirar a gente daquela espiral miserável. E eu não tinha dinheiro sobrando. Nem para o remédio. Nem para um médico. Nem para faltar.
Engoli o desespero, mas ele ficou preso na garganta, raspando.
"Ellie... pequena... aguenta um pouco, por favor", murmurei, afastando os fios grudados na testa dela.
Meu coração bateu torto. A mesma sensação de dois anos atrás, antes do mundo explodir. A diferença é que, dessa vez, eu não podia correr. Eu tinha que decidir. E o tempo, cruel como sempre, já não estava do meu lado.
O CEO De Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar
Priscila Ozilio
Romance
Capítulo 1 O Dia Em Que o Céu Caiu
07/04/2026
Capítulo 2 A Porta Que Se Abre
07/04/2026
Capítulo 3 Olhos Que Congelam
07/04/2026
Capítulo 4 Fissuras no Gelo
07/04/2026
Capítulo 5 O Peso das Promessas
07/04/2026
Capítulo 6 O Preço do Controle
07/04/2026
Capítulo 7 Território Inimigo
07/04/2026
Capítulo 8 A Jaula de Ouro
07/04/2026
Capítulo 9 O Santuário de Gelo
07/04/2026
Capítulo 10 O Limiar da Verdade
07/04/2026
Capítulo 11 Sombras e Segredos
07/04/2026
Capítulo 12 Entre Vidros e Sombras
07/04/2026
Capítulo 13 Sob Vigilância
07/04/2026
Capítulo 14 Fios Invisíveis
07/04/2026
Capítulo 15 Fugindo da Verdade
Hoje às 04:10
Capítulo 16 As Consequências Viriam
Hoje às 04:11
Capítulo 17 Coincidências Acontecem
Hoje às 04:10
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