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CAROLINE MATHIAS
Me ajeito desconfortável na poltrona, seria minha primeira viagem de avião, estou nervosa demais, acho que estou até suando, se eu morrer hoje, o que deixarei: uma mãe que me obriga a conhecer um pai que pra mim estava morto, uma vida sem muitas aventuras, um ex-namorado traidor e uma faculdade que tranquei por falta de dinheiro. E isso era a minha vida, não é lá essas coisas, mas não quero deixar tudo por causa de uma morte em um avião.
- Com licença. - Um homem se senta ao meu lado. Puta que pariu! Era lindo, e eu quase me borrando de medo.
Um avião, um homem que parecia um deus gostoso, nem posso me fingir de gostosa, pois estou suando feito uma porca, devo até estar fedendo. Que vergonha de mim mesma.
Quando a aeromoça anunciou a decolagem, me tremi inteira, o avião deu uma espécie de sacudida.
- Ai, porra! - Quase gritei, abrindo meus braços com tudo e me agarrando no que minhas mãos encontraram.
Arregalei os olhos ao sentir que agarrei em algo estranho, olho para o homem ao meu lado e sigo o olhar incrédulo dele.
- Ai, porra! - Falei de novo ao notar que eu agarrei no pau do homem.
- Vejo que gosta muito dessa palavra. - Ele diz num tom divertido. O avião sacode de novo.
- Não quero morrer. - Falo, fechando os olhos e apertando mais o que seguro. Uma mão, o braço da poltrona, outra, o pau do homem.
- Uou, garota, vai devagar aí, que isso é importante pra mim. - Ele fala. Retiro a mão do pau dele imediatamente.
Não sei se eu chorava pelo medo ou pela vergonha de pegar num pênis de um desconhecido. "Que constrangedor! Ainda mais por eu estar olhando para o tal, e pra mim aquilo está duro, ou o cara é um tripé." Penso, desviando o olhar imediatamente, coloco minhas mãos no rosto. Preciso de ar, ou vou morrer aqui.
- Respira fundo, respire pausadamente, pode ajudar. - Ele diz, continuo com minhas mãos no rosto. Mas respiro fundo pausadamente.
- Nunca entrei num avião. - Falo, e o som da minha voz sai abafado por minhas mãos.
- Percebi, sou Adam Smith, fica calma, srta. - O homem abaixou as minhas mãos. - Você é de onde?
- De São Paulo mesmo, vou para o Rio de Janeiro por alguns dias apenas. - Falo, ainda em pânico.
- Sou do Rio, mas viajo muito a negócios, então costumo dizer que sou do mundo. - Ele fala, e eu sorrio. - Você estuda, trabalha?
- Estudava, fazia faculdade de artes, mas tranquei, não trabalho no momento, mas preciso urgente. Se quiser me dar um emprego, eu aceito. - Falo, ainda rezando para não morrer.
- Talvez eu tenha um emprego pra você, já somos íntimos, já que quase esmagou meu pau. - Ele fala, rindo.
Nem fico constrangida mais, fiz isso mesmo. "Que loucura", penso, soltando meu cinto, preciso ir ao banheiro lavar meu rosto.
- Saiba que se tiver um emprego pra mim, estará salvando minha vida, sr. Smith. - Falo, tentando passar por ele, o avião sacode de novo e acabo caindo em seu colo.
- Acho que está a fim mesmo do meu pau hoje, srta. - Ele diz, enquanto sinto uma coisa dura na minha bunda.
- Meu Deus, você está duro em um avião lotado, ou é só o Kid Bengala mesmo? - Pergunto sem saber. Por que falei isso? O homem sorri mostrando os dentes perfeitos num branco reluzente, a barba cerrada era um destaque para aquele sorriso lindo e sedutor.
- Quer descobrir? - Ele fala malicioso.
- Eu não. Se orienta, homem, querendo se aproveitar de alguém que está em pânico? - Falo, e ele ri, levantando as mãos.
- Nem sequer toquei em você, a única que tocou e sentou no meu pau foi você.
Então, me toco que estou no colo do homem ainda, e bem em cima do dito cujo mesmo. Olho ao redor, apesar de não ter muitas pessoas no avião, me sinto incomodada com isso.
- E pelo jeito está gostando. - Me levanto quando ele se move, expondo mais sua ereção, me fazendo sentir quase tudo.
- O senhor é muito safado. - Falo ao me levantar, olho para o homem, pele levemente bronzeada, uma barba cerrada bem desenhada em seu rosto ângulos, olhos castanhos, levemente estreitos, nariz comprido e reto, combina com seu rosto grande, lábios finos, mas bem chamativos, um terno que lhe caia muito bem, era cinza claro, com certeza deveria ser mais caro que a passagem cara do voo que meu pai desconhecido pagou. Seu olhar para mim era de diversão, mas seu sorriso era de pura malícia.
- Eu? Nem movi um músculo até agora, é a senhorita que está me atacando. - A avião sacode mais uma vez.
- Meu Deus! - Falo, agarrando as poltronas.
- Calma, senhorita, é normal devido ao tempo. Está chovendo muito, nada vai acontecer. - Ele diz
Vou até a cabine do banheiro do avião e me sento na privada. Por que raios tenho que andar em uma lata voadora que pode cair e matar todo mundo só para conhecer alguém que nem faz falta em minha vida? Estava bem na minha casa, com minha mãe, meus cachorros, meus gatos, sim, eu amo animais, já levei um monte para casa, deixando minha mãe maluca.
Fico ali, rezando, pelo menos eu acho que estou, nunca fiz isso antes, agora tenho que aprender na marra, vai que morro, e se eu for para o céu, vão me jogar na cara que nunca nem tentei rezar.
Céus, estou ficando maluca! Ou é só o medo me consumindo mesmo.
- Senhorita, precisa voltar para sua poltrona. - Ouço batidas na porta e uma voz feminina.
Não consigo me mexer, até quero sair, mas meu corpo travou de verdade. Não consigo sair.
- Senhorita, por favor.
Tento falar, mas nem a minha voz sai, estou suando, travada, e num banheiro minúsculo.
- É o primeiro voo dela. - Ouço a voz daquele homem que agarrei em seu pau. - Me dá um minuto, vou falar com ela.
A porta da cabine se abre, levo um susto, não tranquei essa merda. O homem é tão grande que quase me esmaga ao entrar, como ele cabe aqui?
Impossível, o cara deve ter uns dois metros de altura, não me considero baixa, com meus um metro e setenta, mas perto dele me sinto pequena.
- Senhorita, você precisa se acalmar. - Ele diz, me olhando. - Se levanta, lave seu rosto.
Apenas olho para ele, não consigo falar nada, meu corpo ainda treme, o homem me olha por um momento, tenta se inclinar até mim, o espaço é realmente pequeno e ele preenche quase todo.
- Respira fundo. - Ele começa a respirar fundo, indicando para eu copiar seu gesto.
Faço os mesmos movimentos e ficamos um tempo inspirando e expirando, sincronizados de uma forma tão perfeita que quase me fez rir.
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