A Babá do Bilionário: O Preço da Semelhança

A Babá do Bilionário: O Preço da Semelhança

Yana _ Shadow

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Capítulo

"Você será a babá da minha filha e fará exatamente o que eu mandar." Evelyne Mendes sabia que entrar naquele quarto mudaria sua vida, mas não esperava se tornar o objeto de uma obsessão doentia. O CEO viúvo, Cian Verran, a olha como se pudesse trazer os mortos de volta à vida, e ela está disposta a sustentar essa mentira. Na mansão luxuosa, Evelyne precisa fingir submissão enquanto o seu sangue clama por vingança. Mas cada toque de Cian é um perigo e cada olhar é uma armadilha. Enquanto o bilionário tenta reconstruir seu passado através de Evelyne, ele não sabe que a sua esposa Mariane ainda respira... e que o segredo que mantém essa família unida é mais sujo do que o chão que Evelyne costumava limpar antes de se tornar a esposa substituta.

Capítulo 1 Uma babá pra minha filha

Prólogo.

Após passar o dia fazendo as tarefas da casa, Mariane estava exausta. Ela comeu um pedaço do pão duro, tomou água e desceu para o porão.

Deitou num colchão fino sobre os paletes e se cobriu com uma colcha de retalhos. Quando finalmente fechou os olhos, foi atormentada pela mão com uma luva de película. Sempre tinha o mesmo pesadelo, mas naquela noite, ouviu uma voz feminina murmurar:

- Faça uma boa viagem, querida.

Mariane ergueu os olhos, mas a visão estava borrada; por isso, não conseguiu ver quem era.

- Não se preocupe com a sua filha. - A voz mansa ecoou enquanto Mariane tentava lutar contra o torpor dos tranquilizantes. - Prometo que vou ajudar Cian a cuidar da Maya.

Mariane moveu os lábios, mas as palavras não saíram. Logo, uma calma forçada a dominou.

Num solavanco, abriu os olhos e percebeu que o carro estava andando sozinho pela estrada acidentada. Ela se esforçou para segurar o volante e, antes da primeira curva fechada, pisou no freio. O pedal foi até o fundo, mas não funcionou.

Fazendo um esforço descomunal, empurrou a porta e então foi lançada pra fora do carro em movimento. O corpo rolou pelo mato espinhoso, batendo em pedras, enquanto o veículo continuava até cair no desfiladeiro.

Mariane estava deitada de bruços, com o sangue escorrendo por seus olhos. Ela ainda podia ver as rodas do carro girando no abismo antes da explosão final.

- Cian, cuida da Maya - pediu antes de dar o último suspiro e ser tragada pela escuridão.

De repente, Mariane despertou e deu um solavanco no colchão sujo do porão, sentando-se bruscamente no porão, que era o seu cativeiro no último ano. O suor frio escorria por seu pescoço enquanto seus olhos percorriam a volta. Sentia como se tivesse renascido das cinzas. Aquela era a chance que precisava pra consertar tudo.

- Maya! - Os batimentos cardíacos estavam agitados quando sussurrou o nome da filha.

A amnésia, que antes era uma névoa protetora, se dissipou por completo. Ela passou as mãos trêmulas pelo rosto, sentindo as cicatrizes finas que o acidente deixou em seu rosto.

- Tentaram me matar... - murmurou para as paredes úmidas enquanto lágrimas brotavam de seus olhos.

A dor da traição era imensa, mas ela só conseguia pensar na filha e no marido.

"Tenho que sair daqui", falou consigo mesma, procurando uma saída.

O que Mariane não imaginava era que o marido estava no quarto deles, tentando apagar as lembranças dela sob o peso do corpo da babá de sua filha.

─── ⋆⋅☆⋅⋆ ───

Um ano antes...

- Eu quero a mamãe! - Um berro infantil rompeu o silêncio da mansão Verran.

O som veio da ala privada, onde Evelyne Mendes não podia entrar. Ela continuou esfregando o piso da ala oeste, curvada sobre o esfregão e o balde.

- Mamãe! - Desta vez, o grito desesperado da menina fez Evelyne engolir em seco.

Ela largou o esfregão ao lado do balde e correu. A porta estava somente encostada quando Evelyne viu a garotinha.

Maya era uma menina de cinco anos e estava jogada na cama, fazendo pirraça e chutando os lençóis.

Evelyne ignorou a governanta e entrou. A sua presença capturou a atenção da pequena Maya Verran no meio de um soluço.

- Querida, o que houve? - Evelyne se aproximou lentamente.

- Estava com saudades de você, mamãe... - Ao dizer, a menina olhou Evelyne através de uma cortina de lágrimas.

Maya passou as mãos pequenas no rosto. O choro não parou, mas diminuiu de intensidade quando a mulher se sentou na beirada da cama e deu um sorriso gentil.

Por um instante, o corpo da criança relaxou. Maya se inclinou para frente, encostando a cabeça em seu ombro. Os soluços diminuíram até virarem apenas ruídos respiratórios.

Foi então que a porta se escancarou, revelando a silhueta de um homem alto. O bilionário Cian Verran usava o seu habitual terno preto feito sob medida e trazia o casaco pendurado no antebraço. Embora o rosto fosse belo, aquela cara fechada dava medo a todos que o encaravam.

Cian ficou no limiar enquanto os seus olhos cinzentos se fixaram no uniforme manchado que Evelyne usava.

Sem se intimidar com o olhar condenatório do patrão, ela ajeitou a criança na cama antes de se afastar calmamente.

- Quem te deu permissão para entrar aqui? - A voz dele era baixa, porém ríspida.

O homem irritado agarrou o braço de Evelyne e a puxou para trás com força.

"Olha ele aí!" disse ela, internamente. "Chegou na hora certa!"

- Me solta! - Ela resistiu, tentando se desvencilhar.

Evelyne levantou a cabeça para o temido chefe. A luz do abajur, suave e amarelada, iluminou o rosto anguloso e as suas pupilas de um tom azul gelo.

Cian ficou imóvel diante da intensidade daquele olhar. Os seus lábios se separaram ligeiramente, e o semblante tenebroso rachou ao ver os traços de sua nova funcionária. Ele conhecia apenas uma pessoa que era dona daquele olhar enigmático.

- Senhor, a sua filha só estava sentindo falta da mãe - comentou Evelyne, sustentando o contato visual do chefe. - Ela precisava de um pouco de carinho e atenção.

A ousadia da funcionária o perturbou mais do que a insubordinação.

- Não preciso de conselhos de uma subalterna! - Soltando o seu pulso, Cian se afastou.

Foi então que a luz atingiu novamente o perfil de Evelyne.

O pavor nos olhos de Cian foi imediato. A raiva foi substituída por uma fixação febril quando ele admirou a curva da mandíbula dela. Aquela mulher era idêntica à sua falecida esposa.

- Diga seu nome - ordenou asperamente. - Agora.

- Evelyne Mendes.

Cian olhou da funcionária para a filha que, magicamente, dormia.

- Senhor, vou demitir essa folgada hoje mesmo... - A governanta se intrometeu.

- Não! - Cian mudou de atitude bruscamente. - A partir de hoje, a Srta. Mendes será a babá da minha filha.

- Mas a agência vai mandar outra babá amanhã - insistiu a governanta.

- Então ligue e avise que já encontrei uma babá pra minha filha.

"Foi mais rápido do que eu imaginava." Os cílios de Evelyne batiam um contra o outro enquanto ela processava a decisão de Cian Verran.

- Vai dedicar todo o seu tempo à minha filha, senhorita Mendes. - Ele se inclinou, fazendo a exigência. - Se recusar a fazer o que mando, será demitida.

- Mas, senhor, ela trabalha na limpeza - disse a governanta.

Fingindo resignação, Evelyne se virou para sair, mas o homem de quase um metro e noventa de altura bloqueou o caminho.

- A partir de amanhã, você vai trabalhar como a babá da Maya - Cian avisou num tom autoritário. - Aliás, só sairá da casa se eu permitir.

Após dar uma última olhada para o rosto dela, ele ajeitou o blazer e se virou para sair. Indignada com a prepotência daquele homem, Evelyne sentiu a raiva subir por seu rosto quando ergueu o rosto e respondeu:

- Não!

- Como se atreve? - A expressão dele se transformou numa carranca sombria.

- O senhor não pode me manter presa nesta casa só porque quer me contratar como a babá da sua filha. - Ela projetou o queixo, desafiando o homem que todos temiam.

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Ao entrar na sala, eu o vi. Apolo Velentzas estava imóvel diante da janela, com os ombros largos levemente curvados. - Senta aí! - disse ele, sem me olhar. Acomodei-me no sofá e pousei minhas mãos entrelaçadas sobre os meus joelhos. - Está pensando em fugir de novo? - A voz dele soou áspera. Mantive o olhar estático, sem lhe dar a satisfação de me encarar. - Não - sussurrei. A verdade era que eu continuava tentando encontrar meios de escapar desde que pisei naquele inferno. - Da próxima vez, você nunca mais vai ver Ícaro - Apolo retrucou bruscamente. - Entendeu? - Sim. - Eu me encolhi no sofá. O contato da muleta com o chão produziu um ruído que fazia meu coração acelerar. No limiar, ele olhou sobre o ombro direito, mas não disse nada. Apenas retomou o caminho da saída, deixando-me sozinha. Certa manhã, abri a porta do quarto e lá estava Apolo, com aquele ar entediado e provocador que eu conhecia tão bem. Ele exibia a sua mais nova visitante. "Seria sua nova esposa troféu?" Ao lado dele, a mulher de pele de porcelana e cabelos platinados sorriu. A saia envelope, que realçava sua curva esguia, ia até o joelho. O blazer feminino se ajustava ao seu abdômen reto. Antes que eu pudesse sequer formular uma frase, Apolo se antecipou, roubando-me a voz e a dignidade: - Essa é a Perséfone. Ela é a babá do meu filho. O impacto daquela frase foi tão violento que, por um momento, tudo ao redor pareceu perder a cor. Meu coração bateu com fúria, minhas mãos suaram. "Babá? Sou a mãe dele!" Tive vontade de corrigir, mas não expressei em voz alta por medo de ser afastada de Ícaro.

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