/0/19799/coverbig.jpg?v=eda4c389b3d56743be14e43804452057&imageMogr2/format/webp)
Beatrice Bianchi Lamberti vive sob a fachada impecável de investigadora de seguros. Cruza fronteiras com contratos limpos, circula entre galerias, cofres e aeroportos com a elegância calculada de quem nunca deixa rastros. Oficialmente, recupera obras de arte roubadas para grandes seguradoras. Nas sombras, decide quais peças retornam aos seus donos e quais desaparecem para sempre, revendidas no mercado negro a colecionadores que pagam fortunas pelo silêncio. Calculista, sedutora, implacável e intocável, Beatrice construiu um império invisível sustentado por mentiras elegantes, e domina o jogo porque raramente é desafiada. Tudo muda quando uma obra rara desaparece do Museu do Louvre. Enviada à França como especialista no caso, Beatrice usa sua rede de contatos para integrar oficialmente a força-tarefa. No submundo, é conhecida como Rainha de Espadas, não por seguir a lei, mas por compreender que ela é apenas mais uma carta no baralho. Ela aprendeu cedo que o crime organizado não teme a polícia apenas a manipula. Ao cruzar o caminho da Comissária Gabrielle De La Fontaine, Beatrice entra em território hostil. Antes mesmo do primeiro toque, já está marcada. pelo ódio contido, pelo desejo incontrolável, pelo olhar que promete guerra e algo perigosamente mais íntimo. O que deveria ser uma investigação de resolução rápida torna-se um jogo obscuro de poder e provocação. Cada pista revela não apenas o rastro do ladrão, mas a tensão crescente entre caçadora e predadora, embora, em certos momentos, seja impossível distinguir quem ocupa qual papel. Beatrice não se contenta em vencer, ela observa, invade, provoca. Impõe presença, controle e desejo com a mesma frieza com que negocia obras roubadas. Gabrielle resiste à manipulação, às mentiras, e à atração que ameaça desarmá-la por dentro. O atrito é imediato. Olhares afiados. Silêncios carregados. Confrontos que queimam sob a superfície profissional. À medida que a investigação se aprofunda, o desejo entre elas torna-se inevitável, intenso, proibido e perigoso. Cada toque é uma ameaça. Cada segredo, uma arma. Entre corredores dourados, noites parisienses e leilões clandestinos, lealdade e traição se entrelaçam enquanto a linha entre justiça e crime se dissolve. Quando a verdade finalmente vier à tona, não será apenas a arte que estará em risco, mas tudo o que arde entre elas. Porque, no fim, ambas precisarão escolher. a lei, o crime... ou uma paixão capaz de destruir tudo. Prepare-se para um romance sáfico, sensual e implacável, onde amar pode ser o golpe mais arriscado de todos.
BEATRICE
O vento gelado era um presságio silencioso.
Não gritava, não advertia, apenas tocava a pele como quem promete algo que ainda não tem nome. Já era tarde da noite, e a cidade pulsava num ritmo insano, elétrico, como se Paris jamais soubesse dormir.
Havia movimento em cada esquina, luzes refletidas no asfalto úmido, vozes misturadas ao som distante de sirenes e passos apressados que nunca se encontravam.
O ar carregava uma mistura quase indecente de aromas. o perfume doce e quente das padarias que resistiam abertas, flores recém-regadas nas varandas antigas, o tabaco intenso que escapava de bares discretos, e o amargor elegante do café recém-passado.
Ainda assim, era a brisa gélida que dominava tudo, anunciando que a primavera se aproximava com sua promessa de chuvas, temperaturas mais brandas e a inevitável troca dos casacos pesados por tecidos mais leves. Uma mudança suave, porém traiçoeira. Como quase tudo naquela cidade.
As cortinas da suíte se moviam em sincronia com o vento, obedientes, quase coreografadas. Sentada na varanda, eu buscava absorver não era apenas ampla, era estratégica. A varanda avançava sobre Paris como um camarote privado acima do mundo, oferecendo uma perspectiva quase insolente da cidade. Dali, o horizonte parecia desenhado à mão, cada linha arquitetônica milimetricamente posicionada para lembrar que poder e beleza sempre caminharam juntos naquela capital.
À esquerda, o rio Sena deslizava em curvas elegantes, refletindo as luzes douradas dos postes antigos que margeavam suas margens. Pequenas embarcações cruzavam a água com movimentos lentos, como pensamentos que se recusam a desaparecer. As pontes de pedra, sólidas, históricas, ornamentadas com esculturas discretas, ligavam margens como promessas silenciosas entre tempos distintos.
À frente, as torres góticas da Catedral de Notre-Dame se erguiam imponentes, recortando o céu noturno com suas agulhas e arcobotantes delicadamente agressivos. Mesmo à distância, era possível perceber a imponência da fachada, a rosácea central como um olho vigilante, os contornos esculpidos que pareciam conter histórias de fé, pecado e redenção. A iluminação noturna realçava cada relevo da pedra, criando sombras profundas que davam à catedral uma presença quase viva.
Mais adiante, os telhados mansardados típicos de Paris formavam uma sequência harmônica de cinza-ardósia, janelas altas e varandas de ferro trabalhado. As fachadas haussmannianas exibiam suas colunas discretas, sacadas simétricas e molduras ornamentadas, uma estética de ordem e sofisticação que escondia, como sempre, as complexidades humanas por trás de cada janela iluminada.
A própria varanda da suíte era um espetáculo à parte.
O piso era revestido em pedra calcária clara, fria ao toque, polida o suficiente para refletir suavemente as luzes internas do quarto. Um tapete externo persa, em tons profundos de vinho e azul-escuro, delimitava a área de estar com uma opulência sutil.
Duas poltronas de ferro forjado, com arabescos delicados e almofadas de linho cru, estavam posicionadas estrategicamente de frente para a vista, não uma para a outra. Ali, a contemplação era prioridade, confrontos ficavam para ambientes fechados.
Entre elas, uma mesa redonda de mármore branco sustentava uma bandeja de prata escovada. bule de café em porcelana fina, xícaras com filetes dourados, uma pequena jarra de leite e um recipiente minimalista com açúcar mascavo cristalizado. Ao lado, uma garrafa de vinho tinto francês descansava em um suporte discreto de metal negro, acompanhada por duas taças altas de cristal, ainda intocadas, refletindo a cidade como fragmentos líquidos de luz.
O parapeito era em ferro trabalhado, desenho clássico parisiense, curvas elegantes, repetidas em ritmo quase hipnótico. Trepadeiras de jasmim branco se enroscavam parcialmente na estrutura, exalando um perfume suave que se misturava ao aroma do café e ao frio noturno.
Havia também aquecedores externos embutidos, quase invisíveis, garantindo conforto sem comprometer a estética. Pequenas lanternas de vidro fosco, posicionadas no chão, criavam uma iluminação indireta que valorizava os contornos do espaço sem competir com o espetáculo da cidade.
Meu mordomo havia desfeito as malas com precisão cirúrgica, atendido a cada necessidade antes mesmo que eu percebesse tê-la. Tudo estava no lugar. Sempre estava. O controle começava nos detalhes e eu jamais negligenciei nenhum deles.
Levei a xícara de café aos lábios e beberiquei devagar, sentindo o calor contrastar com o frio da noite, um prazer pequeno, calculado, quase cruel. Meus olhos acompanharam o curso lento do rio Sena, serpenteando a cidade como uma veia exposta, carregando histórias, pecados e promessas não cumpridas. Havia algo de profundamente íntimo naquela paisagem, algo que despertava não conforto, mas fome.
Paris nunca foi gentil comigo. Foi exigente, dominante, bela demais para permitir fraquezas. E, enquanto eu observava a cidade respirar sob meus pés, soube com uma clareza perturbadora. aquela noite não era apenas contemplação. Era o início de algo que exigiria mais do que inteligência e estratégia. Exigiria entrega, crueldade contida, e a disposição de perder, ou tomar, tudo.
Sorri contra a borda da xícara.
Algumas cidades seduzem, outras testam limites, Paris... Paris devora.
Há muito tempo eu não sentia sequer o resquício de paz ao voltar para casa. A palavra casa tornou-se um conceito elástico, um endereço temporário, uma suíte reservada, um apartamento estrategicamente escolhido. Os anos passaram como lâminas silenciosas, finas e precisas, retirando excessos, aparando emoções, ensinando-me a não sangrar em público.
Fui moldada para viver de aparências, e moldei, com disciplina quase cruel, a imagem perfeita da investigadora de seguros exemplar, eficiente, elegante e irretocável. A mulher que entra em galerias com contratos impecáveis e sai com obras recuperadas e reputações preservadas. Aprendi a sorrir na medida certa, a apertar mãos com firmeza calculada, a sustentar olhares sem revelar nada além do necessário.
Mas por trás dessa fachada meticulosamente construída, eu me tornei outra coisa.
O mundo acredita que sou apenas uma mediadora especializada em arte, alguém que navega entre seguradoras, museus e colecionadores privados. Uma profissional com contatos úteis e ética maleável. O que poucos sabem, e menos ainda ousariam imaginar, é que, por trás da minha máscara cuidadosamente impecável, existe algo muito mais perigoso do que uma simples mulher ligada ao mercado de arte.
Existe uma predadora.
Durante anos, construí a imagem perfeita. elegante, refinada, intocável. A mulher que frequenta galerias exclusivas, leilões milionários e jantares diplomáticos com a mesma naturalidade com que sorri para fotógrafos e aperta mãos importantes.
E todos acreditaram, porque aprendi cedo que o verdadeiro poder não está em se esconder nas sombras. Está em caminhar sob a luz... enquanto ninguém percebe o sangue em suas mãos.
Meu nome circula entre colecionadores, seguradoras e magnatas como sinônimo de sofisticação e eficiência. Uma especialista em recuperação de obras raras. Uma mulher inteligente demais para cometer erros.
E eu sou, mas essa nunca foi toda a verdade. Porque por trás dos vestidos sob medida, das joias discretas e da postura impecável, existe a mulher que o submundo europeu teme mencionar em voz alta, a Rainha de Espadas.
A ladra de arte internacional que atravessa fronteiras sem deixar rastros. A mulher que invade fortalezas consideradas impenetráveis e desaparece antes mesmo que percebam o roubo. A fantasma elegante que transformou crimes em espetáculo silencioso.
A identidade não foi apenas assumida, foi incorporada. Absorvi o vocabulário, os códigos silenciosos do mercado, a vaidade dos curadores, o desespero elegante dos colecionadores clandestinos. Entrei em leilões fechados sob luz baixa e conversas sussurradas, negociei com homens que compram história como quem compra poder, e sorri para mulheres que sabiam exatamente o que estavam vendendo e o que escondiam.
Às vezes me pergunto se ainda resta algo da mulher que eu era antes da operação. Se aquela versão mais simples de mim foi enterrada sob camadas de estratégia, controle e mentira.
A infiltração não exige apenas coragem, exige renúncia. Renúncia de vínculos, de certezas, de inocências que não sobrevivem ao convívio diário com a corrupção sofisticada.
Assumi uma identidade e mergulhei no mundo da arte, não como espectadora, mas como peça ativa do jogo. Era uma missão que jamais prometeu que eu sairia ilesa, apenas eficiente.
E eficiência, aprendi cedo, cobra seu preço em silêncio, a única coisa real nessa farsa é o meu irmão.
Meu fiel parceiro, amigo e confidente. O único vínculo que atravessou intacto os anos de mentira, infiltração e silêncio. Foi com ele, e com mais dois agentes cuidadosamente escolhidos, que moldamos a equipe. Não apenas treinada, mas calibrada. Cada um ocupando uma função precisa, cada falha prevista, cada emoção mantida sob controle. Ou assim acreditávamos.
Hoje, no entanto, começou uma jogada ousada demais para admitir margem de erro. Uma jogada que não anuncia vencedores ou perdedores, apenas expõe fragilidades. E qualquer impercalcio, por menor que seja, pode transformar estratégia em colapso.
Há uma hora e meia, joias raras e de valor inestimável foram roubadas do Museu do Louvre. O alarme soou, a cidade reagiu, protocolos foram acionados, egos feridos começaram a disputar protagonismo nos bastidores da investigação. O que ninguém imagina, o que sequer ousariam cogitar, é que eu mesma estou em posse dos itens roubados.
Cada uma delas, o roubo não foi um acidente, foi um convite e uma carta de apresentação a concorrência. Na noite anterior três quadros foram levados, o mesmo grupo que estava perseguindo.
Um movimento calculado para me inserir no coração do museu e, mais importante, dentro da investigação que tenta conter uma sequência de crimes que se estende há mais de um ano e meio. Um fio contínuo, preciso, cirúrgico. Obras desaparecem, retornam mutiladas ou jamais reaparecem. Um padrão invisível para olhos apressados, mas gritante para quem sabe onde olhar.
O plano é impecável no papel.
Meticuloso, elegante, irrepreensível, o problema nunca foi o roubo em si, o problema é o rastro de sangue.
Cada invasão deixa marcas. Cada obra arrancada de seu lugar exige violência, não apenas contra sistemas, mas contra pessoas. Seguranças silenciados, informantes descartados. Corpos que se acumulam longe das vitrines iluminadas e dos discursos oficiais sobre preservação cultural.
Arte custa caro e quase sempre alguém paga com a própria vida. Enquanto observo as cartas agora sob minha guarda, intactas, silenciosas, percebo o peso real da jogada que iniciei. Não é apenas uma infiltração, é uma provocação direta. Um teste de limites, do sistema, da equipe, e do que ainda resta de mim.
- Rainha de Espadas.
A voz grave atravessou meus pensamentos como uma lâmina envolta em veludo, macia no som, afiada na intenção. Coloquei a xícara delicadamente sobre o pires, o tilintar discreto da porcelana ecoando como um aviso contido.
Meus dedos passaram a bater na mesa de mármore em ritmo lento, calculado, denunciando uma impaciência que eu raramente permitia transparecer. Virei o rosto com a precisão de quem decide conceder atenção, não a oferecer.
- Sébastien... - minha voz saiu baixa, firme, perigosamente controlada. - A que devo a sua interrupção sem o devido anúncio?
Revirei os olhos antes de fitá-lo por longos segundos e ele sustentou o olhar.
Olhos castanho-claros, atentos demais, inteligentes demais. Havia ali uma mistura de ironia e cumplicidade que poucos ousariam demonstrar diante de mim. Ele sabia exatamente qual personagem eu vestia naquele momento, e, ainda assim, não se intimidava.
Sébastien caminhou pela varanda como se o espaço também lhe pertencesse. O vento agitava levemente os fios escuros de seu cabelo, mas sua postura permanecia impecável, mãos nos bolsos do casaco, expressão controlada.
- Irmã, seja sensata. - A resposta veio sem hesitação. - Não sou seu criado pessoal.
Houve um breve silêncio.
- Sou seu sócio... e seu irmão. Convém que não se esqueça disso.
Ele tinha coragem, il a des couilles , como dizia minha avó.
Principalmente por sustentar aquele tom enquanto eu ainda estava imersa na persona de Rainha de Espadas, a mulher que não tolera interrupções, que não admite questionamentos, que impõe presença antes mesmo de abrir a boca.
Se fosse outro, qualquer outro, já teria sido esmagado sob o peso da minha autoridade. Talvez não fisicamente arremessado da varanda, embora a ideia tivesse sua poesia, mas certamente reduzido ao silêncio definitivo.
A diferença era que Sébastien conhecia os bastidores, conhecia o rosto por trás da máscara.
Ele se aproximou da mesa, os olhos percorrendo a cidade antes de voltar para mim.
- A equipe já está em movimento. O museu fechou completamente. A polícia francesa está em estado de alerta máximo. - Houve uma pausa sutil. - E você... está sorrindo.
Não percebi que estava, um sorriso mínimo, quase imperceptível. Não de prazer, mas de antecipação.
- O caos é previsível - respondi, erguendo o queixo com leveza calculada. - O que me interessa é a reação.
Ele inclinou a cabeça, analisando-me como só ele ousava fazer.
- Você está confiante demais.
- Eu sou confiante demais.
Nossos olhares se prenderam por um instante mais longo do que o necessário. Entre nós não havia apenas sangue compartilhado, havia história, estratégia, lealdade construída sob risco real. Ele confiava em mim porque conhecia meu limite.
E também sabia que, quando eu cruzava esse limite, não havia retorno. O vento voltou a soprar, mais frio, mais cortante e Sébastien quebrou o silêncio primeiro.
- E quanto à Comissária ?
O nome não foi dito, não precisava. Meu olhar voltou-se para o horizonte, para as torres da Notre-Dame iluminadas na distância.
- Ela fará exatamente o que eu preciso que faça. - respondi, com uma calma que beirava a crueldade.
Porque naquela jogada ousada, a arte roubada era apenas a isca. E Gabrielle... Era a variável mais fascinante do jogo.
- Por que tem tanta certeza? - ele perguntou, a curiosidade mal disfarçada.
A resposta morreu antes de nascer, o toque estridente do meu celular cortou o ar como um disparo. Não me apressei, deixei que tocasse uma, duas vezes, só atendi no terceiro chamado. O controle começa nos silêncios.
Meus lábios se curvaram num sorriso lento, calculado, antes de levar o aparelho ao ouvido.
- Boa noite, chefe - disse com sutileza estudada.
Do outro lado da linha, a voz veio solene, quase reverente.
- Boa noite, Beatrice. Mil perdões por incomodá-la durante suas férias, mas precisamos da sua consultoria. Houve um roubo de grandes proporções em Paris. Precisamos que se envolva diretamente na investigação.
Por um instante, deixei meus olhos vagarem pela varanda, pela cidade iluminada, pelo rio que parecia assistir a tudo em silêncio. Foi mais rápido do que eu havia previsto. Os quadros valiam milhões e nenhuma seguradora aceitaria arcar com um prejuízo dessa magnitude sem a promessa concreta de recuperação.
- É o seu dia de sorte. - respondi, com uma calma quase insolente. - Cheguei a Paris há poucas horas para aproveitar algumas férias atrasadas. Mas você sabe... isso vai custar mais caro.
Não era ameaça, era constatação e houve uma breve pausa antes da resposta.
- Você vale cada euro investido. Sempre que sua equipe entra em cena, não pagamos seguro. Recuperamos a obra.
Sébastien, à minha frente, tensionou o maxilar. Ele odiava quando me ouvia negociar como se tudo, inclusive o caos, tivesse preço.
- Onde começo? - perguntei, já um passo à frente do jogo.
- Preciso que use seus contatos. Quero você oficialmente inserida na investigação. Quero seus olhos e ouvidos acompanhando cada movimento, cada peça deslocada nesse tabuleiro.
Concordei em silêncio, absorvendo as instruções enquanto o vento frio me envolvia. Quando desliguei, movi apenas os dedos em um gesto curto. Sébastien entendeu imediatamente. Levantou-se sem dizer uma palavra, indo buscar o restante da equipe. Não havia tempo para explicações longas, apenas execução.
O primeiro passo seria obter a mais alta autorização possível, porte de arma, acesso irrestrito e selos oficiais. Servi meu país por anos demais para que isso não significasse algo. Minha ficha era impecável, limpa demais para levantar suspeitas, afiada o suficiente para abrir portas que permaneciam fechadas para quase todos. Era um orgulho silencioso. E uma arma, a ficha era real, mas os nomes eram editados.
Depois, a infiltração, entrar oficialmente na investigação. Assumir o papel de consultora técnica e tornar-me indispensável, e, sobretudo, aproximar-me de Gabrielle.
Ela era a chave, sem ela, o plano não avançava e com ela... tudo se encaixava.
Derrubar carta por carta daquele baralho podre. Desmontar a rede com paciência cirúrgica. Derrubar o Rei, prender o Valete e expor os curingas, fazer ruir a estrutura que vinha aterrorizando Paris havia mais de um ano.
Mas, quando o jogo acabasse, eu faria questão de estar de pé, observando os destroços.
Cativa do Pecado
Lady Darkness
LGBT+
Capítulo 1 Prólogo
15/07/2026
Capítulo 2 1
15/07/2026
Capítulo 3 2
15/07/2026
Capítulo 4 3
15/07/2026
Capítulo 5 4
15/07/2026
Capítulo 6 5
15/07/2026
Capítulo 7 6
15/07/2026
Capítulo 8 7
15/07/2026
Capítulo 9 8
15/07/2026
Capítulo 10 9
15/07/2026
Capítulo 11 10
15/07/2026