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Natali chora e soluça, um desespero contido de uma criança que ainda não tem certeza de nada em sua vida. Mas algo estranho havia acontecido, era uma debutante ainda e, por descobrir muitas coisas boas no decorrer do caminho, não estava imune às ocorrências falhas dessa caminhada.
Sentia-se desamparada pela própria emoção. Está sentada em um banco feito de cimento em frente de sua casa, dentro uma aglomeração incomum, vizinhos e curiosos. Talvez sentindo pesares pelo ocorrido, ou simplesmente a vontade de ter certeza da novidade.
Seu irmão, Jairo, havia saído no final da tarde para jogar bola, seu costume de todos os dias depois de realizar tarefas e deveres de casa. Ele sonha ainda ser um grande jogador de futebol, o que não é difícil de acontecer, é um ótimo jogador.
Naquele dia, o retorno habitual de Jairo não acontecera. Já era quase noite, sua falta ainda não havia sido sentida, até mesmo por saber que, apesar da pouca idade — apenas doze anos — Jairo era sempre responsável.
Alguém chama no portão da casa de Natali, é o pai de um amigo de Jairo, estava esbaforido, não se sabe se pela correria para chegar até ali, ou pelo teor da notícia.
Natali vai até ao portão, o senhor de olhar sisudo e um pouco desesperado, pergunta:
Sua mãe tá em casa?
– Sim, ela está.
– Quero falar com ela, vá chamar, por favor.
Natali encarou aquele homem, era apenas um conhecido da outra rua, pai de um amigo de Jairo. Era pressente em seu olhar um condutor de más notícias. Era a primeira vez que aquele homem vinha ao portão da sua casa. Imediatamente, Natali vê no semblante daquele senhor a revelação de decepção. Em passos lentos, vai chamar sua mãe.
Dona Joelma, uma mulher de meia idade que, ainda conservava uma vistosa beleza, foi admirada pelo senhor por alguns segundos... logo a notícia é dada sem aviso prévio:
– Seu filho Jairo foi levado ao hospital!
Joelma demora acreditar em uma notícia assim tão rápida. Seu filho sempre teve uma saúde boa, o que o levaria assim, de prontidão, ao hospital?
– Seu moço, o que aconteceu com meu filho?
– Eu posso entrar e me sentar naquele banco?
– Pode!
O senhor entra, se senta no banco onde Natali costuma sentar para pensar. Ele olha para Joelma que permanecera em pé, começa a relatar a história como o seu filho o havia contado:
– Jairo estava jogando bola no campinho, como de costume. Terminaram a partida, regressando para casa, às margens do campinho, Jairo achou um dinheiro, uma nota não muito alta, mas que dava para comprar pão. Todos foram pra padaria, compraram alguns pães e refrigerante, sentaram ali mesmo na calçada, dividiram os pães e o refrigerante, e lancharam. Sobraram ainda dois pães. Jairo, então, resolveu dividir entre todos, fatiando um pedaço para cada um. Estavam a caminho de casa enquanto essa divisão acontecia, mas, Jairo não percebeu que ele e outro garoto ficaram sem pão. Se conformou, afinal, já haviam comido o suficiente. Mas o garoto que também não recebeu o pão ficou com muita raiva e começou a ofender Jairo que, por sua vez, o ignorou, e continuou caminhando.
Joelma já um pouco ansiosa com aquele relato enfadado, disse:
– Moço, o que aconteceu com meu filho?
– Estou tentando lhe contar, pois, se eu não relatar, a senhora não entenderá.
– Pois diga logo, seu moço!
– O garoto ficou mais irado ainda por que Jairo não deu atenção às ofensas. Meteu a mão no bolso e foi atrás de Jairo que estava de costas. Ao chegar perto de Jairo, segurou em seu braço, quando Jairo se virou, num súbito, o garoto puxou a mão do bolso, bateu no peito de Jairo com alguma coisa, e logo começou a sangrar.
Joelma muita aflita com o relato:
– Onde está meu filho?
– Ele está no hospital.
Natali ouve todo o relato sem mencionar uma única palavra, mas já pressentia o pior.
Joelma chora, nervosa, querendo saber o que realmente teria acontecido com seu filho. O senhor também fica nervoso e gagueja palavras sem entendimento. Os vizinhos curiosos vão se aglomerando frente à casa.
Natali imagina com curiosidade, pois, parece já ter vivido aquela situação anteriormente, nada do que estava acontecendo era surpresa para ela.
Precisou falar algo para ver se sua mãe se recuperava:
– Calma mãe, Jairo está bem!
Então, por um instante, Joelma volta a si.
– Tá não, Natali! Mataram Jairo, meu menino!
Natali, no seu íntimo, prevê que a situação é mais do que um simples acontecimento e, Joelma sente também de alguma forma. Era o destino funcionando de maneira traiçoeira, dando informações do mais além que se tornariam decepções permanentes... Joelma só repete:
– Mataram meu filho, furaram meu filho!
– Não, mãe, não mataram. Ele tá vivo! Conta, moço, que ele tá vivo!
Natali segura o braço do homem, apelando para que ele desse uma boa notícia e, dessa forma, Joelma se acalmasse. Ele continua o relato, mas Joelma não presta mais atenção em nada do que ele fala:
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