/0/16648/coverorgin.jpg?v=715ec1a381e0529d2ab09e91a449ba56&imageMogr2/format/webp)
Capítulo 1
O som dos sapatos de Mark Darkmoor ecoava pelo saguão da Dark Enterprises, como um relógio antigo que jamais se atrasava. Cada passo parecia fazer o ambiente enrijecer. Os funcionários o observavam em silêncio.
Mark era um homem idoso. Os cabelos prateados, perfeitamente penteados, denunciavam o tempo. As rugas profundas no rosto não o enfraqueciam; ao contrário, davam-lhe um ar mais severo. Alto, de ombros largos, postura impecável, exalava uma força que não combinava com sua idade aparente. Havia algo nele que desafiava a lógica... e ninguém ousava comentar.
Todos sabiam que Mark Darkmoor não envelhecia como um homem comum. Ele era diferente; alto demais para a idade, ereto, corpulento, nada parecido com um senhor na casa dos oitenta anos.
Enquanto ele avançava pelo salão envidraçado, perguntas surgiam nas mentes mais ousadas.
Quem administraria o império Dark quando ele morresse?
Quem herdaria aquelas empresas que atravessaram gerações?
Mark ignorava os olhares. Seus sentidos captavam o desconforto, a curiosidade e o medo.
Ao chegar ao elevador privativo, as portas abriram automaticamente. Ele entrou, seu segurança entrou logo atrás, calado, atento, como uma sombra fiel.
O elevador subiu em completo silêncio por alguns segundos.
- Precisa de alguma coisa, senhor? - perguntou o segurança, ao notar o semblante fechado do chefe.
Mark manteve os olhos fixos à frente. O reflexo mostrava um homem velho... mas seus olhos escuros permaneciam vividos.
- Preciso de um herdeiro - respondeu, com a voz grave e controlada.
Fez uma breve pausa, sentindo o peso da própria existência.
- Este corpo está velho demais.
O segurança engoliu seco, sem coragem de responder. Ficou se perguntando se o chefe apesar de estar inteiro para a idade, ainda era viril.
A porta do elevador abriu no andar executivo. Mark saiu primeiro, o segurança permaneceu a uma distância calculada.
Minutos depois, em sua sala, acomodou-se na poltrona de couro escuro atrás da mesa maciça, apoiando as mãos fortes sobre o tampo polido.
A porta foi aberta em seguida.
- Bom dia, senhor Darkmoor - disse a mulher de cabelos grisalhos presos em um coque impecável, entrando com um tablet nas mãos.
Ela era Eleanor, sua secretária havia décadas. Ninguém ali lembrava exatamente quando começou a trabalhar para ele. Assim como Mark, ela parecia resistir ao tempo.
- Bom dia, Eleanor - respondeu, sem levantar os olhos.
Ela aproximou-se da mesa e começou a ditar os compromissos da agenda:
- Às nove, reunião com o conselho financeiro. Às onze, videoconferência com os acionistas europeus. O almoço foi cancelado, conforme o senhor solicitou. Às quinze, análise dos relatórios de expansão...
Mark apenas assentia, absorvendo cada detalhe sem interrompê-la.
- E há mais um ponto - acrescentou ela, erguendo o olhar. - O setor de Recursos Humanos concluiu ontem a contratação da nova secretária executiva.
Mark ergueu os olhos surpreso.
- Já?
- Sim, senhor. Ela começa hoje mesmo.
Houve um breve silêncio.
- Prossiga.
Eleanor consultou o tablet.
- Está tudo em ordem. Currículo impecável. Recomendada diretamente pelo RH. - Fez uma pequena pausa. - Ela deve se apresentar em alguns minutos.
Mark encostou-se na cadeira, entrelaçando os dedos. As vezes achava que o conhecia bem... Outras... Tinha suas dúvidas.
- Muito bem - disse ele, por fim. - Avise que pode entrar assim que chegar.
Eleanor assentiu, lançou um olhar breve antes de sair.
Sozinho, fechou os olhos por um instante e quando os abriu seus olhos pareciam mais negros e famintos.
A porta da sala foi aberta novamente, alguns minutos depois.
- Senhor Darkmoor, a nova secretária chegou - anunciou Eleanor.
- Pode entrar - respondeu Mark, sem desviar o olhar da janela.
Eleanor deu um passo para o lado e Elena entrou.
Ela era morena de cabelos cacheados. Vestia-se de forma impecável. Ele virou-se lentamente e olhou para ela com certa curiosidade.
- Bom dia, senhor Darkmoor.
Ele levantou-se da cadeira. Aproximou-se alguns passos, observando cada detalhe sem disfarçar.
- Elena Lancaster - murmurou ele, lendo o nome no tablet que Eleanor lhe entregou. - Pontual.
/0/19241/coverorgin.jpg?v=925b79e32a3bf4dfdb39a33374b0a994&imageMogr2/format/webp)
/0/2988/coverorgin.jpg?v=558e845983e4ddcf14bf34f733514762&imageMogr2/format/webp)
/0/18805/coverorgin.jpg?v=7d66f0a92b6f2a51869e2951b4f12afb&imageMogr2/format/webp)
/0/2885/coverorgin.jpg?v=54e82c3c1905abef4e5c92963f84d349&imageMogr2/format/webp)
/0/17690/coverorgin.jpg?v=674310078640f6e6431895dc066a9cba&imageMogr2/format/webp)
/0/5650/coverorgin.jpg?v=e04aaa0bef1177993c2a7cb7480f6086&imageMogr2/format/webp)
/0/3822/coverorgin.jpg?v=af8798d740cdc14ee5ee9b28f0c5b7e7&imageMogr2/format/webp)
/0/2978/coverorgin.jpg?v=a24b18cf4301ef9c3af43c6f405b91ce&imageMogr2/format/webp)
/0/6676/coverorgin.jpg?v=75d4057dbbb680ffabbb8626580a6d12&imageMogr2/format/webp)
/0/3021/coverorgin.jpg?v=dbe2c656b7811c31990447484073bf4d&imageMogr2/format/webp)
/0/2413/coverorgin.jpg?v=222def919882e4e2867027ab50802f1c&imageMogr2/format/webp)
/0/9812/coverorgin.jpg?v=696a84e0b58eee7728272d1ea7d96463&imageMogr2/format/webp)
/0/8818/coverorgin.jpg?v=4d357005d90021916de089c2229be1f9&imageMogr2/format/webp)
/0/3153/coverorgin.jpg?v=60f93c234e1235daa3807e820109a8f5&imageMogr2/format/webp)
/0/17257/coverorgin.jpg?v=1584aa154b576a785af5f3c12ba1ef65&imageMogr2/format/webp)
/0/18417/coverorgin.jpg?v=e4fb0742b6f68665a3d4836a23f3a373&imageMogr2/format/webp)
/0/11369/coverorgin.jpg?v=c1df1bcd0d93cc85bf495c9430d1f759&imageMogr2/format/webp)
/0/9932/coverorgin.jpg?v=7ae456167e83107b4a755aeb62d99727&imageMogr2/format/webp)
/0/7938/coverorgin.jpg?v=4136f11092f6ced1f9991382eabbc7c8&imageMogr2/format/webp)