Tonny Romano reivindicou Angelina Rossi diante de todos, com o vestido dela manchado de sangue. O casamento deveria encerrar uma antiga guerra entre suas famílias. O que Tonny não sabia era que, por trás da aparência delicada, Angelina havia sido treinada para destruí-lo. Obrigados a dividir o mesmo teto, eles transformam ódio em desejo, desconfiança em obsessão e vingança em uma aliança perigosa. Ela deveria ser sua ruína. Ele decidiu torná-la sua rainha. Mas quando a verdade vier à tona, apenas um dos dois sairá desse casamento com o coração intacto.
Tonny Romano
"O sangue é a única assinatura que não precisa de testemunhas."
O noivo de Angelina Rossi ainda sorria quando puxei o gatilho. O disparo engoliu a música da orquestra.
A bala atravessou o peito dele com a precisão que eu esperava, interrompendo o movimento da mão que vinha na minha direção. O sorriso desapareceu. Os olhos se arregalaram. O corpo permaneceu de pé por um segundo, talvez dois, como se ainda não tivesse entendido que já estava morto.
Então desabou sobre o mármore branco.
O sangue se espalhou sob ele, lento e escuro, alcançando a ponta dos sapatos de Angelina.
Durante um breve instante, ninguém se moveu.
A primeira taça caiu no chão.
O cristal se despedaçou.
Depois, o inferno começou.
E então, o inferno se abriu.
- ELE MATOU O NOIVO!
- MEU DEUS, ALGUÉM FAÇA ALGUMA COISA!
- ABAIXEM-SE!
- CHAMEM OS GUARDAS!
Pratos se espatifaram. Cadeiras viraram. Mulheres gritavam. Algumas tentavam proteger os filhos, outras desmaiavam. Homens sacavam armas, mas hesitavam ao me ver. Ninguém queria ser o segundo.
A orquestra parou abruptamente. O maestro abandonou a batuta.
Pânico e caos ao redor e no meio de tudo, ela.
Angelina.
Ela estava imóvel, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. O sangue do noivo escorrendo até tocar a barra do vestido. E, mesmo assim, ela se manteve em pé.
As mãos dela estavam cerradas ao lado do corpo. O peito arfava sob o tecido justo. Os olhos estavam arregalados. Mas havia algo contido ali, feroz e silencioso. Orgulho ferido. Raiva crua. Afinal ela me conhecia, era minha inimiga, eu era um Romano e ela uma Rossi.
Me aproximei ainda mais e a multidão se abriu, como se minha simples presença empurrasse o ar. Ninguém ousava me impedir.
Ela me encarou.
- Seu noivo está morto. - murmurei, a voz baixa, firme. - E agora, você é minha.
Os olhos dela se arregalaram por um instante. A mandíbula se tensionou. Vi o momento exato em que ela reprimiu o impulso de me atacar.
- Você é um monstro. - a voz dela saiu falha, mas ainda assim cheia de veneno. -Vá para o inferno.
- Já estive lá. - retruquei com um meio sorriso. - E voltei por você.
Ela deu um passo para trás, esbarrando em uma mulher que corria. As costas encostaram contra a parede, mas ela se manteve firme.
- Isso não te faz forte. - cuspiu. - Te faz doente. Um animal.
- Isso me faz necessário. - respondi. - E quanto ao noivo ele era só um peão e morreu como tal.
Ela oscilava entre a fúria e a incredulidade. O queixo trêmulo, os olhos marejados, mas sem chorar. Angelina não era o tipo de mulher que se curvava, mas logo ela mudaria.
- Vai me arrastar agora? - disse com desdém. - Vai me exibir como troféu, como se isso provasse algo?
- Não. Ainda não. - aproximei meu rosto do dela. - Mas vai lembrar desse momento. Porque é aqui que sua liberdade morre. E o que nasce é a minha esposa.
Ela ergueu a mão, tomada pela raiva, pronta para me acertar. Mas não chegou a me tocar. Em um segundo, seu pulso já estava preso na minha mão. O golpe morreu no ar.
- Você não me conhece. - sussurrou. - E nunca vai me dominar.
- Estou curioso para ver até onde sua resistência vai. E o que sobra depois dela. - Soltei seu pulso, vendo o tremor de seu corpo.
Um som de bengala ecoou pelo salão silencioso.
Mario Rossi.
O velho vinha mancando, pálido, olhos injetados de desespero.
- Isso é guerra, Romano?! - a voz dele cortou o ar, tensa. - Você enlouqueceu?!
Me aproximei devagar. Peguei o envelope no bolso interno do paletó, contendo o que precisava e deixei cair aos pés dele, como um aviso escrito em sangue.
- É o fim dela. Todos aqui sabem que para cessar uma Faida é necessário sangue. O último a cair foi um Romano. Pelas mãos de um Rossi. Reivindico sua filha, Angelina Rossi, para cessarmos a guerra.
O salão ficou mudo.
- Angelina Rossi no altar em sete dias. - completei, olhando nos olhos do velho. - Ou o próximo a cair será você.
Mario empalideceu como se o chão lhe faltasse. Atrás dele, capos recuaram instintivamente. Sabiam que eu não estava sozinho. Que o meu ato não era impulso, era estratégia.
Ele assentiu, lentamente. Os ombros curvados. A boca contraída em derrota.
Virei-me lentamente, ignorando os murmúrios abafados e os olhares incrédulos que ainda queimavam nas minhas costas.
Angelina continuava onde eu a deixei. A postura ereta, o vestido respingado de sangue, o queixo teimosamente erguido como se isso pudesse protegê-la. Mas não havia proteção possível agora.
A respiração dela estava rápida. O rosto, pálido sob o rubor forçado. As mãos ainda cerradas, mas trêmulas e não mais por raiva apenas, e sim por saber que acabara de se tornar peça de um jogo cujas regras não havia escolhido.
E mesmo assim, ela me olhava. Não com submissão. Não com desespero. Com algo que queimava mais fundo: desafio.
Desafio e algo que não deveria estar ali, sentia a sua curiosidade.
Ela queria entender o que viria depois. Queria saber se eu era só brutalidade e minhas reais intenções em fazer dela minha esposa. Queria descobrir até onde eu estava disposto a ir.
E a resposta estava escrita nos meus olhos quando parei diante dela:
- Eu irei até o fim, bambina.
Dei um passo à frente, obrigando-a a inclinar levemente o rosto para cima.
- Mesmo que o fim... seja você.
Angelina era bonita, desejada por homens demais para que isso ainda fosse novidade. Mas nada me preparara para vê-la tão perto, com o rosto corado pela fúria e lágrimas silenciosas deslizando pelas bochechas. Havia nela uma beleza feroz,parecia fragilidade mas sabia que aquela pequena criatura poderia me matar.
Quando ela ergueu o braço, a mão aberta no impulso desesperado de me atingir novamente, eu a segurei no ar com firmeza. Meus dedos fecharam ao redor de seu pulso com a mesma precisão de antes, arrancando-lhe um gemido rouco. Puxei ela com força, colando nossos corpos, fazendo seu vestido ranger entre nós como se protestasse pelo que se tornava inevitável.
Seu rosto ficou a poucos centímetros do meu. A respiração vinha entrecortada, instável. O olhar que ela lançou sobre mim era assassino, carregado de um ódio feroz, mas ainda assim belo. Para todos ali, ela ainda era a rainha do gelo, intacta, intocável, inquebrável. Mas para mim, ela não passava de uma peça no tabuleiro, uma refém das minhas decisões, da minha vingança, da minha vontade.
- Não ouse, princesa. Não cometa o mesmo erro. - Murmurei rente à sua pele, a voz baixa. - Ou eu vou profanar esse lugar sagrado e te foder ali mesmo, naquele altar, na frente de todos, só para mostrar que você já me pertence.
Ela não respondeu, mas o tremor que percorreu seu corpo confirmou tudo que as palavras tentavam esconder. Estava assustada, envergonhada, humilhada, mas ainda assim se recusava a baixar a cabeça. E isso apenas atiçava o prazer sombrio de tê-la exatamente onde eu queria.
Inclinei-me para ela e, com lentidão depositei um beijo no canto de sua boca, sentindo o sabor de sua pele misturado às lágrimas que escorriam em silêncio. Deslizei o polegar pela trilha úmida que marcava sua bochecha e levei aquela gota solitária aos meus lábios, saboreando. Então, sem pressa soltei seu pulso e a deixei recuperar o espaço que lhe restava.
Ela cambaleou um passo para trás, respirando com dificuldade, os olhos ainda cravados em mim. Por mais frágil que estivesse, ela resistia. Ardente, furiosa. Uma mulher despedaçada por dentro, mas ainda de pé diante do inimigo.
Virei-me sem olhar para trás, atravessando o salão que ainda ecoava em gritos e passos apressados, deixando o caos atrás de mim. Os convidados se afastavam, os capos cochichavam entre si com expressões tomadas pelo pavor e pela incredulidade.
Era hora de partir e esperar pelas consequências. Porque elas viriam e eu sabia. Mas nenhuma delas seria capaz de mudar o que já estava feito.
A minha vitória, naquela noite, estava selada. E Angelina Rossi, querendo ou não, já era minha.
Don Romano e sua bendita ruína
Afrodite LesFolies
Máfia
Capítulo 1 Reivindicada
01/07/2025
Capítulo 2 Exatamente o que eu queria
01/07/2025
Capítulo 3 Antecipando o jogo
01/07/2025
Capítulo 4 Prontos para a batalha
01/07/2025
Capítulo 5 Maldita esposa
01/07/2025
Capítulo 6 Desejo e fúria
01/07/2025
Capítulo 7 Desejo cruel
01/07/2025
Capítulo 8 Os jogos mais perigosos
01/07/2025
Capítulo 9 Vingança
01/07/2025
Capítulo 10 Ela é minha esposa agora!
01/07/2025
Capítulo 11 Atira!
05/07/2025
Capítulo 12 Brincando com o perigo
06/07/2025
Capítulo 13 O juramento
07/07/2025
Capítulo 14 Diante de todos
08/07/2025
Capítulo 15 Nas mãos do inimigo
09/07/2025
Capítulo 16 Você é minha, somente eu posso te salvar.
10/07/2025
Capítulo 17 Ele é o seu monstro
10/07/2025
Capítulo 18 Sentimentos conflitantes
12/07/2025
Capítulo 19 Esperando o inimigo mover o jogo
12/07/2025
Capítulo 20 Espionagem
13/07/2025
Capítulo 21 A foto
14/07/2025
Capítulo 22 O inferno está apenas começando, Bambina.
14/07/2025
Capítulo 23 Perdão, chefe
15/07/2025
Capítulo 24 Em busca de uma conversa interessante
16/07/2025
Capítulo 25 O ataque do Corvo
17/07/2025
Capítulo 26 Decepcionada por me ver
18/07/2025
Capítulo 27 Quem é Giorgia
19/07/2025
Capítulo 28 Afrontosa
20/07/2025
Capítulo 29 Pagando as consequências
21/07/2025
Capítulo 30 Uma reunião sombria
22/07/2025
Capítulo 31 Ninguém entre nós.
23/07/2025
Capítulo 32 Movimentando o jogo
24/07/2025
Capítulo 33 Liberdade controlada
25/07/2025
Capítulo 34 Correndo riscos
26/07/2025
Capítulo 35 Um encontro inesperado no jardim
26/07/2025
Capítulo 36 A visita de Mario Rossi
27/07/2025
Capítulo 37 O perigo se aproxima
28/07/2025
Capítulo 38 Nem mesmo o inferno me impedirá de te amar
29/07/2025
Capítulo 39 Está me traindo
31/07/2025
Capítulo 40 Segredos de Tonny
31/07/2025