Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja

Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja

Arthur Souza

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Capítulo

Caio Moretti sempre conseguiu tudo com dinheiro. Empresas, alianças, silêncio. Até tentar comprar a empresa de Helena Duarte, e receber um "não" público, frio e definitivo. Helena não precisa dele. Não quer o império dele. E muito menos aceita ser tratada como parte de uma negociação. O problema é que Caio não sabe perder. E Helena não sabe fingir indiferença. Entre guerras corporativas, provocações afiadas e uma atração impossível de ignorar, Caio descobre que desejo não se compra... e que a mulher que o enfrenta é a única capaz de fazê-lo cair. Primeiro o orgulho. Depois o coração.

Capítulo 1 O Preço de Tudo (e de Nada)

O reflexo no vidro fumê do quinquagésimo andar da Avenida Faria Lima não mostrava apenas um homem, mas um monumento à eficiência. Caio Moretti ajustou o nó da gravata de seda italiana com a precisão de um cirurgião. Para ele, São Paulo não era uma cidade, era um tabuleiro de xadrez onde as peças eram feitas de asfalto, aço e ambição. O relógio de edição limitada em seu pulso marcava o ritmo da metrópole lá embaixo, um formigueiro humano que ele, do alto de seu império, acreditava controlar com um simples estalar de dedos ou uma transferência bancária de nove dígitos.

Ele se sentia o arquiteto do destino alheio, um homem que havia aprendido cedo que o mundo se dividia entre aqueles que dão ordens e aqueles que as recebem por falta de fôlego financeiro.

A manhã começara com relatórios de performance que fariam qualquer investidor chorar de gratidão. O Grupo Moretti estava em sua fase mais agressiva, espalhando seus tentáculos por setores que iam da logística à inteligência de dados. A joia da coroa que faltava para consolidar sua hegemonia tecnológica era a DuarteTech. Não que a empresa fosse a maior do mercado, mas era a mais refinada. Helena Duarte havia construído algo que Caio cobiçava visceralmente: uma arquitetura de sistemas que antecipava falhas antes mesmo delas existirem. Para Caio, a DuarteTech era uma peça de engenharia magnífica que estava nas mãos de alguém que, em sua visão distorcida pela arrogância, apenas guardava o lugar para o verdadeiro dono. Ele não via Helena como uma parceira ou uma concorrente à altura; via-a como uma vendedora que ainda não havia entendido que o xeque-mate já fora dado.

- O helicóptero está pronto, senhor Moretti - anunciou Marcos, seu assistente pessoal, entrando na sala com a discrição de uma sombra. - O evento de tecnologia no Transamérica começa em quarenta minutos. A imprensa já está a postos.

Caio apenas assentiu, pegando seu paletó. Ele gostava do peso do tecido sobre os ombros, era sua armadura moderna. No caminho para o heliponto, ele folheava mentalmente o contrato de aquisição. O valor oferecido estava trinta por cento acima do valor de mercado. Era uma proposta indecente de tão generosa, o tipo de oferta que não se discute, se aceita com um aperto de mão trêmulo e um suspiro de alívio. Ele estava acostumado com o brilho de ganância nos olhos dos CEOs que engolia; esperava encontrar o mesmo nos olhos de Helena Duarte.

O voo sobre a capital paulista foi breve, mas suficiente para que Caio reforçasse sua sensação de onipotência. Ele olhava para os prédios, as antenas e o tráfego parado, sentindo-se acima de toda aquela fricção mundana. Para ele, tudo ali tinha um código de barras invisível. Quando o helicóptero pousou e ele desembarcou sob o som das pás cortando o ar, a energia do evento de tecnologia pareceu gravitar em sua direção. Homens de negócios em ternos sob medida e jovens prodígios em camisetas de algodão egípcio abriam caminho. Caio Moretti não caminhava, ele avançava.

O auditório principal estava lotado. No palco, o painel sobre o futuro da infraestrutura digital brasileira reunia as mentes mais brilhantes do setor. No centro, sentada com uma postura que exalava uma calma perturbadora, estava Helena Duarte. Ela vestia um terninho de corte impecável, azul-marinho, e os cabelos castanhos estavam presos em um coque baixo, austero e elegante ao mesmo tempo. Caio sentou-se na primeira fila, cruzando as pernas e permitindo que um sorriso de canto de boca surgisse. Ele gostava do que via. Helena tinha uma dignidade que parecia desajustada àquele ambiente de egos inflados. Era uma pureza operacional que ele pretendia anexar ao seu currículo.

A mediadora do painel, uma jornalista influente, conduzia a conversa para o impacto das grandes fusões. Caio percebeu que era o momento perfeito. Ele não esperaria por uma sala de reuniões fechada e estéril. Ele queria o espetáculo. Queria que o mercado visse o momento em que a DuarteTech se ajoelharia diante do Grupo Moretti. Quando a palavra foi aberta para intervenções dos convidados de honra, ele se levantou, a voz projetada com a autoridade de quem nunca precisou gritar para ser ouvido.

- O progresso é inevitável, e a eficiência é a única linguagem que o futuro entende - começou Caio, sentindo o flash das câmeras se voltarem para ele. - Por isso, diante de todos os presentes, gostaria de formalizar o que o mercado já sussurra. O Grupo Moretti depositou esta manhã uma oferta final e definitiva pela DuarteTech. É um valor que não apenas reconhece o trabalho de Helena, mas que garante que sua criação alcance escalas globais sob meu comando. Helena, você construiu um navio magnífico, mas ele precisa de um oceano maior. E eu sou esse oceano.

Um murmúrio correu pelo auditório. Era uma jogada agressiva, até para os padrões de Caio. Ele permaneceu de pé, esperando o aceno, o sorriso forçado de quem acaba de se tornar multibilionária. Ele esperava o protocolo da capitulação. No entanto, o que encontrou foi o silêncio. Helena Duarte não se mexeu. Ela não desviou o olhar, não consultou advogados próximos, nem mesmo pareceu surpresa. Ela apenas se inclinou levemente para o microfone, e o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer oferta financeira que ele pudesse fazer.

- O senhor Moretti tem uma percepção fascinante sobre o oceano - disse Helena, sua voz soando cristalina, sem o menor traço de hesitação ou intimidação. - Mas ele esquece que o oceano, apesar de vasto, é frequentemente barulhento e destrutivo. A DuarteTech não é um navio à procura de um dono, senhor Moretti. É uma fundação. E fundações não são vendidas para quem apenas deseja decorar o topo do edifício.

Caio sentiu uma leve contração no maxilar. O sorriso não caiu, mas endureceu.

- Helena, sejamos pragmáticos. O valor que ofereci compra dez DuarteTechs. Ninguém em sã consciência recusaria a oportunidade de sair do jogo no topo, com os bolsos cheios e a honra intacta.

Helena levantou-se lentamente. Ela era mais baixa que ele, mas, naquele palco, parecia olhar para baixo.

- É aí que reside o seu erro, Caio. Você acredita que a honra tem um preço de saída. Você acredita que tudo o que eu construí, as noites em claro, a ética de dados que defendemos e o suor de cada um dos meus desenvolvedores, pode ser traduzido em dígitos numa conta em Zurich. Minha empresa não é um ativo de liquidação. Ela é a minha extensão. E, pelo que vi da forma como o Grupo Moretti trata suas subsidiárias, transformando inovação em burocracia e pessoas em engrenagens descartáveis, eu não venderia para você nem por dez vezes esse valor.

- Você está sendo emocional - atacou Caio, a voz agora um tom mais baixa, perigosa. - E o mercado não perdoa o emocionalismo. Amanhã, suas ações vão refletir a sua obstinação. Eu posso tornar a sua vida muito difícil, Helena.

- O senhor pode tentar comprar o mercado, pode tentar cercar meus fornecedores, pode até tentar me silenciar com sua influência - ela deu um passo à frente, chegando à borda do palco, os olhos cravados nos dele com uma intensidade que o fez, pela primeira vez em anos, sentir um desconforto térmico sob o paletó caro. - Mas há algo que o seu dinheiro nunca sentiu o cheiro, e isso se chama integridade. A DuarteTech permanece independente porque não estou à venda. E como o senhor gosta tanto de declarações públicas, aqui vai a minha: não perca mais o seu tempo ou o meu. A resposta é e sempre será não.

O auditório explodiu em um burburinho de choque e admiração contida. Helena deixou o palco sem olhar para trás, a coluna ereta, deixando Caio Moretti parado no meio da primeira fila, transformado de predador em espetáculo. Ele sentiu o calor subir pelo pescoço. Não era apenas a rejeição; era a forma como ela o havia desarmado, expondo a nudez de sua arrogância diante de seus pares. O "não" dela não soou como uma negociação para aumentar o preço. Soou como uma sentença.

Marcos aproximou-se cautelosamente, percebendo a tensão muscular no chefe.

- Senhor, a imprensa está tentando se aproximar... Quer que eu limpe o caminho?

- Saia daqui - sibilou Caio, os olhos fixos na porta por onde Helena acabara de sair.

Ele saiu do auditório por uma rota lateral, o som de seus próprios passos ecoando como batidas de um tambor de guerra em sua mente. No fundo, uma faísca de algo que ele não conseguia identificar - talvez raiva, talvez uma curiosidade mórbida - começou a queimar. Ele estava acostumado a vencer pelo cansaço ou pelo excesso, mas Helena Duarte acabara de lhe mostrar que havia uma fortaleza que o ouro não conseguia escalar. O poder dele, que sempre fora sua bússola, parecia de repente uma ferramenta cega em um mundo de cores que ele não conseguia enxergar.

Ao entrar no carro blindado que o esperava na saída, Caio soltou o nó da gravata. O tecido que antes parecia uma armadura agora parecia apertar seu pescoço. Ele olhou para as próprias mãos e percebeu que elas estavam levemente fechadas em punhos. Ele sempre acreditara que o preço de tudo era apenas uma questão de quantos zeros se colocava no papel. Helena, com sua recusa pública e glaciar, havia acabado de sugerir que ele possuía o preço de tudo, mas o valor de absolutamente nada. A humilhação ardia, mas o desejo de ver aquela mulher se render sob sua vontade era agora uma sombra que pretendia cultivar com a paciência de quem sabe que, no final, o oceano sempre acaba por engolir a terra. O jogo, para Caio, não havia terminado; ele estava apenas irritado por ter descoberto que a única peça que realmente importava no tabuleiro tinha vontade própria.

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