O Sabor Amargo da Traição

O Sabor Amargo da Traição

Maura Dylan

5.0
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Capítulo

Acordei no hospital, com o cheiro de desinfetante e uma dor de cabeça latejante. Ao meu lado, Pedro, o meu marido, nem sequer me olhava, absorto no telemóvel. Perguntei o que tinha acontecido e a resposta dele, vazia de carinho, foi um golpe: "Desmaiaste. A tua anemia voltou a atacar. Precisas de descansar." E logo a seguir, a frase que rasgou o pouco que restava: "Tenho de ir. A Sofia precisa de ajuda com um fornecedor." Ele saiu, deixando-me sozinha com a sopa fria e a dura realidade. Depois de anos a sacrificar a minha carreira de chef para construir o restaurante dos seus sonhos, a gerir tudo enquanto ele desfilava com a "sócia" Sofia, era assim que eu era tratada. Não era apenas a minha saúde que estava frágil, era a minha alma. Como podia ele ser tão frio? Como podia eu ter dedicado tudo a alguém que me via como uma ferramenta, dispensável e facilmente substituível? Anos de trabalho árduo, de noites sem dormir, de refeições saltadas – tudo para ser descartada sem um pingo de preocupação. Esta não era a vida que eu queria. Com as mãos a tremer, mas uma nova determinação no coração, peguei no meu telemóvel. Um divórcio. Era hora de lutar por mim. Liguei à minha irmã, Clara, e as minhas palavras foram claras: "Clara, preciso de ajuda."

Introdução

Acordei no hospital, com o cheiro de desinfetante e uma dor de cabeça latejante. Ao meu lado, Pedro, o meu marido, nem sequer me olhava, absorto no telemóvel.

Perguntei o que tinha acontecido e a resposta dele, vazia de carinho, foi um golpe: "Desmaiaste. A tua anemia voltou a atacar. Precisas de descansar." E logo a seguir, a frase que rasgou o pouco que restava: "Tenho de ir. A Sofia precisa de ajuda com um fornecedor."

Ele saiu, deixando-me sozinha com a sopa fria e a dura realidade. Depois de anos a sacrificar a minha carreira de chef para construir o restaurante dos seus sonhos, a gerir tudo enquanto ele desfilava com a "sócia" Sofia, era assim que eu era tratada. Não era apenas a minha saúde que estava frágil, era a minha alma.

Como podia ele ser tão frio? Como podia eu ter dedicado tudo a alguém que me via como uma ferramenta, dispensável e facilmente substituível? Anos de trabalho árduo, de noites sem dormir, de refeições saltadas – tudo para ser descartada sem um pingo de preocupação. Esta não era a vida que eu queria.

Com as mãos a tremer, mas uma nova determinação no coração, peguei no meu telemóvel. Um divórcio. Era hora de lutar por mim. Liguei à minha irmã, Clara, e as minhas palavras foram claras: "Clara, preciso de ajuda."

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