Não Sou Mais Sua Sobra

Não Sou Mais Sua Sobra

Gavin

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20
Capítulo

A festa de aniversário da minha sogra, Dona Celeste, era um inferno de barulho, risadas forçadas e o cheiro pesado de perfume e fritura. Eu me movia como uma autômata, oferecendo salgadinhos, enquanto meus olhos buscavam João, meu marido, e o encontravam onde ele sempre estava ultimamente: ao lado de Patrícia, minha cunhada. Eles sussurravam, riam, e a mão dele pousava com uma intimidade que nunca me era concedida. Eles eram uma bolha, um segredo, e eu, uma estranha na minha própria vida. "Maria da Graça, os copos acabaram na mesa de bebidas", a voz ríspida de Dona Celeste cortou o ar, e eu obedeci. Então, vi João se aproximar de Patrícia com duas taças de champanhe, oferecendo uma a ela com o mesmo sorriso que um dia me conquistou. Ele não me ofereceu nada, nem me olhou, como se eu fosse invisível. A dor foi uma pontada seca no peito. Mais tarde, um tio bêbado de João se sentou ao meu lado e, sem querer, revelou a verdade brutal: eu não era o amor da vida dele, mas o consolo, a substituta que apareceu na hora certa, depois que Patrícia o partiu ao meio. O mundo desabou quando, escondida, vi João segurar o rosto de Patrícia nas mãos, beijá-la com uma paixão que eu nunca havia provado e sussurrar: "Eu te amo, Patrícia. Eu sempre te amei. Você nunca devia ter ido embora." A traição era uma negação da minha existência, e minha mente se apagou, substituída por uma fúria cega. Meu filho, nosso filho, tinha sido apenas uma farsa. Quando vi Patrícia na cozinha, rindo, com meu chaveiro em forma de coração em suas mãos, dizendo que eu era a "sobra", eu soube que nada seria como antes. Eu não era mais a vítima. Aquele chaveiro, um símbolo do que eu pensava ser amor, voou para o lixo. Pela primeira vez em anos, senti um arrepio de liberdade. Maria da Graça, a ingênua, tinha morrido. E das cinzas, eu sabia que algo novo nasceria, com ou sem eles.

Introdução

A festa de aniversário da minha sogra, Dona Celeste, era um inferno de barulho, risadas forçadas e o cheiro pesado de perfume e fritura.

Eu me movia como uma autômata, oferecendo salgadinhos, enquanto meus olhos buscavam João, meu marido, e o encontravam onde ele sempre estava ultimamente: ao lado de Patrícia, minha cunhada.

Eles sussurravam, riam, e a mão dele pousava com uma intimidade que nunca me era concedida. Eles eram uma bolha, um segredo, e eu, uma estranha na minha própria vida.

"Maria da Graça, os copos acabaram na mesa de bebidas", a voz ríspida de Dona Celeste cortou o ar, e eu obedeci.

Então, vi João se aproximar de Patrícia com duas taças de champanhe, oferecendo uma a ela com o mesmo sorriso que um dia me conquistou. Ele não me ofereceu nada, nem me olhou, como se eu fosse invisível. A dor foi uma pontada seca no peito.

Mais tarde, um tio bêbado de João se sentou ao meu lado e, sem querer, revelou a verdade brutal: eu não era o amor da vida dele, mas o consolo, a substituta que apareceu na hora certa, depois que Patrícia o partiu ao meio.

O mundo desabou quando, escondida, vi João segurar o rosto de Patrícia nas mãos, beijá-la com uma paixão que eu nunca havia provado e sussurrar: "Eu te amo, Patrícia. Eu sempre te amei. Você nunca devia ter ido embora."

A traição era uma negação da minha existência, e minha mente se apagou, substituída por uma fúria cega. Meu filho, nosso filho, tinha sido apenas uma farsa.

Quando vi Patrícia na cozinha, rindo, com meu chaveiro em forma de coração em suas mãos, dizendo que eu era a "sobra", eu soube que nada seria como antes. Eu não era mais a vítima.

Aquele chaveiro, um símbolo do que eu pensava ser amor, voou para o lixo.

Pela primeira vez em anos, senti um arrepio de liberdade. Maria da Graça, a ingênua, tinha morrido. E das cinzas, eu sabia que algo novo nasceria, com ou sem eles.

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Eu era a herdeira rebelde de um império, mas secretamente, era o brinquedo de Fabrício Rolim, o homem contratado pelo meu pai para me "disciplinar". Por dois anos, fui sua amante, sua "Minha Joia", acreditando em seu amor tortuoso. Tudo desmoronou quando descobri a verdade: ele me usava como vingança contra meu pai, enquanto seu verdadeiro amor era minha recém-descoberta meia-irmã, Jessica. Ele e meu pai se uniram para me humilhar. Leiloaram o colar da minha mãe, a única lembrança que eu tinha dela, e Fabrício deixou Jessica destruí-lo na minha frente. Ele gravou nossos momentos íntimos para me chantagear e até me entregou à polícia para ser espancada. "Você é minha, Taisa! Minha!", ele gritou, desesperado, quando tentei fugir. Mas a dor me deu clareza. Eu não era mais a vítima. Grávida e presa em sua ilha particular, fingi submissão. Usei seu amor pelo nosso filho e sua arrogância para planejar minha fuga. Agora, com o motor da lancha roncando sob a escuridão, eu finalmente estava livre, deixando para trás o homem que me quebrou e carregando a única coisa que importava: meu filho e minha liberdade. Para o mundo, eu era Taisa Leitão, a herdeira rebelde e radiante de um império do agronegócio. Por trás das portas fechadas, eu era "Minha Joia", um segredo guardado por Fabrício Rolim, o homem que me possuía todas as noites. O contraste entre essas duas vidas era tão gritante quanto a luz do sol e a escuridão.

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