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Capítulo

Primeira temporada Eduardo é um rapaz de 17 anos, maduro demais para a sua idade. Ele foca em seus estudos e sonha abrir sua própria empresa de tecnologia. Para ele, festas e sair com amigos apenas prejudica seu foco. Seus pais decidem nesse ultimo verão colocar o filho em um encontro de jovens para que ele tente ao menos curtir um pouco o fim de sua adolescência. Poderia ser a pior férias de sua vida, se não fosse a doce Ana.

ANA Capítulo 1 -1

NARRAÇÃO EDUARDO

Coloco o ultimo casaco na mala e fecho. Não acredito que estou sendo forçado pelos meus próprios pais a ir para o meio do mato e conviver por trinta dias com um bando de adolescentes idiotas perdidos no mundo. Me jogo na cama, coloco meus fones de ouvido, fecho meus olhos e me deixo levar pela pegada da minha banda preferida, Maroon5. Sinto um toque em meu peito e abro os olhos, minha mãe me encara sorrindo. Retiro os fones e me sento na cama.

- Já arrumou sua mala?

- Sim.

- Colocou blusa suficiente?

- Sim.

- Meias?

- Coloquei tudo dona Elsa Velásquez.

Ela me aperta em seus braços e solto um longo suspiro.

- Você vai gostar.

- Acho impossível.

- Eduardo, vai ter um monte de adolescentes da sua idade.

- E é por isso que acho impossível gostar. Um monte de garotos preocupados em quantidade de meninas que pegam e garotas fúteis que se acham superiores.

Ela pega a minha mão e me olha fundo nos olhos.

- Queria saber de onde vem toda essa maturidade?

- Só não gosto de conviver com essas pessoas, prefiro ficar em casa estudando para o vestibular.

- Eduardo, faltam seis meses para o vestibular e você vem se preparando para ele desde...

Está tentando não rir de mim.

- Sempre.

- Tenho metas em minha vida mãe e pretendo cumprir todas.

- E alguma delas é curtir sua vida enquanto não possui suas responsabilidades de adulto?

- Não.

Digo me levantando e colocando meu casaco com capuz.

- Um dia vai me agradecer por te forçar a ser um adolescente normal.

- Quer que eu fume e fique bêbado também?

Ela me olha brava.

- Sabe que isso não te fará bem e não precisa disso para se divertir.

- Eu sei, apenas queria que me deixasse fazer as coisas que gosto.

- Eu prometo que depois dessas férias deixo você ser esse velho que sempre foi.

Dou um pequeno sorriso e ela beija meu rosto.

- Apenas me prometa que vai se esforçar para se divertir.

- Vou tentar.

************

Paramos o carro em frente a minha escola, vejo vários alunos e pais se ajeitando na frente do ônibus. Desço do carro com a mala e vejo algumas pessoas me encararem. Devem estar se perguntando o que estou fazendo aqui se eu nunca me envolvo nesses tipos de atividade.

- Qualquer emergência nos ligue, vamos nos comunicando por carta semanal, certo?

- Certo!

- Filho, estou falando sério, é para se divertir.

- Vou tentar, mãe.

Meu pai me abraça forte.

- Tente não engravidar ninguém.

- Pode deixar.

Respondo rindo, ele sempre acha que vou sair fazendo essas coisas com todas da escola. Espero todos entrarem no ônibus e entro por ultimo buscando um lugar sozinho. Lá está a ultima poltrona vazia me esperando, longe de qualquer pessoa chata que possa me perturbar. Sento e coloco meus fones ignorando as conversas.

****************

Após algumas horas de viagem o ônibus para e vejo um enorme acampamento de verão. Isso só pode ser o inferno! O motorista abre a porta e o pessoal vai saindo sorridentes por estarem nesse fim de mundo. Espero todos descerem e saio vendo uma multidão de jovens de vários lugares. Respiro fundo e sigo o pessoal do meu ônibus.

- Olá pessoal, sou Manoel e essa é a Dora.

Diz um homem alto, loiro, olhos claros e vejo ao seu lado uma mulher baixa, pele morena e olhos de jabuticaba.

- Seremos os monitores de vocês, vamos nos unir a um grupo de jovens de Santos.

Avisa assim que um ônibus para atrás da gente. As portas se abrem e mais adolescentes sorridentes descem do ônibus.

- Pessoal de Santos, sejam bem vindos e se unam ao pessoal da cidade de São Paulo.

Manoel diz com um enorme sorriso. O que para mim antes já era enorme, agora virou uma multidão. Manoel se apresenta novamente e esclarece que seremos divididos em dois grupos. Os meninos com ele e as meninas com a Dora, que após essa divisão faremos duplas.

- Então meninas para a direita e meninos para a esquerda.

Sigo para o lado esquerdo e paro atrás de todo mundo.

- Agora cada um com sua dupla.

Observo em volta as pessoas se unirem e se Deus quiser serei o ultimo, ficarei sem par. Então alguém pula em minhas costas.

- Eu escolho você.

Um garoto loiro de olhos verdes diz sorrindo.

- Sou o João, seu novo parceiro.

- Eduardo!

Cumprimento tentando sorrir tão simpático quanto ele.

- Tímido, gosto disso! Ajuda a arranjar mulheres.

Aqui está o típico garoto que descrevi a minha mãe hoje cedo. Ele começa a falar sem parar e controlo o desejo de colocar os fones para ignorá-lo.

- De onde é?

- Centro de São Paulo.

- Sou de Santos. O que faz aqui?

- Provando aos meus pais que isso é o inferno.

Digo e ele começa a rir bem alto.

- Estou aqui por causa dela.

Aponta em direção a duas garotas conversando. Uma loira de olhos verdes estilo patricinha e a outra é morena, mas está de costas e não vejo seu rosto.

- Morena ou loira?

Pergunto sem tirar o olho das duas.

- A loira, nome dela é Clara e sou completamente apaixonado por essa garota. Pensa em uma pessoa difícil e linda.

Fala suspirando e quase posso ver os corações em torno de sua cabeça, como nos desenhos.

- A do lado dela é a Ana, sua melhor amiga. Você bem que podia ficar com ela para a Clara meio que ficar comigo.

- Nem pensar, não estou aqui para servir de distração a amiga da sua namorada.

Ele começa a rir e me abraça.

- Eu já estou te curtindo muito.

Seu sorriso é de certa forma contagiante e me pego sorrindo também.

- Você é estranho!

- Vou levar como elogio, Eduardo!

Manoel conduz os dois grupos até o meio de duas enormes cabanas.

- Esquerda ficam os meninos, direita as meninas. Terão agora trinta minutos para arrumarem suas camas, volto para levá-los para conhecer o acampamento.

Manoel grita e se afasta. Começa aquela correria de gente para dentro da cabana em busca da melhor cama e uma dessas pessoas é meu parceiro João. Vou andando devagar, mas alguém tromba comigo. Quando vejo que vai cair no chão amparo com meus braços a pessoa e a puxo para mim. Um emaranhado de cabelos escuros me abraça e assim que os fios se ajeitam em torno do rosto, posso ver os olhos mais incríveis e perfeitos do mundo. Um azul puro e encantador. Desço meus olhos e observo seus traços femininos, nariz fino e boca carnuda avermelhada. Suas sardas são encantadoras e assim que seus olhos encontram os meus ela prende o lábio inferior entre os dentes e isso me deixa ofegante.

- Obrigada!

A garota diz ainda me olhando e um lindo sorriso surge em seus lábios.

- Já pode me soltar.

Ela diz e percebo que estou com os braços envolvendo todo seu corpo.

- Me desculpa!

Digo a soltando com calma, ela sorri novamente e sinto meu coração disparar. Assim que abre a boca para falar alguma coisa, somos interrompidos.

- Vamos, Ana!

A loira do João grita pela garota que está ao meu lado.

- Estou indo, Clara!

Grita, se aproxima e apoiando em meus braços fica nas pontas dos pés, beijando em seguida meu rosto.

- Obrigada por me segurar.

Sussurra e sai em direção à amiga. Tento, mas não consigo me mexer. Sinto meu rosto queimar onde ela beijou e me pego sorrindo. Deus, que olhos são aqueles?

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