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Durante séculos, a vila costeira entrega uma jovem ao mar todos os anos para apaziguar uma criatura que vive nas profundezas. A tradição é chamada de O Tributo. Quando chega a vez de Mara, ela decide fugir antes da cerimônia. Porém, o monstro não aceita que sua escolhida escape. Ele surge do oceano para buscá-la. Mas Mara descobre que a criatura não é exatamente o monstro dos contos que sua vila descreve. Ele é inteligente, antigo e capaz de falar - embora tenha uma aparência verdadeiramente monstruosa, com pele escura coberta por escamas, olhos que brilham na escuridão, garras e uma forma que muda conforme suas emoções. E o pior: Ele não quer matá-la. Ele quer que ela fique. Porque, para aquela criatura, Mara não é apenas um sacrifício. Ela é sua companheira destinada. O problema é que Mara descobre que o verdadeiro monstro talvez não esteja nas profundezas. Talvez esteja na própria vila que a entregou. E quando ela começa a se apaixonar pela criatura que deveria temer, precisa decidir se prefere retornar para a humanidade ou permanecer ao lado de algo que jamais será humano - mas que é a única pessoa que realmente a escolheu.
O mar sempre soube meu nome.
Eu só não sabia o dele.
Durante toda a minha infância, minha mãe dizia que o oceano era capaz de reconhecer aqueles que pertenciam a ele. Dizia isso sempre que eu chegava em casa com os pés molhados, depois de passar horas sentada sobre as pedras negras das falésias, observando as ondas se chocarem contra os penhascos.
- Não chegue tão perto, Mara.
Eu nunca obedecia.
Talvez porque, naquela época, eu ainda não soubesse que o mar era considerado uma coisa viva em Vespera.
Não exatamente viva como nós.
Era algo mais antigo.
Mais faminto.
Mais paciente.
E, naquela noite, enquanto a vila inteira se reunia diante do templo, eu finalmente compreendi por que todos tinham tanto medo dele.
O sino tocou.
Uma vez.
Duas.
Três.
O som atravessou Vespera como um lamento.
Parei diante da porta de madeira da minha casa e olhei para a rua.
Ninguém conversava.
As janelas estavam fechadas.
As cortinas, puxadas.
As portas, trancadas.
Até os cães haviam desaparecido.
Era como se a vila inteira estivesse prendendo a respiração.
Eu também deveria estar.
Mas não estava.
Não ainda.
Minha mãe estava atrás de mim.
Eu podia sentir o olhar dela sobre minha nuca.
- Mara.
Meu nome saiu de sua boca tão baixo que quase não ouvi.
Fechei os olhos.
Por alguns segundos, pensei em fingir que não entendia.
Que não sabia.
Que talvez tudo aquilo fosse apenas uma cerimônia qualquer.
Mas não era.
Nunca fora.
A cada inverno, Vespera escolhia uma jovem.
Uma única jovem.
E a entregava ao mar.
A tradição era tão antiga que ninguém sabia dizer quando havia começado.
Os anciãos diziam que, séculos atrás, uma criatura surgiu das profundezas e ofereceu proteção à vila.
Em troca, exigiu uma mulher.
Uma por ano.
Um tributo.
Se a escolhida fosse entregue, as tempestades passariam ao largo de Vespera.
Os barcos retornariam.
As plantações sobreviveriam.
As crianças nasceriam saudáveis.
Se o tributo fosse recusado...
O mar cobraria sua dívida de outra maneira.
Pelo menos era isso que diziam.
Eu nunca acreditei.
Até aquela noite.
- Mara, por favor.
Abri os olhos.
Minha mãe estava chorando.
Foi isso que me assustou.
Não o sino.
Não o templo.
Não o oceano.
Minha mãe.
Ela era uma mulher que não chorava.
Nem quando meu pai morreu.
Nem quando a casa foi destruída pela tempestade.
Nem quando passamos três meses comendo apenas sopa de batatas porque a pesca havia sido ruim.
Minha mãe não chorava.
Mas naquela noite, chorava.
- Não faça isso comigo - ela sussurrou.
Eu me virei.
- Fazer o quê?
Ela me encarou.
Não respondeu.
Não precisava.
Eu já sabia.
Olhei para o vestido sobre a cadeira.
Branco.
Comprido.
Costurado pelas mulheres do templo.
O vestido do Tributo.
Eu havia encontrado a peça naquela manhã.
Estava sobre a minha cama.
Sem bilhete.
Sem explicação.
Como se eu não soubesse.
Como se não tivesse visto os anciãos conversando com minha mãe três dias antes.
Como se não tivesse percebido que, desde então, todos em Vespera evitavam olhar diretamente para mim.
Eu era a escolhida.
- Quantos anos você tinha? - perguntei.
Minha mãe franziu a testa.
- Quando?
- Quando entregaram a última.
Ela desviou os olhos.
- Você sabe disso.
- Quero ouvir você dizer.
Silêncio.
- Vinte e dois.
- E qual era o nome dela?
Minha mãe apertou os lábios.
- Mara...
- Qual era o nome dela?
- Elianor.
- Ela voltou?
Minha mãe fechou os olhos.
Aquilo foi resposta suficiente.
Sorri.
Não porque havia graça.
Mas porque, naquele momento, algo dentro de mim finalmente se partiu.
- Então é isso.
- Filha...
- Eu vou morrer.
- Não sabemos disso.
Soltei uma risada curta.
- Mãe.
- Não sabemos.
- Ninguém volta.
Ela se aproximou.
- Talvez seja diferente.
- Diferente como?
- Você é diferente.
Fiquei imóvel.
Aquelas palavras me atingiram de uma maneira estranha.
- Por quê?
Minha mãe não respondeu.
E foi então que entendi.
Ela sabia de alguma coisa.
- Por quê, mãe?
- Mara...
- Por que eu?
Ela segurou meu rosto com as duas mãos.
- Porque é a sua vez.
Foi a primeira vez que tive medo.
Não do monstro.
Não do mar.
De Vespera.
---
A cerimônia começou ao pôr do sol.
Eu caminhei até o templo cercada por quatro guardas.
Não porque precisassem me proteger.
Mas porque tinham medo de que eu fugisse.
E eu queria fugir.
Deus, como eu queria.
Cada passo parecia me aproximar de uma sentença.
A praça estava lotada.
Centenas de pessoas.
Nenhuma delas dizia uma palavra.
No centro havia uma fogueira.
Atrás dela, o templo.
E além do templo...
O mar.
Eu conseguia ouvi-lo.
As ondas batiam contra as pedras.
Uma.
Duas.
Três vezes.
Como se estivesse contando.
Subi os degraus.
O sacerdote me esperava.
Era um homem velho chamado Elias Veyr.
Todos em Vespera respeitavam Elias.
Eu nunca gostei dele.
Ele possuía olhos pequenos e escuros, sempre atentos demais.
Como se estivesse procurando alguma coisa.
Ou alguém.
Quando parei diante dele, seus olhos percorreram meu rosto.
- Mara Vale.
Meu estômago revirou.
- Não.
Algumas pessoas se mexeram atrás de mim.
Elias inclinou a cabeça.
- Não?
- Não quero fazer isso.
O silêncio ficou ainda maior.
Minha mãe soluçou.
Elias, porém, não demonstrou surpresa.
- Você conhece as consequências.
- Conheço as histórias.
- Não são histórias.
- São mentiras.
Um murmúrio percorreu a multidão.
O sacerdote se aproximou.
- Cuidado.
- Com o quê?
Apontei para o mar.
- Com ele?
Ninguém respirou.
Eu sorri.
Talvez tivesse enlouquecido.
Talvez fosse o medo.
Talvez eu simplesmente tivesse chegado ao meu limite.
- Vocês dizem que ele exige uma mulher todos os anos. Que precisa de uma vida para nos proteger. Então por que nunca deixaram ninguém voltar?
Elias ficou sério.
- Porque o pacto não permite.
- O pacto.
- Sim.
- E quem fez esse pacto?
Ele não respondeu.
- Quem fez?
- Seus ancestrais.
- Então por que eu preciso pagar por ele?
- Porque você pertence à linhagem.
A palavra ecoou.
Pertence.
Eu odiei aquilo.
- Eu não pertenço a ninguém.
Pela primeira vez, algo mudou no rosto de Elias.
Medo.
Foi rápido.
Quase imperceptível.
Mas eu vi.
E então compreendi.
Ele tinha medo de que eu dissesse mais.
Não sabia o quê.
Mas tinha certeza.
- Levem-na - ordenou.
Os guardas avançaram.
Eu recuei.
- Não.
Um deles segurou meu braço.
Eu o golpeei.
Outro tentou me agarrar.
Mordi sua mão.
Alguém gritou.
A praça inteira explodiu em movimento.
Eu corri.
Não pensei.
Não olhei para trás.
Corri pelos degraus do templo.
Atravessei a praça.
Passei pelas casas.
Ouvi minha mãe gritar meu nome.
Continuei.
O vento cortava meu rosto.
O vestido branco se arrastava pela lama.
Eu não sabia para onde estava indo.
Sabia apenas para onde não iria.
Para o mar.
Nunca.
Quando cheguei à beira da floresta, parei.
Minha respiração estava ofegante.
Por um instante, achei que tinha conseguido.
Então ouvi os sinos.
Um.
Dois.
Três.
Dessa vez, porém, havia algo diferente.
O som não vinha do templo.
Vinha do oceano.
Virei lentamente.
A vila estava atrás de mim.
As pessoas tinham parado de correr.
Os guardas estavam imóveis.
Elias estava no alto dos degraus.
Todos olhavam para o mesmo lugar.
O mar.
As ondas haviam parado.
Completamente.
Aquela foi a primeira coisa que percebi.
A segunda foi o silêncio.
O oceano inteiro parecia ter desaparecido.
Nenhuma onda.
Nenhuma gaivota.
Nenhum vento.
Nada.
Então a água começou a se mover.
Não como uma onda.
Como se alguma coisa estivesse subindo.
Meu coração parou.
Uma sombra surgiu sob a superfície.
Grande demais.
Muito grande.
Ela se aproximou.
E continuou crescendo.
Um barco poderia ter desaparecido dentro daquela sombra.
Então dois pontos azuis surgiram no escuro.
Olhos.
Eu não conseguia respirar.
A criatura emergiu.
Primeiro, os chifres.
Depois, a cabeça.
Então os ombros.
E o restante do corpo.
Era enorme.
Monstruoso.
A água escorria sobre uma pele escura coberta por placas que pareciam escamas.
Garras se fecharam contra as pedras.
Um som grave saiu de sua garganta.
Não era um rugido.
Era algo pior.
Uma voz.
Antiga.
Profunda.
Eu não compreendia as palavras.
Mas compreendi meu nome.
- Mara.
Meu sangue congelou.
A criatura inclinou a cabeça.
Seus olhos luminosos estavam fixos em mim.
- Mara Vale.
Eu recuei.
Um passo.
Depois outro.
Ele saiu do mar.
Cada movimento fazia o chão tremer.
As pessoas atrás de mim começaram a gritar.
Alguns fugiram.
Outros caíram de joelhos.
Elias não se moveu.
Ele apenas observava.
Como se tivesse esperado por aquilo durante toda a vida.
A criatura caminhou em minha direção.
Eu não conseguia fugir.
Meu corpo não obedecia.
Ele parou diante de mim.
Era tão alto que precisei erguer completamente a cabeça para enxergar seu rosto.
Havia algo terrível nele.
Algo que deveria fazer qualquer pessoa correr.
Mas seus olhos...
Seus olhos não eram cruéis.
Eram tristes.
Foi isso que me confundiu.
A criatura estendeu uma das mãos.
As garras estavam a poucos centímetros do meu rosto.
Fechei os olhos.
Esperei a dor.
Ela não veio.
Em vez disso, senti uma pressão quente contra minha testa.
Abri os olhos.
A criatura me tocava com apenas uma garra.
Com cuidado.
Como se eu fosse frágil.
Como se tivesse medo de me quebrar.
- Você demorou - ele disse.
Sua voz fez meu peito vibrar.
Eu não consegui responder.
A criatura aproximou o rosto do meu.
Seu hálito era quente.
Cheirava a sal e algo metálico.
- Eu esperei por você.
- Eu...
Minha voz falhou.
Ele me observou.
Então olhou para o vestido branco.
Seus olhos mudaram.
Ficaram mais intensos.
- Eles disseram que você viria voluntariamente.
Olhei para a vila.
Minha mãe estava chorando.
Elias estava parado atrás dela.
- Mentiram.
A criatura ficou imóvel.
- O quê?
Foi a primeira vez que percebi que ele não sabia.
Não sabia.
Não entendia.
Olhei novamente para ele.
Para aquela criatura que todos chamavam de monstro.
- Eu não vim por vontade própria.
Os olhos azuis se estreitaram.
- Então por que veio?
Olhei para o mar.
Para a vila.
Para minha mãe.
E então para ele.
- Porque me entregaram.
Algo mudou.
As marcas azuis sob a pele da criatura começaram a brilhar.
Uma luz fraca percorreu seu pescoço.
Desceu pelos braços.
Iluminou as escamas.
Ele olhou para trás.
Para Vespera.
E, pela primeira vez, o medo apareceu no rosto de alguém que não deveria conhecer o medo.
O monstro das profundezas encarou os habitantes da vila.
- O pacto não era esse.
Elias deu um passo à frente.
- Leve-a.
A criatura virou lentamente a cabeça.
- Você sabia.
Elias empalideceu.
- Leve-a e cumpra o acordo.
O monstro rosnou.
As janelas da vila tremeram.
- Este não era o acordo.
Elias recuou.
Eu olhei para os dois.
Não compreendia.
Nada fazia sentido.
Então a criatura voltou sua atenção para mim.
- Você é Mara Vale?
Assenti.
- Sim.
Ele se aproximou.
- A descendente de Elyra?
Meu coração disparou.
- Quem é Elyra?
A criatura ficou em silêncio.
Por algum motivo, senti que acabara de fazer a pergunta errada.
Então ele se abaixou.
Seu rosto ficou próximo ao meu.
- Você não sabe.
- Saber o quê?
Ele estendeu os braços.
Eu recuei.
- Não toque em mim.
Ele parou.
Imediatamente.
Aquilo me surpreendeu.
Por alguns segundos, nenhum de nós se moveu.
Então ele perguntou:
- Você tem medo de mim?
Eu deveria ter mentido.
Mas não consegui.
- Sim.
As marcas em seu corpo brilharam novamente.
Ele pareceu ferido.
Não fisicamente.
De outra maneira.
- Eu não deveria ter medo de você?
- Não.
- Você é um monstro.
- Sim.
A resposta me desconcertou.
Ele não negou.
Não tentou me convencer do contrário.
- Então por que não devo ter medo?
A criatura se aproximou apenas o suficiente para que sua voz alcançasse meus ouvidos.
- Porque eu nunca pedi que entregassem você.
Olhei para Elias.
Depois para ele.
- Mas você vai me levar.
- Sim.
Meu coração despencou.
- Então qual é a diferença?
Ele me encarou.
- A diferença é que você não será meu sacrifício.
- O que eu sou, então?
A criatura permaneceu em silêncio.
Por um instante, seus olhos desceram até minha boca.
Depois voltaram aos meus.
E então disse:
- Minha.
Meu sangue ferveu.
- Eu não pertenço a você.
- Ainda não.
- Nunca.
O monstro inclinou a cabeça.
Quase parecia curioso.
- Você não compreende.
- Então me explique.
Ele olhou para o mar.
Depois para mim.
- Você é a primeira em trezentos anos.
- Primeira o quê?
Seus olhos encontraram os meus.
- A escolhida que não veio voluntariamente.
Eu não entendi.
- Isso deveria me tranquilizar?
- Não.
Ele estendeu a mão novamente.
Dessa vez, não me tocou.
Apenas apontou para o oceano.
- Mas significa que eles mentiram para nós dois.
O som das ondas voltou.
De repente.
Violento.
Ensurdecedor.
Olhei para trás.
A vila estava em pânico.
Elias gritava alguma coisa.
Minha mãe tentava chegar até mim.
Mas era tarde demais.
O monstro segurou minha cintura.
Eu gritei.
- Solte-me!
Lutei.
Chutei.
Arranhei.
Ele não reagiu.
Apenas me segurou.
- Pare.
- Me solte!
- Você vai se machucar.
- Eu prefiro morrer!
Ele ficou imóvel.
Aquelas palavras fizeram alguma coisa acontecer.
Seu olhar mudou.
- Não diga isso.
- Por quê?
A criatura me puxou contra o peito.
Meu rosto ficou pressionado contra aquela pele fria e escamosa.
- Porque eu esperei trezentos anos.
Meu corpo parou de lutar.
- Pelo quê?
Ele entrou no mar.
A água alcançou meus pés.
Depois meus joelhos.
Minha cintura.
Meu peito.
Eu gritei.
- Pelo quê?
O monstro me segurou com mais força.
Então mergulhou.
O mundo desapareceu.
A última coisa que vi antes de afundar foi Vespera.
Minha casa.
Minha mãe.
O templo.
E Elias Veyr.
Todos ficando para trás.
Depois, apenas o escuro.
E dois olhos azuis brilhando diante de mim.
O monstro me levou para as profundezas.
E, naquele momento, eu ainda não sabia que a criatura que eu havia passado a vida inteira aprendendo a odiar seria a única pessoa em todo o mundo capaz de me oferecer uma escolha.
Eu só sabia de uma coisa.
Eu estava indo para o reino do monstro.
E ele acreditava que eu era dele.
A Noiva do Monstro das Profundezas
Victoriasouza
Romance
Capítulo 1 O tributo
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Capítulo 2 O reino submerso
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Capítulo 3 Rei das profundezas
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Capítulo 4 O sangue do abismo
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Capítulo 5 A escolha
22/07/2026
Capítulo 6 A Rainha que não era rainha
22/07/2026
Capítulo 7 O retorno
22/07/2026
Capítulo 8 Sob o Templo
22/07/2026
Capítulo 9 Última herdeira
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Capítulo 10 Invasion
22/07/2026
Capítulo 11 O que dorme em mim
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Capítulo 12 A voz
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Capítulo 13 Caçada
Hoje às 00:27
Capítulo 14 Porta marfim
Hoje às 00:28