A Virgem Negociada - Uma flor para o Don

A Virgem Negociada - Uma flor para o Don

Yana _ Shadow

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Capítulo

- Abra os olhos, ragazza! - A ordem de Don Vito Lucchese era lei naquela cidade, mas o seu instinto protetor vacilou diante do medo e da angústia gravados no rosto e no olhar de Juliette. Entregue como pagamento de uma dívida, ela encontrou um homem vinte anos mais velho, que colecionava cicatrizes e traumas. Juliette jurou que nunca seria tocada por ninguém; ele jurou que o mundo queimaria se alguém tentasse. Entre a rebeldia dela e a possessividade letal de Vito, resta apenas o campo de batalha entre o olhar cinza gélido de Don Lucchese e o azul profundo de Juliette. Poderão duas almas destruídas encontrar a redenção por meio de um amor tão perigoso quanto a própria máfia?

Capítulo 1 Socorro!

Ponto de vista de Juliette

- Me soltem! - Gritei para os dois homens que me arrastaram para fora da farmácia.

- Você nunca mais vai roubar - disse o homem mais alto que me puxava com brusquidão.

Todos passavam pela rua, mas ninguém se metia com os homens de Don Vito Lucchese.

- Vamos dar uma lição nessa mocinha! - falou o mais baixo enquanto tirava o cinto.

Um grupo de 4 pessoas parou para assistir quando o homem de terno preto ergueu o braço no ar. Eu me encolhi esperando sentir o couro contra minha pele... mas nada aconteceu. Ergui um rosto e vi o homem mais alto indo até a Ferrari.

- Levanta! - O cara que me segurava me puxou.

Fui levada até a Ferrari e, quando o vidro se abaixou mais, vi o homem que mandava naquela cidade.

Don Vito Lucchese estava sentado no banco traseiro. Os cabelos castanhos claros caíam suavemente sobre sua testa, sem um fio fora do lugar.

- O que houve? - Ao indagar, Vito tocou a mandíbula forte e bem definida com uma cicatriz discreta na bochecha.

- Senhor, pegamos ragazza roubando na farmácia.

- Isso é verdade? - A voz grave de Vito perguntou enquanto seu olhar profundamente enigmático me analisava com uma intensidade que fazia qualquer um hesitar por um segundo antes de encarar seus olhos.

- Sim, senhor - o capanga dele respondeu.

- Quieto! - Vito ordenou. - Quero ouvir a ragazza confessar.

Abaixei a cabeça, olhando para os meus sapatos de couro gasto.

- Você roubou? - A voz de Don Vito soou mais alta desta vez.

Eu só concordei com a cabeça. Tinha tentado comprar um remédio para minha mãe, mas estava muito caro. Aproveitei que o farmacêutico atendia outra pessoa e discretamente tentei sair com o medicamento, mas outro funcionário viu e me segurou até que os capangas de Don Vito chegassem.

- Por que fez isso, ragazza? - indagou Vito.

Ouvi o ruído da porta da Ferrari se abrindo e, então, senti um arrepio.

- Olhe pra mim! - exigiu o homem mais temido daquela província.

Meu coração estava sacudindo com ferocidade quando vi os sapatos de couro oxford pretos se aproximando. Antes que eu pudesse levantar a cabeça, senti a mão comprida segurando em meu rosto. O polegar e o indicador pressionaram minha mandíbula quando me obrigou a erguer o rosto para encará-lo.

Mesmo com medo, mantive o contato visual com o homem vestido com um terno cinza claro que moldava seu corpo de maneira impecável. Não precisava de muito para chamar a atenção; sua postura já fazia isso por ele. A leve inclinação para frente e a sua presença intimidante já exibiam a postura de um homem que tinha tudo sob controle.

______________________________________

Ponto de vista de Don Vito Lucchese.

"Oh, Dio!" Exclamei, encarando os olhos azul-gelo hipnotizantes daquela ragazza.

Seu nariz era delicado e as maçãs do rosto salientes. Os cabelos pretos estavam soltos e caíam ao redor de seu rosto.

- Roubou o quê? - questionei.

Meus olhos se estreitaram, procurando a verdade.

- Foi um remédio, senhor!

- Pra quê?

- Pra minha mãe... - gaguejei. - O remédio da minha mãe estava muito caro.

- Daí, você achou que podia roubar?

Os seus cílios espessos e volumosos piscavam sem parar, mas ela permaneceu calada.

- Nunca mais ouse roubar na minha cidade! - Exigi, apertando mais o seu rosto. - Não quero ver mais sua cara por aqui. Hai capito?

- Sim, senhor!

Meus dedos apertavam mais a pele suave de seu rosto, com um tom pálido, enquanto admirava os lábios delineados.

- Don Vito, temos que dar uma lição nela! - Ricardo sugeriu.

Cazzo! Machucar aquele belo rostinho seria um sacrilégio. Pretendia fazer bom uso da beleza daquela ragazza.

- Zitto! - Mandei. - Levem essa ragazza para o carro. - Soltei o queixo dela e tomei distância.

- Não! - Ela começou a gritar e a se sacudir enquanto Ricardo e Miguel a carregavam.

_____________________________________

Ponto de vista de Juliette.

Três semanas depois...

O ranger dos passos sobre o piso de madeira podre anunciou a presença dele. A cada passo, ouvia uma batida forte anunciando a descida até o inferno.

- A ratinha está no buraco? - A voz de Gaspar já estava arrastada pelo álcool.

Não precisei ver a luz da fresta para saber que ele já estava no corredor. O ar do quartinho já começava a ficar impregnado pelo cheiro destilado da bebida, misturando-se à fumaça de cigarro.

- Cadê você, ratinha?

Sentando, engatinhei para o outro lado, tentando me esconder na sombra. Abracei as minhas pernas e fiquei escolhida. Tinha quinze dias que minha mãe partiu e me deixou com aquele homem asqueroso. Infelizmente, o remédio que Don Lucchesi me deu não foi o suficiente para salvá-la.

- Está se escondendo de mim? - Apoiando-se na parede, ele cambaleou para dentro do quarto. - Vem aqui com o papai!

Fechando os olhos, só consegui lembrar da promessa da minha mãe anos atrás...

Eu tinha doze anos e era ingênua o suficiente para abraçar a ideia de uma vida nova e de ter um pai que cuidaria de nós na Itália. Ela me prometeu felicidade, me tirando da minha vidinha simples no sul da França. Anos se passaram e, no dia em que fiz dezoito anos, ela foi levada pela doença. O ranger do trinco me levou de volta para o inferno.

- Sinto seu cheiro, ratinha! - falou ele, enquanto andava pelo quarto. - Você já tem dezoito anos e está na hora de saber do que um homem gosta numa mulher.

O desespero tomou conta de mim quando as mãos grandes dele me agarraram com uma força brutal e me arrancaram da sombra como se eu fosse um pedaço de trapo.

Não gritei, mas senti o pânico subir pela minha garganta, sufocando o ar.

Minha única defesa era não olhá-lo, manter os olhos fixos na cômoda quebrada ou focar no nada até que aquilo acabasse.

- Por favor... - O pedido era inútil, mesmo assim, eu esperava encontrar um mínimo de humanidade que minha mãe alegava ter encontrado em Gaspar.

Ele esboçou um sorriso cheio de malícia e passou a língua pelos lábios, causando-me nojo. Bruscamente, Gaspar me jogou sobre o colchão, e seu corpo pesado caiu sobre o meu.

- Sua vadiazinha inútil! Você é tão frígida quanto sua mãe era! - Ele sibilou, ligando o meu tormento à memória dela. - Mas você vai me pagar, garota. Vai me pagar por tudo o que fiz pra te sustentar nos últimos anos!

Ele rasgou o tecido da minha blusa. Senti o frio do quarto chocar contra minha pele exposta.

- Não, não quero! - Sacudindo a cabeça, eu fechei os olhos. - Socorro! - Gritei.

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Ao entrar na sala, eu o vi. Apolo Velentzas estava imóvel diante da janela, com os ombros largos levemente curvados. - Senta aí! - disse ele, sem me olhar. Acomodei-me no sofá e pousei minhas mãos entrelaçadas sobre os meus joelhos. - Está pensando em fugir de novo? - A voz dele soou áspera. Mantive o olhar estático, sem lhe dar a satisfação de me encarar. - Não - sussurrei. A verdade era que eu continuava tentando encontrar meios de escapar desde que pisei naquele inferno. - Da próxima vez, você nunca mais vai ver Ícaro - Apolo retrucou bruscamente. - Entendeu? - Sim. - Eu me encolhi no sofá. O contato da muleta com o chão produziu um ruído que fazia meu coração acelerar. No limiar, ele olhou sobre o ombro direito, mas não disse nada. Apenas retomou o caminho da saída, deixando-me sozinha. Certa manhã, abri a porta do quarto e lá estava Apolo, com aquele ar entediado e provocador que eu conhecia tão bem. Ele exibia a sua mais nova visitante. "Seria sua nova esposa troféu?" Ao lado dele, a mulher de pele de porcelana e cabelos platinados sorriu. A saia envelope, que realçava sua curva esguia, ia até o joelho. O blazer feminino se ajustava ao seu abdômen reto. Antes que eu pudesse sequer formular uma frase, Apolo se antecipou, roubando-me a voz e a dignidade: - Essa é a Perséfone. Ela é a babá do meu filho. O impacto daquela frase foi tão violento que, por um momento, tudo ao redor pareceu perder a cor. Meu coração bateu com fúria, minhas mãos suaram. "Babá? Sou a mãe dele!" Tive vontade de corrigir, mas não expressei em voz alta por medo de ser afastada de Ícaro.

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