A Decepção do Marido, o Despertar da Esposa

A Decepção do Marido, o Despertar da Esposa

Gavin

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Capítulo

Esta foi a terceira vez que tentei me matar. Em todas elas, meu cunhado, Davi Almeida, me encontrou e me salvou. Mas então, eu encontrei o relógio dele, um Patek Philippe que eu havia encomendado para o meu marido, Heitor, que todos presumiam estar morto em um acidente de avião. A gravação na parte de trás dizia: "H&H, Para Sempre". Meu coração parou. Por que Davi estava com o relógio de Heitor? Um pavor gélido tomou conta de mim. Eu precisava saber. Precisava descobrir a verdade. Saí cambaleando do meu quarto de hospital e ouvi vozes na sala de espera. Era Karina, a noiva grávida de Davi, e uma voz masculina que eu conhecia melhor que a minha própria. Era a voz de Heitor. Espiei pela quina da parede. "Davi" segurava Karina em seus braços. "Heitor, e se ela descobrir?", Karina sussurrou. "E se ela perceber que você não é o Davi?" "Ela não vai", disse Heitor, sua voz fria e indiferente. "A dor dela é profunda demais. Ela vê o que quer ver." O homem que me salvou do suicídio, o homem que eu pensava ser meu cunhado, era meu marido. Meu marido, vivo. E ele me viu sofrer, me deixou afogar na dor, tudo pela noiva de seu irmão morto. Meu mundo inteiro tinha sido uma mentira. Uma piada cruel e doentia. Mas então, um novo pensamento, frio e afiado, cortou minha dor. Uma fuga. Eu seria forte o suficiente para destruí-lo.

Capítulo 1

Esta foi a terceira vez que tentei me matar. Em todas elas, meu cunhado, Davi Almeida, me encontrou e me salvou.

Mas então, eu encontrei o relógio dele, um Patek Philippe que eu havia encomendado para o meu marido, Heitor, que todos presumiam estar morto em um acidente de avião. A gravação na parte de trás dizia: "H&H, Para Sempre". Meu coração parou. Por que Davi estava com o relógio de Heitor?

Um pavor gélido tomou conta de mim. Eu precisava saber. Precisava descobrir a verdade. Saí cambaleando do meu quarto de hospital e ouvi vozes na sala de espera. Era Karina, a noiva grávida de Davi, e uma voz masculina que eu conhecia melhor que a minha própria. Era a voz de Heitor.

Espiei pela quina da parede. "Davi" segurava Karina em seus braços. "Heitor, e se ela descobrir?", Karina sussurrou. "E se ela perceber que você não é o Davi?" "Ela não vai", disse Heitor, sua voz fria e indiferente. "A dor dela é profunda demais. Ela vê o que quer ver."

O homem que me salvou do suicídio, o homem que eu pensava ser meu cunhado, era meu marido. Meu marido, vivo. E ele me viu sofrer, me deixou afogar na dor, tudo pela noiva de seu irmão morto.

Meu mundo inteiro tinha sido uma mentira. Uma piada cruel e doentia. Mas então, um novo pensamento, frio e afiado, cortou minha dor. Uma fuga. Eu seria forte o suficiente para destruí-lo.

Capítulo 1

Esta foi a terceira vez que tentei me matar.

A primeira vez, usei soníferos. A segunda, cortei meus pulsos. Em todas elas, meu cunhado, Davi Almeida, me encontrou e me salvou.

Desta vez, eu estava na varanda da mansão da família Almeida, o vento chicoteando meu cabelo no rosto. A queda era longa.

No momento em que eu ia pular, um braço forte envolveu minha cintura e me puxou para trás.

A voz de Davi estava rouca de exaustão. "Helena, pare com isso."

Acordei no quarto branco e estéril de um hospital. O cheiro de desinfetante encheu meu nariz.

A porta se abriu e Davi entrou, seu rosto tenso e cansado. Karina Andrade, sua noiva grávida, o seguia, com a mão protetoramente sobre a barriga.

"Helena, quantas vezes mais?", a voz de Davi era baixa, cheia de um cansaço que me cortou profundamente. "Heitor se foi. Você tem que aceitar."

Eu encarei o teto, em silêncio. Minha garganta estava apertada demais para falar.

Karina deu um passo à frente, sua voz suave e gentil. "Helena, estamos todos de luto. Mas você precisa pensar em nós também. O Davi está exausto. Eu estou grávida. Não podemos continuar passando por isso."

Eu permaneci em silêncio. As palavras deles eram apenas ruído, desaparecendo no fundo da minha imensa dor.

Davi estendeu a mão como se fosse tocar meu ombro, mas a deixou cair. Ele suspirou, um som de completa derrota.

"Apenas descanse um pouco, Helena."

Ele se virou e saiu do quarto, com Karina logo atrás, de mãos dadas com ele. A porta se fechou com um clique, me deixando sozinha no silêncio.

Foi quando a dor me atingiu novamente, um peso físico pressionando meu peito.

Meus olhos vagaram para a janela. Lá fora, um grande ipê se erguia contra o céu, suas folhas balançando ao vento.

Lembrei-me de um dia com Heitor, meu marido, debaixo daquela mesma árvore. Fizemos um piquenique.

Ele havia descascado uma laranja cuidadosamente para mim, garantindo que tiraria toda a parte branca, porque sabia que eu odiava.

Outra vez, ele encheu nosso quarto com centenas de gardênias, minha flor favorita, só porque eu tive um dia ruim na galeria de arte.

Lágrimas escorriam silenciosamente pelo meu rosto.

Como uma vida tão cheia de amor e felicidade pôde se transformar nesta existência vazia e cinzenta?

O noticiário disse que seu avião particular havia caído nas montanhas. Uma tempestade repentina.

Encontraram apenas um sobrevivente: seu irmão mais novo, Davi. Heitor, o célebre gênio da tecnologia, meu marido, foi dado como morto.

Eu não conseguia aceitar. Eu não aceitaria.

O mundo sem Heitor era um mundo sem cor, sem sentido. Eu tentei segui-lo.

A vida era inútil agora.

Um impulso repentino me moveu. Eu tinha que sair daquela cama, daquele quarto.

Quando balancei as pernas para o lado da cama, meu pé bateu em algo no chão. Era um paletó masculino. Davi devia ter deixado.

Abaixei-me para pegá-lo, e algo pesado no bolso deslizou e caiu no chão com um baque surdo. Um relógio.

Meu coração parou.

Eu conhecia aquele relógio. Era um Patek Philippe que eu encomendei para o aniversário de 30 anos de Heitor. Levei dois anos e uma viagem a uma igreja histórica em Ouro Preto para conseguir que um mestre artesão abençoasse o metal.

Meus dedos tremeram quando o peguei.

Na parte de trás, a gravação personalizada era inconfundível: "H&H, Para Sempre."

Meu corpo inteiro começou a tremer. Por que Davi estava com o relógio de Heitor? O relógio que Heitor nunca tirava.

Um pavor gélido tomou conta de mim. Eu precisava saber. Precisava descobrir a verdade.

Levantei-me e saí do quarto, minhas pernas instáveis.

No corredor, ouvi vozes vindas de uma sala de espera vazia. Parei, escondida pela quina da parede.

"...não acredito que ela tentou de novo. Ela é tão frágil." Era a voz de Karina, mas sem a gentileza de antes. Era afiada, irritada.

"Ela é mais forte do que você pensa", respondeu uma voz masculina. Uma voz que eu conhecia melhor que a minha.

Meu sangue gelou. Meu corpo ficou completamente imóvel.

Era a voz de Heitor.

Espiei pela quina. "Davi" estava de costas para mim, segurando Karina em seus braços.

"Heitor, e se ela descobrir?", Karina sussurrou, com a cabeça em seu peito. "E se ela perceber que você não é o Davi?"

"Ela não vai", disse Heitor, sua voz fria e indiferente. "A dor dela é profunda demais. Ela vê o que quer ver. E era isso que o Davi teria querido. Ele me pediu para cuidar de você e do bebê."

"Eu só me preocupo", murmurou Karina, aninhando-se mais perto. "Não posso perder você nem esta vida."

Lágrimas embaçaram minha visão, silenciosas e quentes.

Voltei cambaleando para o meu quarto, com a mão pressionada contra a boca para abafar um soluço.

O homem que me salvou do suicídio, o homem que eu pensava ser meu cunhado, era meu marido. Meu marido, vivo.

E ele me viu sofrer. Ele me deixou afogar na dor, acreditando que eu era uma boneca frágil que ele podia manipular. Tudo pela noiva de seu irmão morto.

Caí na cama, os soluços finalmente se libertando, crus e agonizantes. Meu mundo inteiro tinha sido uma mentira. Uma piada cruel e doentia.

Meu celular, sobre a mesa de cabeceira, tocou de repente. Olhei para ele, minhas lágrimas parando por um momento. Era minha mãe.

Atendi, minha voz um sussurro rouco.

"Helena, querida? Você está bem? Fiquei sabendo o que aconteceu."

Eu não conseguia falar, apenas ouvia sua voz preocupada.

"Helena, eu sei que é difícil ouvir isso", disse ela cautelosamente, "mas talvez... talvez seja hora de pensar em seguir em frente. Você ainda é jovem."

Eu estava em silêncio, minha mente girando com a traição.

"Daniel Campos ligou de novo", minha mãe continuou, sem saber da bomba que estava jogando. "Ele tem perguntado por você há meses. Ele é um homem tão bom, Helena. Tão bem-sucedido. E a família dele está planejando se mudar para a Europa permanentemente."

Europa. Longe daqui. Longe deste inferno.

Um novo pensamento, frio e afiado, cortou minha dor. Uma fuga.

"Mãe", eu disse, minha voz surpreendentemente firme.

"Sim, querida?"

"Diga ao Daniel que eu o verei."

Minha mãe ficou em silêncio por um momento, atordoada. "Sério? Helena, você tem certeza?"

"Tenho certeza", eu disse, minha voz dura como aço. "Diga a ele que estou pronta para recomeçar. Mas ele tem que cuidar de tudo. Os papéis do divórcio, a mudança. Tudo."

Desliguei antes que ela pudesse me questionar mais.

Meus olhos caíram sobre o relógio em minha mão. A gravação brilhava na luz fraca. "H&H, Para Sempre."

Uma risada amarga escapou dos meus lábios.

O para sempre tinha acabado.

Você queria que eu fosse forte, Heitor? Pensei, meus dedos se apertando ao redor do relógio. Tudo bem. Eu serei. Forte o suficiente para te destruir.

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