Uma Mentira Perfeita: Sua Esposa de Boneca

Uma Mentira Perfeita: Sua Esposa de Boneca

Mi Lu

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Capítulo

Eu era uma arquiteta brilhante, supervisionando o projeto dos meus sonhos, até que um incêndio no 45º andar transformou minha vida em cinzas. Eu salvei um homem, mas, em troca, as chamas levaram meu rosto e meu futuro, me deixando um monstro desfigurado. Então ele apareceu como um salvador - Caio Lacerda, o genial cirurgião plástico por quem eu era secretamente apaixonada há anos. Ele prometeu me restaurar. Prometeu me proteger. Ele até se casou comigo. Depois de dois anos de cirurgias dolorosas, no dia em que as últimas ataduras foram retiradas, ele me entregou um espelho. O rosto que me encarava era o de uma linda estranha. Ele me mostrou a foto de uma influenciadora, uma mulher chamada Jade. "Meu único e verdadeiro amor", ele disse, com um olhar sonhador. Eu havia sido esculpida em sua réplica perfeita. Seu plano era monstruoso. Eu deveria ser a dublê de corpo dela, um escudo vivo para protegê-la de escândalos. "Você é minha obra-prima", ele disse friamente. "Você me deve." Eu encarei o homem com quem me casei, o homem que prometeu me salvar. Ele ameaçou divulgar fotos do meu rosto queimado se eu desobedecesse. Ele não era meu salvador; era meu criador e meu carcereiro. Meu reflexo zombava de mim. Eu não era mais Alina Matos. Eu era uma cópia, uma falsificação presa em uma gaiola de ouro construída sobre a obsessão dele. E eu não tinha saída.

Uma Mentira Perfeita: Sua Esposa de Boneca Capítulo 1

Eu era uma arquiteta brilhante, supervisionando o projeto dos meus sonhos, até que um incêndio no 45º andar transformou minha vida em cinzas. Eu salvei um homem, mas, em troca, as chamas levaram meu rosto e meu futuro, me deixando um monstro desfigurado.

Então ele apareceu como um salvador - Caio Lacerda, o genial cirurgião plástico por quem eu era secretamente apaixonada há anos. Ele prometeu me restaurar. Prometeu me proteger. Ele até se casou comigo.

Depois de dois anos de cirurgias dolorosas, no dia em que as últimas ataduras foram retiradas, ele me entregou um espelho. O rosto que me encarava era o de uma linda estranha.

Ele me mostrou a foto de uma influenciadora, uma mulher chamada Jade. "Meu único e verdadeiro amor", ele disse, com um olhar sonhador.

Eu havia sido esculpida em sua réplica perfeita.

Seu plano era monstruoso. Eu deveria ser a dublê de corpo dela, um escudo vivo para protegê-la de escândalos. "Você é minha obra-prima", ele disse friamente. "Você me deve."

Eu encarei o homem com quem me casei, o homem que prometeu me salvar. Ele ameaçou divulgar fotos do meu rosto queimado se eu desobedecesse. Ele não era meu salvador; era meu criador e meu carcereiro.

Meu reflexo zombava de mim. Eu não era mais Alina Matos. Eu era uma cópia, uma falsificação presa em uma gaiola de ouro construída sobre a obsessão dele. E eu não tinha saída.

Capítulo 1

Meu nome é Alina Matos, e eu era uma arquiteta brilhante. Eu amava as linhas limpas do aço contra o céu azul, o peso sólido do concreto, a planta que prometia um futuro. Eu estava supervisionando os estágios finais da torre principal do Grupo Lacerda, um projeto que era meu mundo inteiro.

Meu mundo também incluía Caio Lacerda.

Ele era o herdeiro do império Lacerda, mas havia escolhido um caminho diferente. Era um cirurgião plástico genial, um homem que esculpia a perfeição com as mãos. Eu tinha uma queda por ele desde a faculdade. Era uma paixão silenciosa e sem esperança que eu guardava para mim. Ele era uma estrela, e eu era apenas alguém que trabalhava para a empresa de sua família.

Naquele dia, o ar cheirava a poeira e calor. Eu estava no 45º andar, fazendo uma verificação final. Um homem de terno simples parecia perdido, olhando nervosamente para a fiação exposta.

"Senhor, esta área é restrita", eu disse, caminhando em sua direção.

Ele deu um pulo, assustado. "Eu... acho que estou no andar errado."

Antes que eu pudesse guiá-lo para fora, ouvi um estalo agudo. Depois, um grito. O cheiro de plástico queimando encheu o ar. Uma parede de fogo irrompeu pelo corredor, cortando a saída.

O pânico me dominou. Mas o homem ao meu lado estava paralisado de terror. Eu não podia deixá-lo.

"Por aqui!", gritei, puxando-o em direção a um corredor de serviço que eu sabia que tinha uma porta corta-fogo.

Nós arrebentamos a porta bem no momento em que as chamas lambiam nossos calcanhares. Eu o empurrei na minha frente. Uma viga de metal em brasa caiu, atingindo minhas costas e o lado do meu rosto. A dor foi instantânea e cegante. Então, tudo ficou escuro.

Acordei com o cheiro estéril de um hospital. Meu corpo era uma paisagem de dor. Gaze cobria metade do meu rosto, meu pescoço, meus braços. Eu era um monstro. Minha carreira, meu futuro, tudo virou cinzas. Parei de me olhar no espelho. Parei de falar com meus amigos. Eu desisti.

Então, ele veio.

Caio Lacerda entrou no meu quarto particular, parecendo um deus em seu terno sob medida. Eu o tinha visto na TV, em revistas, mas nunca tão de perto. Ele era mais bonito pessoalmente.

Seus olhos, de um cinza frio e sério, avaliaram minhas ataduras.

"Alina Matos", ele disse. Sua voz era calma, um bálsamo suave para meus nervos em frangalhos. "Eu sou Caio Lacerda. A empresa da minha família assume total responsabilidade pelo que aconteceu. E eu... eu pessoalmente vou cuidar de você."

Eu apenas o encarei, incapaz de formar palavras.

Ele puxou uma cadeira para perto da minha cama. Não se encolheu com a visão horrível das minhas queimaduras. Ele me visitava todos os dias. Falava comigo sobre arquitetura, sobre meus projetos, sem nunca mencionar meu rosto arruinado. Ele me tratava como uma pessoa, não como uma vítima.

Ele me disse que havia revisado meu arquivo, que se lembrava de mim de um evento da empresa anos atrás. Disse que estava impressionado com meu talento. Era mentira, eu sabia que tinha que ser, mas eu queria desesperadamente acreditar.

Uma tarde, ele segurou minha mão não ferida. Seu toque era quente.

"Eu vou consertar isso, Alina", ele prometeu. "Eu vou te restaurar. Vou te deixar linda de novo."

Ele era um cirurgião plástico de renome mundial. Estava me oferecendo esperança quando eu não tinha nenhuma. Comecei a chorar, soluços feios e convulsivos.

Ele não se afastou. Apenas segurou minha mão com mais força. "Estarei com você em tudo. Em cada passo."

Ele usou sua experiência profissional para explicar os procedimentos. Enxertos de pele, tratamentos a laser, cirurgia reconstrutiva. Ele fez tudo parecer um projeto, uma planta arquitetônica para um novo rosto. O meu rosto.

Eu estava apavorada com mais dor, com o bisturi. Mas a alternativa era viver assim para sempre, uma casca do que eu fui. Caio era minha única saída.

Eu finalmente sussurrei: "Eu confio em você."

No dia anterior à minha primeira grande cirurgia, ele me pediu em casamento. Ajoelhou-se ao lado da minha cama de hospital, um anel de diamante na mão que brilhava mais do que qualquer futuro que eu pudesse imaginar para mim.

"Case-se comigo, Alina", ele disse, a voz embargada de emoção. "Deixe-me passar o resto da minha vida compensando você por isso. Deixe-me proteger você."

Parecia um sonho. O homem que eu adorava em segredo por anos estava me pedindo para ser sua esposa. Eu disse sim. Nos casamos em uma cerimônia silenciosa no hospital duas semanas depois.

O ano seguinte foi um borrão de cirurgias e recuperação. Caio estava sempre lá, paciente e gentil. Ele controlava minha dor, trocava meus curativos e me dizia que eu estava ficando mais bonita a cada dia. Eu me apaixonei completamente por ele.

Depois que as últimas ataduras foram retiradas, dois anos após o incêndio, ele me entregou um espelho. Eu hesitei.

Minha mão tremeu ao levantá-lo. O rosto que me encarava não era o meu. Era uma estranha. Uma estranha linda, com simetria perfeita, maçãs do rosto altas e olhos grandes, amendoados. Era um rosto impecável.

Mas não era eu.

Então Caio me mostrou uma foto em seu celular. Era uma mulher, uma influenciadora com milhões de seguidores. O nome dela era Jade Sales.

Ela tinha exatamente o mesmo rosto que o do espelho.

"Quem é essa?", perguntei, minha voz um sussurro oco.

"Jade", ele disse, um olhar estranho e sonhador em seus olhos. "Meu amor de infância. Meu único e verdadeiro amor."

O quarto começou a girar. O ar ficou rarefeito.

"O que você fez?"

"Ela está voltando para São Paulo em breve", ele continuou, sua voz agora fria e distante, o calor desaparecido. "Ela é o rosto de uma nova campanha do Grupo Lacerda."

Ele finalmente olhou para mim, seus olhos como lascas de gelo. "A imagem dela precisa ser perfeita. Protegida. Ela não pode ter nenhum escândalo."

"Escândalos?", engasguei, uma compreensão horrível surgindo em mim.

"Existem pessoas que querem machucá-la, manchar sua reputação", disse ele. Ele deu um passo mais perto, sua presença de repente ameaçadora. "É aí que você entra, Alina. Você se parece exatamente com ela agora. Você será ela."

Eu tropecei para trás, batendo na parede. "Você... você me usou."

"Eu te salvei", ele corrigiu friamente. "Eu te dei uma nova vida. Um novo rosto. Você me deve."

"Você prometeu", sussurrei, a memória de seus votos na capela do hospital se transformando em veneno em minhas veias. "Você prometeu me proteger."

"Eu estou protegendo o que é importante", disse ele. "Estou protegendo a Jade."

Ele deixou claro. Eu era uma substituta. Uma dublê de corpo. Um escudo.

"Você é um monstro", cuspi, meu rosto novo e desconhecido se contorcendo em um rosnado.

"E você é minha obra-prima", ele respondeu, um sorriso fraco e cruel em seus lábios. "Você é a Sra. Lacerda. Você fará o que eu digo. Ou eu mostrarei ao mundo as fotos de antes. A verdadeira você. A arquiteta queimada que ninguém queria. Você acha que alguém vai te contratar então? Você acha que alguém vai sequer olhar para você?"

Eu encarei o homem com quem me casei, o homem que eu pensei que amava. Ele era um completo estranho.

Meu reflexo no espelho zombava de mim. Eu não era mais Alina Matos. Eu era uma cópia, uma falsificação, vivendo em uma gaiola de ouro construída sobre mentiras.

E eu não tinha saída.

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