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Capítulo 4
Queda à monarquia
Palavras: 1539    |    Lançado em: 12/11/2021

Nunca pensei que achar um emprego fosse tão difícil. Eu realmente gastei a sola do meu scarpin mais caro e nem minha boa aparência meu ajudou. O papel que eu havia conseguido na faculdade ajudava a não me dizerem não completamente. Ficavam com meu currículo que era praticamente em branco e prometiam me ligar assim que houvesse uma vaga. Eu não poderia me dar ao luxo de esperar. Eu precisava do emprego urgentemente.

No fim da tarde, voltei para a faculdade e fui encontrar meus amigos no nosso lugar secreto. Todos já me esperavam.

- E então, alguma novidade? – perguntou Kim. – Conseguiu o emprego?

- Claro que não. – falei jogando minha bolsa longe e sentando em uma mesa, completamente esgotada.

Tirei meus sapatos e disse:

- Bolhas... Eu fiz bolhas de tanto caminhar. – falei horrorizada.

- Tentou com o reitor? – perguntou Diana.

- Você conhece alguma pessoa que tenha conseguido emprego com o reitor, Diana? – perguntei curiosa.

- Sim... Algumas meninas das minhas aulas.

- E... Garotos?

Ela pensou um pouco e disse:

- Não.

Eu respirei fundo e contei a eles o que havia acontecido naquela manhã. Para minha surpresa Léo ficou furioso. Levantou e caminhava de um lado para o outro:

- Temos que denunciar.

- Eu concordo. Mas alguém vai ter que realmente gravar. Eu blefei... E por sorte ele acreditou.

- Amiga, você é muito espera. – disse Kim.

- Eu sei disto... Se não fosse já teria ido para cama com ele por um emprego. Consegui o papel e não precisei usar meu corpo. – eu disse sorrindo ironicamente.

- O que fez ele pensar que usaria este corpo? – perguntou Léo me abraçando. – Estou triste por você, minha linda.

- Eu não... – confessei.

Todos me olharam.

- Pensem, eu venci aquele imbecil. - me justifiquei.

- Ela tem razão. – disse Diana.

- Ainda acho que não podemos deixar assim. – falou Léo. – Podemos armar uma cilada para ele. E se usássemos você, Diana?

- Eu?

Eu sabia que não daria certo. Diana era muito tímida para ser isca. E depois do que eu havia feito, Justus já devia estar bem mais esperto.

- Este sistema macabro. – continuou Léo. – Que usam as mulheres como objetos.

- Exato. A culpa é da monarquia.

- Querida, a culpa é do mundo. – contestou Kim. – Que não aceita que garotas bonitas possam ser inteligentes, que acha que tudo que alguém pede pode conseguir algo em benefício próprio, que acha que os gays não são pessoas normais... E por aí em diante.

- Ele tem razão. – disse Diana.

- Vocês sabem que devem existir mais grupos contra a monarquia em vários lugares do reino. – eu disse.

- Sim.

- Somos um grupo pequeno, por isso podemos continuar. Mas não acho que consigamos nenhuma mudança nós quatro, além de dialogarmos. Precisamos fazer parte de um grupo maior. Temos que achar as outras pessoas que pensam como nós.

- Mas encontrar estas pessoas é um risco. – disse Diana.

- Se não tentarmos não saberemos.

- Na verdade a monarquia ficou ruim desde que Rainha Anne assumiu. Enquanto o rei estava bem de saúde, não tínhamos a miséria e a tirania de hoje. – lembrou Léo.

- Isso é verdade. E precisamos ter cuidado. Noriah norte estava tentando tirar a monarquia há muito tempo e o que conseguiram? Quebrar o país e viverem em miséria absoluta. Não basta quebrar a monarquia... É preciso saber o que queremos após a queda dela. – observou Kim.

- Mas há boatos de que o Príncipe Magnus se casará e assumirá o trono no lugar da rainha Anne. – falou Diana.

- Não vejo a rainha Anne abandonando a coroa nunca. – eu disse. – Ela ama ser rainha... Ela quer ser idolatrada, mandar, ter súditos...

- Isso é verdade. – disse Kim. – A rainha ama ser rainha.

Todos rimos.

- Imagina um rei lindo como Magnus Chevalier. Acho que eu até me dobraria para monarquia. – confessou Kim.

- Ora, Kim, você não está falando sério. – disse Léo.

- Que ele é lindo ou que eu me dobraria à monarquia? – ele perguntou rindo.

- Os dois...

- Ele é perfeito. – disse Diana.

- E você também acha este absurdo, Kat? – perguntou Léo, atento ao que eu diria.

- Sinceramente, não que eu seja alheia a tudo que acontece na família real, mas se fecho meus olhos não lembro do príncipe Magnus. A rainha é dona de toda atenção e merchandising do reino, não dando espaço para ninguém. Ela quer ser única. Esta é minha visão. Mas se eu encontrasse o príncipe Dereck na rua, eu o reconheceria.

- Querida, você nunca vai encontrar o príncipe Dereck na rua. – disse Kim. – E se eu encontrasse ele, agarrava e raptava. Acho-o ainda mais fofo que Magnus.

- Ele também adora um holofote. – observei. – Não tem rede social, mas vive em fotos de pessoas da A e da B. Ele está sempre na noite, nas baladas mais importantes, com os artistas e cantores mais famosos. Ele puxou à mãe.

- Ainda bem que ele só assume o reino se Magnus morrer. – disse Leo.

- Acham que Magnus é melhor que Dereck? – perguntei.

- Claro que sim. – disse Diana. – Ele é sensato, é sério... Nunca o vi numa balada ou numa foto em uma rede social. Só nos jornais e na TV. Ele fala bem...

Eu ri:

- São ambos horríveis. Eles são filhos da rainha Anne, não há como serem boas pessoas.

- O que seu pai acha sobre quando o reino era comandado pelo rei Alfred? – perguntou Léo.

- Eu nunca falei com meu pai sobre isso. – confessei.

- Deveria. – ele disse. – Meu pai disse que eram áureos tempos em Noriah Sul. O rei Alfred era sério e ao mesmo tempo ouvia as pessoas. Ele tentava encontrar soluções que sempre beneficiassem todos. Era um homem que realmente se importava com todo o povo.

- Não é isso que dizem os livros. – Diana falou.

- Eu aposto que a rainha Anne mandou escrever tudo que está nos livros de história.

Caímos na risada novamente. Kim era engraçado sempre e mesmo em assuntos sérios conseguíamos ficar alegres com os comentários dele. Eu amava tê-lo como meu melhor amigo. E eu também era feliz por ter amigos tão inteligentes e cheios de causa para lutarem.

- Bem, o assunto está bom e eu poderia ficar aqui até amanhã conversando sobre o quanto eu odeio a monarquia. Mas eu preciso ir. – falei.

- Boa sorte na sua casa. – disse Kim. – Qualquer coisa me liga.

- Pode deixar, amigo. Amo você.

Despedi-me deles e estava saindo quando Léo fechou a porta e ficou na minha frente, impedindo minha passagem:

- Como vou ficar sem vê-la todos os dias?

Eu ri:

- Você vai sobreviver, seu bobinho.

Ele tentou me beijar, mas eu virei o rosto e o beijo pegou na minha bochecha.

- Quando você vai aceitar ser minha namorada? – ele continuou.

- Léo, por favor, hoje não estou com tempo para isso... Estou cansada, chateada.

- Querida, você sabe que se namorarmos e virmos a casar, você não terá mais problemas financeiros.

- Léo, eu sei disto. Mas eu não quero casar com você por dinheiro. Eu preciso amá-lo.

- Mas você pode me amar com o tempo...

Eu alisei o rosto dele e disse:

- Obrigada por existir na minha vida.

Ele abriu a porta e deixou que eu saísse.

Quando cheguei em casa tomei um banho e vesti uma roupa confortável. Expliquei a minha mãe que não havia conseguido emprego naquele dia. Achei que Laura Lee iria me xingar, mas não. Pelo contrário, ela foi bem gentil:

- Eu sabia que seria assim, minha filha. Você vai conseguir algo. Não desista.

Fiquei com pena de minha mãe. Eu percebi o quanto ela estava cansada de tudo. E eu não queria que ela desistisse. Todos nós estávamos ali graças a ela. Laura Lee era uma mulher forte, decidida, que fazia tudo sozinha na nossa casa. Eu nunca achei que ela e meu pai fossem um casal feliz. Eles se respeitavam, mas nos últimos tempos minha mãe perdera completamente o respeito por ele, depois de ele ter perdido tudo que tínhamos com o vício do jogo. Não sei o que os levou a casar algum dia, mas eu tinha certeza de que não eram apaixonados. Meu pai sempre foi mais sensível e carinhoso. Ela, a rocha que sustentava tudo. Era ela que nos incentivava em tudo e tentava empurrar meu irmão para uma vida com atitudes corretas, a eu fazer faculdade mesmo sem ter certeza do curso que eu queria:

- Faz qualquer coisa... Se precisar, depois muda. O importante é estar lá dentro, estudando. – ela dizia.

E assim eu a ouvi. Ela sempre se preocupava com meu irmão Leon também. Laura Lee era quem nos mantinha juntos, mesmo com todas as dificuldades. Eu queria que ela fosse feliz e tinha medo de ela desistir devido à tantas dificuldades que encontrava.

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1 Capítulo 1 Uma conversa séria2 Capítulo 2 Sobre Kevin3 Capítulo 3 Garota esperta4 Capítulo 4 Queda à monarquia5 Capítulo 5 Há vagas6 Capítulo 6 Uma carta na manga7 Capítulo 7 Meu namorado8 Capítulo 8 Conversa de fã9 Capítulo 9 Eu tenho hipoglicemia10 Capítulo 10 Ninguém morre disso11 Capítulo 11 Eu sei muito sobre você12 Capítulo 12 Me chame de Deck13 Capítulo 13 Você sempre será a minha princesa14 Capítulo 14 Eu lhe digo verdades15 Capítulo 15 Vossa Alteza, Príncipe Magnus16 Capítulo 16 Você não é uma mulher indefesa17 Capítulo 17 Eu não sou uma candidata à princesa18 Capítulo 18 Um plano arriscado19 Capítulo 19 Prometa que vai tomar cuidado20 Capítulo 20 Lady Vitória Grimaldo21 Capítulo 21 Eu não sou doente22 Capítulo 22 Rainha Anne Marie Chevalier23 Capítulo 23 Você não pode falar a verdade24 Capítulo 24 Família25 Capítulo 25 Ao seu brilhante futuro fora do castelo26 Capítulo 26 Ainda é sábado27 Capítulo 27 Dom28 Capítulo 28 Maquiavélica29 Capítulo 29 O médico30 Capítulo 30 Intervenção real31 Capítulo 31 Leon vale qualquer sacrifício32 Capítulo 32 Transmissão real33 Capítulo 33 Felizes para sempre poderia ser um livro clichê34 Capítulo 34 Dê graças a sua sorte35 Capítulo 35 Lana Davis36 Capítulo 36 Eu não matei Joana Pallucci37 Capítulo 37 Quem é você, Dereck Chevalier 38 Capítulo 38 Eu sou virgem39 Capítulo 39 A bofetada40 Capítulo 40 Eu aceito41 Capítulo 41 Não quero regalias42 Capítulo 42 Uma conversa sobre amor43 Capítulo 43 Eu dou as ordens por aqui44 Capítulo 44 Uma noite de terror45 Capítulo 45 Estou voltando ao castelo46 Capítulo 46 Há algo que possamos fazer por você 47 Capítulo 47 O que realmente está acontecendo aqui 48 Capítulo 48 Um futuro promissor em Noriah49 Capítulo 49 Sorvete de morango50 Capítulo 50 Eu não preciso de nada51 Capítulo 51 Por que Magnus seria um bom rei 52 Capítulo 52 Gata borralheira de novo53 Capítulo 53 O príncipe tem tatuagem54 Capítulo 54 Uma garota azarada55 Capítulo 55 Eu não mereço você56 Capítulo 56 King57 Capítulo 57 Domênico e Katrina58 Capítulo 58 Você tentou me matar59 Capítulo 59 Magnus e Katrina60 Capítulo 60 A Rainha Anne Marie Chevalier61 Capítulo 61 O que você realmente quer 62 Capítulo 62 Não pare, Magnus!63 Capítulo 63 Eu acho que gosto dele!64 Capítulo 64 O tempo que me perde65 Capítulo 65 Você veio!66 Capítulo 66 Eu vou me aproveitar de você agora67 Capítulo 67 O dia depois68 Capítulo 68 Praia69 Capítulo 69 O que acontece no quarto ao lado70 Capítulo 70 A batalha71 Capítulo 71 Black está ferido72 Capítulo 72 Dom e Black73 Capítulo 73 Magnus e Domênico74 Capítulo 74 Adolfo Lee75 Capítulo 75 Onde está Kevin 76 Capítulo 76 Preciso de dinheiro, Alteza.77 Capítulo 77 Eva78 Capítulo 78 Um presente para Magnus79 Capítulo 79 Black para sempre80 Capítulo 80 Você não presta, Dereck Chevalier81 Capítulo 81 Chegou sua fada madrinha82 Capítulo 82 O baile de máscaras83 Capítulo 83 Eu preciso comer84 Capítulo 84 Você mexeu com a pessoa errada85 Capítulo 85 Eu vou matar Katrina Lee86 Capítulo 86 Katrina Lee está morta87 Capítulo 87 Simplesmente acontece88 Capítulo 88 Vingança89 Capítulo 89 Kevin voltou90 Capítulo 90 Segredo revelado91 Capítulo 91 Nada poderia ser pior que simular a própria morte92 Capítulo 92 A vida não é justa para pessoas como nós93 Capítulo 93 Quase fomos uma história de amor94 Capítulo 94 Eu quero o meu príncipe95 Capítulo 95 Magnus e Black96 Capítulo 96 Vitória e Katrina: o acerto de contas97 Capítulo 97 O casamento real98 Capítulo 98 Lua de Mel I99 Capítulo 99 Lua de Mel II100 Capítulo 100 Ela já pode dar ordens