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Um erro no laboratório. Duas traições. E um bilionário que jamais acredita em coincidências. Emily Vance achou que carregava um milagre no ventre. Após Julian, seu noivo, entrar em coma por causa de um terrível acidente de carro, ela decidiu recorrer à fertilização in vitro para manter vivo o legado do homem que amava. Era para aquele bebê ser sua esperança. Mas tudo desmorona quando uma falha na clínica revela a verdade: a criança que Emily espera não é de Julian. O pai é Alistair Wolfe - um bilionário poderoso, implacável e tão frio quanto o sobrenome que carrega. E o pesadelo está apenas começando. Quando Julian finalmente acorda, o primeiro nome que ele pronuncia não é Emily, e sim Chloe, sua irmã adotiva. Em um único instante, Emily descobre um caso secreto que transforma anos de amor, sacrifício e lealdade em uma mentira cruel. Traída pelo homem que amava e encurralada por uma família disposta a entregá-la a um agiota perigoso para salvar os próprios negócios, Emily fica sem saída. Para piorar, os médicos avisam: esta pode ser sua última chance de ser mãe. Para proteger seu bebê e escapar daqueles que querem destruí-la, ela terá de aceitar a proposta do único homem capaz de enfrentá-los. Alistair Wolfe quer seu herdeiro. Emily quer proteção. Sem amor. Sem promessas. Sem futuro. Apenas um acordo temporário até o nascimento da criança. Mas, ao entrar no mundo luxuoso e perigoso de Alistair, Emily logo descobre que fingir ser esposa de um homem como ele é um jogo arriscado demais... e, nele, o coração costuma ser a primeira coisa a se perder.
Estou encarando um documento que acabou de apagar o último fio da minha sanidade.
Já me belisquei tantas vezes que minha pele ficou cor-de-rosa. Mesmo assim... não acordei desse pesadelo que, ao que parece, é a minha vida. A minha realidade.
O Dr. Carter está sentado à minha frente, com as mãos cruzadas sobre uma pasta bege, olhando para qualquer lugar, menos para o meu rosto.
"Pode... pode repetir?", pergunto, torcendo para ter ouvido errado da primeira vez.
Porque isso não pode ser real.
Não pode.
"Sinto muito, Sra. Vance", diz ele. A voz sai baixa, sem aquela segurança profissional que costuma carregar. "Houve um erro de procedimento no laboratório. Uma rotulagem incorreta na retirada do material criopreservado."
"O que... o que isso quer dizer?"
Ele se ajeita na cadeira.
"O embrião que implantamos... não foi criado com as amostras de Julian Thorne. O sêmen usado pertencia a outro doador."
Abraço a própria barriga, sentindo a leve curva sob o tecido fino do meu vestido florido.
Esse bebê é a minha âncora.
Desde que o carro de Julian derrapou naquela estrada encharcada pela chuva, um mês atrás, essa gravidez tem sido a única coisa que me impede de afundar. Os médicos disseram que talvez Julian nunca acordasse do coma, e os pais dele me imploraram para usar as amostras que ele tinha congelado antes mesmo de ficarmos noivos. Queriam que uma parte dele continuasse viva.
Eu queria isso ainda mais.
"Não", digo, balançando a cabeça devagar. Minha voz sai tão calma que até me assusta. "Não, isso não está certo. Nós usamos a amostra do Julian. Foi isso que combinamos. Foi para isso que eu assinei."
"Sra. Vance..."
"Passei semanas em tratamento", retruco, e a calma começa a rachar. "Hormônios. Injeções. Exames de sangue. Você me disse que estava tudo certo. Disse que ia funcionar."
"E funcionou", responde com cuidado. "Você está grávida."
Então a voz dele baixa ainda mais.
"Mas o pai biológico não é Julian Thorne."
Uma lágrima escorre pelo meu rosto antes que eu consiga segurar. Limpo com raiva.
"Esse não é meu filho", digo, como se a firmeza na minha voz pudesse apagar a verdade.
"É seu filho", ele diz. "Geneticamente, você é a mãe."
Encaro o médico por alguns segundos e depois rio. Um som seco, amargo, sem humor nenhum.
"Não é meu filho com o meu noivo. Eu queria um bebê com o homem que amo. Com o homem com quem vou me casar. Fiz tudo certo. Segui cada etapa. Confiei em você."
"Eu entendo como isso deve ser difícil..."
"Não, você não entende!", grito, batendo as mãos trêmulas na mesa. "Você não faz ideia do que isso significa."
Porque Julian talvez nunca acorde.
Porque esse bebê deveria ser a única parte dele que me restaria.
Porque construí meu futuro inteiro em torno dessa única esperança.
"Sinto muito."
"Sente muito?", solto uma risada de desprezo. "Você não perdeu a minha mala, doutor. Perdeu a última parte viva do meu noivo. Julian está em coma. Talvez nunca acorde, e você me colocou... o quê? O DNA de um cara aleatório?"
A ironia desce pela minha garganta como um comprimido com lâminas. Passei seis semanas enchendo meu corpo de hormônios, deixando minhas coxas roxas de tantas agulhas.
"Quero tirar isso", digo, de repente calma. "Interrompam a gravidez. Vamos refazer o ciclo. Não vou levar um 'erro de etiqueta' até o fim."
"Sra. Vance, o conselho do hospital está preparado para oferecer um acordo de um milhão de dólares", o Dr. Carter diz depressa, pálido. "Além do reembolso total do tratamento e do melhor pré-natal disponível, desde que a senhora assine um acordo de confidencialidade."
Levanto tão rápido que a cadeira arranha o piso de linóleo.
Um milhão de dólares.
Querem comprar meu silêncio sobre o bebê de um estranho.
Olho para os diplomas emoldurados na parede, para os gráficos anatômicos, para os pequenos modelos de plástico representando a vida, e sinto uma onda de calor subir pelo meu pescoço. Minha pele parece apertada demais para o meu corpo.
"Um milhão de dólares?", murmuro.
Outra lágrima escorre, e aquela calma gelada volta. Estou oscilando entre a fúria e o vazio, sem conseguir controlar nada.
"Eu não quero o dinheiro de vocês", digo. "Quero isso." Aponto para a minha barriga. "Fora de mim."
A expressão dele se contrai.
"Temo que isso não seja uma boa ideia..."
"Não me importo."
"Isso seria um erro."
A voz é grave, fria, autoritária.
Viro na direção da porta e vejo um homem parado no batente. Alto, de ombros largos, usando um terno cinza-chumbo que parece caro demais para existir. Os olhos, de um cinza penetrante, estão fixos em mim com uma intensidade implacável.
O Dr. Carter se levanta tão rápido que quase tropeça.
"Sr. Wolfe. Eu não sabia que o senhor estava aqui."
"Costumo tomar medidas rápidas quando os meus ativos são mal geridos, doutor", diz o homem.
Ele entra na sala, e o espaço parece encolher pela metade. Não olha para o médico. Olha para mim, me avaliando com uma intensidade clínica e predatória.
A presença dele é tão forte, tão intimidadora, que quase sinto vontade de dar um passo para trás. Mas não recuo. Luto com cada osso do meu corpo para manter a postura.
O Sr. Intimidador enfia a mão no bolso e coloca sobre a mesa um cartão de visita grosso, preto e fosco.
Alistair Wolfe. CEO, Wolfe Industries.
Meus lábios se abrem de leve.
Esse é o homem que praticamente automatizou metade das empresas de logística do país. O homem que chamam de Fantasma de Wall Street.
"Sou o pai biológico da criança que você está carregando", diz Alistair. O tom não carrega pedido de desculpas. É apenas uma constatação. "E não tenho intenção de permitir que interrompa essa gravidez. Leve a gestação até o fim. Entregue a criança para mim no momento em que nascer, e depositarei cem milhões de dólares em uma conta de sua escolha."
Dou um passo para trás até minhas panturrilhas baterem na cadeira de visitas. Fico olhando para ele, com a respiração falhando. Minha calma se transforma naquele calor dolorido no peito, e cerro os punhos.
"Você é maluco."
Os olhos do Dr. Carter se arregalam. O Sr. Intimidador franze a testa.
"O quê?"
"Você é maluco", repito. "Meu noivo está deitado em um hospital, em coma, e você acha que pode me pagar para eu ter o seu bebê no lugar do dele?"
"Duzentos mi..."
"Eu não me importo com o seu dinheiro!", rebato. "Quero minha vida de volta. Quero o filho do meu noivo."
A expressão de Alistair não suaviza. Pelo contrário. Vira pedra.
"Dinheiro compra tempo, Sra. Vance. E, agora, você não tem mais tempo."
"O que isso quer dizer?"
Ele faz um sinal para o Dr. Carter, que pega outro relatório na mesa e entrega para mim.
"Seus últimos exames saíram esta manhã", explica o médico. "Seu endométrio está... significativamente mais fino do que prevíamos. O estresse hormonal desse ciclo de fertilização in vitro causou cicatrizes graves."
Ele faz uma pausa, olha para Alistair e depois volta os olhos para mim.
"Se você interromper essa gravidez, o dano será irreversível. A probabilidade de uma segunda implantação bem-sucedida é praticamente zero. Você ficaria permanentemente infértil."
Minha cabeça gira. Por um segundo, acho que vou desmaiar.
"Isso... isso não é verdade. Vocês podem aplicar algum remédio. Podem fazer uma cirurgia."
"Essas não são opções viáveis, Sra. Vance."
O sonho de uma casa com um balanço de pneu no quintal, de um garotinho com o cabelo loiro e bagunçado de Julian, começa a evaporar como névoa.
Se eu acabar com essa gravidez, acabo com tudo.
Nunca vou ser mãe.
Não do filho de Julian.
Não de filho nenhum.
"Pense bem", diz Alistair, agora com a voz baixa como seda. "Você mantém a criança. Cumpre o potencial biológico dessa gestação. Recebe uma fortuna que garante que nunca mais precise trabalhar um único dia na vida. E depois pode ter outro filho com seu noivo. Tudo que peço é..."
Ele para quando vê novas lágrimas se formando nos meus olhos.
Algo na expressão dele suaviza, mas dura só um segundo.
"O que é meu", completa.
A tontura piora, e agora mal consigo respirar. É informação demais. Preciso ver Julian. Preciso tocar a mão dele e dizer que sinto muito por ter falhado.
Como se o universo tivesse lido minha mente, meu celular começa a vibrar em cima da mesa.
Avanço para pegar assim que vejo o nome da mãe de Julian na tela.
"Emily!", ela soluça no instante em que atendo. "Emily, venha para o hospital. Agora! Julian... ele abriu os olhos. Ele acordou!"
Não digo uma palavra a Alistair Wolfe.
Nem sequer olho para ele.
Eu corro.
Disparo pelos corredores do hospital. Meu coração vira um tambor, batendo uma única palavra.
Julian.
Julian.
Julian.
Chego à UTI. Diminuo o passo ao me aproximar do quarto 402, a mão tremendo quando alcanço a maçaneta. Quero entrar de uma vez, abraçar Julian, dizer que vamos resolver juntos toda essa confusão do bebê.
Mas a porta está entreaberta apenas alguns centímetros.
E, lá de dentro, não escuto o bipe dos monitores nem a respiração estável de um paciente em recuperação.
Escuto um soluço abafado e familiar.
Acidentalmente Grávida do Herdeiro do Bilionário
PageProfit Studio
Romance
Capítulo 1 Um
03/09/2026
Capítulo 2 Dois
03/09/2026
Capítulo 3 Três
03/09/2026
Capítulo 4 Quatro
03/09/2026
Capítulo 5 Cinco
03/09/2026
Capítulo 6 Seis
03/09/2026
Capítulo 7 Sete
03/09/2026
Capítulo 8 Oito
03/09/2026
Capítulo 9 Nove
03/09/2026
Capítulo 10 Dez
03/09/2026
Capítulo 11 Onze
03/09/2026
Capítulo 12 Doze
03/09/2026
Capítulo 13 Treze
03/09/2026
Capítulo 14 Catorze
03/09/2026
Capítulo 15 Quinze
03/09/2026
Capítulo 16 Dezesseis
03/09/2026
Capítulo 17 Dezessete
03/09/2026
Capítulo 18 Dezoito
03/09/2026
Capítulo 19 Dezenove
03/09/2026
Capítulo 20 Vinte
03/09/2026
Capítulo 21 Vinte e um
03/09/2026
Capítulo 22 Vinte e dois
03/09/2026
Capítulo 23 Vinte e três
03/09/2026
Capítulo 24 Vinte e quatro
03/09/2026
Capítulo 25 Vinte e cinco
03/09/2026
Capítulo 26 Vinte e seis
03/09/2026
Capítulo 27 Vinte e sete
03/09/2026
Capítulo 28 Vinte e oito
03/09/2026
Capítulo 29 Vinte e nove
03/09/2026
Capítulo 30 Trinta
03/09/2026
Capítulo 31 Trinta e um
03/09/2026
Capítulo 32 Trinta e dois
03/09/2026
Capítulo 33 Trinta e três
03/09/2026
Capítulo 34 Trinta e quatro
03/09/2026
Capítulo 35 Trinta e cinco
03/09/2026
Capítulo 36 Trinta e seis
03/09/2026
Capítulo 37 Trinta e sete
03/09/2026
Capítulo 38 Trinta e oito
03/09/2026
Capítulo 39 Trinta e nove
03/09/2026
Capítulo 40 Quarenta
03/09/2026