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Capítulo 5
Há vagas
Palavras: 1862    |    Lançado em: 12/11/2021

Ouvi gritos. Não sabia se era sonho ou realidade, pois meus olhos ainda estavam fechados. Logo ouvi as vozes cada vez mais próximas. Uma claridade passeou sobre minhas pálpebras e ouvi o barulho da janela se abrindo:

- Acorde, Kat... Acorde.

Abri meus olhos e o sol cegou meus olhos. Fechei-os novamente, preguiçosa:

- Que houve? Se não ganhamos na loteria, qual motivo desta gritaria toda?

- Levante-se daí agora, Katrina Lee. – disse minha mãe seriamente.

Ergui meu corpo, me recostando na cabeceira dura e desconfortável.

- O que houve?

- Encontrei um emprego para você.

- Então... Já vou começar? – perguntei ironizando a forma como fui acordada.

- Vamos lá, Kat. Se mexa que você tem muito a fazer.

Levantei confusa e cambaleante. Leon me olhava atento, junto de minha mãe. Ela trazia nas mãos o Jornal Real de Noriah Sul.

- Hum... Vaga de emprego no Jornal Real? – perguntei.

- Sim... Dama da companhia da rainha. – minha mãe disse sorridente.

- O quê? – perguntei perplexa. – Você acha que eu estou apta a este emprego? Dentro do castelo?

- Claro que sim... Você é Katrina Lee.

- Mãe... Eu não poderia.

- Por quê? – perguntou ela me olhando seriamente.

- Mãe, eu nunca me vi dentro do castelo de Noriah... Eu nem sou a favor da monarquia... Eu não gosto da forma como a rainha Anne conduz o país. E eu poderia listar outras coisas menos importantes caso queira.

- Não me importa o que você pensa, Kat. Importa que é o emprego dos sonhos de qualquer garota da sua idade. Não só pelo salário, que é o melhor comparando a qualquer emprego que você poderia arranjar. É o fato de você estar dentro do castelo de Noriah, junto da rainha.

- Mãe... Jamais me escolheriam.

- Então você vai dar um jeito de ser escolhida. Porque você é Katrina Lee e nós precisamos deste dinheiro e deste prestígio para recuperar nossa dignidade na cidade.

Embora eu achasse que ser escolhida para este emprego fosse algo impossível, minha mãe tinha razão: eu poderia pelo menos tentar. Peguei o jornal e vi o anúncio, que ocupava uma página inteira. Era o emprego do ano. E adivinha só? A mulher escolhida seria da classe D em diante. Desentendidos achariam que a rainha Anne era uma pessoa maravilhosa, dando oportunidade de emprego aos menos favorecidos. Eu, lendo aquilo, já entendia a verdadeira razão daquilo tudo: popularidade da monarquia. Eles precisavam estar na mídia e que passasse uma boa impressão ao povo.

Enquanto ia para mesa tomar café da manhã aproveitei para ler o restante do Jornal Real. Só tinha leite para o desjejum. Olhei para minha mãe preocupada.

- Temos mais alimentos, mas vou economizar. – ela disse.

- Eu entendo. – falei.

- Mas... Leon comeu?

- Sim.

- Ele ganhou mais do que um copo de leite, não é?

Ela balançou a cabeça afirmativamente. Olhei para ele brincando com seus carrinhos no meio da sala, pouco preocupado com o que estava acontecendo naquele momento. Eu não queria que Leon passasse por dificuldades. Ele era apenas uma criança e não tinha culpa de nada. A responsabilidade pesou ainda mais sobre mim.

- Amanhã pode dar meu leite para ele.

- Não precisa... Como falei, somente um modo de economizar. Amanhã podemos comer o pão sem o leite.

- Mãe... Eu vou conseguir este emprego.

- Eu sei disto. Nunca desacreditei em você, Kat. Você nasceu para brilhar...

- Mãe, obrigada por confiar tanto tem mim.

- Você sempre foi inteligente, desde criança. Conforme foi crescendo, sempre soube o que queria da vida. E você vai conseguir tudo que quiser nesta vida... Eu sei disto.

- Obrigada... Por estar sempre conosco. – eu coloquei minha mão carinhosamente sobre a dela. – Pode guardar meu leite... Eu estou sem fome.

Ela não hesitou e guardou. Perguntei:

- Papai bebeu leite?

- Sim. Um copo. Não deveria, mas ganhou.

Eu ri. Ela não tinha jeito. Fui até o quarto dar bom dia e fazer um carinho nele. Sei o quanto ele gostava da atenção que eu lhe dava. Adolfo Lee já estava acordado, recostado na cabeceira da cama. Ele ainda estava pálido e parece que nunca ganhava peso. O médico dissera que não adiantava ele ficar em hospital. Estava em depressão profunda, síndrome de pânico, anemia e um problema no ritmo de batimentos cardíacos. Caso houvesse piora, seria internado. Mas não havia nenhuma piora... Nem melhora. Ele estava sempre do mesmo jeito. E o maior problema que ele carregava não era no corpo... Estava dentro do coração. O arrependimento por tudo que ele havia feito para própria família. Um homem viciado em jogos que perdeu absolutamente tudo que tinha, incluindo casa e dignidade. Os cabelos negros dele já tinham vários fios brancos crescendo. Ele não costumava cortar sempre, então ficavam no meio termo. Ele costumava ter a barba sempre bem aparada, mas ultimamente estava crescida. Já não tinha vontade de ficar apresentável. Não tinha motivos para isso, pois a casa era o único lugar que ele ficava. Os olhos azuis tão claros que dava para ver a própria imagem refletida neles eram de uma tristeza sem fim... Eu queria muito meu pai de volta, sorrindo, feliz, fazendo brincadeiras conosco... Mas isso implicava um pai que quase todas as noites saía para jogar tudo que tinha no bolso. Então o melhor era ele estar em casa. Era seguro para ele e para todos nós.

- Tudo isso é por minha culpa. – ele lamentou.

Nossa casa era pequena. Então era fácil ouvir tudo que acontecia de um cômodo para outro. Mesmo que mamãe não tivesse lhe dito que não tínhamos comida, ele já estaria a par ouvindo o que se passava.

- Pai, tudo vai ficar bem. – eu disse tentando animá-lo. - Eu vou tentar conseguir um emprego.

- Eu ouvi sobre a vaga para dama de companhia da rainha Anne.

- Sim... Mas não vou ficar empolgada com isso, pai. Você sabe quantas pessoas se inscreverão para esta vaga?

- Sei... Mais de cem mil... Chutando por baixo.

- Exato... Por que eu seria escolhida?

- Bem, porque você tem uma carta na manga.

Olhei para ele confusa:

- Não... Eu não tenho.

- Tem.

- Como assim, papai?

- Eu já fiz tantas coisas erradas... E sou o responsável por você sair da faculdade e ter que procurar um emprego para cuidar da família...

- Pai, eu já disse...

- Me deixe terminar, Kat. Eu posso ajudar. Eu não vou perder a oportunidade de fazer isso.

- Mas... Como faria isso?

- Querida, faça a inscrição e espere.

Eu saí de lá cheia de dúvidas. Meu pai nunca me pareceu alguém que pudesse ajudar... Mas não custava dar uma chance. Peguei o Jornal Real novamente. Ele era de tiragem semanal, então sempre tinha muitas notícias quando o recebíamos. Todas as casas recebiam um, com as notícias da realeza e o que a monarquia fazia de bem pelo país. Então nele não continha nenhuma notícia trágica ou ruim. E era o único jornal permitido no país. Havia grupos contra a monarquia que entregavam panfletos atacando a rainha. Eram caçados e jogados na cadeira quando encontrados. Mas isso não era muito problema na nossa classe. Ninguém dava importância para nós, nem mesmo a monarquia. Então a panfletagem corria a solta sem muito problema. Mas os grupos que eram contra o sistema se encontravam secretamente. E era preciso ter muito cuidado, pois alguém poderia não ser de confiança e dedurar o grupo. Isso sim era um problema, pois geralmente pequenos grupos acuados denunciavam os grandes grupos por trás.

Abri o Jornal e bla, bla, bla... As mesmas notícias de sempre. Meia página anunciava o namoro do príncipe Magnus com Vitória Grimaldo, uma jovem pertencente à da Classe A. Havia foto dos dois, mas não juntos e sim separados. Será que não tinham tido um encontro de verdade para que pudessem postar uma foto dos dois juntos? Eu ri... Maldita realeza, cheia de mentiras e agora casamentos arranjados. Vitória era uma garota bastante conhecida. Bonita, rica e de uma família influente dentro do castelo. Se não me engano o pai dela tinha título de Duque... Então acho que ela era uma Duquesa. Mas tanto fazia, pois em breve ela seria a Princesa Vitória Grimaldo Chevalier. A foto do príncipe não estava muito boa. E eu percebia que eram sempre assim. Deviam usar sempre a mesma. Será que ele não gostava de fotografar? O príncipe tinha 25 anos. Eu nunca o vi sorrindo, nem em fotos nem na TV. Ele era sempre muito sério. Embora eu não gostasse de nada que vinha da realeza, eu não achava ruim o discurso dele. Mesmo na TV ele parecia uma pessoa preocupada. A testa dele estava sempre enrugada, demonstrando preocupação. Sim... Eu observava isso. Assim como a Rainha Anne Marie estava sempre sorrindo, mas não fazia nada para ajudar o povo. No fim eu sabia que tudo só mudaria no dia que ela saísse do poder. E existia a esperança de que o filho dela fosse uma pessoa melhor. Dereck, o príncipe mais novo, devia ter mais ou menos a minha idade. Embora ninguém da realeza tivesse rede social, ele tinha vários perfis fakes. Algumas garotas achavam que ele poderia estar por detrás de algum deles. Era um homem que adorava aparecer. Aproveitava bem sua vida agindo como um playboy. Viajava o mundo, vivia em boates cheias de mulheres bonitas e ricas ao seu lado.

Liguei para Kim:

- Oi, amigo.

- Kat, querida. Não vou aguentar ficar sem você na faculdade.

Eu ri:

- Claro que vai... Nossos corações estão interligados 24 horas por dia e você sabe disso. – brinquei.

- Acho que você vai ter que trabalhar comigo no salão à tarde... Tem esta opção.

- Obrigada, Kim. Mas por enquanto vou tentar outra coisa. Eu não sei fazer nada no seu salão... Você sabe disto.

- Eu posso ensiná-la, baby. Não é difícil.

- Você é o melhor cabeleireiro e maquiador que existe. Quem se arriscaria a dar os cabelos para mim?

Ele riu:

- Não brinca!

- Kim, obrigada mesmo por tentar me ajudar. Mas eu preciso de mais grana que um Free lancer no seu salão...

- Eu sei... Mas ainda é uma opção, caso tenha dificuldade.

- Sim... Mas adivinha? Minha mãe acha que eu posso ser a dama de companhia da rainha.

Ouvi a risada sem fim dele do outro lado da linha:

- Isso é a coisa mais engraçada que Laura já falou na vida.

Eu ri:

- Pois então... Ela falou sério.

- Ela sabe que Kat Lee é contra a monarquia?

- De certa forma sim... Mas não tudo, não é mesmo?

- De qualquer forma, você não conseguiria o emprego.

- Eu sei... O pior é que meu pai disse que tem uma carta na manga.

Começamos a rir os dois. Realmente era engraçado. Minha mãe achar que eu conseguiria ser escolhida dama de companhia da Rainha e meu pai, um perdedor, achar que poderia de alguma forma ajudar. Hilário era a palavra.

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1 Capítulo 1 Uma conversa séria2 Capítulo 2 Sobre Kevin3 Capítulo 3 Garota esperta4 Capítulo 4 Queda à monarquia5 Capítulo 5 Há vagas6 Capítulo 6 Uma carta na manga7 Capítulo 7 Meu namorado8 Capítulo 8 Conversa de fã9 Capítulo 9 Eu tenho hipoglicemia10 Capítulo 10 Ninguém morre disso11 Capítulo 11 Eu sei muito sobre você12 Capítulo 12 Me chame de Deck13 Capítulo 13 Você sempre será a minha princesa14 Capítulo 14 Eu lhe digo verdades15 Capítulo 15 Vossa Alteza, Príncipe Magnus16 Capítulo 16 Você não é uma mulher indefesa17 Capítulo 17 Eu não sou uma candidata à princesa18 Capítulo 18 Um plano arriscado19 Capítulo 19 Prometa que vai tomar cuidado20 Capítulo 20 Lady Vitória Grimaldo21 Capítulo 21 Eu não sou doente22 Capítulo 22 Rainha Anne Marie Chevalier23 Capítulo 23 Você não pode falar a verdade24 Capítulo 24 Família25 Capítulo 25 Ao seu brilhante futuro fora do castelo26 Capítulo 26 Ainda é sábado27 Capítulo 27 Dom28 Capítulo 28 Maquiavélica29 Capítulo 29 O médico30 Capítulo 30 Intervenção real31 Capítulo 31 Leon vale qualquer sacrifício32 Capítulo 32 Transmissão real33 Capítulo 33 Felizes para sempre poderia ser um livro clichê34 Capítulo 34 Dê graças a sua sorte35 Capítulo 35 Lana Davis36 Capítulo 36 Eu não matei Joana Pallucci37 Capítulo 37 Quem é você, Dereck Chevalier 38 Capítulo 38 Eu sou virgem39 Capítulo 39 A bofetada40 Capítulo 40 Eu aceito41 Capítulo 41 Não quero regalias42 Capítulo 42 Uma conversa sobre amor43 Capítulo 43 Eu dou as ordens por aqui44 Capítulo 44 Uma noite de terror45 Capítulo 45 Estou voltando ao castelo46 Capítulo 46 Há algo que possamos fazer por você 47 Capítulo 47 O que realmente está acontecendo aqui 48 Capítulo 48 Um futuro promissor em Noriah49 Capítulo 49 Sorvete de morango50 Capítulo 50 Eu não preciso de nada51 Capítulo 51 Por que Magnus seria um bom rei 52 Capítulo 52 Gata borralheira de novo53 Capítulo 53 O príncipe tem tatuagem54 Capítulo 54 Uma garota azarada55 Capítulo 55 Eu não mereço você56 Capítulo 56 King57 Capítulo 57 Domênico e Katrina58 Capítulo 58 Você tentou me matar59 Capítulo 59 Magnus e Katrina60 Capítulo 60 A Rainha Anne Marie Chevalier61 Capítulo 61 O que você realmente quer 62 Capítulo 62 Não pare, Magnus!63 Capítulo 63 Eu acho que gosto dele!64 Capítulo 64 O tempo que me perde65 Capítulo 65 Você veio!66 Capítulo 66 Eu vou me aproveitar de você agora67 Capítulo 67 O dia depois68 Capítulo 68 Praia69 Capítulo 69 O que acontece no quarto ao lado70 Capítulo 70 A batalha71 Capítulo 71 Black está ferido72 Capítulo 72 Dom e Black73 Capítulo 73 Magnus e Domênico74 Capítulo 74 Adolfo Lee75 Capítulo 75 Onde está Kevin 76 Capítulo 76 Preciso de dinheiro, Alteza.77 Capítulo 77 Eva78 Capítulo 78 Um presente para Magnus79 Capítulo 79 Black para sempre80 Capítulo 80 Você não presta, Dereck Chevalier81 Capítulo 81 Chegou sua fada madrinha82 Capítulo 82 O baile de máscaras83 Capítulo 83 Eu preciso comer84 Capítulo 84 Você mexeu com a pessoa errada85 Capítulo 85 Eu vou matar Katrina Lee86 Capítulo 86 Katrina Lee está morta87 Capítulo 87 Simplesmente acontece88 Capítulo 88 Vingança89 Capítulo 89 Kevin voltou90 Capítulo 90 Segredo revelado91 Capítulo 91 Nada poderia ser pior que simular a própria morte92 Capítulo 92 A vida não é justa para pessoas como nós93 Capítulo 93 Quase fomos uma história de amor94 Capítulo 94 Eu quero o meu príncipe95 Capítulo 95 Magnus e Black96 Capítulo 96 Vitória e Katrina: o acerto de contas97 Capítulo 97 O casamento real98 Capítulo 98 Lua de Mel I99 Capítulo 99 Lua de Mel II100 Capítulo 100 Ela já pode dar ordens