Contrato de Silêncio
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ia
retudo passar desapercebida. Ouvir muito e guardar tudo. Essa sempre foi a minha teoria, e até agora tem funcionado perfeitamente bem. Mas pelo que tenho observado, h
usoléu do que um lar. A casa dos Moretti respira. Eu sei porque aprendi a ouvir. Não com os ouvidos, mas com a pele. O mármore frio sob meus pés descalços muda de temperatura conforme o dia avança.
, mas porque o tempo, dentro dessas paredes, não passa - ele se acumula. Cad
to. Adriano Moretti não precisa ser lembrado. Ele se impõe mesmo quando está ausente. Sua pre
as portas sem autorização biométrica. Mas eu... eu entro no quarto dele. No escritório privado. No banheiro onde o espelho inteligente reconhece apenas um rosto autorizado -
edes exibem gráficos em tons frios. O noticiário financeiro passa sem som, mas as legendas piscam rápido d
uas torradas. Nenhum detalhe fora do lugar. Aprendi cedo que A
porta do escritó
le vem grave, cont
sa, mais uma vez, pare
mo vivo, pulsando lá embaixo. Adriano está de costas, as mãos apoiadas na mesa de vidro, o paletó perfeitamente
alinhando a xícara com a borda invisível que só exist
da noite? -
rão. - Minha voz sai baixa, neutra
e. Um gesto mínimo,
ode
le estão tensos demais, na rigidez da mandíbula refletida no vidro, no jeito como os dedos p
capa antes que e
se segue é de
s meus, e há algo ali que não estava antes. Não é rai
? - e
falo além do necessário. Invisibilidade é u
riar - digo, sen
har. Ou algo pior: questionar minha ousadia. Mas Adriano
ent
ate forte demais. Nunca me sentei na presen
estou tr
à frente da mesa. - E agora
serva e e
colo, dedos entrelaçados com força. Ele se senta do
u nome comple
e atravessa
Rocha -
eça, como se expe
ê mor
dos funcio
mora nesta casa. Conhece os horários,
ue qualquer respos
confio em você?
le me permite existir aqu
como se lesse meus pensamentos. - Pesso
cha no meu
mudar - ele
enh
do rosto. Pela primeira vez desde que o conheço, ele parec
iz. - Alguém que a casa reconheça. Que o sis
ração
o en
à minha frente. Perto demais. O cheiro dele é discreto,
boca dele, não soa como p
sar - continua - saiba que
que reconheço rápido demais: uma dívida antiga, enterrada, ma
r isso - ele diz c
ha. As paredes par
centa - você vai a
ê? - su
desejo, mas com avaliação. Como se eu fosse
casam
aba. Ele apena
. impossív
riano responde. - Apenas
adeira arrasta no chão,
u esse tipo
de novo.
o tipo de pessoa
ênc
microexpressão, cada segundo que passa enquant
fastando-se. - Amanh
e sozinha, como se obedecess
as pernas
nizado. Silencioso. Mas agora sei a verdade. E