Desejo Sombrio ( Desejo Sombrio)

Desejo Sombrio ( Desejo Sombrio)

DUDINHA PADILHA

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Capítulo

Desejo Sombrio é um romance arrebatador que mistura paixão, mistério e o sobrenatural. Em meio à rotina agitada do mundo moderno, Julia, uma jovem independente e determinada, vê sua vida virar de cabeça para baixo ao conhecer David, um homem tão sedutor quanto enigmático. O que ela não imagina é que ele guarda um segredo sombrio: David é um vampiro, um ser imortal preso entre o desejo e a escuridão. Enquanto Julia se entrega a uma paixão intensa e perigosa, ela descobre que amar um vampiro significa desafiar não apenas as regras da sociedade, mas também forças ocultas que querem separá-los a qualquer custo. Entre momentos de êxtase e perigo, ela terá que decidir se está disposta a pagar o preço para viver esse amor proibido. Em uma trama cheia de reviravoltas, Desejo Sombrio é uma história sobre desejo, sacrifício e o poder avassalador de um amor capaz de desafiar até a própria eternidade.

Capítulo 1 CAPITULO: 01

Capítulo: 01.

Desperto sobressaltada às cinco da manhã, arrancada do sono por gritos abafados que ecoam da rua.

O coração dispara. Corro até a janela, afasto as cortinas com um gesto apressado, tentando entender de onde vêm os pedidos de socorro.

Mas tudo o que vejo é a neblina densa de um início de manhã silencioso.

Fico ali por alguns segundos, tentando captar algum som, qualquer sinal. Mas só o frio cortante e o murmúrio distante de uma cidade que ainda dorme me fazem companhia

Penso que talvez tenha sido apenas fruto da minha imaginação. Ontem à noite, antes de dormir, resolvi assistir a um filme de terror - uma escolha nada inteligente.

Sem sono e ainda inquieta, decido não voltar para a cama.

Vou direto para o banheiro e tomo um banho quente e demorado.

Deixo a água cair sobre meus ombros por quase meia hora, tentando lavar o medo junto com a espuma.

Depois, sigo para o closet. Escolho um vestido preto, justo até os joelhos, com um decote em V discreto, mas marcante. Nos pés, salto alto preto. Para suavizar o visual, um blazer branco.

Prendo os cabelos escuros em um rabo de cavalo firme, e a maquiagem é leve - só o suficiente para destacar o verde dos meus olhos.

Na cozinha, preparo um café forte, acompanhado de ovos mexidos.

Ao checar as horas, percebo que ainda são 8h30. Mesmo faltando quase duas horas para começar o expediente, resolvo sair.

Volto ao quarto, pego minha bolsa e a pasta com os materiais do dia. Antes de sair, faço o checklist mental: portas trancadas, luzes apagadas, tudo em ordem.

Na garagem, entro no carro e ligo o rádio. Yellow, do Coldplay, começa a tocar, e me deixo embalar pela melodia enquanto enfrento o trânsito da manhã.

Meia hora depois, estaciono na garagem do prédio e pego o elevador que me leva até o sétimo andar onde fica a Akil Imagem, onde trabalho há cinco anos como diretora de marketing.

Como previsto, ainda está tudo calmo por aqui.

A maioria dos funcionários costuma chegar mais tarde.

Vou direto para minha sala e começo a organizar o que preciso para iniciar o dia.

Pouco depois, a porta se abre. É Léo, meu assistente, entrando

cantarolando uma música indecifrável.

- Bom dia, Júlia! Como você está essa manhã? - Pergunta ele, largando a mochila sobre a mesa com seu típico bom humor.

- Bom dia, Léo. Estou bem. Mas você não chegou cedo demais?

- Sim, mas precisava te contar uma novidade quentinha que surgiu ontem, depois que você foi embora - ele sorri com ar misterioso. - Temos um novo modelo. Escolhido pela Sra. Victoria.

- Sério? - pergunto, interessada. - Quem é ele?

- Não é brasileiro. Pelo que entendi, veio da Inglaterra.

- E ele fala português? - Pergunto.

- Acho que sim - diz, se aproximando. - Mas ouvi dizer que ele é... lindo. E um tanto misterioso.

A palavra "misterioso" acende algo em mim. Curiosidade? Ou um pressentimento?

- E já temos foto dele disponível em nosso sistema? - Pergunto.

- Infelizmente não, chefe. Mas ouvi dizer que ele tem aquele tipo de beleza que faz a gente esquecer o próprio nome.

- Então vamos guardar nossa curiosidade até ele chegar - Digo, tentando manter a compostura.

Começamos a trabalhar, e as horas passam sem grandes acontecimentos.

Até que, pontualmente às 11h30, a porta se abre novamente.

Sra. Victoria entra, acompanhada por um homem que, no instante em que cruzamos olhares, parece arrancar o ar dos meus pulmões.

Ele é alto, elegante. Há algo em sua presença que vai além da aparência - um magnetismo sutil, porém arrebatador.

Ao se aproximar, meus instintos disparam. Um arrepio percorre minha pele, como se meu corpo reconhecesse algo que minha mente ainda não entende.

- Júlia, querida - diz Victoria com entusiasmo. - Quero que conheça a nova cara da AKIL IMAGEM.

Ele dá um passo à frente, estende a mão e diz, com uma voz que mistura firmeza e suavidade:

- Prazer em conhecê-la. Meu nome é David Jacobson.

Quando nossas mãos se tocam, um arrepio percorre meu corpo. Ele sente também. Eu vejo nos olhos dele - dois abismos azuis que me analisam com mais atenção do que estou acostumada.

- O prazer é meu, Sr. Jacobson - respondo, com a voz quase em um sussurro.

Com seu olhar tão intenso que me paralisa por um momento, ele sorri levemente. E só então percebo que ainda estamos de mãos dadas.

Uma espécie de energia corre entre nós, algo estranho e ao mesmo tempo... delicioso. Ruborizada, retiro minha mão.

- Seja bem-vindo à empresa - digo, tentando recuperar a postura.

- Obrigado. Mas... É senhora ou senhorita? - ele pergunta, arqueando uma sobrancelha com charme provocador.

- Senhorita - respondo, sem hesitar.

Ele sorri, como se gostasse da resposta. E eu não sei o que pensar disso.

- Vamos, David - intervém Victoria. - Ainda temos muito para te mostrar. Mas mais tarde continuaremos essa conversa no almoço. Você vem com a gente, Júlia?

Hesito. O plano era almoçar sozinha, colocar a agenda em ordem..., mas recusar esse convite parece quase um sacrilégio.

- Claro, contem comigo - respondo com um sorriso.

Eles se despedem e saem da sala, me deixando sozinha com os pensamentos embaralhados e o efeito devastador que David Jacobson acabara de causar em mim.

O restante da manhã passou em câmera lenta. Tentei focar no trabalho, revisar as campanhas que estavam em andamento, aprovar orçamentos e alinhar cronogramas com a equipe.

Mas, entre uma tarefa e outra, meus pensamentos escapavam, inevitavelmente, para aquele sorriso. Para aqueles olhos azuis que pareciam decifrar minha alma em segundos.

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