Dr. Oliver Jones é considerado uma lenda na medicina. Cirurgião cardiotorácico de renome internacional, premiado e respeitado no mundo inteiro, ele vive para a profissão. Aos 42 anos, construiu uma carreira impecável no Memorial Hospital, em Nova York, ensinando gerações de novos médicos e salvando vidas diariamente. Mas nada o preparou para a chegada de Emma Carter, uma residente brilhante de 22 anos, dedicada, talentosa e obstinada, que cruza seu caminho de forma inesperada. Entre plantões, cirurgias e noites insones no hospital, Oliver e Emma se envolvem em uma relação proibida e intensa, desafiando não só as regras éticas do ambiente médico, mas também os próprios limites emocionais. Ele, marcado por um divórcio traumático e uma vida dedicada à medicina. Ela, disposta a provar seu valor e deixar sua marca no mundo. Quando o bisturi não está em suas mãos, Oliver precisa aprender a lidar com algo que não se controla: o coração. Juiz Gostoso CHEFE E ESTAGIÁRIA - ELE SE APAIXONA PRIMEIRO - BEBÊ SECRETO - HOT DE MILHÕES - GAROTA VIRGEM. Ele é poder, controle e perigo. Ela é paixão, mistério e entrega. Entre segredos que podem destruir tudo, Clara e Thomas se rendem a um desejo que desafia regras, consumindo-os em um amor intenso, obscuro e inesquecível. Algumas paixões... são para sempre. Delegado Gostoso AMOR PROIBIDO - ENEMIES TO LOVERS - PRIMEIRO AMOR - AMIGOS DE INFÂNCIA - SEGUNDA CHANCE Isabella e Ryan se conhecem desde sempre, mas o destino parece sempre conspirar contra o amor deles. Ela, intensa e determinada, carrega sonhos, medos e segredos que ameaçam sua felicidade. Ele, delegado respeitado e comprometido com a justiça, é ao mesmo tempo protetor, apaixonado e incansável, disposto a enfrentar qualquer perigo para mantê-la a salvo. Entre investigações perigosas, inimigos que não medem esforços e perdas dolorosas, eles descobrem que o amor verdadeiro é mais forte que qualquer obstáculo. Entre sorrisos, lágrimas e momentos de pura paixão, Isabella e Ryan aprendem que se entregar ao outro é correr riscos - mas também é a única forma de sobreviver e ser feliz. Uma história de romance, suspense e entrega, onde o amor e a coragem se entrelaçam, mostrando que, mesmo nos momentos mais sombrios, a luz do coração pode iluminar o caminho.
A maioria dos médicos treme as mãos no início da carreira. Outros perdem a firmeza no meio do caminho, quando se dão conta do peso real do que fazem. Quando entendem que, de fato, estão segurando uma vida entre os dedos. E alguns tremem quando percebem que já não têm mais nada a provar.
Eu nunca tremi, e aos 42 anos, meu nome já é quase um sinônimo do Memorial Hospital de Nova Iorque.
Não apenas pelos prêmios, pelas publicações ou pelas cirurgias que ninguém mais quer fazer. Mas porque o meu sobrenome está cravado nessas paredes. Sou filho de Edward Jones, o fundador e presidente do Memorial.
Ele transformou esse hospital em um império. Tornou-se uma lenda no mundo da saúde privada. E agora, como era de se esperar, quer que eu continue o legado.
O problema? Eu não quero.
Meu pai sonha em me ver vestindo um terno, sentado à frente do conselho administrativo, liderando contratos milionários, aumentando lucros e cuidando da imagem do hospital.
Mas eu não nasci para isso. Sentado atrás de uma mesa de vidro, observando os outros operarem, enquanto eu apenas assino papéis?
Não. Meu lugar é dentro da sala de cirurgia. Ali, eu respiro.
- Pinça de DeBakey - pedi, com a voz baixa, firme e sem desviar o olhar do campo operatório.
O instrumento pousou na minha mão com precisão.
O metal gelado encaixou-se entre meus dedos como se fosse uma extensão do meu corpo.
Nem precisei erguer a cabeça para saber quem estava do outro lado. As mãos dos residentes sempre tremem quando operam comigo. Eles sabem exatamente quem eu sou. Sabem o que eu exijo.
O tórax do paciente estava aberto, o coração parado, ligado à máquina de circulação extracorpórea.
As artérias frágeis, milimetricamente expostas sob o feixe de luz do foco cirúrgico.
Respirei fundo, mais um caso delicado, mais um procedimento que outros hospitais recusaram.
E, como sempre, ele veio parar na minha mesa, é assim há anos.
O relógio avançava e eu nem percebia o tempo passar. Minhas mãos costuravam as artérias com movimentos automáticos, treinados por milhares de horas.
Cada ponto dado era uma linha traçada entre a vida e a morte, quatro horas depois, terminei a última sutura. Soltei o ar preso nos pulmões e recuei um passo.
- Fechem, por favor.
A equipe soltou o ar quase em coro, como se todos estivessem esperando por aquele momento. Eu, como sempre, mal prestei atenção nos rostos, não costumo fazer isso. Não crio laços. Não tenho tempo. No corredor, ainda ajustando a máscara no pescoço e tirando as luvas, dei de cara com meu pai.
O paletó sob medida, a gravata sem um vinco, o olhar calculista de sempre. Ele se colocou no meio do meu caminho, bloqueando a passagem.
- Oliver - disse, com aquele tom que não deixa espaço para ignorar.
Passei as mãos pelo cabelo, tentando controlar o cansaço.
- Pai, agora não. Acabei de sair da cirurgia.
- Exatamente por isso precisamos conversar - a voz dele soou firme, impaciente - você está adiando o inevitável.
- Não estou adiando nada. Só não quero o que você quer pra mim.
Ele cruzou os braços, o rosto impassível.
- Você precisa assumir o hospital, Oliver. Já passou da hora.
Soltei um suspiro longo e me escorei na parede fria do corredor.
- Meu lugar não é atrás de uma mesa. Eu salvo vidas, pai. Não quero ser CEO. Quero ser cirurgião.
Ele me encarou com os olhos duros, frios como aço.
- Você não vai operar para sempre. Vai chegar o momento em que as suas mãos vão cansar. E quando esse dia chegar, quero que esteja preparado para o próximo passo.
- E até lá? Quer que eu me aposente antes da hora? - O silêncio dele respondeu por si.
Os olhos de Edward sempre foram os mesmos: calculistas, estratégicos e frios.
- O Memorial é o nosso legado, Oliver. E você é o único capaz de continuar isso. Não se esqueça do seu sobrenome.
Olhei para ele sem piscar, eu sei exatamente quem eu sou, mas também sei quem não quero ser, me afastei, sem dizer mais nada, o som dos meus passos ecoando pelo piso do hospital foi a única resposta que dei.
Fui direto para o refeitório. Meu ritual pós-cirurgia é sempre o mesmo: café preto, sem açúcar, sem conversa.
A cafeteria estava cheia, médicos em grupos, residentes comentando casos do dia, as vozes misturadas ao tilintar dos talheres.
Mas, naquela tarde, algo fez meu corpo parar, perto da janela, sozinha, havia uma residente que eu nunca tinha visto antes.
Os cabelos castanhos presos de qualquer jeito, o jaleco desalinhado, e um caderno aberto sobre a mesa. Ela mordia a tampa da caneta com tanta concentração que parecia alheia ao barulho ao redor.
O sol entrava pelas vidraças e tocava o rosto dela, realçando a curva da mandíbula, a testa franzida, os olhos intensos correndo pelas linhas da folha.
Meu primeiro impulso foi desviar o olhar, mas não desviei, e provavelmente era do primeiro ano da residência. Jovem. Muito jovem.
Mesmo assim, havia nela uma segurança rara. Uma fome de fazer a diferença.
Eu reconheço esse tipo de olhar.
De repente, ela ergueu os olhos, e nossos olhares se encontraram por dois segundos ou talvez três.
Ela não desviou, mas eu sim. Peguei meu café e me sentei no canto mais afastado da sala, tentando afastar aquela imagem da cabeça.
Mas não consegui, naquele instante, percebi exatamente o que me incomodava:
Ela me tirou do eixo, e eu sequer sabia o nome dela. Não ainda.
***
O resto do meu dia passou, mas minha cabeça não acompanhou.
Atendi alguns pacientes no consultório particular do hospital, revisei laudos, dei um parecer em dois casos cirúrgicos de colegas.
Participei de uma reunião rápida, com o comitê ético sobre um protocolo novo.
Fiz tudo no automático. A verdade é que, em cada intervalo, minha mente voltava para a mesma cena: a menina da janela.
Residente nova, provavelmente do primeiro ano. Vinte e poucos anos, no máximo.
Aquela concentração absurda nas anotações, o jeito como mordia a tampa da caneta, os olhos escuros que não recuaram quando eu os encarei.
E o pior: a sensação de que ela sabia exatamente o que estava fazendo quando não desviou.
Era como se ela tivesse me desafiado em silêncio. Saí do hospital já no começo da noite.
A cidade lá fora estava úmida, típica de Nova Iorque no início de outono. As ruas iluminadas, o movimento de táxis, buzinas, pessoas apressadas. Tudo do jeito que sempre foi.
Caminhei até meu prédio com o corpo cansado, mas a cabeça acesa demais para relaxar.
Meu apartamento fica no décimo oitavo andar da Park Avenue. Duas coberturas por andar, um silêncio que contrasta com o caos do hospital. Gosto disso. Me isola.
Toquei no bolso do paletó, procurando as chaves, e entrei no saguão já pensando em um banho quente e um copo de uísque.
Chamei o elevador. As portas se abriram e entrei sozinho, mas, quando as portas começaram a se fechar, uma voz cortou o silêncio.
- Espera! Segura, por favor!
Instintivamente, estiquei o braço e pressionei o botão de abertura. As portas travaram.
Vi uma silhueta vindo em minha direção, apressada, quase tropeçando nos próprios pés.
Ela entrou no elevador ofegante, ajeitando a alça da mochila no ombro. Quando ergueu o rosto, eu soube na hora.
Era ela, a mesma residente do refeitório. Por um instante, o tempo pareceu travar.
O som do mundo lá fora sumiu. Ficamos apenas nós dois, dentro daquele espaço pequeno demais. Os olhos dela encontraram os meus de novo, e, dessa vez, algo passou entre nós. Um tipo de energia que eu não costumo sentir, tensão, desejo contido, aquela linha tênue entre o proibido e o inevitável.
Minhas mãos ainda seguravam a porta do elevador, embora ela já estivesse dentro.
Ela respirava rápido, talvez pela corrida, talvez por outra coisa.
- Obrigada - disse, e sua voz soou mais baixa do que o normal, quase rouca.
- Sem problema - respondi, soltando o botão.
As portas se fecharam, e quando olhei para o painel, notei o número iluminado 18, o mesmo andar que o meu, dois apartamentos por andar.
Merda.
Ficamos em silêncio durante a subida, o espaço era pequeno demais. O ar parecia denso demais, a distância entre nós era quase nula, senti o perfume suave dela, algo fresco, limpo, que grudou na minha memória. Ela ajeitou a mochila nas costas, e eu percebi as mãos dela levemente trêmulas. Mas não era nervosismo de medo, era o mesmo tipo de tensão que estava me corroendo por dentro. Quando as portas abriram, ela deu um passo à frente. Eu segui atrás.
Virou-se de leve, com um meio sorriso desconcertado, como quem sabe que aquilo é estranho, mas não consegue evitar, e eu também não consegui.
E foi ali, no corredor vazio do décimo oitavo andar, que tive certeza: aquilo não era coincidência, era o começo de um problema, ou, talvez, de algo ainda maior.
EMMA CARTER
O primeiro dia da residência deveria ser memorável. E foi.
Acordei antes do despertador, o estômago embrulhado, o coração batendo mais rápido do que deveria. Coloquei o jaleco branco pela primeira vez como médica e respirei fundo antes de sair de casa.
No Memorial Hospital, tudo parecia maior do que eu lembrava nas visitas da faculdade. O saguão lotado, os elevadores indo e vindo, as pranchetas nas mãos dos médicos.
Sentei na terceira fileira da sala de conferência, tentando parecer confiante. O jaleco novo pinicava o pescoço, o crachá pesava no bolso do peito. Fingir segurança era meu exercício secreto.
Quando o professor entrou, não era o homem que todos esperavam.
O Dr. Hanks ajeitou os óculos no rosto, pigarrou, e falou com a autoridade de quem sabe exatamente onde pisa.
- Bom dia, residentes. Hoje quem faria essa aula seria o Dr. Oliver Jones, mas ele está no centro cirúrgico, resolvendo uma emergência.
O murmúrio começou imediatamente. Todo mundo conhecia o nome dele. O cirurgião mais famoso do hospital. Talvez da cidade. Talvez do país.
Oliver Jones é o tipo de médico que carrega o peso do impossível nas costas. As histórias sobre ele passam de boca em boca, quase como lendas.
A primeira cirurgia cardíaca sem suporte de circulação extracorpórea. O transplante que ninguém mais aceitou. O salvador da vida de um político importante em pleno voo.
E, claro, o filho do dono do hospital, mas o que eu sabia mesmo era que ele não gostava de ser chamado de herdeiro.
O Dr. Jones gosta do centro cirúrgico, não da sala da presidência. Dizem que isso irrita o pai dele, que o quer no comando da cadeira administrativa.
Depois da aula, sentei sozinha no refeitório. Abri o caderno de anotações e comecei a escrever sem parar, tentando reter tudo o que tinha ouvido naquela manhã.
Estava tão concentrada que só percebi quando a cafeteria silenciou por um instante.
Ele tinha entrado: Oliver Jones atravessava os lugares como se não precisasse pedir licença. O jaleco fechado até o último botão, os ombros retos, o olhar sério.
Ele foi direto à máquina de café, e eu deveria ter desviado o olhar.
Mas não desviei quando nossos olhos se encontraram, alguma coisa parou dentro de mim, por alguns segundos, mas o efeito ficou em mim.
O resto do dia foi automático. Passei o plantão pensando no olhar dele, tentando me convencer de que não era nada, que eu estava cansada, que isso era normal. Mas não era. Quando o turno acabou, voltei pra casa, exausta.
Lembrei que precisava comprar comida e desci até o mercado da esquina, rezando para conseguir terminar o dia sem pensar mais nele.
Voltei correndo, pois o vento gelado da noite cortava os braços. Cheguei no prédio, vi o elevador quase fechando.
- Espera! Segura, por favor! - as portas travaram.
Entrei apressada, ajeitando a mochila no ombro, tropeçando no próprio pé, levantei o rosto e o choque veio.
Era ele: O Dr. Jones, ali, no mesmo elevador que eu.
O olhar dele percorreu meu rosto, desceu pelo meu corpo, voltou para os meus olhos, senti a pele formigar, apertei o número 18, o botão já estava aceso.
O mesmo andar que o meu, duas coberturas por andar. Um vizinho, então.
O elevador subiu devagar demais, o silêncio entre nós pesava, o ar parecia outro, minhas mãos seguravam a alça da mochila com força, tentando disfarçar o tremor.
Ele também estava tenso, eu percebi, e quando as portas se abriram, saí primeiro.
Ele veio logo atrás, virei o rosto, esbocei um sorriso sem graça, os olhos dele me acompanharam.
Entrei no apartamento, ainda com o coração acelerado, fechei a porta atrás de mim e encostei as costas na madeira por alguns segundos, tentando normalizar a respiração.
A cena do elevador passava na minha cabeça como um filme em looping.
Droga.
- Tá tudo bem com você? - a voz da minha amiga cortou meus pensamentos.
Levantei os olhos e dei de cara com a Júlia me olhando do sofá. Ela segurava uma taça de vinho e me observava com um sorriso de canto, como quem sabe mais do que deveria.
- Tô bem - menti, forçando um sorriso.
- Bem? - Ela arqueou uma sobrancelha, cruzando as pernas sobre a almofada. - Você tá vermelha, Emma. Parece que saiu correndo da academia ou... sei lá.
Desviei o olhar e fui até a cozinha pegar um copo d'água.
- Nada demais. Só estou cansada. Primeiro dia de residência, lembra?
Ela riu baixo, pegando o celular do colo.
- Vou sair com o Caio. A gente vai no barzinho da esquina. Quer ir?
Balancei a cabeça, recusando.
- Hoje não. Preciso dormir cedo, o semestre mal começou e eu já tô exausta.
Júlia me encarou mais um pouco, como se quisesse cavar alguma coisa da minha expressão, mas soltou um suspiro resignado.
- Tá bom, certinha. Fica aí. Se mudar de ideia, me manda mensagem.
Acenei com a mão enquanto ela saía, escutando a porta bater com suavidade.
Sozinha no apartamento, fui direto para o banho.
A água quente caiu sobre o corpo, mas não levou embora o pensamento que martelava na minha mente: Oliver Jones.
A cena no elevador, os olhos dele grudados nos meus, a tensão que ficou pairando no ar, tudo reaparecia como uma tatuagem mental.
Fechei os olhos sob o chuveiro, tentando controlar a imaginação, mas era inútil. O rosto dele surgia em detalhes. A voz grave, o cheiro leve de hospital misturado com algo mais masculino, mais quente.
Quando saí do banheiro, enrolei a toalha por alguns minutos, parada no meio do quarto.
Acabei vestindo uma das minhas camisolas curtas, aquelas que cobrem o suficiente para não ser indecente, mas deixam quase tudo à mostra. Era confortável. E, sinceramente, eu não estava pensando direito no que fazia.
Abri a porta do quarto e fui até o parapeito da varanda do corredor, aquele espaço comum entre os apartamentos da cobertura.
O céu de Nova Iorque estava limpo, apesar do frio. As estrelas brilhavam mais do que o normal, e o vento gelado arrepiava minha pele.
Fechei os braços ao redor do corpo, mas não voltei pra dentro, queria respirar e esquecer, ou talvez quisesse exatamente o contrário.
Foi quando ouvi uma voz baixa, próxima, falando ao telefone, virei o rosto, devagar.
Ele estava ali. Oliver Jones, encostado na grade do lado oposto, segurando um copo de uísque.
Usava apenas uma calça de moletom escura, sem camisa, o peito largo subia e descia de forma ritmada, os músculos desenhados como se tivessem sido esculpidos à mão.
Os cabelos estavam penteados pra trás, ainda úmidos, provavelmente do banho que tinha acabado de tomar.
A bebida girava devagar entre os dedos dele, os olhos fixos no horizonte, até que me viu.
O olhar dele encontrou o meu, e, por alguns segundos, ninguém disse nada.
O tempo congelou e o ar entre nós pareceu ainda mais frio e, ao mesmo tempo, mais quente.
Minha camisola estava grudada na pele, por causa do vento, revelando mais do que escondia, ele não desviou e eu também não. Os olhos de Oliver desceram pelo meu corpo, subiram de volta para o meu rosto, e permaneceram ali, presos nos meus, ficamos assim, apenas encarando, sem palavras ou máscaras.
E eu soube, naquele instante, que a linha entre o certo e o errado acabava de desaparecer.
Oliver desligou o telefone, os olhos ainda cravados nos meus.
Guardou o celular no bolso da calça, o copo de uísque girando devagar na mão, como se aquilo o distraísse da tensão real que estava no ar.
O peito nu subia e descia de maneira lenta, os músculos desenhados, os cabelos molhados brilhando sob a luz do corredor.
Ele não disse meu nome, mas eu sabia que ele sabia.
- Tá frio pra isso, não acha? - A voz dele finalmente cortou o silêncio, baixa, grave, carregada de algo que eu não sabia nomear.
Minha boca abriu, mas nenhuma resposta saiu.
O ar estava pesado demais, o vento gelado batia nas minhas pernas nuas, mas o calor que crescia dentro de mim era mais forte do que o frio da noite.
Quando ele deu um passo em minha direção, pensei que fosse falar mais alguma coisa.
Mas não falou. Uma voz feminina ecoou de dentro do apartamento dele, alta o suficiente para cortar o momento em dois.
- Amor? Cadê você?
A palavra atravessou minha pele como um choque, e antes que eu pudesse reagir, uma mulher apareceu na varanda ao lado.
Linda, loira, maquiada como se fosse para uma festa de gala. Brincos de brilhantes pendiam das orelhas, um vestido de cetim dourado deixava parte do colo à mostra, revelando o tipo de corpo que a gente vê em capas de revista.
Ela sorriu, ignorando minha presença como se eu fosse invisível.
- Ah, tá aqui! - disse, se aproximando de Oliver, apoiando-se no parapeito ao lado dele, os dedos com unhas vermelhas, tocando de leve o ombro dele. - Vem pra dentro, amor. Tá frio.
Oliver permaneceu em silêncio, o olhar dele continuava no meu, e, por algum motivo que eu não sabia explicar, isso doeu mais do que se ele tivesse desviado. Minha garganta fechou, as bochechas queimaram, quis rir de mim mesma. Ou desaparecer.
Sem dizer uma palavra, me virei e voltei devagar para dentro do apartamento.
Fechei a porta atrás de mim, mas o coração continuava lá fora, exposto, batendo no meio da varanda.
E o pior? A parte de mim que deveria estar aliviada por aquilo ter sido interrompido...
Não estava.
Capítulo 1 Doutor Gostoso - Oliver Jones
11/01/2026
Capítulo 2 Doutor Gostoso - Oliver Jones
11/01/2026
Capítulo 3 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 4 Doutor Gostoso - Oliver Jones
11/01/2026
Capítulo 5 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 6 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 7 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 8 Doutor Gostoso - Oliver Jones
11/01/2026
Capítulo 9 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 10 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 11 Doutor Gostoso - Oliver Jones
11/01/2026
Capítulo 12 Doutor Gostoso - Emma Carter
11/01/2026
Capítulo 13 Doutor Gostoso - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 14 Doutor Gostoso - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 15 Doutor Gostoso - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 16 Doutor Gostoso - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 17 Doutor Gostoso - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 18 Doutor Gostoso - Epílogo - Emma Carter
18/01/2026
Capítulo 19 Juiz Gostoso - Prólogo - Clara Bennett
18/01/2026
Capítulo 20 Juiz Gostoso - Thomas Jones
18/01/2026
Capítulo 21 Juiz Gostoso - Thomas Jones
18/01/2026
Capítulo 22 Juiz Gostoso - Thomas Jones
18/01/2026
Capítulo 23 Juiz Gostoso - Clara Bennett
18/01/2026
Capítulo 24 Juiz Gostoso - Clara Bennett
18/01/2026
Capítulo 25 Juiz Gostoso - Clara Bennett
18/01/2026
Capítulo 26 Juiz Gostoso - Clara Bennett
18/01/2026
Capítulo 27 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 28 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 29 Juiz Gostoso - Clara Bennet
21/01/2026
Capítulo 30 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 31 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 32 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 33 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 34 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 35 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 36 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 37 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 38 Juiz Gostoso - Thomas Jones
21/01/2026
Capítulo 39 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
Capítulo 40 Juiz Gostoso - Clara Bennett
21/01/2026
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